26/07/2014

Assexuais vivem bem sem sexo, mas podem ter um relacionamento

Yannik D´Elboux
Do UOL, no Rio de Janeiro
  • Orlando/UOL
    Assexuais não sentem desejo sexual, mas podem manter um relacionamento amoroso
    Assexuais não sentem desejo sexual, mas podem manter um relacionamento amoroso
Para uma pequena parcela da população, o sexo é uma prática completamente sem sentido. As pessoas chamadas assexuais, apesar de não terem nenhuma anormalidade, não sentem interesse em fazer sexo.

Como o conceito de assexualidade ainda é recente, muitos nunca ouviram falar desse termo e com frequência julgam a indiferença ao sexo como problema. "Sou normal, não tenho traumas nem doenças que me impeçam de fazer sexo, simplesmente não sinto vontade", explica Claudia Mayumi Kawabata, 33 anos, que trabalha como orçamentista em uma gráfica em São Paulo (SP).

Assim como outras pessoas na mesma situação, Claudia percebia que não era igual a maioria, porém não sabia a razão. "Sempre me achei diferente, pois, além de não sentir atração sexual, também não sinto atração estética", conta.

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Ela só foi descobrir o que significava assexualidade em 2011, o que lhe deu liberdade para se aceitar. Desde 2013, Claudia é uma das moderadoras da comunidade A2 na internet, grupo que reúne mais de 700 usuários e busca divulgar a existência da assexualidade, além de promover a troca de experiências sobre o assunto.

Ainda não se tem ideia da quantidade existente de pessoas assexuais. "Por ser uma sexualidade praticamente desconhecida, não temos números confiáveis, nem no Brasil nem no mundo", afirma a pedagoga e pesquisadora Elisabete Regina Baptista de Oliveira, que está desenvolvendo uma tese de doutorado sobre assexualidade pela Faculdade de Educação da USP (Universidade de São Paulo). "A única pista que temos é de que 1% da população não tem interesse por sexo", acrescenta.

Segundo Elisabete, esse número provém de dois estudos realizados nas décadas de 1940/1950 e 1990 nos Estados Unidos e na Grã-Bretanha, porém não representa um bom retrato da realidade, já que muitas pessoas que poderiam se identificar como assexuais não conhecem esse conceito.

Sem desejo

A ginecologista e sexóloga Sylvia Maria Oliveira Cunha Cavalcanti, presidente da comissão de Sexologia da Febrasgo (Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia), afirma que a assexualidade costuma ser bastante rara. "Não é uma coisa muito comum porque o ser humano é o mais sensualizado de todos os animais. O sexo para nós não se restringe à reprodução, é uma forma de comunicação, de expressar os sentimentos".

Para a médica, o desinteresse sexual pode surgir por diversos motivos, desde aspectos biológicos, como alterações hormonais, até psicossociais, como uma educação repressora, decepção com o parceiro, experiências negativas, entre outros. Porém, para alguns não há uma causa. "Existem pessoas que realmente não se interessam, o sexo é algo absolutamente sem nenhum valor para elas", diz Sylvia.
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Veja lições que você aprendeu sobre sexo, mas deveria esquecer11 fotos

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Por mais que o comportamento humano mude e evolua, alguns mitos são perpetuados através das gerações. Quando o assunto é sexo, então, não é nada difícil que um conceito da época da sua avó volta e meia seja citado por alguém como verdade incontestável. Falta de informação, preconceito e dificuldade para abordar o tema são alguns dos fatores que ainda mantêm vivas algumas crenças equivocadas. Veja, a seguir, alguns exemplos. Por Heloísa Noronha, do UOL, em São Paulo (com colaboração de Thais Carvalho Diniz) Didi Cunha/UOL
A ausência de desejo pode significar um problema, sobretudo naqueles que antes possuíam ímpeto sexual. Nos assexuais, segundo Elisabete Oliveira, o desinteresse é uma característica permanente ao longo da vida desde a puberdade. "Trata-se de perspectiva: a falta de desejo pode ser vista como um transtorno ou como mais uma cor no arco-íris da diversidade sexual", analisa a pesquisadora.
Para a ginecologista e sexóloga, o desinteresse nos assexuais não precisa de tratamento se não estiver causando nenhum incômodo ou estresse. "Se não é um problema para a pessoa, se ela estiver satisfeita assim, não há o que fazer, não tem o que ser tratado. Não ter vontade também é um direito da pessoa", diz Sylvia Maria.

