sábado, 18 de agosto de 2018

Lula declara patrimônio de R$ 7,988 milhões, 852% maior na comparação com 2006

Sua candidatura corre risco de ser barrada, em função da aplicação da Lei da Ficha Limpa



(Agência Brasil)


SÃO PAULO - O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva registrou candidatura à Presidência nesta

quarta-feira (15) no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e informou patrimônio líquido de R$ 7,988 milhões em bens. A maior parte desse valor, 78,9% ou R$ 6,3 milhões, está em um fundo de previdência privada VGBL (Vida Garantidor de Benefício Livre) e 13,4% está em imóveis, incluindo um apartamento de R$ 530.000.

Levando em consideração os bens declarados em 2006, na última vez em que concorreu a cargos públicos, Lula aumentou seu patrimônio em 852% desde então.

O líder petista está preso há quatro meses após ter sido condenado em segunda instância por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Sua candidatura corre risco de ser barrada, em função da aplicação da Lei da Ficha Limpa. O ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad foi apresentado ao Tribunal como candidato a vice na chapa e declarou patrimônio de R$ 428.451.

Veja os bens declarados por Lula (PT)

Bem declaradoValor do bemPart %
VGBLR$6.300.000,0078,9%
TerrenoR$530.000,006,6%
TerrenoR$260.000,003,3%
ApartamentoR$189.142,502,4%
Crédito decorrente de alienaçãoR$179.298,962,2%
Veículo automotor terrestre: 
caminhão, automóvel, moto, etc.
R$170.000,002,1%
Quotas ou quinhões de capitalR$98.000,001,2%
Veículo automotor terrestre: 
caminhão, automóvel, moto, etc.
R$96.950,001,2%
Crédito decorrente de empréstimoR$50.000,000,6%
ApartamentoR$38.334,670,5%
ApartamentoR$38.334,670,5%
Depósito bancário em 
conta corrente no País
R$16.993,250,2%
Fundo de Curto PrazoR$5.813,550,1%
TerrenoR$5.466,900,1%
Aplicação de renda fixa 
(CDB, RDB e outros)
R$4.801,240,1%
Caderneta de poupançaR$3.866,990,0%
Fundo de Investimento ImobiliárioR$625,460,0%
Depósito bancário em 
conta corrente no País
R$292,380,0%
Depósito bancário em 
conta corrente no País
R$1,000,0%
TOTALR$7.987.921,57100,0%

 

Confira os patrimônios de todos os candidatos à Presidência

 

CandidatoPatrimônio
João Amoedo (Novo)R$ 425.066.985,46
Henrique Meirelles (MDB) R$377.496.700,70
João Goulart Filho (PPL)R$8.591.035,79
Luiz Inácio Lula da Silva (PT)R$7.987.921,57
Eymael (DC)R$6.135.114,71
Álvaro Dias (Podemos)R$2.889.933,32
Jair Bolsonaro (PSL)R$ 2.286.779,48
Geraldo Alckmin (PSDB)R$ 1.379.131,70
Ciro Gomes (PDT)R$ 1.695.203,15
Marina Silva (Rede)R$118.835,13
Vera (PSTU)R$ 20.000,00
Guilherme Boulos (PSOL)R$ 15.416,00
Cabo Daciolo (PATRI)0,00
by Infomoney

terça-feira, 17 de julho de 2018

DST pouco conhecida preocupa especialistas


A 'Mycoplasma genitalium' (MG), bactéria causadora de doença sexualmente transmissível, já tem mostrado resistência aos antibióticos mais comuns

De acordo com especialistas europeus, uma doença sexualmente transmissível (DST) pouco conhecida pode ser causada por uma superbactéria resistente a tratamentos. Conhecida como Mycoplasma genitalium (MG), a bactéria já tem mostrado resistência aos antibióticos mais comuns.
Mycoplasma genitalium é uma bactéria transmitida por meio de relações sexuais com parceiro contaminado. Na maioria dos casos, a infecção não apresenta sintomas. Quando eles aparecerem, nas mulheres há dor, sangramento e febre, resultado de uma inflamação nos órgãos reprodutivos (útero e trompas de Falópio) que pode causar infertilidade. Já nos homens, a bactéria provoca inflamação da uretra, levando à emissão de secreção pelo pênis e dor ao urinar.
O problema é que esses sintomas são facilmente confundidos com os de outra DST: a clamídia. Como essa é mais conhecida e mais comum  principalmente no Brasil , frequentemente, os tratamentos prescritos são indicados para combater a clamídia, e não a Mycoplasma genitalium. A consequência disso é que essas bactérias estão se tornando cada vez mais resistentes aos tratamentos comuns e podem se tornar um grave problema de saúde pública.
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Aumento da resistência

