terça-feira, 27 de junho de 2023

MPF pede cancelamento de outorgas de radiodifusão da Jovem Pan por desinformação e incentivo a ações antidemocráticas


Entre 2022 e o início deste ano, emissora veiculou conteúdos falsos e falas frequentes em ataque ao processo eleitoral e às instituições

Foto ilustrativa: Canva

O Ministério Público Federal (MPF) ajuizou uma ação civil pública pedindo o cancelamento das três outorgas de radiodifusão concedidas à Jovem Pan. A requisição se deve ao alinhamento da emissora à campanha de desinformação que se instalou no país ao longo de 2022 até o início deste ano, com veiculação sistemática, em sua programação, de conteúdos que atentaram contra o regime democrático. O MPF destaca que as condutas praticadas pela Jovem Pan violaram diretamente a Constituição e a legislação que trata do serviço público de transmissão em rádio e TV.

Além do cancelamento das outorgas de rádio, o MPF pede que a Jovem Pan seja condenada ao pagamento de R$ 13,4 milhões como indenização por danos morais coletivos. O valor corresponde a 10% dos ativos da emissora apresentados em seu último balanço. Também para reparar os prejuízos da programação à sociedade, o Ministério Público pleiteia que a Justiça Federal obrigue a Jovem Pan a veicular, ao menos 15 vezes por dia entre as 6h e as 21h durante quatro meses, mensagens com informações oficiais sobre a confiabilidade do processo eleitoral. As inserções devem ter de dois a três minutos de duração e trazer dados a serem reunidos pela União, também ré no processo.

A severidade das medidas pleiteadas se justifica pela gravidade da conduta da emissora. A Jovem Pan disseminou reiteradamente conteúdos que desacreditaram, sem provas, o processo eleitoral de 2022, atacaram autoridades e instituições da República, incitaram a desobediência a leis e decisões judiciais, defenderam a intervenção das Forças Armadas sobre os Poderes civis constituídos e incentivaram a população a subverter a ordem política e social.

Com as informações falsas e sem fundamento que veiculou de maneira insistente, a Jovem Pan contribuiu para que um enorme número de pessoas duvidasse da idoneidade do processo eleitoral ou tomasse ações diretas como as vistas após o anúncio do resultado da votação, especialmente o bloqueio de estradas em novembro passado e o ataque de vandalismo em Brasília no dia 8 de janeiro. As outorgas de rádio da emissora estão em operação em São Paulo e Brasília, mas a rede conta com mais de cem afiliadas que retransmitem o sinal a centenas de municípios em 19 estados, alcançando milhões de ouvintes.

Exemplos - Para embasar a ação, o MPF realizou uma análise criteriosa do vasto conteúdo produzido e transmitido pela Jovem Pan entre 1º de janeiro de 2022 e 8 de janeiro deste ano, com foco nos programas “Os Pingos nos Is”, “3 em 1”, “Morning Show” e “Linha de Frente”. A ação cita numerosos exemplos de discursos que extrapolam as liberdades de expressão e de radiodifusão e configuram manifestações ilícitas, feitas por mais de 20 comentaristas durante o período. Todas convergiram para a defesa das mesmas teses, que, por isso, podem ser identificadas com a linha editorial da emissora.

As falas que desinformavam sobre o sistema eletrônico de votação começaram a permear a programação muito antes do início oficial da campanha eleitoral. Desde os primeiros meses de 2022, comentaristas alegavam reiteradamente que as urnas não seriam seguras e sustentavam uma suposta impossibilidade de auditagem dos aparelhos e um alegado conluio entre autoridades para definir o resultado da eleição. Sem qualquer fundamento técnico ou conhecimento jurídico sobre a questão, os integrantes da emissora mantiveram a defesa dessa ideia até mesmo quando o próprio Ministério da Defesa produziu um relatório concluindo pela inexistência de falhas ou inconsistências nas urnas, em novembro.

Segundo os comentários veiculados na emissora, somente o sistema de voto impresso poderia garantir a lisura das eleições. As urnas eletrônicas, porém, são submetidas periodicamente a testes e auditorias que nunca indicaram brechas para fraudes. Ao manter sistematicamente as opiniões infundadas, a Jovem Pan induzia seus ouvintes a duvidarem da integridade das eleições daquele ano, com frases como “deixar tudo nas mãos do TSE, sem questionamento, é suicídio eleitoral”, “tudo já se configura, por si só, uma espécie de golpe brando” e “eu acredito que esse relatório [de novembro] não deslegitimou a eleição, mas também não avalizou o processo eleitoral”.

