sábado, 8 de novembro de 2025

A Vaidade da Influência

 


by Deise Brandão)

Há quem confunda poder com acesso.
Acreditam que um telefonema resolvendo algo os torna importantes — quando, na verdade, apenas revelam o tamanho da distorção institucional em que vivemos.

O poder verdadeiro não liga, não pede, não se gaba.
Mas há quem viva de “ligar para alguém”, colecionando favores e narrando pequenos abusos como se fossem conquistas.
Esses não têm influência — têm dependência.

E o mais curioso é que, anos depois, transformam o próprio desvio em lembrança sentimental.
Publicam histórias de “amizade” e “boa vontade”, sem perceber que estão confessando o mesmo vício que destrói a credibilidade do país: o favor acima da lei.

É essa corrupção miúda, travestida de esperteza e vaidade, que alimenta a grande.
É nela que o sistema se sustenta: nos “deixa comigo que eu resolvo”, nos telefonemas, nos acessos indevidos.
A corrupção começa onde a ética vira piada — e termina exatamente aí: nas mãos dos que confundem amizade com poder.

sexta-feira, 24 de outubro de 2025

Glândula Pineal: a Antena Cósmica Dentro de Nós


Imagem criada para o post por IA GPT

by Deise Brandão

Por muito tempo, a glândula pineal foi tratada apenas como uma pequena estrutura no centro do cérebro, associada à regulação do sono e à produção de melatonina. Um ponto minúsculo, quase esquecido nos livros de anatomia.

Mas quem se aprofunda no estudo dessa misteriosa glândula descobre algo fascinante: a pineal é, na verdade, um órgão sensorial extraordinário, capaz de perceber campos magnéticos, captar vibrações sutis e traduzir essas informações em impulsos neuroquímicos que modulam estados de consciência.

Em outras palavras, ela funciona como uma antena natural, uma ponte viva entre o corpo e o cosmos.

Quando está ativa e saudável, a pineal cria uma rede neural sofisticada que conecta mente, corpo e espírito. É ela que nos torna sensíveis — ainda que de forma imperceptível — às influências do Sol, da Lua, das marés, dos ciclos planetários e até dos campos astrofísicos e geofísicos que nos envolvem.

Assim como as estações mudam, também os nossos ritmos internos se transformam.
A pineal é a tradutora dessa dança universal: converte frequências em sensações, luz em percepção, vibração em intuição. Quando está bloqueada, calcificada ou inativa, perdemos parte dessa sintonia — ficamos mais racionais, mas menos perceptivos, mais despertos no relógio e adormecidos no sentir.

Por isso, cuidar da pineal é mais do que uma questão biológica; é um ato de reconexão. Meditação, silêncio, contato com a natureza, sono adequado e alimentação limpa são caminhos que ajudam a desintoxicar e reativar essa glândula, restaurando o equilíbrio entre o físico e o sutil.

A união entre neurociência e espiritualidade não é fantasia — é expansão de fronteiras.
Estudar a pineal é compreender que não somos separados do universo: somos parte dele, pulsando na mesma frequência de tudo o que existe.

quarta-feira, 22 de outubro de 2025

Fux: Quando a voz dissonante é a única lúcida

 



Imagem gerada pela IA 

by Deise Brandão

O julgamento dos atos de 8 de janeiro expôs mais uma vez algo que há tempos está evidente: o Supremo Tribunal Federal se atribuiu uma centralidade que ultrapassa os limites constitucionais da sua competência. No meio de discursos previsíveis, decisões em bloco e condenações em massa, apenas uma voz destoou com firmeza: a de Luiz Fux.

Fux reconheceu, em voto e palavras, que “cometeu injustiças que não pode mais sustentar”. Reconheceu também que o STF não é, e nunca foi, competente para julgar todos os réus desses processos. Há uma diferença colossal entre julgar quem tem poder real de golpe e julgar cidadãos comuns — e é aí que reside a ruptura jurídica e moral desse caso.

Golpe de Estado, por definição, só pode ser praticado por quem tem poder para executá-lo — não por civis comuns, desarmados, sem qualquer capacidade de tomada institucional. Quando essa linha é rompida, não se está mais falando de Justiça: está-se falando de vingança travestida de legalidade e ainda, principalmente, uma tentativa canalha de calar O POVO, cuja voz é soberana.  

A voz de Fux rompe a homogeneidade artificial do tribunal e colocou o dedo na ferida:

  • O STF extrapola sua competência constitucional.

  • A retórica do “golpe” segue inflada além de qualquer base técnica sólida.

  • O julgamento é usado politicamente para reforçar um poder que deveria ser limitado — e controlado — pela Constituição.

