quarta-feira, 26 de outubro de 2022

Atenção! Contém cenas de socialismo explícito; leia por conta e risco

Atenção! Contém cenas de socialismo explícito; leia por conta e risco
O texto que segue abaixo não é indicado para capitalistas, liberais e pessoas com baixa resistência ao comunismo, informa Ricardo Kertzman


Ricardo Kertzman - Estado de Minas
postado em 28/10/2021

(crédito: Sergio Lima / AFP)

"A Petrobras é uma empresa que só serve para gerar lucro para os acionistas. Uma empresa que hoje só presta serviços para os acionistas, mais ninguém. A chance de você perder algo é zero. Você compra ação de qualquer empresa e pode perder.

Na Petrobras você não perde nunca . Essa empresa é nossa ou de alguns privilegiados?."

Quem foi que disse isso ontem, quarta-feira (28/10), caro leitor: Lula da Silva, o meliante de São Bernardo; Ciro Gomes, o coroné cabra-macho; Miriam Leitão, a ‘terrorista comunista’; ou Jair Bolsonaro, o mito liberal, que veio para nos salvar do socialismo, ao lado de Paulo Guedes, o nosso indefectível (im)posto Ipiranga ?

Antes de eu responder, me permitam o seguinte comentário: qualquer empresa que se preza visa lucro para os acionistas. A Petrobras é uma empresa de capital misto, logo, não apenas precisa, como deve... gerar lucro! Mais ainda: a petroleira é uma das maiores, senão a maior, pagadoras de impostos do país, e também empregadoras.
Calma, digo já

Outra coisa: o imbecil que disse a besteira acima também disse que: ‘precisamos quebrar o monopólio da Petrobras’. Só que tal monopólio já foi quebrado faz anos! Ou seja, além de ter ideias estúpidas sobre o papel das empresas em uma economia de mercado, o idiota sequer sabe do que está falando - para não variar, aliás.

Por fim, me permitam mais uma observação: a besta-fera ignorante também disse: ‘eu estou cansado da Petrobras, só dá trabalho’. Ele declarou que quer a privatização da empresa . É tão estúpido, mas tão estúpido, que pensa que, uma vez privatizada, a empresa começará a dar prejuízo ou irá congelar seus preços, pode?

Vamos lá: quem disse tantas besteiras foi Jair Bolsonaro, o verdugo do Planalto . Poderia ter sido qualquer político ou ideólogo de esquerda, sim. Até porque, como visto recentemente, a Petrobras quase quebrou pela política de congelamento de preços de Dilma Rousseff, nossa inesquecível e única estoquista de vento.

Bozo comunista

Como tenho dito, além de burro — muito burro! —, e mal assessorado — muito mal assessorado! —, o amigão do Queiroz mostra-se, cada vez mais, um estelionatário eleitoral, que se vendeu como antissocialista, e pratica hoje a cartilha do lulopetismo: populismo eleitoral, farra fiscal, aumento de impostos e descontrole de gastos.

O patriarca do clã das rachadinhas e das mansões milionárias - compradas e/ou alugadas a preços de barraco — está dando piti porque quer, como um bom estatizante cretino, intervir na política da Petrobras, mas não pode. Daí, como é burro de marré de si, imagina que, uma vez privatizada a estatal, o preço da gasolina cairia.

Jair Bolsonaro, o arregão que correu de um humorista de 20 anos de idade , entende tanto de economia quanto de coronavírus, cloroquina, vacinas e aids. Ou seja, nada. Por isso, recorre à velha, surrada e ineficiente propaganda socialista — o petróleo é nosso! — tentando angariar algum apoio. Porém, o máximo que consegue é passar ainda mais vergonha.

Desesperado, Bolsonaro parte para o socialismo e promete taxar milionários


Jair Bolsonaro, naquele freak show semanal a que chama de 'live', anunciou que pretende, se reeleito, tributar as grandes fortunas



"Enganamos direitinho, hehehe"(foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil/Portal UAI)Em 2018, eu e milhões de otários votaram em Jair Bolsonaro, o verdugo do Planalto, no segundo turno das eleições presidenciais por pura ojeriza à maldita cleptocracia lulopetista, mas, também, acreditando na promessa de "menos Brasília e mais Brasil", já que ventos pretensamente liberais eram soprados na direção dos eleitores.

