terça-feira, 14 de outubro de 2014

'Efeito Aécio' na Bolsa faz Petrobras retomar posto de maior empresa da América Latina

Mercado

Estatal voltou a encabeçar lista de companhias mais valiosas da região, ao encerrar o pregão de segunda-feira avaliada em US$ 116,3 bilhões

Crescimento do valor de mercado da Petrobras foi motivado por fortalecimento de Aécio Neves (PSDB) no cenário eleitoral
Crescimento do valor de mercado da Petrobras foi motivado por fortalecimento de Aécio Neves (PSDB) no cenário eleitoral (Divulgação/Petrobras/VEJA)
A Petrobras voltou a ser a maior empresa do Brasil em valor de mercado da América Latina nesta semana. Após alta de 10% de suas ações na BM&FBovespa no pregão de segunda-feira, a estatal terminou o dia valendo 116,3 bilhões de dólares, segundo dados da Economatica. Com isso, a Ambev, avaliada em 105,5 bilhões de dólares, retornou à segunda posição do ranking. 
No dia 30 de setembro, a Ambev liderava a lista, com valor de mercado avaliado em 102,5 bilhões de reais, seguida da Petrobras, com 93,7 bilhões de reais. Desta data até segunda, a petroleira registrou ganho de 22,6 bilhões de reais, enquanto a Ambev, de 2,7 bilhões de reais.
O crescimento do valor de mercado da Petrobras foi impulsionado pelo fortalecimento do candidato Aécio Neves (PSDB) no cenário eleitoral. O mercado prefere Aécio pelo fato de o tucano prometer uma política econômica mais ortodoxa, aliada a menor interferência em estatais, como a Petrobras. As denúncias de corrupção na Petrobras durante a gestão petista fazem com que os investidores operem de forma especulativa sempre que há indícios de que a presidente Dilma tem pior desempenho nas pesquisas eleitorais.
Levantamentos recentes realizados pelo Ibope e Datafolha mostram o candidato tucano em situação de empate técnico com a rival petista Dilma Rousseff (PT) no segundo turno das eleições. Neste fim de semana, Aécio recebeu o apoio da ex-candidata Marina Silva e da família do ex-candidato Eduardo Campos
Entre as 10 maiores da América Latina, há seis empresas brasileiras, três mexicanas e uma colombiana. O setor bancário é o que tem mais representantes, com três instituições, incluindo Itaú Unibanco e Bradesco, que ocupam a quarta e quinta posição, respectivamente.
Bovespa - Ainda conforme a Economatica, entre seis países da América Latina (Brasil, Chile, Peru, Colômbia, México e Argentina) e Estados Unidos, a bolsa brasileira é a única que apresentou crescimento em valor de mercado de empresas negociadas em outubro. No dia 30 de setembro, a Bovespa tinha 959,5 bilhões de dólares contra 1,02 trilhões de dólares no dia 13 de outubro, crescimento de 68,0 bilhões de dólares.
No mesmo período, o mercado norte-americano teve queda de valor de mercado de 1,16 trilhões de dólares, valor superior ao de todas as empresas brasileiras de capital aberto. No dia 30 de setembro as empresas americanas tinham valor de mercado avaliado em 22,13 trilhões de dólares contra 20,96 trilhões de dólares no dia 13 de Outubro.

Ranking das empresas mais valiosas da América Latina

 NOMEVALORPAÍS
PetrobrasUS$ 116,37 BilhõesBRASIL
AmbevUS$ 105,26 BilhõesBRASIL
America MovilUS$ 84,05 BilhõesMÉXICO
Itaú UnibancoUS$ 81,83 BilhõesBRASIL
BradescoUS$ 67,81 BilhõesBRASIL
EcopetrolUS$ 58,80 BilhõesCOLÔMBIA
Vale US$ 56,42 BilhõesBRASIL
WalMart MéxicoUS$ 42,64 BilhõesMÉXICO
GModeloUS$ 40,44 BilhõesMÉXICO
10ºBanco do BrasilUS$ 39,17 BilhõesBRASIL

Fonte: Economatica - Valores referentes ao dia 13/10/2014

Dilma publica MP com agrado a delegados da PF

Eleições 2014

Em meio a debate eleitoral sobre instituição e Operação Lava Jato, presidente atende a pedidos dos delegados, mas desagrada sindicato dos agentes

