terça-feira, 9 de dezembro de 2025

O Falso Juiz

 


by Deise Brandão

O Falso Juiz, documentário do jornalista português Sérgio Tavares, promete retratar o ministro Alexandre de Moraes como um “psicopata” e um “falso juiz”. Porém, o filme não entrega um perfil psicológico do ministro. O título é mais um alerta político do que uma tese comprovada.

A obra acumula dezenas de acontecimentos da política recente — soltura de Lula, governo Bolsonaro, pandemia, eleições, 8 de janeiro de 2023 — com Moraes sempre presente, mas não exatamente como figura central capaz de explicar tudo. As conexões entre os fatos são sugeridas, não explicadas.

Essa escolha enfraquece a clareza do documentário: há excesso de informação e pouca estrutura. O espectador sai com indignação e urgência, mas não com um argumento organizado. O filme funciona mais como provocação do que como investigação.

Mesmo com essa fragilidade, o documentário é relevante. O acúmulo de casos mostra um Brasil difícil de compreender, com abusos simultâneos e contradições que escapam de qualquer narrativa única. A obra atinge seu objetivo maior: mostrar ao mundo que há algo muito errado acontecendo no país, ainda que sem explicar totalmente o quê.

O ponto mais forte do filme surge quando Tavares dá voz aos presos do 8 de janeiro. Sem defendê-los, o documentário os humaniza, mostrando histórias que foram ocultadas pela narrativa dominante — pessoas transformadas em rótulos (“terroristas”, “golpistas”) voltam a ter rosto, nome e contexto.

No fim, o filme não comprova que exista um “psicopata” comandando o Judiciário, mas expõe um cenário político urgente e nebuloso. Em vez de respostas, exige reação. E talvez, diante da complexidade atual, isso seja o mais importante.

🕒 145 min — Classificação livre — Disponível no YouTube

John Lennon: o lado B do “paz e amor”

 



by Deise Brandão


Por décadas, John Lennon foi vendido como porta-voz do amor universal.
Um guru pop da paz, pregando que o mundo era lindo, desde que o ego ficasse desarmado e todos cantassem “Imagine”.
Mas bastou sair da música para entrar na vida real: Lennon não era exatamente um símbolo de paz. Pelo contrário.

Se o slogan era “Love is all you need”, faltou combinar com a família, com o filho, com as mulheres e com ele mesmo. Infância torta, obsessões e um “diário” perturbador

Lennon cresceu colecionando abandonos: pai ausente, mãe instável, culpa, revolta e um ego gigante.

Em áudios gravados em 1979, o mito do pacifismo confessou fantasias sexuais com a própria mãe quando tinha 14 anos, e disse acreditar que ela “talvez tivesse permitido”.
Ninguém nunca viu John pedir desculpas por isso — muito menos por coisa pior.
O pacifista que batia em casa

Cynthia Powell, sua primeira esposa, não conheceu o Lennon da utopia hippie. Conheceu o Lennon real: agressivo, infiel e cruel.
Sua biografia descreve violência, humilhações e traições.

E o filho Julian, ainda criança, apanhava, era ridicularizado pelo próprio pai e ignorado em quase tudo que dizia respeito à sua vida.
Uma governanta da família relatou, em carta, episódios de agressões que fariam o “ícone da paz” perder qualquer fã sensato.
Lennon pregava amor no microfone e praticava o oposto dentro de casa.

Julian resumiu a contradição melhor do que qualquer crítico: “Meu pai defendia a paz e o amor no mundo. Mas não conseguia demonstrar um pouco de paz e amor pela própria família.”
O mito, a amante e a narrativa conveniente.

Cynthia era esposa no papel — Lennon a tratava como “namoradinha descartável”.
Quando a traição com Yoko Ono não dava mais para esconder, ele simplesmente ficou bêbado… e contou tudo. Como um adolescente orgulhoso de uma aventura proibida.

Yoko, depois, quis reescrever a história — como se Cynthia tivesse atrapalhado o amor épico dos ídolos.Ironia: até Yoko foi traída. Lennon manteve um relacionamento paralelo com sua própria assistente, May Pang, durante 18 meses. E Yoko ainda achou “não prejudicial”.

O homem que cantou sobre amor livre não falava sobre liberdade. Falava sobre posse.
A paz morre quando vira marketing.

John Lennon se tornou ícone por aquilo que dizia, não por aquilo que vivia.
Assim como muita gente hoje faz discurso “de bem”, enquanto destrói quem está perto.

O que morreu não foi a paz.
O que morreu foi a ilusão vendida como paz.
A violência sempre esteve lá. Só não aparecia na capa do disco.
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Fontes:

Vice (Vice News / Vice Magazine)

Matérias que abordam os áudios gravados por Lennon, suas confissões e o relacionamento com Cynthia e Julian.
Trechos citados sobre:

  • gravações de 1979 (fantasia com a mãe);

  • relacionamento extraconjugal com May Pang;

  • postura de Yoko Ono ao comentar o caso.

The Times (Reino Unido)
Publicação da carta de Dorothy Jarlett, governanta da família Lennon, revelada apenas em 2015.
Fonte da informação sobre:

  • agressões a Julian;

  • bullying com aparência e comportamentos do filho;

  • infidelidade e drogas dentro de casa.

Biografia de Cynthia Powell Lennon – “John” (2005)
Livro de memórias da primeira esposa.
Fontes das informações sobre:

  • violência doméstica;

  • descrições do comportamento de Lennon;

  • abandono afetivo com Julian.

Biografia: “John Lennon: A Life” – Philip Norman (2008/2009)
Livro investigativo com entrevistas, documentos privados e relatos de pessoas próximas.
Confirma abusos, padrões de comportamento e o vínculo problemático com a fama.

Obras complementares frequentemente usadas em matérias sobre o tema

  • Bob Spitz – “The Beatles: A Biography” (2007)
    Confirma o comportamento agressivo e autodestrutivo.

  • Steve Turner – “Beatles 1966: O Ano Revolucionário” (2016/2018)
    Contextualiza a transformação da imagem pública de Lennon em “ativista”.

sábado, 6 de dezembro de 2025

Felicidade é responsabilidade minha

    Imagem criada pelo Gemini, para o texto.


by Deise Brandão

Em meu entendimento,  viver não é uma linha reta nem uma lista de metas cumpridas.

Às vezes a gente acorda inteira, às vezes passa o dia quebrada. E não tem problema.
Tem dias que a cabeça pesa, que o corpo desiste, que o coração cala — e nada disso significa fracasso.

Nem toda batalha foi feita pra vencer. Algumas servem só pra mostrar que não vale a pena morrer tentando. Não sou obrigação de ninguém, nem escudo de ninguém, nem energia de reserva pra quem só me procura quando falta luz.

.Não sou máquina. Não sou muro. Não sou filtro de rede social.A vida real não tem música de fundo, não tem dancinha, não tem edição que apaga o cansaço. Dentro de casa, cada um tem os seus vazios, as suas dores escondidas e aquele pensamento que a gente finge não ter. Cansei dessa força que esperam da gente o tempo todo, como se ser forte fosse profissão, e sentir fosse defeito

Mesmo assim, eu sigo. Não pra impressionar, não pra agradar, não pra provar nada.
Sigo porque preciso, porque quero, porque cresci, porque desde o início tenho o entendimento que  a minha felicidade não cabe na mão de ninguém. Ela é responsabilidade minha. 

E isso, curiosamente, é o que acaba me salvando.

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