O amigão do Queiroz é, sem a menor sombra de dúvida, o maior estelionatário eleitoral da história política brasileira, e a concorrência, como sabemos, é bastante forte.

Não há uma mísera promessa de campanha que tenha sido cumprida, e que não se refira, diretamente, às questões de cunho ideológico, sobretudo religioso.

Não vimos um centavo do trilhão de reais em privatizações prometidos por Paulo Guedes, o ex-posto Ipiranga, liberal de araque que seduziu os trouxas, como eu, com sua fala fingida e indignada contra o Estado, os privilégios, a corrupção, os "seis bancos e seis empreiteiras que escravizam 215 milhões de otários no Brasil".

Nem a porcaria da EBC (Empresa Brasileira de Comunicação), TV estatal que custa mais de 500 milhões de reais por ano e não tem audiência - antiga TV Lula, hoje BolsoTV - esses caras se dignaram a atirar no lixo. E nem vou tocar nos assuntos corrupção, centrão, teto de gastos e outras indignidades dessa gente cafajeste.

O tiro de misericórdia - se é que será mesmo, pois a cada dia temos um novo tirambaço na fuça disparado por este desgoverno -, a confissão testemunhal de culpa, ou melhor, de estelionato eleitoral, foi protagonizada ontem, quinta-feira (1/9), por ninguém menos que o patriarca do clã das rachadinhas e das mansões milionárias, em pessoa!!

Jair Bolsonaro, naquele freak show semanal a que chama de "live", anunciou, ao vivo e em cores, para todo o Brasil, que pretende, se reeleito, tributar as grandes fortunas. Atenção! Não foi o meliante de São Bernardo, vulgo Lula da Silva, Ciro Gomes ou o presidente do Partido da Causa Operária, não. Foi o liberal, rárárárá, Bolsonaro.

Sim, meus caros e caras, o devoto da cloroquina rasgou a fantasia e cuspiu, mais uma vez!, na cara de quem votou em um antissocialista e elegeu um falsário. Onde estão agora a FIESP, a Faria Lima, a FEBRABAN…? Onde está o "chigago boy", Paulo Guedes, e o discurso contra a criação ou o aumento de impostos? Cadê o "menos Brasília", pô?

O governo não cortou despesas, não realizou reformas (fiscal, tributária e administrativa), não combateu corrupção e desperdício de dinheiro público (haja vista o bilionário orçamento secreto), estourou o teto de gastos e agora, no desespero, às vésperas da eleição, flagrado em mais uma mentira (manutenção do Auxílio Brasil em 600 reais) vem com esse papo.

Como diz o meme da internet, "o golpe tá aí, cai quem quer"! Taxação de grandes fortunas é uma bandeira histórica da esquerda brasileira. Que Jair Bolsonaro assuma, portanto, seu lado socialista, comunista, petista, ou sei lá que diabos de "istas", e pare de dar uma de liberal, pois nunca foi, e sua história de três décadas no Congresso prova o que eu digo.

domingo, 23 de outubro de 2022

Bolsonaro recorre a condenados no mensalão e réus na Lava Jato para romper isolamento político e pressionar Maia


Presidente oferece cargos a políticos do Centrão, mesmo após prometer que não lotearia o seu Governo
Bolsonaro durante protesto que pedia o fechamento de poderes no domingo.SERGIO LIMA (AFP)

No discurso aos seus apoiadores, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) diz que não faz acordos, que representa a nova política e que não loteia o seu Governo para legendas. Na prática, isolado politicamente desde o início da pandemia de coronavírus, agiu de maneira distinta e se aproximou de figuras que foram condenadas ou são rés em dois dos maiores escândalos de corrupção do país: o mensalão e a Lava Jato. Tudo contou com apoio da ala militar de sua gestão. Desde a semana passada, Bolsonaro e seus ministros participaram de reuniões com interlocutores da “velha política” que dizem combater.

Estiveram à mesa presidencial representantes de Valdemar Costa Neto (PL) e Roberto Jefferson (PTB), ambos condenados no mensalão, além de Gilberto Kasab (PSD) e Ciro Nogueira (Progressistas), investigados pela Operação Lava Jato (na noite de quinta-feira a CNN e a revista Época publicaram um vídeo de Jair Bolsonaro ao lado Arthur Lira (PP) onde o presidente cumprimenta a família do deputado, réu em uma ação ligada à Lava Jato). Na movimentação. ainda foram ouvidos representantes do Republicanos. Juntos, esses cinco partidos têm 159 dos 513 deputados federais. É o núcleo duro do bloco conhecido como Centrão. Atualmente, quase nada no Legislativo é aprovado sem os votos desse grupo, que está sob a influência do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM).