Românticos e arromânticos

Apesar de não sentirem atração sexual, os assexuais podem ou não ter interesse no relacionamento amoroso. Aqueles que desejam parceria amorosa costumam ser chamados de românticos e os que não se interessam por esse envolvimento de arromânticos.
"Não foi a falta de interesse por sexo a minha principal fonte de questionamentos na adolescência, mas, sim, a minha falta de interesse amoroso", conta Saulo Albert, 20 anos, estudante de Direito, de Vitória da Conquista (BA), que se identifica como assexual arromântico.

Saulo, também um dos moderadores da comunidade A2, diz que nunca teve vontade de namorar ou se relacionar sexualmente. Esse comportamento geralmente não é bem visto em um mundo no qual o amor e o sexo estão por toda parte, das músicas às novelas. "Passamos a aceitar que a vida com um parceiro amoroso é a grande fórmula da felicidade", critica Saulo.

O estudante baiano acredita que, assim como as pessoas, os caminhos para a felicidade também são diferentes. "Eu me sinto amado e acolhido pelas pessoas ao meu redor, por isso o amor [romântico] não é um sentimento que me faz falta. Isso, para mim, é mais do que suficiente", declara.

Mesmo sem vontade, alguns assexuais acabam tendo relações sexuais quando namoram para poder satisfazer o parceiro. Foi o caso de Claudia Mayumi, assexual romântica, que já morou com um namorado por dois anos e tem uma filha de 13 anos. "Antes de saber que era 'assex', tentei ter uma vida sexual ativa, mas isso me deixava mal. Depois de cada relação sexual entrava em conflito comigo mesma, pois tinha de fingir para agradar a outra pessoa", revela.

Para Claudia, a vida flui melhor quando ela está só. "Sou feliz sem sexo. Quando estou sozinha, me sinto completa; quando estou em algum relacionamento, eu me sinto frustrada e vazia", constata.

Não sonhar com o casamento não significa viver de forma isolada ou preferir a solidão. "Os assexuais dão muita importância aos seus relacionamentos em família e com os amigos, diferentemente de pessoas não assexuais que priorizam seus relacionamentos amorosos acima de todas as coisas", diz a pesquisadora Elisabete Oliveira.

'Síndrome do celibato': por que os jovens do Japão não fazem mais sexo?


Do UOL, em São Paulo
  • Reprodução/The Guardian
    Japoneses hoje preferem investir na carreira a casar ou ter um relacionamento; pesquisa mostra que, no Japão, um terço das pessoas com menos de 30 anos nunca teve qualquer tipo de experiência amorosa. Taxa de natalidade em 2012 foi a menor de que se tem registro no país
    Japoneses hoje preferem investir na carreira a casar ou ter um relacionamento; pesquisa mostra que, no Japão, um terço das pessoas com menos de 30 anos nunca teve qualquer tipo de experiência amorosa. Taxa de natalidade em 2012 foi a menor de que se tem registro no país
Japoneses com menos de 40 anos de idade parecem estar perdendo o interesse nos relacionamentos convencionais. De acordo com reportagem publicada pelo jornal britânico "The Guardian", a mídia do Japão tem tratado o fenômeno como "síndrome do celibato".
Para o governo japonês, essa síndrome pode significar uma catástrofe iminente. O Japão já tem uma das menores taxas de natalidade do mundo, e a atual população de 126 milhões de pessoas --que vem diminuindo nos últimos dez anos-- pode ser reduzida em 30% até 2060, segundo projeções feitas no país.
Milhões de japoneses não estão sequer namorando, e o número de pessoas solteiras atingiu seu recorde. Uma pesquisa realizada em 2011 constatou que 61% dos homens e 49% das mulheres com idade entre 18 e 34 anos não mantinham qualquer tipo de relação romântica com outra pessoa. Outra pesquisa mostrou que um terço das pessoas com menos de 30 anos nunca havia tipo uma experiência amorosa --na vida.
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Veja famosos e anônimos que evitam ou já ficaram sem sexo27 fotos

