by Deise Brandão
Existe uma pergunta muito simples que os defensores de Luiz Inácio jamais respondem: por que pessoas normais, lúcidas e diretamente atingidas pelo que acontece no país desejariam inventar escândalos sobre o presidente da República?
Que vantagem teríamos nisso?
Por que alguém desejaria viver cercado por suspeitas, desmandos do Estado, abusos institucionais, contratos inexplicáveis, autoridades sem limites e escândalos que se sucedem antes mesmo que o anterior tenha sido compreendido?
Eu gostaria que tudo fosse mentira.
Gostaria de ter boas notícias para publicar. Gostaria de acreditar que o presidente trabalha pelo país, que as instituições funcionam, que o dinheiro público é respeitado e que as autoridades têm algum compromisso com os limites do próprio cargo.
Eu não ganho absolutamente nada quando uma denúncia se confirma. Ao contrário: perco um pouco mais da confiança no país em que vivo.
Durante muitos anos, um dos meus maiores prazeres como jornalista era preparar uma jarra melita de café preto e percorrer as notícias do dia. Eu lia, comparava versões, procurava informações e fazia um apanhado do que estava acontecendo no Brasil e no mundo.
Hoje, esse prazer desapareceu.
Vejo as manchetes e já não sei em quem acreditar. Não acredito imediatamente na acusação, mas também não acredito no desmentido oficial. Preciso procurar documentos, confrontar datas, identificar a origem da informação e descobrir o que foi omitido por cada lado.
Isso não é prazer jornalístico. É sobrevivência informativa.
Transformaram o noticiário numa guerra de versões em que a palavra “fake news” passou a servir como escudo universal. Em vez de responder ao fato, atacam quem pergunta. Em vez de apresentar documentos, acusam o mensageiro. Em vez de explicar a contradição, dizem que tudo é perseguição contra Luiz Inácio.
Evidentemente existem notícias falsas. Existem montagens, exageros, manchetes enganosas e acusações sem prova. Tudo isso precisa ser identificado e desmentido.
Mas não é possível classificar automaticamente como mentira toda informação inconveniente ao governo.
Questionar não é desejar que a denúncia seja verdadeira. Investigar não é torcer contra o país. Criticar Luiz Inácio não significa ter prazer na desgraça nacional.
Muito pelo contrário.
Queremos saber a verdade justamente porque somos nós que vivemos sob as decisões desse governo. Somos nós que pagamos os impostos, suportamos os abusos, financiamos as instituições e enfrentamos as consequências quando o Estado ultrapassa seus limites.
A pergunta, portanto, não deve ser por que tanta gente fala sobre os escândalos envolvendo o governo. A pergunta correta é: por que surgem tantos fatos que precisam ser explicados — e por que qualquer tentativa de examiná-los é imediatamente chamada de fake news?
Não quero que as denúncias sejam verdadeiras. Quero que sejam seriamente investigadas.
Se forem falsas, que se mostre a falsidade com documentos e fatos. Se forem verdadeiras, que os responsáveis respondam por elas. O que não aceito é ser tratada como mentirosa simplesmente porque me recuso a acreditar cegamente.
Não inventamos um país pior por diversão. Estamos tentando compreender o país que colocaram diante de nós. E, sinceramente, eu preferia continuar tomando meu café e encontrando razões para acreditar no Brasil. Democrático. Justo. Livre.

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