Enquanto a reforma não vem, o PT faz o inventário dos cargos e traça estratégias para a campanha municipal de 2012. A cadeira mais cobiçada é a do ministro da Educação, Fernando Haddad (PT), que sairá do governo para disputar a Prefeitura de São Paulo. Correntes do PT também querem retomar antigos feudos, como os ministérios do Trabalho e das Cidades, duas pastas alvejadas por acusações de corrupção.


Além de mexer em Educação e Trabalho - que estava com o PDT -, Dilma deve trocar Mário Negromonte (Cidades), Ana de Hollanda (Cultura), Iriny Lopes (Mulheres) e Afonso Florence (Desenvolvimento Agrário). Não é só: pretende fundir os ministérios de Agricultura e Pesca e pode substituir o ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra Coelho.

O vistoso orçamento do Ministério das Cidades, por outro lado, é considerado 'muito grande' para um partido do tamanho do PP e abre o apetite do PT.


Em jantar promovido há uma semana pela chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, ministros petistas manifestaram preocupação com a divisão da base aliada nas principais capitais e com as 'travessuras' do PSB.


Haddad trabalha para que o seu substituto na Educação seja o secretário executivo, José Henrique Paim Fernandes, filiado ao PT. O argumento é que ele representa a continuidade de um trabalho iniciado na gestão Lula. Dilma gosta de Paim, mas ainda não tomou uma decisão.


Um grupo do PT pressiona o governo para que a cadeira de Haddad fique com Aloizio Mercadante, ministro da Ciência e Tecnologia. Mercadante está de olho em um ministério com mais holofotes porque deseja concorrer ao governo de São Paulo, em 2014.

Mesmo antes de Dilma definir o novo mapa do primeiro escalão, os petistas já traçam planos. Dizem que, se Mercadante for para Educação, o Ministério de Ciência e Tecnologia pode ser ocupado pelo deputado Newton Lima (PT-SP), ex-reitor da Universidade Federal de São Carlos.


Nesse caso, seria aberta uma vaga de deputado federal para José Genoino, hoje assessor especial do Ministério da Defesa. No Planalto, porém, o comentário é o de que a reforma ainda está apenas 'na cabeça de Dilma'.