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Baby do Brasil, que foi uma das musas da contracultura, revelou, recentemente, que está sem sexo 14 anos - desde que virou evangélica e fundou uma igreja, o Ministério do Espírito Santo de Deus em Nome do Senhor Jesus Cristo. "Minha vida está muito mais completa. Sempre tive homem na minha cama. Sei que é bom. Mas não preciso tomar o cálice até a última gota. Desejo tem, mas a carne não me vence", declarou a cantora ao site "Ego". Leia mais Murilo Meirelles
Dados oficiais mostram, ainda, que o número de bebês nascidos no Japão em 2012 é o menor de que se tem registro. Além disso, com o aumento da população de idosos, as vendas de fraldas geriátricas ultrapassaram as de fraldas para bebês pela primeira vez em 2012. Para Kunio Kitamura, da Associação de Planejamento Familiar, a crise demográfica é tão grave que o Japão "pode eventualmente acabar em extinção".
Nesse cenário, surgiu, então, o profissional que trabalha como conselheiro de sexo e relacionamento, a fim de tentar curar a chamada "síndrome do celibato". Ai Aoyama, 52 --que cerca de 15 anos atrás ganhou a vida como dominatrix profisisonal-- é uma dessas conselheiras.  Ela diz que, hoje, seu trabalho é muito mais desafiador.
  • A ex-dominatrix Ai Aoyama, 52, conselheira de sexo e relacionamento, e um de seus clientes
"Recebo mais homens, mas a presença das mulheres está aumentando", disse Aoyama, que trabalha em Tóquio. "Eu uso terapias como ioga e hipnose para relaxá-los e ajudá-los a entender o modo como o corpo do ser humano real funciona", disse ela, que às vezes --por uma taxa extra-- pode ficar nua para seus clientes do sexo masculino, a fim de guiá-los fisicamente em torno da forma feminina. "Mas sem absolutamente qualquer relação sexual", afirma. Como exemplo, ela cita um cliente de 30 anos, virgem, que só fica excitado quando vê robôs femininos em games, algo semelhante àqueles da série Power Rangers.
Aoyama afirma que, além do sexo casual, vê o crescimento da procura por pornografia online e "namoradas virtuais". Ou então, opina, estão substituindo o sexo por outras formas de relaxamento e diversão.
A pressão para se conformar ao modelo de família anacrônico do Japão --marido assalariado que trabalha 20 horas por dia e mulher dona de casa-- permanece forte, e talvez essa seja uma das explicações para o fenômeno do celibato. Ironicamente, o sistema que produziu papéis conjugais segregados também criou o ambiente ideal para aqueles que querem ficar só, sem qualquer incômodo, como costumam falar. "As pessoas não sabem para onde ir. Elas vêm até mim porque pensam que, por querer algo diferente, há algo de errado com elas", conta Aoyama.

Família X Trabalho

Embora as mulheres japonesas sejam cada vez mais independentes e ambiciosas, no mundo corporativo japonês é quase impossível que a mulher consiga combinar carreira e família. Assim, as mulheres japonesas hoje encaram o casamento como o "túmulo" da carreiras conquistada --cerca de 70% das mulheres japonesas deixam seus empregos depois de seu primeiro filho, e o Fórum Econômico Mundial classifica o Japão como um dos piores países do mundo para a igualdade de gênero no trabalho.
Eri Tomita, 32, trabalha no departamento de recursos humanos de um banco francês --e adora. Fluente no idioma francês e com dois diplomas universitários, ela evita relacionamentos românticos para poder se concentrar no trabalho. "Um namorado me pediu em casamento há três anos, e eu recusei quando percebi que se preocupava mais com o meu trabalho. Depois disso, perdi o interesse em namoro." Tomita diz ainda que às vezes tem "uma noite só" com homens que conhece em bares, mas afirma que sexo não é uma prioridade para ela.
  • Eri Tomita, 32, que recusou um pedido de casamento. "Percebi que me preocupava mais com o trabalho. Perdi o interesse em namoro"
Mas esse modelo de sociedade também tem afetado os homens. Em meio à recessão e à crise dos salários, os homens têm sentido a pressão da responsabilidade de sustentar uma família. Satoru Kishino, 31, pertence a uma tribo de homens com menos de 40 anos que estão envolvidos em uma espécie de rebelião passiva contra masculinidade tradicional japonesa.Para eles, sustentar mulher e família como guerreiros é algo fora da realidade.
"É muito preocupante. Eu não ganho um salário enorme e não quero essa responsabilidade do casamento", diz Kishino, que se define como "um homem heterossexual para quem relacionamentos e sexo não são importantes".

