11/10/2014

João Santana, tremei! Os bastidores de um vídeo viral

turma do chapéu

Campanhas eleitorais são ganhas com o melhor marketing que o dinheiro pode comprar.
Foi assim com Collor em 1989, Lula em 2012 e, pelo menos até uma semana atrás, com a Presidente Dilma Rousseff.
Mas na era do Complexo Facebook-Google-Whatsapp, um bando de garotos munidos de laptops, bebendo água e suco e programando freneticamente estão conseguindo — de graça — fazer o contraponto virtual à cara e primorosa (honestidade intelectual à parte) campanha do PT.
Os jovens aecistas cybermilitantes se reúnem numa espécie de confraria chamada Turma do Chapéu. São cerca de cinquenta membros “atuantes e rotativos”, a maior parte em Minas e São Paulo, tradicionais redutos tucanos.
Essa semana, a Turma do Chapéu jogou na internet duas iniciativas que aumentaram a autoestima dos aecistas numa campanha marcada por seu complexo de inferioridade em relação ao talento do marketeiro de Dilma, João Santana, o homem que já elegeu seis presidentes.
Na quarta-feira, a Turma do Chapéu colocou no ar o Aécio de Verdade — um site que desconstrói o que os garotos chamam de “mentiras” do PT contra seu candidato.
Na quinta, um membro da Turma cercou Aécio no Rio e gravou o vídeo caseiro que se viralizou no Whatsapp nas 24 horas seguintes. No vídeo, Aécio fala olhando para a câmera do celular e convida o “pessoal desse grupo de Whatsapp” a “combater as mentiras com a verdade.” O texto-base foi feito pelos garotos de Minas, que juram que Aécio também improvisou um pouco. (Nota: Se você ainda não recebeu este vídeo no celular, você provavelmente só tem amigos petistas.)
No Twitter, Vinícius Melo Justo, eleitor de Aécio, comentou: “O vídeo do Aécio para o Whatsapp é, na minha opinião, a primeira bola-dentríssimo da campanha do PSDB.”
Já um eleitor de Dilma… “Aceito de boas no whatsapp essas correntes, orações, imagens santas, Chapolin Sincero… Mas se mandar esse vídeo do aecio é block na hora.”
Os quatro jovens que fizeram o site e o vídeo são Alberto Lage (20 anos), Marcel Beghini (22), Guilhermina Abreu (21) e Sam Jovana (24).
“A ideia do site surgiu em uma reunião de voluntários da campanha do Aécio na segunda-feira à noite,” diz Lage. “Quando fiquei sabendo que não havia nenhum plano para combater a onda de mentiras, fiquei indignado e mobilizei esses amigos.”
O site foi feito na madrugada de terça para quarta em BH. Sabendo que a noite ia ser longa, os guerrilheiros digitais passaram num mercado do lado de casa para se abastecer. Lage tomava água e comia pé de moleque. Jovana se alternava entre água e suco. Abreu comia batata chips. E Beghini, que estuda à noite, chegou mais tarde, direto da aula, com um pacote de viagem do McDonald’s.
Lage e Jovana são filiados ao PSDB de Minas; os outros dois, não. Lage é parente distante do Padre Lage, um dos fundadores do PT em Minas Gerais — fato sempre relembrado pela família quando querem atormentar o garoto.
Lage está no sétimo período de direito na UFMG. O pai é professor da UFMG e a mãe, da PUC. Nenhum deles ocupa cargo público comissionado. Beghini fez jornalismo na PUC e agora cursa Direito. Abreu estuda direito no IBMEC pelo PROUNI e, além da Turma, participa do Embaixadores de Minas, um movimento voluntário de ex-alunos de escolas públicas que tentam devolver algo à sociedade. Jovana é formada em Design pela UEMG.
A Turma do Chapéu já atuou na campanha de 2010, quando trabalharam para José Serra (contra Dilma) e para Antonio Anastasia, que concorria ao Governo de Minas. Foi o próprio Anastasia quem, involuntariamente, batizou o grupo. No evento de lançamento de sua candidatura, os jovens combinaram de ir de chapéu para ficar mais fácil de se encontrar no meio da multidão. Ao vê-los de cima do palco, Anastasia saudou a militância jovem: “Está aqui a turma do chapéu,” disse no microfone.
Começou aí uma relação mais profunda com o PSDB. Nos dois anos seguintes, o Instituto Teotônio Vilela, órgão de formação política do PSDB, bancou três viagens da Turma pelo Brasil. O objetivo era produzir um documentário falando dos problemas nacionais e entrevistando lideranças locais. A ideia era falar só com políticos tucanos, mas como a política é a arte do improviso, os garotos saíram um pouco do script. Em Tocantins, falaram com o pessoal do PT. Em Sergipe, com o PSB. Em Rondônia, com o PMDB.
Nesta campanha, a Turma não passou o chapéu para receber nada do PSDB. “Nós nunca recebemos salário ou qualquer forma de remuneração, mas o PSDB já cobriu os custos de projetos anteriores,” diz Lage. “Mas neste caso, não houve um pedido da campanha. Estamos gastando o nosso.”
Como é natural, Lage comemorou o sucesso dos últimos dias com a métrica típica da Geração Y:
“Eu vivi pra ver um projeto meu saindo no YouPix como ‘genial’ hahahah”, tuitou ele na sexta-feira.
***
PS: Se você só tem amigos petistas, segue o vídeo.
Por Geraldo Samor

Nenhum comentário:

Em Alta

Quem anda pela cabeça alheia é piolho. E jamais terá seu próprio chapéu!

by Deise Brandão Ganhei meu primeiro chapéu aos 16 anos. Yellow! Foi presente da minha mãe. Talvez ela não soubesse, naquele momento, que nã...

Mais Lidas