09/10/2026

Terremoto no Pana,á Pânico no Pacífico: Forte terremoto de 7,7 de magnitude assusta o Panamá


by Deise Brandão

Nesta sexta-feira, 9 de outubro de 2026, um forte terremoto de magnitude 7,7 atingiu o sul do Panamá. O abalo sísmico ocorreu às 12h56 (horário local) a uma profundidade muito rasa de apenas 10 quilômetros, o que intensificou o impacto dos tremores sentidos na superfície e gerou pânico generalizado no país. O epicentro foi localizado próximo à comunidade de La Pitaloza, na província de Los Santos.

O sismo causou evacuações em massa na Cidade do Panamá, o fechamento temporário do aeroporto internacional e danos estruturais significativos, como o colapso parcial de edifícios e hotéis em cidades como Penonomé e Santiago. Apesar da magnitude severa, não há registros de mortos ou feridos graves até o momento.

Um resumo detalhado do impacto e das características técnicas do evento:

AspectoDetalhes do Evento
Magnitude 7,7 Mw (revisada pelo USGS após estimativa inicial de 8,0)
Profundidade Entre 4 km e 10 km (considerado muito raso)
Epicentro Região sul do país • Próximo a La Pitaloza / Tonosí
Alerta de Tsunami Emitido para vários países da costa do Pacífico, mas retirado posteriormente
Canal do Panamá Operando normalmente após protocolos de segurança
Danos Principais Queda de torres e marquises • Desabamentos parciais de hotéis • Incêndio portuário em Colón

Contexto Geológico

O Panamá está localizado na borda do chamado Círculo de Fogo do Pacífico. Essa imensa área em formato de ferradura concentra cerca de 90% dos terremotos do planeta devido ao constante atrito, colisão e movimentação de grandes placas tectônicas na crosta terrestre.

Quando a tensão acumulada nessas falhas geológicas é liberada abruptamente, surgem ondas sísmicas devastadoras como as observadas hoje. Mais de uma dezena de réplicas (tremores secundários), incluindo uma de magnitude 6,0, continuaram a assustar a população local nas horas seguintes. pes de resgate continuam inspecionando as áreas afetadas, novas atualizações sobre a infraestrutura e possíveis impactos na região podem surgir a qualquer momento. 

26/09/2026

O FATO X INVENÇÃO X ABSURDO


by Deise Brandão

Projeto arquivado em 2008 é ressuscitado como “ameaça atual” em 2026 — e ainda atribui ao Estado um poder que ele nunca teve

Está circulando nas redes sociais a afirmação de que a bancada evangélica estaria articulando o desarquivamento de um projeto para retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil. A narrativa foi associada à atual disputa eleitoral e até à candidatura de Flávio Bolsonaro.

O projeto existiu. A ameaça atual, até o momento, não.

O PL nº 2.623/2007 foi apresentado em 12 de dezembro de 2007 pelo então deputado Professor Victório Galli, eleito pelo PMDB de Mato Grosso. A proposta pretendia alterar a Lei nº 6.802/1980, substituindo a expressão “Padroeira do Brasil” por “Padroeira dos brasileiros católicos apostólicos romanos”.

Em 9 de julho de 2008, o parecer pela rejeição foi aprovado por unanimidade na Comissão de Educação e Cultura da Câmara. Como não houve recurso, o projeto foi arquivado definitivamente em 22 de agosto de 2008.

Portanto, não se trata de projeto atual, não está em votação, não foi apresentado por Flávio Bolsonaro e não existe ato oficial demonstrando que a atual bancada evangélica esteja promovendo seu desarquivamento.

O que existe é um projeto rejeitado e arquivado há mais de 18 anos, recuperado das gavetas da Câmara para produzir medo e desgaste político em 2026.

A GloboNews, cuja manifestação ajudou a alimentar a repercussão, posteriormente fez uma retratação. Isso, porém, costuma alcançar muito menos pessoas do que a informação alarmista original.

UM DEPUTADO PODE PROPOR ATÉ A REVOGAÇÃO DA LEI DA GRAVIDADE

Um deputado pode apresentar projeto sobre praticamente qualquer assunto. Poderia, se quisesse, propor até a revogação da Lei da Gravidade.

A existência de um projeto não significa que ele seja juridicamente possível, politicamente viável, aprovado pelo Congresso ou transformado em lei. Muito menos significa que seus efeitos ultrapassem os limites da autoridade do Estado.

No caso de Nossa Senhora Aparecida, há uma confusão conveniente entre duas coisas completamente diferentes: o reconhecimento civil estabelecido por uma lei brasileira e o título religioso concedido pela Igreja Católica.

