domingo, 21 de agosto de 2016

O Brasil, senhores, sois vós


 Mas, senhores, se é isso o que eles vêem, será isto, realmente, o que nós somos? Não seria o povo brasileiro mais do que esse espécimen do caboclo mal desasnado, que não se sabe ter de pé, nem mesmo se senta, conjunto de todos os estigmas de calaçaria e da estupidez, cujo voto se compre com um rolete de fumo, uma andaina de sarjão e uma vez d’aguardente? Não valerá realmente mais o povo brasileiro do que os conventilhos de advogados administrativos, as quadrilhas de corretores políticos e vendilhões parlamentares, por cujas mãos corre, barateada, a representação da sua soberania? Deverão, com efeito, as outras nações, a cujo grande conselho comparecemos, medir o nosso valor pelo dessa troça de escaladores do poder, que o julgam ter conquistado, com a submissão de todos, porque, em um lance de roleta viciada, empalmaram a sorte e varreram a mesa?

Não. Não se engane o estrangeiro. Não nos enganemos nós mesmos. Não! O Brasil não é isso. Não! O Brasil não é o sócio de clube, de jogo e de pândega dos vivedores, que se apoderaram da sua fortuna, e o querem tratar como a libertinagem trata as companheiras momentâneas da sua luxúria. Não! O Brasil não é esse ajuntamento coletício de criaturas taradas, sobre que possa correr, sem a menor impressão, o sopro das aspirações, que nesta hora agitam a humanidade toda. Não! O Brasil não é essa nacionalidade fria, deliquescente, cadaverizada, que receba na testa, sem estremecer, o carimbo de uma camarilha, como a messalina recebe no braço a tatuagem do amante, ou o calceta, no dorso, a flor-de-lis do verdugo. Não! O Brasil não aceita a cova, que lhe estão cavando os cavadores do Tesouro, a cova onde o acabariam de roer até aos ossos os tatus – canastras da politicalha. Nada, nada disso é o Brasil.

O QUE É O BRASIL

O Brasil não é isso. É isto. O Brasil, senhores, sois vós. O Brasil é esta assembleia. O Brasil é este comício imenso de almas livres. Não são os comensais do erário. Não são as ratazanas do Tesoiro. Não são os mercadores do Parlamento. Não são as sanguessugas da riqueza pública. Não são os falsificadores de eleições. Não são os compradores de jornais.
Não são os corruptores do sistema republicanoNão são os oligarcas estaduais. Não são os ministros de tarraxa.Não são os presidentes de palha. Não são os publicistas de aluguer.Não são os estadistas de impostura.

Não são os diplomatas de marca estrangeira. São as células ativas da vida nacional. É a multidão que não adula, não teme, não corre, não recua, não deserta, não se vende. Não é a massa inconsciente, que oscila da servidão à desordem, mas a coesão orgânica das unidades pensantes, o oceano das consciências, a mole das vagas humanas, onde a Providência acumula reservas inesgotáveis de calor, de força e de luz para a renovação das nossas energias. É o povo, em um desses movimentos seus, em que se descobre toda a sua majestade.

 Rui Barbosa
Trecho da conferência "A Questão Social e Política no Brasil". Autógrafo no Arquivo da FCRB.
Obras Completas de Rui Barbosa.
V. 46, t. 1, 1919. p. 69

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

As premonições de Natália Correia: A Europa não é solidária com ninguém!







Natália Correia foi uma intelectual de reconhecida independência e demolidor sarcasmo crítico com a qual eu tive algumas divergências, mas muitas cumplicidades, mormente quando ambos trabalhámos, eu como jornalista e ela como directora na “Vida Mundial”, uma revista do extinto grupo “O Século”, pouco antes da morte de Sá Carneiro.

Se hoje fosse viva continuaria a ser, seguramente, uma proeminente defensora da democracia, da liberdade e, sobretudo, da independência e soberania de Portugal. Estaria, certamente, na linha da frente de uma ampla frente de democratas e patriotas que, para além de se recusarem a pagar uma dívida que não foi contraída pelo povo, nem o povo dela retirou qualquer benefício para si, apostaria na preparação de Portugal para a saída do euro e da União Europeia.

Seria, indubitavelmente  uma defensora do derrube deste governo de serventuários, protagonizado pelos traidores nacionais Coelho e Portas, ambos tutelados por Cavaco, e posso mesmo imaginar a truculência com que apelaria à expulsão da tróica germano-imperialista de Portugal, segundo ela, a Mátria de todos nós!

Vem este longo intróito a propósito de declarações suas, na década de 80 do século XX – há mais de 30 anos – sobre a adesão de Portugal à então CEE e as consequências que dessa adesão adviriam para o povo português. Seguramente que, se democratas e patriotas como Natália Correia saíssem hoje da letargia em que o armário os colocou, teríamos hoje a fibra de quem, em vida, nunca se calou perante a injustiça e a exploração, e mais próximo estaria o fim deste governo que se presta a vender aos grandes grupos financeiros e bancários europeus – com os germânicos à cabeça – pelos 30 dinheiros da traição, os trabalhadores e o povo português, e o país!

Sem mais delongas, portanto, passo a reproduzir o que Natália Correia escreveu em "O Botequim da Liberdade", de Fernando Dacosta:

"A nossa entrada (na CEE) vai provocar gravíssimos retrocessos no país, a Europa não é solidária com ninguém, explorar-nos-á miseravelmente como grande agiota que nunca deixou de ser. A sua vocação é ser colonialista".