Felipe FrazãoRadar PF/Maranhão
Dilma aprova medida que agrada a delegados da PF, mas vai na contramão de interesses do sindicato da categoria(Reprodução/VEJA/VEJA)
Após semanas de crise com a Polícia Federal, a presidente-candidata Dilma Rousseff (PT) publicou nesta terça-feira uma Medida Provisória com agrados aos delegados da PF, categoria que ocupa os cargos principais da instituição. O atendimento às reivindicações dos delegados, que haviam programado uma mobilização nacional nesta terça, consta de três artigos da Medida Provisória 657, publicada no Diário Oficial da União.
Dois artigos estabelecem que apenas delegados podem ocupar o cargo de diretor-geral da PF e dirigir as atividades do órgão. O outro afirma que o ingresso na carreira de delegado é feito por meio de concurso público e que o diploma de bacharel em Direito é requisito obrigatório. O texto também define as atividades do delegado como de "natureza jurídica e policial" e exige comprovação de três anos de atividade para ingresso no posto. A direção-geral da PF ficou restrita a delegados de "classe especial".
Na manifestação por mais autonomia desta terça, os delegados pretendiam publicar uma nota com uma avaliação da gestão do atual diretor, Leandro Daiello. Eles também cobram a aprovação da lei orgânica da Polícia Federal, a eleição para o cargo de diretor-geral (com possível indicação de lista tríplice à Presidência), maior autonomia administrativa e orçamentária, a criação de um gatilho de concursos públicos e de unidades especializadas no combate à corrupção.
Apesar de agradar aos delegados, esses três artigos da MP contrariam demandas dos agentes da PF que, nos últimos anos, travam uma dura disputa com delegados. As duas categorias têm se enfrentado por meio de seus sindicatos, que fazem lobby no Congresso para que leis sejam aprovadas em seu favor. Os agentes querem aprovar uma mudança na estrutura da polícia para que exista uma carreira única dentro do órgão e eles também possam dirigir atividades, chefiar investigações e progredir na carreira. Os artigos da Medida Provisória alteram a Lei 9.266, de 1966, que reorganizou as classes da carreira da Polícia Federal. Todas as disposições da MP já estão em vigor hoje.
Lava Jato – A MP foi editada em meio ao embate eleitoral e à acusação de vazamentos da Operação Lava Jato, que atingiu partidos da base aliada de Dilma: PP, PMDB e PP. Os delegados reclamavam internamente da falta de estrutura dada à coordenação da Lava Jato. A presidente Dilma chegou a dizer que "com certeza a PF não vazou documentos", num aceno à categoria, e passou a atirar contra a Justiça Federal e o Ministério Público Federal no Paraná.
Os agentes interpretaram a MP como uma forma de o governo conter o ímpeto dos investigadores e possíveis vazamentos. Eles ainda reclamaram de "quebra de acordo" com a categoria, dizendo que o Ministério do Planejamento havia se comprometido a não editar a MP até a conclusão do Grupo de Trabalho que prõpoe alterações na PF e é integrado pelos sindicatos. Eles também afirmam que não havia urgência em tratar do tema durante as eleições e que parte do texto sancionado nesta terça havia sido rejeitada como emenda da MP 650, aprovada na Câmara na semana passada.
Debate – O papel da PF foi assunto de campanha e debates na TV. Dilma disse que  seu governo e o do ex-presidente Lula deram "autonomia para a PF trabalhar, investigar e prender", e Aécio Neves rebateu dizendo que a PF é uma instituição de Estado, que tem "autonomia constitucional" e não precisaria de autorização para agir.
Em resposta ao tucano, que acusou Dilma de tentar influenciar o trabalho da PF, um dos artigos da nova MP diz: "A Polícia Federal, órgão permanente de Estado, organizado e mantido pela União (...) é integrante da estrutura básica do Ministério da Justiça".
PMDB – Em um dos episódios da crise entre Dilma e a Polícia Federal, que se agravou nos últimos meses, a presidente dirigiu uma crítica direta à ação de um delegado maranhense. Ela criticou a atuação de policiais que, chefiados pelo delegado, revistaram um avião usado por seu candidato a governador do Maranhão, Edison Lobão Filho (PMDB), filho do ministro de Minas e Energia, Edison Lobão.
O vice-presidente da República, Michel Temer, também filiado ao PMDB, acusou os policiais de tentarem intimidar seu candidato. Em seguida, Dilma disse num evento público que a PF não poderia agir "ao arrepio da lei".
Em resposta, a Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF) saiu em defesa do delegado que chefiou a vistoria. Em nota, a associação acusou "alguns partidos" de fazerem "uso político de fatos que nada mais são do que o regular trabalho de Polícia Judiciária Eleitoral atribuído legalmente à Polícia Federal".