O MPF apurou ainda que, recorrentemente, as falas graves eram direcionadas ao Supremo Tribunal Federal (STF) e ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), inclusive contra seus ministros. Os comentaristas chegaram a usar palavras como “entrave” e “câncer” para caracterizar as cortes e defendiam com frequência que o Senado abrisse processo de impeachment contra seus membros, especialmente Alexandre de Moraes. A partir disso, o presidente da casa, Rodrigo Pacheco, também passou a ser alvo das investidas e apontado como “omisso”, como se houvesse um conluio entre autoridades da República em desfavor da sociedade. Em dado momento, comentaristas da emissora acusaram, sem nenhuma prova, um ministro do STF de mandar instalar uma escuta ilegal na tornozeleira de um investigado, para ouvir clandestinamente suas conversas.

A gravidade desses discursos foi escalando ao longo do período. As acusações infundadas de omissão de autoridades e manipulação do processo eleitoral desaguaram na tese de que as Forças Armadas deveriam intervir sobre os Poderes da República. Comentaristas leigos e sem conhecimento jurídico trataram, com recorrência e como obviamente correta, uma interpretação altamente questionável da Constituição, defendendo que uma intervenção militar seria legítima naquele momento para “restabelecer a ordem” que vinham dizendo estar em risco. As opiniões sobre o tema transitaram por elogios à ditadura militar, defesa de atos violentos e alegada falta de autoridade do STF. “Se as Forças Armadas estiverem dispostas a agir, o que o STF decide é absolutamente irrelevante” e “se vocês [Forças Armadas] vão defender a pátria, e vai haver reação de vagabundo, ué, passa o cerol, pô! Vocês são treinados pra isso” são apenas alguns dos exemplos.

O discurso alinhado entre os comentaristas, em defesa de uma ruptura institucional, incluiu também várias manifestações incitando a desobediência, pela população, de ordens judiciais supostamente ilegais e até mesmo a insubordinação de policiais, para que deixassem de cumpri-las quando incumbidos disso. As teses defendidas na emissora procuravam ainda legitimar atos de grupos radicalizados que, após as eleições, pediam intervenção militar e outras inconstitucionalidades e propuseram até mesmo uma “guerra civil” como alternativa ao alegado impasse institucional. Um dos comentaristas chegou a dizer, logo após a conclusão do segundo turno, que “ou a gente aceita uma eleição sem transparência, sem legitimidade, sem confiança da população, ou a gente aceita tudo isso, e abaixa a cabeça, ou a gente vai ter guerra civil”, para concluir em seguida: “então que tenha guerra civil, pô!”.

O mesmo comentarista disse na ocasião: “As Forças Armadas estão conscientes do momento que estamos vivendo. Agora, elas só agem provocadas por um dos Poderes. Então, nesse ponto, o novo endereço, para o povo que quer se manifestar não é mais os quartéis, o novo endereço é a Praça dos Três Poderes”. Foi o que se viu em 8 de janeiro deste ano, quando vândalos deixaram o acampamento diante do Exército em Brasília e, acompanhados de outras pessoas que chegavam à capital federal de diversas regiões do país, marcharam em direção à praça e depredaram as sedes do STF, do Congresso Nacional e do Palácio do Planalto.

Naquele dia, a cobertura da emissora tratou com normalidade a chegada dos manifestantes ao local, elogiou o ato até então pacífico e aproveitou para tecer mais críticas ao Judiciário e ao processo eleitoral. Após o início dos ataques aos prédios, o discurso dos comentaristas passou a ser mais moderado, mas ainda assim com tentativa de legitimação das ações golpistas. Segundo um dos comentaristas, “o responsável por essa situação não vai ser encontrado entre os manifestantes. Os responsáveis por essa situação são exatamente os atores políticos que se ausentaram das providências que esses manifestantes em Brasília [e] em todas as unidades da federação têm se manifestado há vários dias”. Outras declarações na sequência endossaram essa tese.

“A cobertura feita pela emissora no dia 08/01/2023 é reveladora, porque passagens como as acima transcritas são representativas de discursos disseminados por pelo menos um ano, e que não arrefeceram totalmente nem mesmo quando o Brasil assistia ao mais grave evento da história da redemocratização”, ressaltaram os procuradores da República autores da ação do MPF, integrantes da Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão em São Paulo.