"A sua influência (dos retornados) na sociedade portuguesa não vai sentir-se apenas agora, embora seja imensa. Vai dar-se sobretudo quando os seus filhos, hoje crianças, crescerem e tomarem o poder. Essa será uma geração bem preparada e determinada, sobretudo muito realista devido ao trauma da descolonização, que não compreendeu nem aceitou, nem esqueceu. Os genes de África estão nela para sempre, dando-lhe visões do país diferentes das nossas. Mais largas mas menos profundas. Isso levará os que desempenharem cargos de responsabilidade a cair na tentação de querer modificar-nos, por pulsões inconscientes de, sei lá, talvez vingança!"

"Portugal vai entrar num tempo de subcultura, de retrocesso cultural, como toda a Europa, todo o Ocidente".

"Mais de oitenta por cento do que fazemos não serve para nada. E ainda querem que trabalhemos mais. Para quê? Além disso, a produtividade hoje não depende já do esforço humano, mas da sofisticação tecnológica".

"Os neoliberais vão tentar destruir os sistemas sociais existentes, sobretudo os dirigidos aos idosos. Só me espanta que perante esta realidade ainda haja pessoas a pôr gente neste desgraçado mundo e votos neste reaccionário centrão".

"Há a cultura, a fé, o amor, a solidariedade. Que será, porém, de Portugal quando deixar de ter dirigentes que acreditem nestes valores?"

"As primeiras décadas do próximo milénio serão terríveis. Miséria, fome, corrupção, desemprego, violência, abater-se-ão aqui por muito tempo. A Comunidade Europeia vai ser um logro. O Serviço Nacional de Saúde, a maior conquista do 25 de Abril, e Estado Social e a independência nacional sofrerão gravíssimas rupturas. Abandonados, os idosos vão definhar, morrer, por falta de assistência e de comida. Espoliada, a classe média declinará, só haverá muito ricos e muito pobres. A indiferença que se observa ante, por exemplo, o desmoronar das cidades e o incêndio das florestas é uma antecipação disso, de outras derrocadas a vir". 

Caso para reafirmar a coerência daqueles que, como os marxistas-leninistas, afirmaram então – e continuam a demonstrar – que não seria Portugal a entrar na CEE, mas esta superestrutura do imperialismo alemão que entraria pelo nosso país adentro e o transformaria – como está a transformar – num protectorado ou colónia.

Ousar Lutar é Ousar Vencer! Mas, é também demonstrar respeito pela memória de todos aqueles democratas e patriotas, da estirpe de Natália Correia, que persistiram e continuam a persistir em lutar pelos interesses do povo e se apresentaram e se apresentam  de peito aberto, mãos e cara lavada, a todos aqueles que quiseram - e persistem nesse objectivo -  vender a soberania do país e os interesses do povo a potência externa

A APARÊNCIA DOS ALIMENTOS É IGUAL AOS ÓRGÃOS QUE ELES CURAM


a aparência dos alimentos é igual aos órgãos2





Como esta fruta (sim, o tomate é considerado uma fruta) é rica em potássio e ferro, sua importância está especialmente ligada com o coração e o sangue.

2. Noz faz bem pro cérebro
a aparência dos alimentos é igual aos órgãos3
As nozes são simétricas e possuem dobras iguaizinhas às do nosso cérebro. São ricas dos nutrientes que são mais importantes para o bom funcionamento cerebral.
3. Aipo faz bem pros ossos
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O aipo (ou salsão) garante ossos mais fortes pois possui 23% de sódio de boa qualidade. Os ossos possuem também 23% de sódio. Quando a dieta é baixa em sódio de boa qualidade (entenda-se “boa qualidade” como sódio não proveniente de sal refinado), o organismo começa pegar sódio dos ossos, o que deixa eles fracos.

4. Abacate faz bem pro útero
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Se toda mulher comesse, ao menos, um abacate por semana poderiam evitar doenças sérias. O abacate protege e equilibra os hormônios, evitando as chances de câncer de útero ou ovário. Também ajuda a perder peso depois da gravidez. Outra “coincidencia”? Leva também 9 meses desde o florescer da árvore até um abacate virar fruto.
5. Batata-doce faz bem pro pâncreas

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A batata-doce oferece benefícios ao pâncreas e equilibram o nível de açúcar no sangue.
6. Cenoura faz bem pros olhos
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 A cenoura aumenta o fluxo sanguíneo em direção aos olhos e melhora o funcionamento dos mesmos.
7. Laranjas fazem bem pros seios




A laranja é capaz de prevenir o câncer e ajuda o movimento da linfa na mama.
8. Gengibre faz bem pro estômago


O gengibre evita doenças no estômago e melhora a digestão graças às suas enzimas e evita câimbras fortes. Além disso, impede úlcera e mantém a mucosa em bom estado.
9. Cogumelo faz bem pros ouvidos
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O consumo de cogumelos pode prevenir a perda de audição, pois eles são um dos raros alimentos que contêm vitamina D, excelente para essa prevenção.
10. Feijão faz bem pros rins
O feijão ajuda a manter as funções dos rins ativas e adequadas.
a aparência dos alimentos é igual aos órgãos11

Fonte: Yogui.co

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