terça-feira, 27 de janeiro de 2026

STF: NÃO É só “CRISE DE VALORES”. É crise de RESPONSABILIDADE



by Deise Brandão

Reduzir o que está acontecendo no Brasil a uma suposta “falência moral da sociedade” é a forma mais preguiçosa — e conveniente — de evitar o debate real.

Não estamos diante de um problema abstrato de “caráter do povo”.
Estamos diante de instituições que perderam o pudor de se autoavaliar.

Quando membros do Supremo Tribunal Federal passam a: atuar como atores políticos, 
escolher quando a Constituição vale e quando pode ser reinterpretada, blindar estruturas de poder enquanto o sistema financeiro implode silenciosamente, o problema não é educacional, não é “falta de valores em casa”, nem “grosseria do eleitor”. O problema é institucional.
 
AUTORIDADE NÃO É INFALIBILIDADE
Democracia não se sustenta em cargos vitalícios tratados como dogmas.
Se sustenta em controle, transparência e limites. Quando qualquer poder  deixa de prestar contas, reage à crítica com censura moral, trata questionamento como ameaça, critica LEGITIMA como OFENSA.  ele já não atua como guardião da Constituição, mas como parte interessada do jogo.
Nenhuma Corte está acima do escrutínio público.
Nenhuma toga transforma erro em virtude.
Nenhum cargo converte silêncio cúmplice em “defesa da democracia”.
 
O DISCURSO DO “GOLPE” VIROU UM ESCUDO
Chamar tudo de “golpismo” virou uma estratégia de bloqueio: bloqueia investigação, bloqueia crítica, 
bloqueia perguntas incômodas.
Isso não protege a democracia.
Isso atrofia a democracia.
A pergunta que realmente importa não é: “Quem grita mais alto?”Mas sim:  Quem se beneficia do silêncio institucional?
 
O MAIOR ESCÂNDALO NÃO É O QUE SE DIZ — É O QUE NÃO SE INVESTIGA
O país atravessa o maior escândalo financeiro dos últimos tempos, com impactos diretos sobre bancos,  fundos, investidores, economia real.  
E, ainda assim, o debate público é empurrado para  moralismo raso,  xingamentos,rótulos ideológicos.

Enquanto isso, ninguém responde pelo núcleo do problema. Ninguém é responsabilizado e punido, e assim, a cultura do VIL se sedimenta.
Não é ignorância popular.
É gestão seletiva da verdade.

QUESTIONAR O STF NÃO É ATAQUE À DEMOCRACIA É EXERCÍCIO DELA
Democracia não exige devoção.
Exige vigilância.
Quando o Supremo erra, deve ser questionado.
Quando acerta, deve ser elogiado.
Quando se cala diante de estruturas que ruem, deve ser cobrado.

Isso não é extremismo.É maturidade cívica.
O Brasil não precisa de sermão. Precisa de responsabilização real.
E nenhuma instituição — nenhuma — pode se colocar fora desse alcance.

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