A Lei nº 6.802, de 30 de junho de 1980, declarou feriado nacional o dia 12 de outubro para culto público e oficial a Nossa Senhora Aparecida, mencionando-a como Padroeira do Brasil.

Mas não foi o Congresso Nacional que lhe concedeu esse título.

Nossa Senhora da Conceição Aparecida foi proclamada Padroeira principal do Brasil pelo Papa Pio XI em 1930, a pedido dos bispos e do povo católico brasileiro. A proclamação solene ocorreu em 31 de maio de 1931, no Rio de Janeiro.

A lei brasileira surgiu cinquenta anos depois. Ela reconheceu civilmente uma condição religiosa que já existia havia décadas.

O Congresso pode alterar a lei civil, mudar a redação da norma ou discutir a existência do feriado. O que não pode é revogar uma proclamação pontifícia, destituir uma padroeira da Igreja ou apagar a devoção de milhões de brasileiros.

Essa competência não pertence a deputado, senador, presidente da República ou ministro do Supremo. Pertence à autoridade eclesiástica competente — a Santa Sé.

E nem uma decisão política da Igreja teria o poder de arrancar a fé do coração do povo.

NÃO SE REVOGA A FÉ POR VOTAÇÃO

Aparecida não se tornou Padroeira do Brasil porque um parlamentar escreveu isso numa lei em 1980. A lei reconheceu uma devoção nascida no povo, consolidada durante séculos e formalizada pela Igreja.

Nenhum projeto de lei faz alguém acreditar. Nenhum projeto de lei impede alguém de acreditar.

O Estado pode modificar seus próprios atos, mas não possui autoridade para reescrever a fé católica. Não pode determinar quem será venerado pelos fiéis, como não pode votar a existência de Deus, revogar um sacramento ou destituir a Mãe de Jesus daquilo que ela representa para seus devotos.

Por isso, mesmo o antigo projeto de Victório Galli, se tivesse sido aprovado, alteraria apenas a redação da legislação brasileira. Nossa Senhora Aparecida continuaria sendo reconhecida pela Igreja como Padroeira do Brasil e continuaria ocupando o mesmo lugar na fé dos católicos.

A proposta poderia produzir uma agressão simbólica, um conflito político e uma mudança no reconhecimento estatal. Não produziria o efeito religioso que seus defensores ou críticos lhe atribuem.

QUEM TEM FÉ NÃO PRECISA INVENTAR AMEAÇAS

É justamente por se tratar de um tema sagrado para milhões de brasileiros que a informação deveria ser tratada com responsabilidade.

Quem recupera um projeto de 2007, esconde seu arquivamento em 2008 e o apresenta como articulação atual não está defendendo Nossa Senhora. Está utilizando a fé dos católicos como ferramenta eleitoral.

O truque é conhecido: parte-se de um fato verdadeiro — a existência do PL —, elimina-se a data, omite-se sua rejeição, inventa-se uma movimentação contemporânea e acrescenta-se o nome do adversário político que se pretende atingir.

O autor do projeto trabalhou, anos depois, durante alguns meses como assessor especial no governo Jair Bolsonaro. Esse vínculo posterior pode ser informado, mas não transforma uma proposta individual apresentada por um deputado do PMDB em 2007 num projeto atual de Flávio Bolsonaro, de Jair Bolsonaro ou de toda a bancada evangélica.

Fé não precisa de mentira para ser defendida.

Quem acredita que Nossa Senhora Aparecida é Padroeira do Brasil não deveria temer uma proposição parlamentar arquivada. E quem diz respeitar a religião não deveria falsificar datas e fatos para provocar pânico entre os fiéis.

Há algo profundamente contraditório em usar Nossa Senhora como instrumento de desinformação eleitoral e, ao mesmo tempo, apresentar-se como defensor da fé.

Talvez estejam tão acostumados a pensar que enganam o povo que começaram a acreditar que também podem enganar Deus.

O FATO X INVENÇÃO X ABSURDO

O fato é que o PL nº 2.623/2007 existiu. O fato é que pretendia mudar a forma como Nossa Senhora Aparecida era mencionada na legislação.O fato é que foi rejeitado por unanimidade e arquivado definitivamente em 2008.

A invenção é apresentá-lo como projeto atual.
A invenção é afirmar, sem ato oficial que o comprove, que a atual bancada evangélica está articulando seu desarquivamento.  A invenção é atribuí-lo a Flávio Bolsonaro, que não era parlamentar federal quando a proposta foi apresentada.

