09/10/2025

Cris Pereira: o caso que virou espetáculo — e escondeu o verdadeiro protagonista

                      

by Deise Brandão

Não sei se Cris Pereira é culpado ou inocente. O que me interessa — e que ninguém parece querer discutir — é que a mãe da menina não condenou ninguém.

Não foi ela quem reverteu a absolvição.
Não foi ela quem levou o caso a uma Câmara Criminal.

Foi o Ministério Público do Estado do Rio Grande do Sul.
E quem assinou a condenação final foi o Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul.
 

O que ninguém está falando

Se fosse uma armação da mãe, como muitos estão repetindo, o processo teria morrido na primeira instância — como morrem todos os processos em que não há prova suficiente.
Mas não.
O Ministério Público recorreu.E quatro desembargadores acataram o recurso e condenaram.
 

A pergunta óbvia que ninguém faz é: por quê?

👉 Quais foram os fundamentos desse recurso?
👉 Que elementos convenceram um colegiado inteiro a reverter uma sentença absolutória?
👉 Por que essa informação não está sendo divulgada com transparência mínima?

O peso da minha experiência

Falo como alguém que conhece, na pele, como o MP e o Judiciário podem manipular destinos.
Sei que decisões podem ser distorcidas, invertidas, usadas politicamente.
Sei que em certas comarcas “padrão”, a versão oficial é apenas o verniz de um jogo muito mais sujo.

Então, sim, é mais plausível — do ponto de vista institucional — que tenha havido manobra ou jogo de bastidores, do que imaginar que uma mãe “armou” algo tão grande a ponto de dobrar promotor e quatro desembargadores sozinha.

Afinal, quem teria dinheiro e poder para isso? 

A engenharia do bode expiatório

Enquanto a sociedade briga entre “mãe mentirosa” e “comediante injustiçado”,
o verdadeiro protagonista do ato jurídico passa despercebido: o Estado.

👉 Não foi a mãe que recorreu.
👉 Não foi a mãe que condenou.
👉 Não foi a mãe que sustentou a tese em segunda instância.

Mas é a mãe que está sendo linchada.
E junto com ela, a filha — que sequer tem voz para se defender da narrativa pública.
 

O silêncio que grita

A sentença de primeiro grau absolveu.
A sentença de segundo grau condenou.
Entre uma e outra, há uma peça processual que ninguém está cobrando: a apelação do MP.

Essa peça tem um nome. Tem um autor. Tem uma fundamentação jurídica.
E deveria — por obrigação institucional — estar clara à sociedade.

Mas não está. 

Eu não defendo Cris. Eu defendo a verdade.

Se ele for inocente, que o Estado explique por que o condenou.
Se ele for culpado, que o Estado explique por que esconde as provas.
Em ambos os cenários, há algo podre:
ou uma condenação sem transparência,
ou uma verdade que está sendo enterrada.

E no meio disso tudo, transformam uma mãe em vilã pública — para que ninguém olhe para cima. 

    A cobrança é clara:

  •  Quem assinou a apelação do MP?
  • Qual foi a fundamentação que convenceu quatro desembargadores?
  • Por que o TJRS não dá transparência mínima ao caso?
  • Por que o foco foi desviado para a mãe, quando a responsabilidade é institucional? 

Não aceito narrativas prontas. Não aceito linchamentos públicos de quem não condenou.E não aceito que um Estado que se diz de Direito aja na penumbra.

Que a sociedade exija respostas, em vez de destilar achismos e veneno contra pessoas que sequer conhece — de um lado ou de outro. E se conhece, que tenha a coragem de parecer imparcial e cobrar de quem realmente tem poder para responder: o Estado.

 

06/10/2025

Lápis que viram vida

 


by Deise Brandão

Um projeto nas Filipinas está dando novo destino ao que o mundo costuma jogar fora.
Jornais velhos, papel amassado, tinta esquecida — tudo isso renasce em forma de lápis ecológicos. 
Mas não são lápis comuns: na ponta de cada um, há uma cápsula com sementes de manjericão.

Quando o lápis chega ao fim, em vez de ir pro lixo, ele vai pra terra.
E dali, em poucas semanas, nasce uma planta.
Simples assim: o que um dia foi notícia, vira tempero, vira vida.

É mais que reciclagem — é uma lição de coerência.
Um lembrete silencioso de que tudo pode ter um ciclo bonito, se houver intenção.
Esses lápis ensinam o que o mundo anda esquecendo: que sustentabilidade não é discurso, é gesto.
É plantar o que se usa, devolver o que se tira, e permitir que a natureza continue escrevendo conosco.

05/10/2025

MAQUIAVEL TAMBÉM SE APRENDE

                     



by Deise Brandão

Entre o cálculo e a lucidez, há quem aprenda a ver o mundo como ele é — não como gostaria que fosse.

Há quem nasça acreditando na bondade natural das pessoas.
E há quem, depois de cair o bastante, aprenda o idioma dos lobos.

Maquiavel pertenceu a esse segundo grupo.
E quem sobreviveu ao caos também.

Ser maquiavélico não é ser cruel — é enxergar a engrenagem do poder sem o verniz das ilusões.
É saber que, quando as máscaras caem, o que move o mundo não são promessas nem virtudes, mas estratégia, coragem e leitura fria do cenário.

Maquiavel se aprende quando a vida obriga a ver o que os outros fingem não ver:
os falsos aliados, os aplausos interesseiros, o discurso travestido de moralidade.
Aprende-se Maquiavel quando se descobre que quem mais fala de ética teme ser exposto,
e que quem é acusado de dureza é, muitas vezes, o único lúcido em meio aos disfarces.

O maquiavelismo não nasce da frieza — nasce da lucidez.
De quem já confiou e foi traído, acreditou e foi usado, perdoou e foi ferido outra vez.
É o estágio evolutivo de quem cansou de perder por jogar limpo num jogo sujo.

Maquiavel não defendia o mal. Defendia a clareza.
Não dizia “trapaceie”, mas sim: “entenda o jogo antes de jogar”.
E quem entende o jogo muda o tabuleiro.

Ser maquiavélico é agir com propósito, não com impulsos.
É controlar o que os outros chamam de sorte.
E, quando o caos chega, moldá-lo com mãos firmes — porque o caos não se convence com gentilezas.

Maquiavel também se aprende.
Aprende-se nas ausências, nas traições silenciosas, nas vezes em que a verdade custou caro demais.

E se aprende, principalmente, quando se descobre que sobreviver também é uma forma de governar.

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