Oficialmente, Bolsonaro pediu integração dos partidos para superar as crises sanitária e econômica da covid-19. Nos bastidores, contudo, ele ofereceu dezenas de cargos de segundo e terceiro escalão. Vai desde a presidência do Banco do Nordeste até o comando dos Fundos Nacionais da Saúde (FNS) e da Educação (FNDE). No curto prazo seus objetivos são frear o que considera “pautas bombas” que o Congresso queira votar nesse período e evitar qualquer discussão sobre um eventual processo de impeachment. No médio prazo, pretende influenciar na sucessão da Câmara em janeiro de 2021, tendo um candidato governista para se opor ao próprio Maia – que articula uma mudança constitucional para concorrer a um quarto mandato consecutivo – ou a quem for indicado por ele.

Em contrapartida, os partidos que emplacarem seus indicados já teriam maneiras de interferir na disputa das eleições deste ano, irrigando prefeituras com recursos e ajudando a eleger parte da base eleitoral que servirá de sustentação para o pleito de 2022. O primeiro sinal de que a articulação está dando certo ocorreu já nesta quarta-feira, quando a pedido do Governo e de megaempresários, a Câmara desistiu de votar um projeto de lei que obrigava as empresas bilionárias a fazerem empréstimos compulsórios ao Executivo no período de combate à pandemia de coronavírus. O autor da proposta é Wellington Roberto, líder do PL na Casa.
MDB, DEM e PP

O presidente do MDB, Baleia Rossi, foi outro que se reuniu com o presidente. Mas ele diz que nada lhe foi oferecido e que esteve na reunião apenas para colocar sua bancada, de 34 deputados, à disposição do Governo para combater a covid-19. “O MDB não reivindica, não pede e não indicará nenhuma função no Governo federal”, diz. Rossi tem a missão de trazer alguma relevância aos emedebistas, que tinham assentos em todos os governos desde a redemocratização. Diz que sua prioridade não é buscar o embate, como Bolsonaro tanto apregoou nos últimos meses. “Momento agora não é de radicalismo, de briga política”.

O próximo a se reunir com o presidente é Antônio Carlos Magalhães Neto, que preside o DEM e é prefeito de Salvador (BA). O encontro está previsto para esta quinta-feira. No caso de ACM Neto, ainda não está clara qual será a postura de Bolsonaro.

Os principais incentivadores da aproximação de Bolsonaro com os representantes partidários foram os ministros-generais Luiz Eduardo Ramos (Secretaria-Geral) e Walter Braga Netto (Casa Civil). Eles entendem que, sem um elo entre presidente o Legislativo, não será possível dar andamento às pautas econômicas necessárias para auxiliar no combate à covid-19. A preocupação deles é a de evitar que as pautas governistas inteiramente alteradas no Parlamento, como foi a ajuda emergencial aos Estados e municípios.

No último dia 13, a Câmara aprovou uma proposta que mais que dobrava os gastos que União pretendia ter com essa ajuda financeira, atingindo o patamar de 89,6 bilhões de reais. Sob a batuta de Maia e de governadores, o Centrão ajudou a desfigurar o pacote de socorro fiscal desenhado pelo Ministério da Economia. Antes, os mesmos parlamentares aumentaram de 200 reais para 500 reais mensais a ajuda de custo que o governo deveria dar à população mais pobre durante o período da crise – mais tarde o Executivo concordou em elevar para 600 reais.

As alterações nas propostas governistas fizeram com que Bolsonaro elevasse as críticas contra o presidente da Câmara. O mandatário diz que o deputado quer tirá-lo do poder. Sob a mesa de Maia há sete pedidos de impeachment que dependem de uma decisão unilateral sua para serem iniciados. O clima esquentou depois que Bolsonaro participou no domingo de um ato pró-fechamento do Legislativo e do Supremo Tribunal Federal. E arrefeceu na segunda-feira, quando ele disse a apoiadores que era a favor da democracia e entendia que todos os poderes deveriam seguir abertos. Os vaivéns presidenciais, com acenos radicais e supostos recuos, têm sido praxe, e estão longe de terminarem.

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