A Associação Britânica de Saúde Sexual e HIV (BASHH, na sigla em inglês) estima que a resistência da MG aos macrolídeos  classe de antibiótico usada no tratamento  seja de 40%, aproximadamente. Como as taxas de erradicação da bactéria depois do tratamento estão diminuindo, os serviços de saúde locais estão usando a azitromicina, que não seria a primeira indicação, mas ainda funciona na maioria dos casos.
Por isso, na semana passada, a organização emitiu diretrizes de combate à bactéria. Entre as medidas recomendadas está a realização de exames em pacientes que apresentem sintomas como uretrite (inflamação na uretra) e dor pélvica (sinal de doença pélvica inflamatória, condição que pode levar à infertilidade).
Apesar do aumento no número de casos de MG ter sido registrado principalmente no continente europeu, a Austrália já relatou diversos casos da infecção. No Brasil, o Ministério da Saúde informou que monitora a bactéria. Entretanto, não se pode afirmar o número exato da doença por aqui, já que sua notificação não é compulsória no país.
Segundo informações da BBC, o ministério esclareceu que estudos regionais demonstram que a Mycoplasma genitalium é muito menos frequente que outros agentes como a N. gonorrhoeae (responsável pela gonorreia) e a Chlamydia trachomatis (responsável pela clamídia), doenças que, quando não tratadas, podem causar dor durante a relação sexual e infertilidade, entre outras problemas de saúde.

sábado, 14 de julho de 2018

Quatro réus, entre eles o pai e a madrasta da criança, respondem por homicídio e ocultação de cadáver. Eles estão presos desde 2014



Caso Bernardo: quatro anos depois, como vivem os acusados de matar o menino



EDUARDO MATOS

Aos 11 anos, Bernardo morreu após ingerir alta dose de medicamentos, em abril de 2014/ Reprodução


A morte de Bernardo Boldrini completa quatro anos nesta quarta-feira (4). Segundo o Ministério Público (MP), aos 11 anos, o menino foi morto pela madrasta, a ex-enfermeira Graciele Ugulini, com a participação do pai, o médico Leandro Boldrini, e dos irmãos Edelvânia e Evandro Wirganovicz, em quatro de abril de 2014.

Graciele obrigou a criança a ingerir alta dose de medicamentos, o que teria provocado sua morte. O corpo de Bernardo foi encontrado 10 dias depois, numa cova, no interior de Frederico Westphalen. Os réus estão presos desde 2014. Dezenas de recursos foram movidos pelas defesas junto ao Tribunal de Justiça (TJ) e tribunais superiores e nenhum conseguiu tirar os quatro da cadeia.

Boldrini está na Penitenciária de Alta Segurança de Charqueadas. O médico exerce atividades laborais, como limpeza e ajuda na cozinha.

CASO BERNARDO

As falhas na rede de proteção que não salvou Bernardo Boldrini



Caso Bernardo: 29 testemunhas devem depor no júri


Todas as notícias do caso



Graciele e Edelvânia estão no Presídio Estadual Feminino Madre Pelletier, em Porto Alegre, em celas com outras presas que cometeram crimes semelhantes. Graciele ajuda a recolher o lixo de toda a casa prisional. Já Edelvânia é responsável pela limpeza de um dos pátios.


Evandro, que está preso no Presídio Estadual de Três Passos, ajuda na limpeza e a fazer a comida dos presos.

Linha do tempo


Em 4 de abril de 2014, Bernardo é morto. Dez dias depois, o corpo do menino é encontrado numa cova, no interior de Frederico Westphalen. Um dia depois, Graciele, Boldrini e Edelvânia são presos.

Em maio do mesmo ano, Evandro também é preso. Seis dias depois, Graciele, Boldrini e Edelvânia são denunciados por homicídio quadruplamente qualificado (motivos torpe e fútil, emprego de veneno e recurso que dificultou a defesa da vítima). Os três e mais Evandro são denunciados, também, por ocultação de cadáver. Boldrini responde por falsidade ideológica.

Em agosto de 2015, o juiz Marcos Agostini decide que os réus devem ser julgados pelo Tribunal do Júri.

Em outubro de 2016, o 1° Grupo Criminal do TJ mantém a sentença de pronúncia.

Em abril de 2017, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) nega recurso de Boldrini, mantendo o júri.

