31/03/2026

Dubai respeita. O Brasil distorce.

Enquanto Dubai dá nome ao que importa, o Brasil brinca de desconstruir o óbvio.


by Deise Brandão

O príncipe herdeiro Sheikh Hamdan bin Mohammed Al Maktoum decidiu chamar “dona de casa” pelo que de fato é formadora de gerações. Simples. Direto. Correto.Porque é isso que uma mulher faz quando está presente na vida dos filhos: forma gente.

Agora olha o contraste.
No Brasil, ao invés de valorizar, a discussão virou outra:como evitar até dizer a palavra “mulher”. Criam termos técnicos. Inventam substituições. Transformam algo básico em debate ideológico.E no meio disso tudo, a mulher real desaparece: A que gera. A que cria. A que educa. A que segura a estrutura emocional de uma família inteira. Enquanto isso, a realidade segue:

– filhos sendo criados por terceiros
– vínculos cada vez mais frágeis
– mulheres sem autonomia financeira
– e uma romantização perigosa da dependência

Porque vamos falar claro: dependência não é proteção. É risco.
Mulher precisa ter renda. Precisa ter independência.Precisa poder sair de qualquer situação — sem pedir permissão.

E aqui entra a maior incoerência: Se formar gerações é o trabalho mais importante que existe,por que não é tratado como trabalho de verdade?

Ou se valoriza de fato — inclusive financeiramente —ou se para de romantizar.
O Brasil hoje faz o pior dos mundos: não remunera, não reconhece e ainda confunde. Reduz a mulher á nada,  fora e dentro dos tribunais. 

Dubai fez só uma troca de palavra.
Mas às vezes é exatamente isso que revela tudo:quem entendeu o papel da mulher…e quem ainda está perdido tentando redefinir o óbvio.

30/03/2026

UMA CIDADE ONDE NINGUÉM ESTÁ PERDIDO — MESMO QUANDO A MEMÓRIA SE FOI



by Deise Brandão

Não é ficção ou é cenário de filme. E também não é um asilo como estamos acostumados a imaginar.Na Holanda, existe um lugar onde a demência não é tratada com portas trancadas —mas com liberdade controlada, dignidade e rotina.Esse lugar é Hogeweyk, e situa-se na Holanda.
Uma vila inteira construída para pessoas com Alzheimer e demência avançada.
Mas não uma instituição fria. é uma 'cidade'. onde os moradores caminham pelas ruas, fazem compras, tomam café, sentam na praça.Vivem.
Nada ali é exatamente o que parece: O caixa do mercado? É um enfermeiro.O garçom do café? Também.O carteiro, o cabeleireiro, o vizinho simpático…todos são profissionais de saúde treinados.Mas sem uniforme.Sem jalecos.Sem corredores brancos.Sem a sensação constante de que estão doentes.


Porque, naquele espaço, a lógica é outra:em vez de forçar o paciente a se adaptar à realidade…a realidade é adaptada ao paciente.
Sem barreira. Sem o peso institucional que transforma cuidado em vigilância.Eles acompanham, observam, intervêm —mas sem romper a ilusão necessária para quem já perdeu partes da memória.E isso muda tudo.
Quando o cuidado respeita amente - mesmo fragentada
A proposta de Hogeweyk é simples — e radical:parar de tratar a demência como um erro a ser corrigido e começar a tratá-la como uma condição a ser compreendida
Em vez de confrontar o paciente com aquilo que ele já não reconhece,o ambiente oferece familiaridade, segurança e autonomia.
Tudo é controlado — mas nada parece controle.
O espaço é fechado, sim. Mas por dentro, ele respira liberdade, e os resultados são claros: menos agressividade, menos uso de medicação, mais bem-estar.


Hogeweyk não é apenas um lugar. É uma pergunta: Por que ainda insistimos em modelos frios, isolados e hospitalarespara pessoas que já perderam o vínculo com essa lógica? O que é mais humano:corrigir a mente…ou acolher a realidade que ela consegue viver?Essa vila não cura Alzheimer.Mas devolve algo que muita gente perde antes mesmo da memória: dignidade. autonomia, sensação de pertencimento.

28/03/2026

Sincericídio de Luiz Inácio. Ou da cópia dele.

Sim, no dia 24 de março de 2026, durante a cerimônia de sanção do "PL Antifacção" (projeto de lei que endurece regras para facções criminosas), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva cometeu um ato falho e afirmou que o objetivo é que o Brasil seja "um dos países mais respeitados do mundo no crime organizado".


Em Alta

Brasil registra milhões de empresas fechadas: abrir um CNPJ não basta para manter um negócio

by Deise Brandão  Em 2024, foram mais de 2,4 milhões de encerramentos. Nos primeiros oito meses de 2025, outros 1,9 milhão. Dados oficiais m...

Mais Lidas