E há um ponto que não pode ser esquecido: numa democracia, a voz soberana é a do povo. O STF não pode (nem deve)  se colocar acima do povo. O tribunal não é detentor do poder originário, ele é guardião da Constituição — e não seu dono. Quando ministros passam a agir como donos do país, já não há separação de poderes, há usurpação institucional.

Por isso, concorde-se ou não com a linha de Fux, o voto dele é o único que realmente trouxe de volta a noção de limite e de legalidade. E quem prega que o STF pode tudo, decide tudo e julga todos — inclusive civis sem qualquer capacidade de golpe —  desconhece a Constituição e/ou age de má-fé. Acredito muito mais na última. 

A democracia não se defende com autoritarismo.
A democracia não se protege atropelando a soberania popular.
E quem não entende isso, não defende democracia: defende poder.

sexta-feira, 17 de outubro de 2025

O que é, afinal, ser criador de conteúdo?

 


by Deise Brandão

Nos últimos anos, muita gente passou a se autointitular “criador de conteúdo”. A expressão ganhou status, foi parar em perfis, bios e cartões de visita — mas, na prática, pouca gente parece entender o peso real desse título.
Criar conteúdo não é apertar o botão de “compartilhar” e colar uma legenda vazia como “fato”, “verdade” ou “bem assim”. Isso se chama replicar. Criar é outra coisa.

Criar é interpretar (de preferência com alto conhecimento da semâtica!) 

Um criador de conteúdo não é apenas um mensageiro. Ele observa, filtra, pensa, interpreta, analisa, dá contexto e oferece uma leitura própria do mundo.
Quando alguém compartilha uma notícia, um vídeo ou um post sem acrescentar nada — sem questionar, sem contextualizar, sem explicar — não está criando: está apenas repassando.

Criar é se posicionar

Criar conteúdo exige voz própria. Seja informando, opinando ou provocando reflexão, quem cria assina com sua identidade — ainda que seja em silêncio, o olhar autoral está lá.
Quando tudo o que se publica é neutro, raso e automático, não se está construindo nada: está apenas enchendo linha do tempo.

 Criar dá trabalho

Criar conteúdo verdadeiro exige pesquisa, tempo, olhar crítico e responsabilidade. Não basta catar fragmentos e colar no feed como se fosse sabedoria pronta. O verdadeiro criador constrói pontes — não apenas ecoa palavras de terceiros.

Criar é pensar

Num mar de cópias, repetidores e “fatos” jogados sem critério, o diferencial está em pensar. Em provocar. Em se comprometer com a própria palavra. O resto é ruído.

Criador de conteúdo não é um papagaio digital. É alguém que pensa, interpreta, contextualiza e assume a autoria de sua visão sobre o mundo.
Compartilhar sem toque pessoal não é criar — é terceirizar pensamento.
E quem terceiriza tudo, no fundo, não cria nada.

O ridículo do mimetismo

 

                        

by Deise Brandão

Há algo de profundamente constrangedor em assistir alguém tentando copiar a alma de outra pessoa — não apenas seu estilo, mas seus pensamentos, suas emoções, sua trajetória interior. É como ver um ator mal ensaiado tentando interpretar uma peça que não compreende: a máscara escorrega, e o falso se denuncia por si só.

O mimetismo social e pessoal não eleva ninguém. Pelo contrário: expõe. Revela insegurança, inveja e vazio interior. Quem precisa roubar a forma de ser do outro — os gestos, a voz, as ideias, as “coincidências” forçadas — confessa, sem perceber, que não tem substância própria.

A tentativa de se apropriar de experiências íntimas ou de despertar espiritual alheio é especialmente grotesca. Não se imita o que é genuíno. Não se falsifica a essência. Por mais bem ensaiada que pareça a encenação, para quem conhece a origem, o resultado é risível — e para quem não conhece, é enganoso por um tempo… mas só por um tempo.

O imitador acha que está sendo admirado, quando na verdade está sendo notado pelo ridículo. Acredita que está “elevado” quando, na prática, está se afundando num teatro de terceira categoria. O esforço de parecer sufoca qualquer possibilidade de ser.

Imitar pode ser sabedoria quando significa aprender com quem inspira. Mas copiar para usurpar, competir ou mascarar a própria mediocridade é apenas uma caricatura barata. E caricaturas, cedo ou tarde, viram piada.