Em março deste ano, a Justiça nega pedido de prisão domiciliar de Graciele. A defesa havia usado como base recente decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que manda soltar presas grávidas e mães de crianças. Ela tem uma filha de cinco anos, mas se enquadra nas exceções que constam na decisão do STF.

Fase atual do processo


O processo aguarda data para realização do júri. Por meio da assessoria de imprensa do TJ, a magistrada que está responsável pela ação disse que prefere não se manifestar. Sucilene Engler Werle é a quarta magistrada a conduzir o processo. Agostini, Vivian Feliciano e Dezorzi pediram transferência da comarca de Três Passos.


Justiça abre prazo para indicação de testemunhas para júri do Caso Bernardo


MP manifesta-se contra prisão domiciliar para madrasta do menino Bernardo


Nova investigação conclui que mãe de Bernardo cometeu suicídio



O MP e os advogados dos réus já apresentaram as listas de testemunhas e as provas que pretendem produzir em plenário. A expectativa de quem acompanha o processo é de que o júri esteja próximo, podendo acontecer até a metade do ano. Vinte a nove testemunhas foram arroladas: o MP indicou cinco; a defesa de Boldrini, 12 nomes; a de Graciele, quatro; a de Edelvânia concordou com o rol do MP e não indicou nomes; e a de Evandro, oito.

Nesta terça-feira (3), a juíza Sucilene apreciou os últimos pedidos das partes antes de marcar o julgamento. Foi negado pedido da defesa do médico Leandro Boldrini para fazer a cisão do processo. Já o pedido dos advogados do médico para que as testemunhas não tenham qualquer comunicação externa, não tendo acesso a aparelhos com sinal de internet, rádio e televisão, no dia do julgamento, foi acatado.

A juíza aceitou, ainda, pedido dos advogados de Boldrini para juntar ao processo o inquérito policial que investigou a morte da mãe do menino Bernardo, Odilaine Uglione, que foi encontrada sem vida no consultório do médico, em 2010. Na época, a polícia concluiu o caso como suicídio, o que foi confirmado em março de 2016, após reabertura do inquérito.

O que dizem as partes:

Ministério Público


O promotor Bruno Bonamente preferiu não dar entrevista. Uma nota foi enviada à reportagem de GaúchaZh:

"Após o oferecimento da denúncia pelo MP, foi feita toda a instrução da primeira fase do rito do Júri, e, após os recursos, o processo voltou ao primeiro grau, quando se iniciaram os trâmites para submeter os quatro réus ao julgamento. Tanto acusação como defesa já apresentaram as testemunhas a serem ouvidas e as provas que entendem ser necessárias para apresentação em plenário, o que aguarda análise do juízo. Desde o início das investigações, todos os réus permaneceram presos e o MP tem aplicado esforços para que essa situação permaneça, tanto que a Promotoria de Justiça conseguiu junto ao Judiciário a manutenção da prisão da ré Graciele no último mês. A perspectiva e o interesse do MP é que todos sejam condenados na estrita observância da decisão de pronúncia com penas máximas, dada a gravidade e brutalidade pelas quais o crime foi cometido."

Leandro Boldrini


Boldrini escoltado durante reconstituição do crime em dezembro de 2015Félix Zucco / Agencia RBS

O advogado Ezequiel Vetoretti disse que só se manifesta sobre o caso no processo.

Graciele Ugulini

Madrasta durante audiência do caso em maio de 2015Ricardo Duarte / Agencia RBS

O advogado Vanderlei Pompeo de Mattos também disse que prefere se manifestar somente no processo.

Edelvânia Wirganovicz

Edelvânia durante a mesma audiência da qual Graciele participou em maio de 2015Ricardo Duarte / Agencia RBS


O advogado Gustavo Nagelstein disse que Edelvânia está disposta a falar tudo o que sabe, mudando a versão inicial apresentada à Polícia Civil, no mesmo dia em que o corpo de Bernardo foi encontrado, em 14 de abril de 2014. Segundo ele, a ré estava sob pressão naquele momento. Ainda conforme Nagelstein, a versão de sua cliente inocenta Boldrini e Evandro e atribui a culpa a Graciele. Ele afirma que Edelvânia apenas acompanhou Graciele na viagem fatal de Três Passos até Frederico Westphalen, no dia 4 de abril de 2014, para ajudar a então amiga com o enteado.

Evandro Wirganovicz

O advogado Hélio Sauer preferiu não adiantar os argumentos que usará em plenário. Ele voltou a dizer que Evandro não teve qualquer participação no crime.

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