Inconstitucional e ilegal - Embora a emissora mantenha a veiculação de sua programação também no YouTube e em um canal de TV por assinatura, a ação do MPF trata do cancelamento apenas das outorgas de rádio pelo fato de a radiodifusão constituir um serviço público, concedido ou permitido pela União a particulares interessados em explorá-lo. Tanto a Constituição quanto a legislação específica sobre o assunto trazem parâmetros para essa exploração, estabelecendo limites ao conteúdo veiculado por radiodifusão, com vista à preservação dos interesses da coletividade.

A Constituição fixa em seu artigo 221 que as empresas devem dar preferência a finalidades educativas, artísticas, culturais e informativas e respeitar os valores éticos e sociais da pessoa, entre os quais estão inclusos os direitos fundamentais dos cidadãos. O Código Brasileiro de Telecomunicações (Lei 4.117/1962) vai no mesmo sentido e detalha, no artigo 53, as ações que constituem abuso no exercício da liberdade de radiodifusão. Entre as condutas, estão várias das praticadas pela Jovem Pan, como incentivar a desobediência, veicular notícias falsas com perigo para a ordem pública, econômica e social e insuflar a rebeldia ou a indisciplina nas Forças Armadas. Todas podem motivar o fim das outorgas, conforme a legislação.

“Esta ação, portanto, não se volta contra discursos que legitimamente fazem parte ordinária dos dissensos políticos e ideológicos de sociedades plurais, mas sim busca a devida responsabilização de quem, praticando graves atos ilegais, abusou de outorgas de serviço público e desvirtuou os princípios e as finalidades sociais que lhes dão lastro”, frisaram os autores dos pedidos do MPF.

Além das condenações requeridas para a Jovem Pan, o MPF pede que a União seja obrigada a providenciar e fiscalizar a inserção das informações oficiais sobre o processo eleitoral na emissora. Mais que isso, o Ministério Público quer que a Justiça Federal estabeleça o dever da União de inspecionar de forma contínua e eventualmente punir outras detentoras de outorga de radiodifusão que, na qualidade formal de afiliadas ou não, venham a transmitir conteúdos produzidos pela Jovem Pan.

Por fim, para garantir a preservação das provas, o MPF requer que a emissora seja proibida de apagar conteúdos de seu canal no YouTube. Em relação ao Google, o Ministério Público pede que a Justiça determine à empresa a disponibilização, em nuvem, de um link contendo a íntegra de todos os vídeos que a Jovem Pan publicou na plataforma no período compreendido na ação, com organização em pastas e dados sobre o número de visualizações, já que o conteúdo que a emissora disponibiliza no YouTube é, via de regra, o mesmo veiculado em suas transmissões de rádio.

Recomendação - Além da ação civil pública, o MPF expediu uma recomendação à Controladoria-Geral da União (CGU) para que ela instaure um processo administrativo que pode impedir a Jovem Pan de celebrar contratos com a Administração Pública federal. O pedido se baseia no parecer nº 00001/2023/CONSUNIAO/CGU/AGU, aprovado pela Advocacia-Geral da União logo após os ataques de 8 de janeiro e com força vinculante. A norma considera que empresas envolvidas em atos antidemocráticos devem ser consideradas inidôneas para contratar com o Poder Público.

Os atos praticados pela Jovem Pan, a princípio, são uma forma de envolvimento em episódios dessa natureza, por terem estimulado a desobediência da legislação e de decisões judiciais, a intervenção das Forças Armadas e movimentos de desordem pública. Por isso, o MPF recomenda que a CGU, em 30 dias, avalie o caso, à luz do parecer, e eventualmente abra um processo administrativo que pode levar à declaração de inidoneidade da emissora. Caso a CGU não acolha a recomendação, o tema poderá ser incluído como uma das pretensões da ação civil pública ajuizada.

Beba na  Fonte:
Consulta processual
Recomendação à CGU

Assessoria de Comunicação
Ministério Público Federal em São Paulo
twitter.com/mpf_sp
facebook.com/MPFSP
youtube.com/mpfspcanal

Informações à imprensa:
saj.mpf.mp.br
(11) 3269-5701

Motim na Rússia: a reação de mercenários do grupo Wagner a acordo com Putin



CRÉDITO,CONCORD PRESS SERVICE
Legenda da foto,

Yevgeny Prigozhin é o líder do grupo mercenário WagnerArticle informationAuthor,Grigor Atanesian e Maria Korenyuk
Role,BBC Global Disinformation Team
27 junho 2023, 05:49 -03

Yevgeny Prigozhin se gaba de ter a lealdade de todos os 25 mil membros de seu exército mercenário. Mas há sinais de que essa lealdade pode ter mudado tão subitamente quanto o breve motim do grupo Wagner.

