by Deise Brandão
quinta-feira, 15 de janeiro de 2026
Porto Alegre e a Roda dos Expostos
quarta-feira, 14 de janeiro de 2026
O espetáculo da ignorância: quando o povo vira torcida de corrupção
by Deise Brandão
Nos últimos dias, uma matéria circulou em Santa Catarina mostrando que 31 prefeitos foram presos ou afastados por corrupção nos últimos cinco anos.O dado é real. A reportagem é pública. A fonte é o ND+. No entanto, o que mais choca não é o número. É o que as pessoas fazem com ele.
Não vejo indignação nem desejo de justiça. Vejo torcida organizada. Direita contra esquerda. Santa Catarina contra Rio Grande do Sul. “Deus, pátria e família” contra “comunistas”. Nordeste contra Sul. Enquanto isso, os corruptos agradecem.
Quando o povo troca justiça por identidade
Em vez de perguntar “Quem roubou?” as pessoas perguntam “De que lado ele estava?” Se for “do meu lado”, relativiza. Se for “do outro”, pede cadeia.
Isso não é política. É tribalismo. Não é consciência cívica. É guerra de torcidas.
O eleitor brasileiro não está defendendo honestidade — está defendendo a própria fantasia ideológica. Santa Catarina não é exceção. É laboratório
Quando os presos são de Santa Catarina: “Parabéns, a justiça funciona.” Quando são do Nordeste: “Lá todo mundo rouba.” Quando são de Brasília: “É tudo PT.”ou “É tudo bolsonarista.”
Isso é analfabetismo político funcional. Corrupção não tem bandeira.Tem método.
E o método se repete em qualquer sigla quando há:
-
poder sem controle
-
orçamento sem transparência
-
promiscuidade entre político, empresário e cartório
-
Ministério Público seletivo
-
imprensa domesticada
A farsa de “Deus, Pátria e Família”
Talvez a parte mais obscena seja ver políticos presos e a população respondendo com: “Deus, pátria e família”.
Isso não é fé. É escudo moral para quadrilha.
Religião não purifica corrupção. Patriotismo não limpa desvio de verba. Família não absolve roubo. Quem rouba dinheiro público rouba: merenda, hospital, estrada, escola, saneamento. Rouba vida.
A tragédia brasileira
A tragédia não é só a corrupção. É o povo defendendo corrupto para não admitir que foi enganado. É o eleitor preferindo brigar com o vizinhodo que encarar o próprio erro de voto. É gente pobre defendendo político rico preso como se fosse parte da própria vida. Isso não é ideologia. É síndrome de Estocolmo eleitoral.
A pergunta que ninguém quer fazer
A verdadeira pergunta não é “é de direita ou de esquerda?”mas “por que continuam roubando — e continuamos votando neles?”
E o mais perverso: gente do Rio Grande do Sul debochando das prisões, quando o lógico seria lamentar que em seu próprio estado os corruptos não estejam sendo presos.
Ou seja:o problema não é que Santa Catarina tenha prefeitos corruptos. O problema, para eles, é que lá eles estão sendo pegos. Isso revela uma inversão moral brutal.
Quem debocha da prisão de prefeitos em outro estado está, na prática, dizendo: “Eu prefiro que os meus corruptos fiquem livres.” E esse talvez seja o retrato mais honesto do Brasil.
Esse comportamento, neste momento, também escancara a pobreza política em que o Rio Grande do Sul se encontra — quando, no meu entendimento, eleger Eduardo Leite como governador já deveria ter sido o último degrau da degradação institucional do Estado.
E é exatamente aí que a responsabilidade real aparece.
quinta-feira, 8 de janeiro de 2026
O cromossomo Y está desaparecendo?
Imagem gerada por IA - GPT
by Deise Brandão
O cromossomo Y, peça central na determinação do sexo biológico masculino em humanos, voltou ao centro de debates científicos — e também de manchetes exageradas. Estudos de genética evolutiva mostram que, ao longo de aproximadamente 300 milhões de anos, o Y perdeu cerca de 97% de seus genes ancestrais, tornando-se muito menor e geneticamente mais limitado do que já foi no passado.
Esse dado é real, comprovado e amplamente aceito pela ciência. O que divide especialistas é a interpretação sobre o futuro desse cromossomo.
Um cromossomo que encolheu — e sobreviveu
Comparações genômicas indicam que o cromossomo Y sofreu intensa degeneração ao longo da evolução, sobretudo por não recombinar amplamente como outros cromossomos. Isso o tornou mais vulnerável à perda de genes. Ainda assim, os genes que permaneceram estão majoritariamente ligados à fertilidade masculina e a funções celulares essenciais.
Além disso, a biologia já demonstrou que o cromossomo Y não é universalmente indispensável. Algumas espécies de mamíferos, como certos ratos-toupeira e ratos-espinhosos, perderam completamente o Y e desenvolveram mecanismos alternativos de determinação sexual.
A hipótese do desaparecimento
A possibilidade de que o cromossomo Y humano venha a desaparecer em um futuro distante é defendida por pesquisadores como a bióloga evolutiva Jenny Graves. Segundo essa linha de pensamento, se a taxa histórica de perda genética fosse mantida, o Y poderia deixar de existir em milhões de anos.
A própria Graves, no entanto, ressalta que isso não significaria o fim dos homens, mas sim uma eventual transição para outro sistema genético de diferenciação sexual — como já ocorreu em outras espécies.
A visão oposta: estabilidade, não colapso
Outros cientistas contestam essa projeção. Pesquisadores como Jennifer Hughes, ligada ao Massachusetts Institute of Technology, afirmam que o cromossomo Y humano não está em colapso.
Estudos genômicos mostram que os genes essenciais do Y vêm sendo preservados há pelo menos 25 milhões de anos, especialmente em primatas. O cromossomo teria desenvolvido mecanismos internos de autoproteção, como duplicações gênicas, que garantem sua funcionalidade ao longo do tempo.
Para esse grupo, o Y já teria passado por sua fase mais crítica e hoje estaria evolutivamente estabilizado.
Onde termina a ciência e começa o exagero
Apesar do debate legítimo, parte da repercussão pública extrapola os dados científicos. Não há evidência de que o cromossomo Y esteja prestes a desaparecer, tampouco de que exista qualquer ameaça iminente à masculinidade biológica humana.
Também não há comprovação de populações humanas com sistemas alternativos de determinação sexual ainda “ocultos” ao sequenciamento genômico. Essa ideia permanece no campo da especulação teórica, sem respaldo empírico.
Um debate aberto, sem alarmismo
O futuro do cromossomo Y segue em debate na comunidade científica. Ele pode estar caminhando, em escala evolutiva profunda, para uma transformação — ou pode simplesmente continuar existindo de forma discreta e funcional, como vem fazendo há milhões de anos.
Em Alta
Sincericídio de Luiz Inácio. Ou da cópia dele.
Sim, no dia 24 de março de 2026, durante a cerimônia de sanção do "PL Antifacção" (projeto de lei que endurece regras para facções...
Mais Lidas
-
by Deise Brandão Existe a narrativa de que o PT é um partido gigante, mas, quando se observam os números institucionais, o cenário é mais m...
-
Ao encerrar este ciclo, reconheço: foi um ano muito bom. Produtivo, intenso, fértil. De equilíbrio fisico, mental e emocional. Ainda assim, ...
-
by Deise Brandão O Falso Juiz, documentário do jornalista português Sérgio Tavares, promete retratar o ministro Alexandre de Moraes como u...