(Com Estadão Conteúdo)

OMS: Vacina Experimental contra o Ebola Será Injetada em Massa em Humanos à Partir de Janeiro



Natural News

A Organização das Nações Unidas (ONU) não está deixando uma boa crise ir para o lixo, e recentemente aprovou o uso das não-testadas vacinas experimentais contra o Ebola, que estão sendo levadas às pressas para o mercado neste exato momento. A agência France-Presse relata que as vacinas, as quais estão ignorando o processo de testes e aprovação normais, devem estar prontas em massa no início de 2015 para o uso na África Ocidental.

Duas vacinas em particular, uma fabricada pela gigante farmacêutica britânica GlaxoSmithKline (GSK) (aquela multada em 380 milhões de euros na China por corrupção) e a outra pela NewLink Genetics com sede nos Estados Unidos, estão sendo aceleradas através de ensaios clínicos, de acordo com a Diretora Geral adjunta da Organização Mundial da Saúde (OMS), Marie-Paule Kieny. Se tudo correr como o planejado, as vacinas estarão disponíveis para os profissionais de saúde já em novembro.

“Se tudo correr bem, poderemos ser capazes de começar a usar algumas destas vacinas em alguns dos países afetados no início do próximo ano“, afirmou Kieny à mídia.

10.000 doses da vacina contra o Ebola da GSK estarão prontas antes do natal

A GSK já iniciou os testes clínicos em humanos com sua vacina nos EUA e na Grã-Bretanha, e os testes da vacina da NewLink estão marcados para começar nos EUA e Alemanha nas próximas semanas, de acordo com Kieny. Durante estes testes, os pacientes serão monitorados para efeitos adversos e para ver se as injeções produzem uma resposta imunológica adequada.

“Elas têm dado resultados muito promissores em macacos, mas os macacos não são seres humanos“, ressaltou Kieny, advertindo que não foi ainda demonstrado que as vacinas contra o Ebola funcionam. “Nós ainda podemos enfrentar uma situação onde essas vacinas não seriam seguras em humanos ou onde elas não iriam representar nada em termos de proteção. Portanto, temos de ser muito prudentes.”

O grupo pró-vacina Gavi, (Aliança Mundial para Vacinas e Imunização), que foi iniciado com financiamento da infame Fundação Bill & Melinda Gates, também está a bordo no esforço. O grupo comprometeu-se em uma recente declaração de fazer tudo o que puder para ajudar a acelerar a disponibilidade das vacinas contra o Ebola, determinadas para serem eficazes.

A GSK já está planejando ter 10.000 de suas vacinas disponíveis antes do final do ano, embora os testes em humanos ainda não foram concluídos. A NewLink também está declarando preventivamente a segurança de suas vacinas contra o Ebola, a qual recentemente doou 800 frascos, que representam 1.500 doses, à OMS para distribuição nos próximos meses.

Africanos ocidentais serão usados ​​como cobaias em testes de drogas experimentais

Várias outras empresas farmacêuticas estão planejando revelar suas próprias drogas experimentais contra o Ebola também, as quais eles planejam testar diretamente nos africanos ocidentais no calor da crise. A Reuters relata que a Mapp Biofarmacêutica, Sarepta e Tekmira vão iniciar os testes nos países afetados como parte de um esquema de aprovação acelerada para obter a liberação da droga o mais rápido possível.

“Estamos começando a discutir com os países africanos para ver qual seria o mais adequado para testar essas novas drogas e estabelecê-las o mais rapidamente possível, o que dá uma vantagem para a sobrevivência dos pacientes“, afirmou Kieny, enfatizando o apoio da OMS no esforço.

Entretanto, a OMS diz que as transfusões de sangue do soro humano extraídos de sobreviventes do Ebola podem ser úteis na prevenção da disseminação da infecção. O tratamento foi demonstrado ser eficaz no médico americano Richard Sacra, a quem foi dado uma infusão de sangue do colega médico Kent Brantly. Os dois homens contraíram o Ebola, enquanto trabalhavam na África Ocidental.

“Isso é algo onde a população africana não tem que esperar por mais ninguém para desenvolver para eles“, disse Kieny sobre o tratamento experimental. “É por isso que há muito entusiasmo.”

Participe da discussão no Fórum Notícias Naturais.

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Serra Leoa Anuncia Quarentena por Tempo Indeterminado aos Seus Cidadãos – Preços dos Alimentos Disparam



Roteiro Pronto! Ebola e a Rápida Vacina, EUA Patenteou o Ebola, um Vírus Geneticamente Modificado?

Fontes:

Rumo aos 200 mil acessos. Thanks!!