Em mensagens na internet analisadas pela BBC, soldados do grupo Wagner se enfureceram contra a decisão de Prigozhin de interromper sua dramática marcha sobre Moscou e se retirar da cidade capturada de Rostov.

"O desperdício de espaço destruiu Wagner PMC (sigla em inglês para "empresa militar privada") com suas próprias mãos. E ferrou todos que pôde", escreveu um homem que afirma ser soldado do Wagner em um canal do Telegram com 200 mil seguidores.

"Foi outra revolta sem sentido", disse ele.

O Telegram é a plataforma de mídia social preferida dos soldados do Wagner e dos círculos pró-guerra na Rússia, permitindo a comunicação muitas vezes anônima com milhares de seguidores ao mesmo tempo. recomendadas







Mas agora a plataforma se tornou o lugar onde muitos se voltaram contra ele.

Mark Krutov, jornalista do Serviço Russo do jornal RFE/RL, tem acesso aos grupos de chat do Telegram usados por parentes dos soldados do Wagner. Ele compartilhou algumas das mensagens dos grupos com a BBC.

"Eles foram simplesmente traídos", escreveu uma mulher. "Eu confiei em Prigozhin, mas o que ele fez é desonroso."

"Ele não deveria ter feito isso. Isso é pura traição", concordou outro usuário.

Prigozhin foi por muito tempo apoiado por uma rede de influenciadores pró-Wagner. Durante meses, eles defenderam suas ações e atacaram seus oponentes no Ministério da Defesa — particularmente seu inimigo declarado, o ministro da Defesa da Rússia, Sergei Shoigu.

Mas quando o motim de Wagner estava se desenvolvendo, a reação dos influenciadores foi surpreendentemente silenciosa.

Dois dos maiores grupos, Gray Zone e Reverse Side of the Medal — com quase 900 mil seguidores entre eles — não endossaram as ações de Prigozhin. Em vez disso, os usuários no grupo buscaram um meio-termo razoavelmente neutro ao culpar o ministro da Defesa da Rússia e seus partidários pelo derramamento de sangue.

Combatentes do grupo Wagner do lado de fora do quartel-general do Distrito Militar do Sul, na cidade de Rostov-on-Don, Rússia

CRÉDITO,REUTERS

Outros defenderam teorias da conspiração.

O Wagner PMC Briefs é um canal que Prigozhin confirmou como sendo oficial do Wagner e é dirigido por seus soldados. Ele observou que quando o presidente russo, Vladimir Putin, denunciou o motim, ele não mencionou o nome de ninguém.

"[Putin] não deu nome aos 'amotinados e traidores'. Talvez tenha sido para deixar Prigozhin restaurar a justiça e punir os culpados de traição real que resultou no fracasso [da invasão da Ucrânia pela Rússia]?"

A teoria de que Putin e Prigozhin conspiraram para encenar uma tentativa de golpe a fim de "testar a lealdade das elites russas" rapidamente ganhou força nas redes sociais.

"Meninas, pensei que talvez isso tudo tivesse sido orquestrado para remover Shoigu, mas através de Prigozhin, para que Putin não precisasse ele mesmo fazer isso?", escreveu uma mulher no chat dos familiares de soldados do Wagner.

Volodymyr Fesenko, chefe do Centro Penta de Pesquisa Política Aplicada em Kiev, discorda.

"Se isso tudo foi encenado, foi para quê? Para que todos pudessem ver o quão fraco Putin é?", disse. "O que aconteceu foi uma humilhação pública de Putin. E Prigozhin? Ele perdeu parcialmente sua reputação: costumava demonstrar poder e simplesmente recuou."

Mas o último comentário público de Prigozhin no dia do motim, filmado depois que ele concordou em recuar, continua fomentando especulações online.

"Tivemos um bom resultado hoje", disse ele. "Deixou todo mundo animado."

