by Deise Brandão
Existe a narrativa de que o PT é um partido gigante, mas, quando se observam os números institucionais, o cenário é mais modesto.
Atualmente, o partido ocupa aproximadamente:
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3.130 vereadores (cerca de 5% do total nacional)
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252 prefeitos (em torno de 4,5%)
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1 prefeito de capital
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68 deputados federais (aproximadamente 13% da Câmara)
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4 governadores
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9 senadores (cerca de 11% do Senado)
Considerando uma média simples desses percentuais, o partido detém algo próximo de 9% das posições políticas eletivas no país. É um percentual relevante, mas distante da imagem de hegemonia que muitas vezes se constrói no debate público.
Senado: o ponto mais sensível
No Senado Federal, o PT conta com 9 parlamentares. À primeira vista, pode parecer um número expressivo. Contudo, parte significativa dessas cadeiras está sujeita a renovação eleitoral, o que impõe risco político concreto.
Entre os nomes frequentemente mencionados no cenário eleitoral:
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Jaques Wagner (BA) e Humberto Costa (PE) são apontados como nomes competitivos em seus estados.
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Paulo Paim (RS) enfrenta disputa acirrada, dependendo de arranjos locais.
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Rogério Carvalho (SE) também enfrenta cenário desafiador.
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Gleisi Hoffmann (PR) tem avaliação de campanha difícil.
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Fabiano Contarato (ES) e Randolfe Rodrigues (AP) são vistos como vulneráveis em determinados diagnósticos políticos.
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Fátima Bezerra (RN) aparece como incógnita no cenário eleitoral.
Em estados estratégicos como São Paulo e Minas Gerais, o partido ainda depende fortemente de lideranças nacionais para viabilizar candidaturas competitivas.
Dependência de liderança
O argumento central apresentado por críticos é que o PT aparenta ser maior do que efetivamente é porque conta com a liderança nacional de Luiz Inácio Lula da Silva como principal ativo político.
A comparação feita por alguns analistas é com o que ocorreu com o PSDB após o declínio da liderança de Fernando Henrique Cardoso: a perda gradual de protagonismo nacional.
Há também a avaliação de que o partido enfrenta dificuldades na renovação de quadros e na construção de novas lideranças com projeção nacional equivalente.
Por fim, os números mostram que o PT permanece relevante no cenário nacional, mas não possui hegemonia institucional ampla. Sua força política está concentrada em determinados estados e fortemente associada à figura de sua principal liderança histórica.
O debate, portanto, não é sobre inexistência do partido, mas sobre seu tamanho real dentro do sistema político brasileiro e sua capacidade de renovação para o futuro.

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