Futuro

O Japão está oferecendo uma visão do futuro de todos nós? Muitas das mudanças constatadas lá vem ocorrendo em outros países avançados também: no outro lado urbano da Ásia, na Europa e na América as pessoas estão se casando mais tarde, taxas de natalidade têm caído e famílias de uma pessoa só estão em ascensão. No entanto, para o demógrafo Nicholas Eberstadt, é um conjunto de fatores que caba acelerando essa tendências no Japão: falta de autoridade religiosa que pregue o casamento e a família, o alto custo de vida e a precária geografia do país, localizado em zona com frequentes abalos sísmicos, o que gera sentimentos de inutilidade.
"Aos poucos, mas inexoravelmente, o Japão evolui para um tipo de sociedade cujos contornos só foram contemplados na ficção científica", escreveu Eberstadt no ano passado.
Voltando à ex-dominatrix Ai Aoyama, ela se diz determinada a educar seus clientes sobre o valor daquilo que chama de "pele a pele", "coração a coração". "Não é saudável que as pessoas sejam tão desconectados umas das outras fisicamente", diz. "Sexo com outra pessoa é uma necessidade humana que produz sensação de bem estar e ajuda as pessoas a encarar melhor a vida cotidiana."
by Isto É

Guru do sexo de 90 anos faz sucesso com respostas curtas e diretas

  26 de julho, 2014 
Mahinder Watsa (Atul Loke / Panos )
O país que deu ao mundo o Kama Sutra aprende sobre sexo com um senhor de 90 anos. A coluna diária de Mahinder Watsa, franca e engraçada, tornou-se um cult na Índia, onde a educação sexual é um assunto polêmico.
"Sexo é uma coisa alegre", diz Watsa "mas alguns escritores lidam com isso de forma médica e séria."
Como colunista nos últimos 50 anos, Watsa deixa o leitor à vontade, em vez de ir pelo caminho científico ou moral. Suas respostas são curtas e vão direto ao ponto - ocasionalmente agressivas, muitas vezes hilárias. "Estou falando a língua deles."
P: Há dois dias, eu tive relações sexuais sem proteção com minha namorada. Compramos uma "pílula do dia seguinte" mas, no calor do momento, eu tomei no lugar dela. Isso pode me causar complicações?
R: Da próxima vez, por favor, use camisinha e certifique-se que você não vai engolir isso também.

P: Depois de fazer sexo quatro vezes por dia, fico fraco no dia seguinte. Por cerca de cinco minutos, minha visão fica branca e não consigo ver nada. Por favor, ajude-me.
R: O que você esperava? Gritos de "Viva" e "Eu sou um campeão" por toda a cidade?
P: É seguro dormir com o pênis dentro da vagina?
R: Normalmente, quando o pênis retorna ao estado flácido, desliza para fora da vagina. Mesmo se não o fizer, fique tranquilo, que a vagina não vai comê-lo de café da manhã.

Virgindade

Watsa recebe cerca de 60 cartas e e-mails por dia e responde a todas. Acha que já respondeu a mais de 35 mil perguntas.
Ele foi convidado a escrever uma coluna estilo "Querido Doutor" nos anos 1960 por uma revista feminina (Trend). Tinha quase 40 anos e se formara recentemente como médico. "Não tinha muita experiência, confesso."
Mahinder Watsa (Atul Loke / Panos )
Nos primeiros meses, as perguntas eram de medicina em geral – sobre pediatria e coisas do tipo - mas começaram a chegar cartas de jovens mulheres de locais distantes com problemas.
Contavam que um tio ou um alguém mais velho havia abusado delas quando eram adolescentes e temiam não se casarem por terem perdido a virgindade.
"Muitas sugeriam que cometeriam suicídio", disse Watsa. "Um hímem intacto é muito importante nessa parte do mundo."
Tudo que ele podia fazer era aconselhá-las a não entrar em pânico no dia do casamento."Não se preocupe, seu marido não vai perceber."
Hoje em dia, Watsa é bem mais direto. Ele explica que o hímen pode romper ao fazer o exercício físico ou com masturbação, o que não podia fazer na época.
O especialista percebeu que muitos dos problemas dos leitores decorriam de falta de educação sexual, o que acabou tornando a conscientização sobre o sexo um objetivo de sua vida, primeiro por meio da Associação de Planejamento Familiar da Índia (FPAI, sigla em inglês) e, posteriormente, da sua própria organização, o Conselho Internacional de Educação Sexual e Familiar (CSEPI, sigla em inglês). Enquanto isso, continuava escrevendo.
"Um hímem intacto é muito importante nessa parte do mundo."
Mahinder Watsa
Recebe cartas sobre hímen rompido até hoje. "Infelizmente, o tema ainda é muito forte." Os homens que escrevem para lançar dúvidas sobre a virgindade da sua parceira recebem pouca atenção.
P: Minha namorada e eu temos 22 anos de idade. Tivemos relações sexuais há alguns meses, pela primeira vez, mas ela não sangrou. Como posso identificar se ela é virgem? 
R: É dessa maneira que você ama sua namorada? Você é uma pessoa suspeita. Você nunca ouviu falar que existem várias outras maneiras pelas quais o hímen pode romper, como ao praticar um esporte?
Watsa tampouco tem papas na língua com aqueles mais preocupados com o tamanho do seu órgão sexual.
P: Tenho um pênis pequeno e não consigo satisfazer minha namorada. Meu astrólogo me aconselhou a puxá-lo todo dia por 15 minutos, enquanto faço uma oração. Venho fazendo isso há um mês e não tem ajudado. O que devo fazer?
R: Se isto fosse correto, a maioria dos homens teria o pênis no joelho. Deus não ajuda homens ingênuos, bobos. Vá a um especialista em sexualidade que lhe ensine a arte de fazer amor.