E o absurdo maior é imaginar que o Congresso Nacional teria poder para destituir uma padroeira proclamada pela Igreja e consagrada há gerações pela fé popular.

Deputados podem apresentar projetos. Podem alterar leis humanas. Podem até escrever absurdos em papel timbrado.

O que não podem é legislar sobre o coração dos fiéis.

Nossa Senhora Aparecida não depende de Brasília para continuar sendo a Padroeira do Brasil.

QUANDO A MEDICINA TEM ALMA




by Deise Brandão

O médico que aparece ao centro desta fotografia é o Dr. Carlos Thompson Flores, endocrinologista de Alegrete. Pensem em um homem bom. Uma pessoa iluminada, dona de um coração que parece não caber dentro do próprio peito e de um amor pela medicina como poucas vezes testemunhei.

Conheci o Dr. Carlos em 1998, quando atravessei um dos maiores medos da minha vida. Minha filha tinha apenas 15 anos quando realizou um exame da tireoide na PUC. O diagnóstico foi de carcinoma papilífero, com encaminhamento urgente para cirurgia e retirada da tireoide.

Perdi o chão.

Naquela época, eu morava em Santa Maria do Herval e já enfrentava problemas graves na cidade em razão do embuste. Uma amiga contou que, em Alegrete, havia um endocrinologista maravilhoso. Consegui emprego no Diário de Alegrete, mudei-me para lá e, assim que cheguei, fui procurar o Dr. Carlos no local onde atendia pelo SUS.

E logo no primeiro encontro ele me ensinou uma lição que nunca esqueci.

Apavorada e sem saber sequer se o caso deveria ser acompanhado por um endocrinologista ou por um oncologista, eu disse que, se fosse ele o médico responsável, levaria minha filha ao seu consultório particular. Ele fechou a expressão imediatamente e respondeu:

— Não há necessidade. Lá eu dou o mesmo atendimento que dou aqui.

Senti como se tivesse levado um tapa — não de humilhação, mas de humanidade. Eu acabava de conhecer um médico para quem o paciente continuava sendo paciente, independentemente de pagar uma consulta ou ser atendido pelo SUS.

Ele examinou minha filha com atenção, solicitou todos os exames necessários, conversou conosco e me acalmou. Foram realizadas três punções, todas pelo Dr. Erasmo, outro médico muito querido que, mais tarde, seria prefeito de Alegrete.

Ao final da investigação, descobriu-se que minha filha não tinha carcinoma. O diagnóstico correto era tireoidite de Hashimoto, causadora de hipotireoidismo. O diagnóstico inicial mostrou-se equivocado, e o encaminhamento urgente para a retirada da tireoide, precipitado. Uma adolescente esteve muito perto de passar por uma cirurgia irreversível da qual não precisava.

Desde então, minha filha faz reposição hormonal e mantém acompanhamento constante.  A convivência exigiu muita paciência e amor, especial, naqueles dias femininos do mês. Pode-se ter um Tsunami a qualquer momento. Aprendemos a disciplinar estes momentos e hoje com efetivos limites para a falta ou desalinhamento do T4, TSH,T3.

Pois. Voltando á 1998 e Dr. Carlos.
O medo e a tensão daquele período também atingiram minha saúde. Aos 35 anos, desenvolvi uma crise hipertensiva gravíssima: minha pressão chegou a 23 por 16. Fiquei internada durante uma semana. Meus filhos, ainda menores, também ficaram comigo no quarto naquela noite,  porque eu insistia em levá-los para casa e retornar depois — algo que, naquele estado, evidentemente não era possível.

Durante aquela semana, o Dr. Carlos cuidou de mim com uma atenção e um carinho que jamais esqueci. Acompanhou-me, tranquilizou-me e esteve presente quando eu me encontrava assustada, fragilizada e longe de casa. Por todo aquele cuidado, cobrou-me uma única consulta.

Poucas pessoas caminharam verdadeiramente comigo ao longo da vida. O Dr. Carlos Thompson Flores é uma delas.

Tenho por ele um carinho imenso e uma gratidão que não cabe dentro de mim. Não apenas porque ajudou a impedir uma cirurgia desnecessária em minha filha, mas porque me mostrou, num momento de absoluto desespero, o que significa exercer a medicina com conhecimento, responsabilidade, igualdade e amor.

Existem pessoas que passam por nossa história. Outras permanecem nela para sempre. 
Nas minhas lembranças, o lugar do Dr. Carlos é lugar de Rei.

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