Relembrando:Ex-petista Heloisa Helena, diz que Lula é chefe de quadrilha de “gansters” capaz de matar, roubar e caluniar qualquer um que os atrapalhe


Ex-petista Heloisa Helena, diz que Lula é chefe de quadrilha de “gansters” capaz de matar, roubar e caluniar qualquer um que os atrapalhe
Em 2006, a então candidata à presidência, Heloísa Helena, ex-petista, tendo sido eleita senadora de Alagoas pela sigla em 98, que discordou das políticas do PT e acabou sendo expulsa da sigla em 2003, fez severas acusações contra o ex-presidente Lula. Suas palavras voltaram a circular na internet recentemente. Leia abaixo uma matéria da época, produzida pelo Portal Terra:

A candidata do Psol à Presidência, Heloísa Helena, afirmou hoje que o presidente e seu adversário Luiz Inácio Lula Silva (PT) chefia uma quadrilha de “gangsters” capaz de “roubar, matar, caluniar e liquidar com qualquer um que ameace seu projeto de poder”. “Eu sei o que eles são capazes de fazer”, afirmou a senadora. As informações são da rádio CBN.Veja também:

Com morte de Campos, lei sancionada por Dilma tornando sigilosa a investigação de acidentes aéreos vira assunto nas redes sociaisEduardo Campos morre em acidente aéreo na manhã desta quarta-feira (13)Comitê de Dilma entra com ação contra Aécio por aeroporto de R$ 14 milhões. E os R$ 330 milhões para aeroportos de Cuba. Ninguém fala nada?Brasil tem a 3º maior população carcerária do mundo e quase 400 mil mandados de prisão que ainda precisam ser cumpridos
O portal Terra procurou a assessoria de imprensa da campanha de Lula, que rebateu a crítica dizendo ser uma “atitude destemperada” da candidata, que demonstra seu “desequilíbrio” com a queda nas pesquisas de intenção de voto. A assessoria informou ainda que o departamento jurídico do comitê vai procurar as “medidas cabíveis” neste caso.
Heloísa Helena declarou ainda que gostaria de enfrentar o presidente num debate. A senadora fez campanha hoje no Rio de Janeiro. Pela manhã esteve no Aterro do Flamengo e na orla de Copacabana acompanhada de militantes e dos candidatos ao governo, Milton Temer, e à Câmara Federal Chico Alencar.
 (Setembro/2006, Redação Terra)

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segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Demolição do Presídio Central começa nesta semana em Porto Alegre

Vem abaixo

O pavilhão C será o primeiro a tombar, encerrando sua história de horrores na cadeia que virou símbolo da falência do sistema carcerário

por José Luis Costa*

13/10/2014 | 05h04

Demolição do Presídio Central começa nesta semana em Porto Alegre Omar Freitas/Agencia RBS
Vazio, pavilhão C será o primeiro a ser destruídoFoto: Omar Freitas / Agencia RBS
A demolição do Presídio Central de Porto Alegre começa na terça-feira, colocando abaixo um ícone do descaso com a população carcerária. Um dos prédios da estrutura original da cadeia erguida há 55 anos, o pavilhão C foi palco de motins e assassinatos, além de embrião do crime organizado e da guerra entre facções no Rio Grande do Sul. Até os seus últimos dias, segue gerando controvérsias.

O pavilhão C foi escolhido para tombar primeiro porque é motivo de vergonha internacional. Em meados de 2008, presos destruíram a terceira galeria (terceiro andar), deixando o local como se tivesse sido devastado por bombardeio. Quando chovia, apenados dormiam pendurados em redes no forro, igual a morcegos. As celas eram inundadas pela água.

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As imagens correram o país e o mundo. Em Brasília, a CPI do Sistema Carcerário rotulou o Central como o pior presídio do Brasil e chegou a indiciar autoridades gaúchas — depois recuou — por omissão.

No ano passado, as condições inóspitas do presídio de uma forma geral, como superlotação, esgoto correndo a céu aberto, proliferação de doenças e risco de incêndio, levaram o Brasil a ser denunciado à Comissão Interamericana de Direitos Humanos, organismo ligado à Organização dos Estados Americanos (OEA). Por tudo isso, somado ao fato de ser o pavilhão menos abarrotado — tinha cerca de 370 presos, enquanto outros beiram mil —, o C vai ao chão antes dos demais.

Ao mesmo tempo em que acumula esses problemas, o pavilhão C ainda é considerado o melhor do Central por causa dos dois pavimentos iniciais. A primeira e a segunda galerias são as mais bem cuidadas de toda cadeia. Paredes pintadas sem riscos e sem fotos de mulheres nuas. Cozinha, lavanderia e banheiros bem conservados, e as portas das celas, em madeira, originais, dos tempos da inauguração em 1959.

