30/03/2026

UMA CIDADE ONDE NINGUÉM ESTÁ PERDIDO — MESMO QUANDO A MEMÓRIA SE FOI



by Deise Brandão

Não é ficção ou é cenário de filme. E também não é um asilo como estamos acostumados a imaginar.Na Holanda, existe um lugar onde a demência não é tratada com portas trancadas —mas com liberdade controlada, dignidade e rotina.Esse lugar é Hogeweyk, e situa-se na Holanda.
Uma vila inteira construída para pessoas com Alzheimer e demência avançada.
Mas não uma instituição fria. é uma 'cidade'. onde os moradores caminham pelas ruas, fazem compras, tomam café, sentam na praça.Vivem.
Nada ali é exatamente o que parece: O caixa do mercado? É um enfermeiro.O garçom do café? Também.O carteiro, o cabeleireiro, o vizinho simpático…todos são profissionais de saúde treinados.Mas sem uniforme.Sem jalecos.Sem corredores brancos.Sem a sensação constante de que estão doentes.


Porque, naquele espaço, a lógica é outra:em vez de forçar o paciente a se adaptar à realidade…a realidade é adaptada ao paciente.
Sem barreira. Sem o peso institucional que transforma cuidado em vigilância.Eles acompanham, observam, intervêm —mas sem romper a ilusão necessária para quem já perdeu partes da memória.E isso muda tudo.
Quando o cuidado respeita amente - mesmo fragentada
A proposta de Hogeweyk é simples — e radical:parar de tratar a demência como um erro a ser corrigido e começar a tratá-la como uma condição a ser compreendida
Em vez de confrontar o paciente com aquilo que ele já não reconhece,o ambiente oferece familiaridade, segurança e autonomia.
Tudo é controlado — mas nada parece controle.
O espaço é fechado, sim. Mas por dentro, ele respira liberdade, e os resultados são claros: menos agressividade, menos uso de medicação, mais bem-estar.


Hogeweyk não é apenas um lugar. É uma pergunta: Por que ainda insistimos em modelos frios, isolados e hospitalarespara pessoas que já perderam o vínculo com essa lógica? O que é mais humano:corrigir a mente…ou acolher a realidade que ela consegue viver?Essa vila não cura Alzheimer.Mas devolve algo que muita gente perde antes mesmo da memória: dignidade. autonomia, sensação de pertencimento.

28/03/2026

Sincericídio de Luiz Inácio. Ou da cópia dele.

Sim, no dia 24 de março de 2026, durante a cerimônia de sanção do "PL Antifacção" (projeto de lei que endurece regras para facções criminosas), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva cometeu um ato falho e afirmou que o objetivo é que o Brasil seja "um dos países mais respeitados do mundo no crime organizado".


28/02/2026

Os números do PT


by Deise Brandão

Existe a narrativa de que o PT é um partido gigante, mas, quando se observam os números institucionais, o cenário é mais modesto.

Atualmente, o partido ocupa aproximadamente:

  • 3.130 vereadores (cerca de 5% do total nacional)

  • 252 prefeitos (em torno de 4,5%)

  • 1 prefeito de capital

  • 68 deputados federais (aproximadamente 13% da Câmara)

  • 4 governadores

  • 9 senadores (cerca de 11% do Senado)

Considerando uma média simples desses percentuais, o partido detém algo próximo de 9% das posições políticas eletivas no país. É um percentual relevante, mas distante da imagem de hegemonia que muitas vezes se constrói no debate público.

Senado: o ponto mais sensível

No Senado Federal, o PT conta com 9 parlamentares. À primeira vista, pode parecer um número expressivo. Contudo, parte significativa dessas cadeiras está sujeita a renovação eleitoral, o que impõe risco político concreto.

Entre os nomes frequentemente mencionados no cenário eleitoral:

  • Jaques Wagner (BA) e Humberto Costa (PE) são apontados como nomes competitivos em seus estados.

  • Paulo Paim (RS) enfrenta disputa acirrada, dependendo de arranjos locais.

  • Rogério Carvalho (SE) também enfrenta cenário desafiador.

  • Gleisi Hoffmann (PR) tem avaliação de campanha difícil.

  • Fabiano Contarato (ES) e Randolfe Rodrigues (AP) são vistos como vulneráveis em determinados diagnósticos políticos.

  • Fátima Bezerra (RN) aparece como incógnita no cenário eleitoral.

Em estados estratégicos como São Paulo e Minas Gerais, o partido ainda depende fortemente de lideranças nacionais para viabilizar candidaturas competitivas.

Dependência de liderança

O argumento central apresentado por críticos é que o PT aparenta ser maior do que efetivamente é porque conta com a liderança nacional de Luiz Inácio Lula da Silva como principal ativo político.

A comparação feita por alguns analistas é com o que ocorreu com o PSDB após o declínio da liderança de Fernando Henrique Cardoso: a perda gradual de protagonismo nacional.

Há também a avaliação de que o partido enfrenta dificuldades na renovação de quadros e na construção de novas lideranças com projeção nacional equivalente.

Por fim, os números mostram que o PT permanece relevante no cenário nacional, mas não possui hegemonia institucional ampla. Sua força política está concentrada em determinados estados e fortemente associada à figura de sua principal liderança histórica.

O debate, portanto, não é sobre inexistência do partido, mas sobre seu tamanho real dentro do sistema político brasileiro e sua capacidade de renovação para o futuro.

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