17/10/2026

Lula chama de “pilantra”; Roberta reage e cobra explicações sobre Lulinha

Na reta final da campanha, acusações envolvendo acesso a ministros exigem respostas verificáveis. Insultos não esclarecem os fatos.

by Deise Brandão


A empresária Roberta Luchsinger, investigada pela Polícia Federal por suspeita de tráfico de influência, afirma que Lula sabia de reuniões de seu filho, Fábio Luís Lula da Silva, com ministros. Em entrevista à CNN Brasil neste sábado (17), ela rebate os ataques do presidente e contesta a tentativa de afastá-lo dessas relações.

Roberta cita encontros com Camilo Santana e afirma que Lulinha frequentava reuniões com integrantes do governo. Também anuncia que pretende negociar uma delação premiada. A intenção declarada ainda não representa um acordo firmado nem comprovação das acusações. As defesas de Roberta e Lulinha negam irregularidades.

O ponto exige esclarecimento: quais encontros ocorreram, com quem, para tratar de quê e com quais resultados? Reuniões não comprovam crime. Mas, diante de suspeitas de tráfico de influência, cabe apurar se relações pessoais serviram para abrir portas e favorecer interesses privados.

Lula já chamou Roberta de “pilantra” e a comparou a Daniel Vorcaro. A empresária, antiga apoiadora do petista, reage dizendo que não aceitará assumir sozinha as responsabilidades pelo que está sendo investigado.

Em resposta à CNN, a comunicação do presidente nega interlocução com Roberta, conhecimento das supostas tratativas e contratos federais com ela. Também classifica a divulgação às vésperas do segundo turno como tentativa de interferência eleitoral. Camilo Santana, por sua vez, nega ter tratado de negócios ou assuntos de governo com a empresária.

A proximidade da eleição exige rigor na apresentação das denúncias. Também exige transparência de quem ocupa o poder. Invocar o calendário eleitoral não resolve as perguntas levantadas; apresentar acusações não dispensa provas.

Roberta precisa sustentar o que afirma. Os citados precisam responder aos fatos concretos. E o eleitor tem direito a esclarecimentos antes de votar — sem que a campanha transforme investigação em condenação ou sirva de desculpa para evitar explicações.

12/10/2026

Brasil registra milhões de empresas fechadas: abrir um CNPJ não basta para manter um negócio


by Deise Brandão 

Em 2024, foram mais de 2,4 milhões de encerramentos. Nos primeiros oito meses de 2025, outros 1,9 milhão. Dados oficiais mostram a dimensão dos fechamentos, mesmo com saldo positivo de novas empresas.

O Brasil registra um volume expressivo de encerramentos empresariais. Segundo o Mapa de Empresas do governo federal, 2.153.840 empresas foram fechadas em 2023, aumento de 25,7% em relação a 2022. Em 2024, o número chegou a 2.436.190. São milhões de registros encerrados em apenas dois anos.

Os boletins consultados apresentam o seguinte quadro:

PeríodoEmpresas fechadas
2022Cerca de 1,71 milhão
20232.153.840
20242.436.190
Janeiro a abril de 2025973.330
Maio a agosto de 2025942.049

Fontes: boletins do Mapa de Empresas de 2023, 2024 e dos dois primeiros quadrimestres de 2025. Os números correspondem às informações publicadas em cada edição e podem sofrer revisões posteriores.

Somados os dois primeiros quadrimestres de 2025, são 1.915.379 encerramentos entre janeiro e agosto — média calculada de aproximadamente 7,9 mil por dia. Esse número é parcial e não deve ser apresentado como o total anual de 2025.

Os pequenos empreendedores têm forte presença nesse movimento. Dos 942.049 encerramentos registrados entre maio e agosto de 2025, 677.921 eram de microempreendedores individuais, os MEIs: aproximadamente 72% do total.

Nesse mesmo quadrimestre, o comércio de roupas e acessórios registrou 48.117 fechamentos. Cabeleireiros, manicures e pedicures somaram 32.569; obras de alvenaria, 22.543; e lanchonetes, casas de chá e de sucos, 20.998. São atividades presentes no cotidiano dos bairros e das cidades.

As aberturas superam os fechamentos, mas isso não elimina a necessidade de investigar por que tantos negócios encerram suas atividades. Em 2024, foram abertas 4.254.903 empresas, com saldo positivo de 1.818.713. Entre maio e agosto de 2025, houve 1.668.753 aberturas e saldo positivo de 726.704 registros.

É necessário distinguir encerramento cadastral de falência: uma baixa de CNPJ não comprova, sozinha, insolvência, demissões ou a causa do fechamento. O próprio Mapa de Empresas registra que mudanças administrativas já facilitaram a baixa formal de negócios que haviam parado de funcionar anteriormente.

Ainda assim, o volume exige atenção. Quais dificuldades levam ao encerramento? Quanto pesam crédito, custos, impostos, demanda e falta de planejamento? Os totais cadastrais não respondem a essas perguntas.

Uma política de empreendedorismo precisa olhar também para a permanência dos negócios. Facilitar a abertura é uma etapa. Entender os fechamentos e criar condições para que empresas viáveis continuem funcionando é outra, igualmente necessária.

Vamos cuidar da nossa vidibnha? Parar de se meter nas 'casas alheias' me parece uma 51. Não estamos em condiçoes, físicas, mentais e  menos ainda, detentores de algum STATUS. 

MPF cobra a Shell pela enchente. Mas quem cobra a prevenção que falhou?

by Deise Brandão

O Ministério Público Federal pede R$ 541 milhões à Shell Brasil pelos danos da enchente de 2024 no Rio Grande do Sul. A tese é que a contribuição histórica da petroleira para as emissões de gases de efeito estufa ajuda a explicar o agravamento do desastre. O valor é pedido em uma ação, ainda não uma condenação.

Não tenho ações da Shell, não tenho interesse em defendê-la e nem abasteço nos seus postos. Minha pergunta é outra: onde estava a cobrança para que a proteção contra enchentes funcionasse antes de tudo ficar debaixo d’água?

A discussão sobre o aquecimento global não pode deixar em segundo plano comportas danificadas, bombas inoperantes e diques rebaixados. Essas falhas são apontadas pelo próprio Ministério Público gaúcho na ação contra o Município de Porto Alegre, ajuizada em março de 2025. O MPRS sustenta que as enchentes de 2023 já deveriam ter alertado a administração para o risco.

Portanto, existe cobrança judicial contra a prefeitura. Mas ela acontece depois da tragédia. E antes? Quais fiscalizações foram realizadas? Quais medidas o Ministério Público exigiu? Quem recebeu os alertas, quais prazos foram impostos e quem acompanhou seu cumprimento?

Há ainda uma explicação a cobrar: em julho de 2025, o MPRS informou a promoção de arquivamento de um inquérito sobre possíveis falhas no sistema de proteção, enquanto manteve a ação que pede indenização ao Município. São procedimentos distintos, mas a população merece entender claramente o que foi apurado e por que aquele inquérito teve esse encaminhamento.

Na ação contra a Shell, também é necessário explicar como se chega aos R$ 541 milhões e quais critérios definem as empresas que devem responder. Se o fundamento é a contribuição para as emissões, qual é o critério para alcançar outros grandes emissores?

Buscar reparação é necessário. 

Mas indenização não devolve vidas, não impede a perda de uma casa e não substitui prevenção. O Ministério Público precisa apresentar também o histórico da sua atuação antes do desastre. A população tem direito de saber o que foi feito para protegê-la enquanto ainda havia tempo.

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