Sempre que um visitante queria conhecer o Presídio Central, era apresentado ao C, porque a facção dominante era obediente às regras da casa. No ano passado, a terceira galeria começou a ser reformada com mão de obra prisional. Por essa razão, juízes da Vara de Execuções Criminais (VEC) da Capital se mostraram contrários à demolição começar pelo prédio sem que, ao menos, fossem consultados. Presos que estavam no C e foram transferidos provisoriamente para a Penitenciária de Montenegro — até dezembro deverão ir para a nova cadeia de Canoas — também reclamaram da mudança.

O C ganhou fama como pavilhão da discórdia no final dos anos 1980, quando foi plantada a semente das primeiras facções no Estado. Entre 1989 e 1991, o pavilhão foi cenário de duas das mais sangrentas guerras entre quadrilhas, com oito apenados mortos – seis deles carbonizados. Meses depois, lá foram encarcerados integrantes da gangue de Jorge Luís Queirós Ventura, o Jorginho da Cruz, líder do tráfico no Morro da Cruz, na Capital, que tinha duas pistolas calibre 7.65.

Ao mesmo tempo em que matava atrás das grades, o bando de Jorginho planejou sequestros – não concretizados – de um juiz da VEC e do então governador Alceu Colares (1991 a 1994), com objetivo de soltar comparsas. Dono do pavilhão C, Jorginho se rebelou em sangrentas disputas contra Dilonei Francisco Melara, então líder do pavilhão B, impedindo a organização de uma facção única de criminosos. Tempos depois, o C foi dominado pela quadrilha Os Brasa, que seguiu a guerra contra a facção de Melara até a morte dele, em 2005.

Visita de autoridades antes da destruição
O governador Tarso Genro visitará o Presídio Central de Porto Alegre hoje à tarde. Ele percorrerá os corredores do pavilhão C, a partir das 14h, acompanhado de autoridades de Brasília, como a secretária Nacional de Segurança Pública do Ministério da Justiça, Regina Miki, e o diretor-geral do Departamento Penitenciário Nacional, Renato Campos Pinto de Vitto. Também participam da visita secretários estaduais e o presidente do Tribunal de Justiça do Estado, desembargador José Aquino Flôres de Camargo. 

A demolição do pavilhão C começa na terça-feira. Depois, será derrubado o pavilhão D. Ficarão de pé, a administração, a cozinha geral e os pavilhões G, H, I e J, construídos em 2008 com espaços para 720 presos. Até o final de 2015, deverão ser construídos novos pavilhões, elevando a capacidade para 1,5 mil presos provisórios (sem condenação).

Histórias das temidas galerias do C
O menino e o paneleiro
Nos anos 1970, uma mulher deu à luz um menino na Penitenciária Feminina, em Porto Alegre. Três anos depois, o garoto deveria ser levado para um abrigo da extinta Febem.

— Cheguei até o portão, mas o menino se agarrou nas minhas pernas e chorou. Era muito querido e carinhoso. Levei de volta para a mãe, mas, no dia seguinte, outro agente entregou a criança para a Febem — lembra o monitor penitenciário aposentado Joelci Maia Nascimento, 65 anos.

Duas décadas depois, Joelci se surpreendeu ao reencontrar o menino, já homem feito, como detento do Presídio Central. Era o paneleiro (preso que reparte a comida) do pavilhão C.
Abuso coletivo
Do lado de dentro das grades do Central, vale a lei do mais forte. E ela não poupa os mais fracos. Por volta de 1990, chegou ao pavilhão C um idoso, morador do Interior, acusado de homicídio por causa de uma briga. Dias depois, a filha do homem, uma jovem de 19 anos, entrou na galeria para visitá-lo e foi violentada por dezenas de presos. Com medo de o pai ser morto na cadeia, a jovem se negou a levar o caso à Justiça.

“Pastor” vendia muniçãoAssim que chegou, um assaltante virou fervoroso religioso. Andava abraçado à Bíblia e só falava em Jesus. Transformou-se no servidor de lanche e café para os guardas e circulava pela área administrativa. Tempos depois, foi flagrado com a Bíblia oca, rechea-
da de projéteis calibre 38, que oferecia a outros presos. Aproveitando da confiança dos agentes, o pastor descobrira o segredo do cofre da sala do diretor e, à noite, entrava lá para furtar munição.
 
Túnel da felicidadeA passagem tinha mais de 30 metros e se aproximava do muro. Tinha iluminação com fios atados com lã de aço, relógio para controlar a “hora de trabalho”, entre 18h e 5h, e, em uma das paredes, a frase de incentivo aos escavadores “perto da felicidade”. O túnel foi descoberto porque, no inverno, os presos andavam de bermudas. As calças serviam para guardar a terra.
Telefonema fatal
Uma das formas de eliminar desafetos era forjar uma chamada ao parlatório. Um preso ligava do orelhão que existia no Central e, se fazendo passar por advogado, avisava que estava chegando. Quando o detento saía da galeria, era atacado e executado. 