'Obscenidade'

Por anos, Watsa escreveu para revistas femininas e masculinas e websites por anos, mas em nenhuma publicação seus escritos fizeram mais sucesso que no Mumbai Mirror. Há dez anos, quando tinha 80 anos de idade, ele iniciou a coluna Pergunte ao Sexpert, a primeira coluna diária em um jornal indiano que abordou as inquietações sexuais dos leitores.
"Até começarmos a coluna, a mídia indiana raramente usava palavras como pênis e vagina", diz Meenal Baghel, editora do jornal. A iniciativa imediatamente atraiu muita atenção, e nem sempre positiva.
Baghel teve de lidar com acusações de obscenidade e ações e mensagens de ódio, mas achava que os benefícios de publicar a coluna valiam a pena. "Ele é, sem dúvida, a estrela do jornal", diz a editora.
Ela sabe de cor a sua resposta favorita de Watsa a um leitor. "Alguém perguntou a ele se o pênis pode encolher devido à masturbação repetida. Sua resposta foi: você fala muito, sua língua encolheu?"
Com criatividade e paciência infinitas, Watsa encontra novas maneiras de responder às mesmas perguntas feitas há décadas.
Demonstração de como colocar camisinha (Getty)
Muito de seu trabalho envolve algo conhecido como 'dar permissão'- tranquilizar as pessoas de que seu comportamento sexual é normal e inofensivo. "O problema ainda é masturbação", diz Watsa.
Homens ansiosos questionam se a masturbação vai levá-los a perder a força, o cabelo ou a capacidade de ter filhos. A ideia de que a perda de sêmen é prejudicial para a saúde de um homem é reforçada por sistemas de crenças tradicionais.
Ele também testemunhou grandes mudanças. "Há trinta anos, poucas mulheres me escreviam. Agora, são muitas." E elas não têm apenas questões práticas sobre como engravidar ou não: nos últimos anos, começaram a perguntar sobre satisfação sexual e masturbação. Ele responde com o mesmo humor.
P: Minha amiga acha que seus seios estão ficando maiores por causa da masturbação. Isso é possível?
R: Não. Ela acha que o clitóris é uma bomba de ar?
Apesar destes sinais de emancipação das mulheres, Watsa diz que ainda fica ocasionalmente chocado com o que suas leitoras aguentam. "Quando elas escrevem sobre o abuso sexual, tortura e o que seus maridos fazem com elas quando estão bêbados eu me preocupo", diz.
Watsa também lamenta o fim das grandes famílias onde várias gerações viviam sob o mesmo teto. "Havia sempre tias ou avós que poderiam explicar as coisas para os casais mais jovens", diz ele. "Agora ninguém está lá para explicar como funciona o sexo. Ouço falar de um monte de casamentos não consumados."
Casamentos arranjados entre pessoas que não se conhecem ainda são comuns, diz Watsa. "Eles esperam consumar um casamento de imediato, mas no Kama Sutra há uma parte que diz que se leva de quatro a cinco dias para fazer amigos e entender uns aos outros", diz.
Para um estudo acadêmico, a ginecologista e militante Suchitra Dalvie analisou mais de 500 cartas recebidas por Watsa em um período de quatro meses. Quando ela apresentou as suas conclusões em uma conferência em Pequim, o público ficou fascinado pelas contradições da Índia.
Todos conheciam o país como a "terra mística do Kama Sutra" - o antigo texto sânscrito sobre a arte do amor e do prazer sensual - e ficaram surpresos ao saber sobre o nível rudimentar de educação sexual ou mesmo sobre a discussão clara sobre sexo no país.
A coluna de Watsa é um dos tratamentos mais francos sobre o assunto há 2 mil anos.

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