13/02/2013

A Civilização do Lixo: 30 bilhões de toneladas de resíduos por ano



Tudo que se produz no mundo acaba descartado no saquinho que colocamos na calçada ou na lixeira do prédio. O lixo domiciliar é o último elo de uma longa cadeia de geração de lixos. Segundo  Annie Leonard¹, atrás de cada saquinho colocado na calçada existem 60 outros sacos de lixo descartados no processo da produção. A reciclagem não contesta a espiral de consumo e apenas a apresenta sob nova roupagem, agora adornada com afetações ambientais e beatificada pelo evangelho do desenvolvimento sustentável. Em síntese, a reciclagem é somente o último dos quatro Rs. É antecedida em ordem de importância por repensar, reduzir e reutilizar. A ciranda do sistema produtivo tem objetivamente nivelado a zero os ganhos advindos com a recuperação dos materiais. Exemplificando, embora no caso do papel a atividade recicladora tenha imposto certa desaceleração no crescimento da demanda por polpa de madeira, ela serviu bem mais como complemento do que substituto para a fibra virgem. Sabidamente, nunca se produziu tanta celulose na história humana quanto nos dias atuais. O consumo de materiais celulósicos cresce num nível tão rápido que suplanta a possível poupança de recursos promovida pela recuperação dos papeis. Outros itens de resíduos repetem o mesmo tipo de desempenho no contexto maior da engenharia econômica. O resgate de metal das lixeiras também não consegue acompanhar o ritmo alucinante de consumo de cargas sequestradas do reino mineral. A produção de aço secundário (metal refundido proveniente da reciclagem) atinge 35% da produção mundial total. Mas os números globais não param de crescer. Assim, se em 1950 as siderúrgicas produziam 189 milhões de toneladas de aço, em 2008 a produção alcançou 1,3 bilhões de toneladas, quase sete vezes mais. Em tempo, precisamos acima de tudo repensar o conjunto da sociedade contemporânea.
¹ Annie Leonard ativista de sustentabilidade norte-americana,professora da Universidade Cornell.
Texto extraído e adaptado por +Jorge Inacio da entrevista do consultor ambiental Maurício Waldman ao IHU On-Line.
Fonte: http://www.ihuonline.unisinos.br/index.php?option=com_content&view=article&id=4794&secao=410
http://tinyurl.com/LixoCivilizacaoRecolher esta postagem

Nenhum comentário:

Em Alta

Quem anda pela cabeça alheia é piolho. E jamais terá seu próprio chapéu!

by Deise Brandão Ganhei meu primeiro chapéu aos 16 anos. Yellow! Foi presente da minha mãe. Talvez ela não soubesse, naquele momento, que nã...

Mais Lidas