Carta invisívelNão existia celular, muito menos internet. O jeito era se comunicar por carta.  Mas, como a correspondência era aberta e lida pelos agentes, os presos descobriram um meio de mandar e receber recados secretos. As cartas eram sempre em duas folhas, uma com juras de amor escrita com caneta comum, e a outra aparentemente em branco. Na verdade, a segunda página também estava escrita, mas com caneta de pena e suco de limão como “tinta”. Só dava para ler aproximando a folha do bafo da chaleira ou de uma lâmpada acesa.
Alicate cirúrgico
Um ex-soldado da BM foi preso após furtar uma metralhadora de antigos colegas. Indevidamente, foi largado no C. Revoltados por ele ter sido PM, presos espancaram o ex-soldado por cinco horas. Levado depois para a galeria de ex-policiais, ele tinha uma bala alojada no pé. Com medo de ir ao médico e ter o pé amputado, aceitou ser “operado” por outros dois presos. A bala foi extraída com o uso de alicate de eletricista, cortador de unha e lâmina de barbear.

— Depois que operamos ele, em uma semana já estava no pátio jogando futebol — lembra um dos “cirurgiões”, ex-apenado. 

* Colaborou Renato Dornelles

Ouça a íntegra do depoimento de Paulo Roberto Costa à Justiça Federal

  

by Prosa & Politica
paulo-roberto-costaEx-diretor da Petrobras, Paulo Roberto Costa, diz em depoimento à Justiça Federal, que indicações políticas na estatal são comuns desde o governo José Sarney e explica esquema de desvio de recursos públicos para políticos.

domingo, 12 de outubro de 2014

O legado de Dilma retratado em oito gráficos


Eleições 2014

Dilma Rousseff foi a primeira mulher a ocupar a Presidência da República; quatro anos depois, relembre alguns feitos (bons e ruins) de seu governo

A candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff, depois do debate promovido pela Globo, no Rio
A candidata do PT Dilma Rousseff: após quatro anos de governo, mais erros que acertos (Ivan Pacheco/VEJA.com)
A presidente Dilma Rousseff trava uma batalha acirrada com seus adversários Aécio Neves e Marina Silva para se manter no poder pelos próximos quatro anos. A petista tem bradado as glórias de seu governo aos eleitores e espera que o discurso seja suficiente para garantir-lhe um lugar no segundo turno das eleições. O site de VEJA mostra em oito gráficos alguns dos erros e acertos da presidente ao longo de sua gestão. Confira.
Leia também:
VEJAGráficos - governo Dilma

Os salários que o Sesi paga aos apadrinhados do PT

As remunerações a indicados por Lula e pelo partido chegam a R$ 36 mil – e alguns deles nem precisam aparecer para trabalhar

MURILO RAMOS
01/08/2014 


Um espectro ronda a casa 787 da Rua José Bonifácio, numa esquina do centro de São Bernardo do Campo, em São Paulo – o espectro do empreguismo. De longe, vê-se apenas uma casa amarela, simples e estreita como as demais da região. De perto, subitamente, tudo o que é sólido se desmancha no ar e – buuu! – sobram somente os fantasmas. Naquele endereço, na cidade paulista onde o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva mora e fez sua carreira, funciona o “escritório de representação”, em São Paulo, do Conselho Nacional do Serviço Social da Indústria, o Sesi. A casa amarela mal-assombrada fica a 40 metros do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em que Lula se projetou como um dos maiores líderes políticos do Brasil. O sindicato mais famoso do país continua sob o comando de Lula e seus aliados. A casa amarela foi criada por esses aliados no governo de Lula. Quem a banca são as indústrias do país. Todo ano, elas são obrigadas a financiar as atividades do Sesi, cuja principal finalidade é qualificar os trabalhadores das indústrias. A casa amarela é um dos melhores lugares do Brasil para (não) trabalhar. O escritório é modesto, mas os salários são inimagináveis – e as jornadas de trabalho, imaginárias. Difícil é entrar. É preciso ser amigo de petistas poderosos.
Na manhã da última quarta-feira, ÉPOCA reuniu coragem para bater à porta da casa amarela. Estava em busca de Marlene Araújo Lula da Silva, uma das noras do ex-presidente Lula. No papel e na conta bancária, ela trabalha ali. A reportagem encontrou apenas dois sindicalistas, além da copeira Maria e da secretária Silvana. Dona Maria parece ser a mais produtiva do lugar. Faz um ótimo café. Talvez por medo, não fala sobre as aparições. Assim que ÉPOCA perguntou pela nora de Lula, a secretária Silvana tratou de alertá-la por telefone. Cerca de 45 minutos depois, Marlene finalmente estacionava seu Hyundai Tucson preto na garagem.