Das intenções e dos danos do mimetismo

O mimetismo não é inocente. Quando ultrapassa a mera admiração ou o desejo de aprender com alguém, passa a ser instrumento de reescrita da realidade — um gesto estratégico para usurpar narrativas, redesenhar afetos e ocultar responsabilidades. Nesta segunda parte, descrevo com clareza quais são as intenções que movem quem imita de forma predatória e quais danos concretos esse comportamento causa — sobretudo quando se mistura com violência institucional e dolo.

I — Das intenções por trás do mimetismo

  1. Ocultar responsabilidades

    • Imitar falas, posturas ou sentimentos alheios permite a quem o faz desviar o foco de atos próprios. É técnica de camuflagem: enquanto ocupam a cena emocional do outro, desviam a atenção sobre suas omissões ou crimes.

  2. Confundir testemunhas e criar dúvida

    • Ao replicar memórias, frases e reações, o imitador produz uma narrativa paralela que, para quem chega de fora, pode parecer legítima. Essa duplicação deliberada gera incerteza e fragiliza testemunhos verídicos.

  3. Deslegitimar a vítima

    • Ao vestir-se com a linguagem da vítima — adotando seus “insights”, suas dores, sua postura — o imitador busca ocupar o lugar moral: transforma a vítima em uma figura improvável, pouco confiável, diminuindo a força de sua acusação.

  4. Controlar o imaginário público

    • O mimetismo é também ferramenta de engenharia social: cria impressões coletivas, viraliza versões convenientes e redefine reputações. A intenção é política (no sentido amplo): manipular percepções para ganhos práticos.

  5. Aprofundar o corte emocional

    • Copiar momentos íntimos — lutos, revelações, pequenas viradas espirituais — é um ato de violência simbólica. É uma tentativa de roubar o território íntimo da pessoa, deixando-a sem exclusividade sobre a própria dor.

      — Dos danos produzidos pelo mimetismo

  1. Erosão da verdade

    • Quando as palavras e os gestos de uma pessoa são clonados por outrem, a verdade factual perde contornos. Investigações, memórias e depoimentos ficam sujeitos à contaminação de versões paralelas.

  2. Revitimização contínua

    • A vítima sofre uma nova violência sempre que suas experiências são copiadas e reencenadas. Cada mimetismo é um revés: não cura, repete a ferida na praça pública e prolonga o sofrimento.

  3. Isolamento social

    • A confusão criada tende a afastar aliados e testemunhas. Amigos e conhecidos, sem conseguir distinguir o original da imitação, esmorecem ou duvidam — e a quem resta a tarefa de provar a autenticidade da própria vida?

  4. Instrumentalização judicial e administrativa

    • Em contextos em que documentos, relatos e aparências influenciam decisões (processos, perícias, sindicâncias), o mimetismo pode virar arma para forjar presunções contrárias à vítima — atrasando, silenciando ou invertendo responsabilidades.

  5. Destruição da autoridade moral da vítima

    • A repetição artificial de discursos íntimos corrói a autoridade de quem sofreu. A sensação pública passa a ser de “história duplicada”, reduzindo a empatia e facilitando a impunidade dos reais responsáveis.

  6. Dano relacional e patrimonial

    • Além do psicológico, o mimetismo pode provocar perdas concretas: rompimento de laços, afastamento de filhos, perda de oportunidades e até prejuízos econômicos quando usado para justificar esbulhos, apropriações ou fraudes.

    - Porque a intenção importa (e como prová-la)

A diferença entre imitação inocente e mimetismo malicioso está na intenção. É essa intenção — a repetição calculada, a consistência dos padrões e a coordenação com outros atos — que transforma uma “cópia” em crime simbólico ou instrumento de criminalidade. Para quem documenta, é fundamental demonstrar padrão:

  • frequência das cópias (quando e como reaparecem);

  • correspondência entre imitação e atos efetivos (por exemplo: cópia de narrativa seguida de falsificação documental, ocultação de provas, silêncio institucional);

  • existência de beneficiários diretos (quem ganha com a reescrita?);

  • contextos coordenados (mesmas frases em redes diferentes, uso de perfis distintos, reaparição de “memórias” idênticas).

O mimetismo predatório não é só falta de identidade: é ferramenta. Ferramenta para ludibriar, para desviar responsabilidades, para fabricar consensos falsos. Quando isso se mistura a omissão institucional ou a crimes reais — como mortes não esclarecidas, manipulações processuais ou apropriações patrimoniais — a violência se torna dupla: simbólica e prática.

Resistir exige três coisas simples e implacáveis: documentar, mostrar o padrão e não ceder ao impulso de responder na mesma moeda. A força da verdade está na consistência das provas. Transforme a cópia em evidência — e deixe que, no tempo certo, a justiça (a institucional ou a da memória coletiva) faça o resto.

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