Coronel que trocava mensagens com Mauro Cid diz que ataques em Brasília foram 'coincidência'



Questionado pela CPMI, o coronel do Exército Jean Lawand Junior negou que, ao pedir uma "ordem do presidente", estivesse articulando um golpe de estado com Mauro Cid, então ajudante-de-ordens de Jair Bolsonaro
Edilson Rodrigues/Agência Senado

O coronel do Exército Jean Lawand Junior classificou como "uma coincidência" o fato de manifestantes terem tentado invadir as sedes dos Poderes da República e armado uma bomba perto do aeroporto de Brasília após as mensagens trocadas entre ele e o ajudante-de-ordens do então presidente da República, Jair Bolsonaro, tenente-coronel Mauro Cid. Questionado pela relatora da CPMI do 8 de Janeiro, senadora Eliziane Gama (PSD-MA), o militar afirmou em depoimento nesta terça-feira (27) que "não tinha condições" para articular um golpe de Estado contra o presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva.

— Acho que foi coincidência. Eu não tinha como influenciar o povo. Eu não tinha motivação, capacidade ou força para fazer qualquer atentado ou motivar as pessoas a fazê-lo. Foi uma coincidência — afirmou.

A senadora Eliziane Gama reagiu. Para a relatora da CPMI, as respostas do coronel Jean Lawand Junior são uma tentativa de tratar como crianças os integrantes da comissão parlamentar mista de inquérito que investiga os ataques aos Poderes da República no dia 8 de Janeiro.

— As mensagens [trocadas com Mauro Cid] são do dia 1º de dezembro. Doze dias depois, tivermos uma manifestação destruidora. Carros foram queimados, destruídos. No dia 24, tivemos um ato de terrorismo: a tentativa clara de destruir um caminhão de combustíveis. No dia 8 de janeiro, a invasão às sedes dos Três Poderes. As colocações são totalmente incompatíveis com o conteúdo de mensagens que o senhor próprio escreveu — disse a relatora ao depoente.

Jean Lawand Junior prestou depoimento amparado por um habeas corpus da ministra Carmem Lucia, do Supremo Tribunal Federal (STF). Pela decisão, o militar poderia permanecer em silêncio. Apesar disso, a testemunha respondeu às indagações da senadora Eliziane Gama.
Exército

A relatora questionou o depoente sobre trechos específicos das conversas com Mauro Cid. Em um deles, Jean Lawand Junior afirma que o Exército Brasileiro cumpriria "prontamente" uma ordem de Jair Bolsonaro, mas não atuaria "de modo próprio" — o que poderia ser interpretado como um golpe. Para Eliziane Gama, os diálogos configuram uma tentativa de intervenção militar.

Jean Lawand Junior disse que não conhece os integrantes do Alto Comando do Exército e que, por isso, não teria como opinar sobrea posição do grupo formado pelo comandante da Força e pelos generais de Exército em serviço ativo. O coronel classificou a mensagem trocada com o ajudante-de-ordens de Jair Bolsonaro como “uma frase muito infeliz”.

— Essa frase foi muito infeliz minha. Quando eu disse que o Exército Brasileiro não faria, eu me equivoquei. Eu me redimo disso. Foi uma coisa que falei errado. Eu acredito que, se o presidente desse a ordem para apaziguar o país, o Exército e as forças de segurança atuariam. Mas fui muito infeliz nessa fala. Não tenho contato com ninguém do Alto Comando. Não posso, na minha condição de coronel, dizer o que pensa o Alto Comando — disse o militar.

Eliziane Gama perguntou ainda sobre um trecho das conversas em que Jean Lawand Junior afirma que o presidente Jair Bolsonaro "tem que dar a ordem". Caso contrário, seria preso no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília. Para o coronel, a mensagem foi "um desabafo". Questionado, ele voltou a afirmar que jamais tentou articular um golpe.

— Isso foi um momento de desabafo. Não tenho conhecimento jurídico para dizer se ele seria preso. Meu medo era a coisa aumentar, haver uma convulsão social e aquilo também ser atribuído ao presidente da República. Foi uma mensagem de desabafo. Em nenhum momento eu falei 'golpe'. Eu falei 'ordem'. Em nenhum momento quis atentar contra a democracia — disse o militar, que passou a ser questionado pelos demais parlamentares.

Fonte: Agência Senado

Em Alta

Os números do PT

by Deise Brandão Existe a narrativa de que o PT é um partido gigante, mas, quando se observam os números institucionais, o cenário é mais m...

Mais Lidas