Casada com o quarto filho de Lula, Sandro Luís Lula da Silva, Marlene raramente aparece no serviço, apesar de ter um salário de R$ 13.500 mensais. Diz ser “formada em eventos”. Questionada sobre o que faz no Sesi, onde está empregada desde 2007, Marlene foi vaga. Disse trabalhar em programas do Sesi na capital paulista e na região do ABC. “Trabalho com relações institucionais. Fico muito tempo fora do escritório. Tenho uma jornada flexível. Quem me contratou foi o Jair Meneguelli”, afirmou. Meneguelli é o presidente do Sesi. Sindicalista e amigo de Lula, ocupa o cargo desde que o PT chegou ao Planalto, em 2003. “Mas por que está fazendo essas perguntas? Se você está me procurando, deve ser pela ligação que tenho de sobrenome”, disse.

Marlene é apenas um dos fantasmas vermelhos que, segundo descobriu a Controladoria-Geral da União, a CGU, habitam a casa amarela. No começo do ano, funcionários do Sesi procuraram a CGU para denunciar a existência de fantasmas nos quadros da entidade. Todos indicados por Lula e outros próceres do PT. Os auditores da CGU, como caça-fantasmas, foram a campo. Encontraram apenas ectoplasmas. Estiveram na casa amarela e jamais flagraram a nora de Lula trabalhando. Experimentaram ligar em horários alternados, na tentativa de achá-la na labuta. Nenhum vestígio. Por fim, decidiram perguntar ao Sesi que atividades Marlene exercera nos últimos tempos. A resposta foi evasiva. Agora, a CGU trabalha num relatório sobre a caça aos fantasmas.

A rotina tranquila permitiu que Marlene se lançasse ao mundo corporativo. Em 2009, ela se tornou sócia do marido e de um cunhado, Marcos Luís, numa empresa de tecnologia que se diz especializada na produção de software, a FlexBr. Até hoje a empresa não tem site. Antes escanteada num imóvel da família do advogado Roberto Teixeira, compadre de Lula, em São Bernardo do Campo, a FlexBr mudou-se para um  belo prédio no bairro dos Jardins, em São Paulo. ÉPOCA também esteve lá na semana passada. As atendentes do prédio disseram que a empresa não funciona mais lá há pelo menos um ano.  Nunca viram Marlene ali.

Por que o emprego de Marlene no Sesi nunca veio à tona? Um servidor do Sesi afirmou que se deve à dificuldade de associar o nome de solteira de Marlene ao sobrenome Lula da Silva. Na relação de funcionários do Sesi, o nome dela é Marlene de Araújo. Sobram fantasmas na família Lula. Em 2005, o jornal Folha de S.Paulo revelou que Sandro Luís, o marido de Marlene, tinha sido registrado como funcionário do PT paulista, com salário de R$ 1.500. Sandro nem sequer aparecia no partido.
 
APARIÇÕES Marlene (à esq.), nora de Lula, só apareceu no trabalho depois de ÉPOCA perguntar por ela. Márcia (à dir.), mulher do mensaleiro João Paulo Cunha, estava em casa (Foto: Rogério Cassimiro/ÉPOCA)
O assessor Rogério Aurélio Pimentel deveria ser colega de Marlene na casa amarela.  Até há pouco, estava lá apenas em espírito. Aurélio foi contratado no começo de 2011, para ser gerente de serviços sociais. Ganha R$ 10 mil por mês. O emprego no Sesi foi arranjado depois que a presidente Dilma Rousseff chegou ao Planalto e o dispensou. Aurélio, amigo de Lula, trabalhou no gabinete pessoal dele nos oito anos de mandato. No Planalto, dividia sala com Freud Godoy, ex-segurança de Lula. Godoy e Aurélio eram conhecidos no Planalto como “dupla dinâmica”. Freud se consagrou com o escândalo dos Aloprados, na campanha de Lula em 2006. Foi acusado de usar dinheiro sujo para comprar um dossiê fajuto com denúncias contra o tucano José Serra. ÉPOCA encontrou Aurélio na casa amarela. Ele disse não ter sido indicado por Lula. “Trabalho com Marlene assessorando projetos e também ajudo aqui no escritório”, disse. Não quis dar mais explicações. Desde as visitas dos caça-fantasmas da CGU, Aurélio passou a se apresentar no escritório do Sesi com mais regularidade.
o emprego dA nora de Lula demorou a ser descoberto porque ela usava o sobrenome de solteira
Na sede do Sesi, em Brasília, os caçafantasmas entrevistaram funcionários (de verdade) e vasculharam os computadores dos fantasmas em busca de vestígios de que trabalhavam. Nada. Uma das que não entravam no próprio computador chama-se Márcia Regina Cunha. Ela é casada com o ex-deputado João Paulo Cunha, do PT de São Paulo, condenado no processo do mensalão. Foi Márcia quem buscou os R$ 50 mil, em dinheiro vivo, que João Paulo recebeu de Marcos Valério – ele dizia que ela fora ao banco pagar a conta de TV a cabo. No Sesi, Márcia está empregada como gerente de marketing desde 2003. Recebe R$ 22 mil por mês.
Sou gerente de marketing. Trabalho lá (em Brasília) e aqui em São Paulo"
MÁRCIA CUNHA, MULHER DO MENSALEIRO JOÃO PAULO CUNHA, EM SUA CASA
Na tarde da mesma quarta-feira em que procurou Marlene na casinha amarela, ÉPOCA flagrou Márcia a 1.000 quilômetros da sede do Sesi em Brasília, onde ela deveria estar. Márcia estava em sua casa, na cidade de Osasco, região metropolitana de São Paulo. A casa de Márcia e do ex-deputado João Paulo Cunha está em reforma. Márcia parecia acompanhar as obras. ÉPOCA quis saber por que ela não estava em Brasília. “Sou gerente de marketing. Trabalho lá (Brasília) e aqui em São Paulo. Tem uma unidade do Sesi aqui”, disse – e logo desapareceu.

Os caça-fantasmas tiveram dificuldade para encontrar também o advogado e jornalista Douglas Martins de Souza no Sesi em Brasília. Contratado para ser consultor jurídico, ganha R$ 36 mil. Filiado ao PT desde 2000, foi secretário adjunto da Secretaria de Igualdade Racial no início do governo Lula. Marlene disse que Douglas “fica entre Brasília e São Paulo”.

Além de atender a pedido de amigos, Meneguelli, o presidente do Sesi, também emprega os seus. Um deles é o petista Osvaldo Bargas. No período em que Meneguelli presidiu a Central Única dos Trabalhadores (CUT), ligada ao PT, Bargas era seu número dois. No Sesi, recebe salário de R$ 33 mil. A sindicalista Sandra Cabral, amiga do ex-tesoureiro petista Delúbio Soares, também conseguiu emprego lá. Recebe R$ 36 mil por mês.
 
COMPANHEIROS Jair Meneguelli e o ex-presidente Lula. Nomeado por Lula, ele está há 11 anos no Sesi e ganha até R$ 60 mil mensais (Foto: Ricardo Benichio/divulgação)
Se alguém ganha bem no Sesi, é o próprio Meneguelli. Há meses em que ganha quase R$ 60 mil – somando ao salário uma “verba de representação”. Hoje, ocupa uma sala espaçosa num dos prédios mais luxuosos da capital federal. Meneguelli desfila num impecável Ford Fusion preto, modelo 2014, com motorista. Para não ficar a pé no ABC paulista, deu ordens para que um Toyota Corolla zerinho fosse transportado de Brasília a São Bernardo do Campo. Fica a sua disposição, com motorista. As despesas com esses e outros três bólidos do Sesi somam mais de R$ 150 mil por ano.
Meneguelli tem uma mania incorrigível de confundir o patrimônio do Sesi com o dele. Todos os finais de semana, recebia passagens pagas pelo Sesi para ir a sua casa em São Caetano do Sul, em São Paulo. Isso acabou quando uma auditoria do Tribunal de Contas da União, o TCU, vetou o procedimento. Outra auditoria da CGU também achou estranho que Meneguelli tenha criado uma representação do Sesi em São Bernardo do Campo – e não na capital paulista. Silvana Aguiar, secretária de Meneguelli em São Bernardo, disse que a casa amarela, antes de ser o escritório do Sesi, já abrigava o escritório político de seu patrão.

Por meio de sua assessoria, Meneguelli afirmou que Marlene, Márcia, Aurélio, Sandra e Douglas cumprem suas jornadas de trabalho normalmente, que os cargos são de livre provimento e que os carros usados por ele são compatíveis com “padrão executivo, adotado pela instituição desde antes da atual gestão, e a despeito de quem seja gestor”. Afirmou não enxergar conflito de interesses na contratação do amigo Bargas. Lula não quis comentar. 

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