15/04/2021

O país dos sem-privada A emergente Índia luta para não submergir no excremento


21/10/2018 

Se você já planejou uma viagem para a Índia e já pesquisou hotéis pela internet, já deve ter notado pelas fotos que os banheiros na Índia têm um balde dentro. Também já deve ter ouvido diferentes histórias de viajantes que passaram aperto na hora de se aliviar por aqui.

Nós passamos dois meses viajando pela Índia e usamos todo tipo de banheiro, do comum e limpo àqueles que mais lembravam um cenário do filme Jogos Mortais. Nunca imaginei que esse dia chegaria, mas sim caro amigo: esse é um post sobre banheiros.
Mas antes de mais nada, deixo aqui uma foto bonitona do Taj Mahal
Como são os banheiros na Índia

Você já deve ter ouvido falar sobre como são os banheiros na Índia, não? Pois são os famosos banheiros turcos, ou squat toilets, em inglês.
Banheiro no aeroporto de New Delhi

São os famosos banheiros onde você faz suas necessidades de cócoras e não sentado, como nós ocidentais estamos acostumados. Até no aeroporto de New Delhi tem banheiros desse modelo. Eu já estou super acostumada a eles, confesso. Especialmente porque sou menina da roça e, bem, recorrer ao mato quando se mora no interior do interior é algo bem comum.

Mas calma, não se assuste. Não são todos os estabelecimentos que possuem somente este tipo de banheiro. No aeroporto, por exemplo, existem as duas opções. Mas é bom estar preparado, pois em algum momento de sua viagem pela Índia você vai fazer suas necessidades de cócoras. Veja aqui um passo-a-passo sobre como usar esse tipo de banheiro.
Como são os banheiros na Índia

A foto do banheiro acima foi tirada no aeroporto de New Delhi. Contudo nem todos os banheiros são limpinhos assim.

Para mostrar a vida como ela é, vou deixar abaixo outras fotos que tiramos em banheiros espalhados pelo país. Tem do mais ou menos até o mais terrível…hahaha. Olha:
Banheiro em uma parada na estrada na Caxemira
Banheiro em um centro de meditação budista
Banheiro em uma guest house em Dharamshala
Por que os banheiros na Índia tem um balde dentro?

Essa era uma grande curiosidade que eu tinha antes de viajar para a Índia. Em todos os hotéis que pesquisei através do booking.com, em todas as fotos dos hotéis aparecia um balde e uma canequinha.

E logo que chegamos pude confirmar que a maioria dos banheiros na Índia possuem em seu interior um balde e um utensílio menor, como na foto abaixo. Os motivos eu falarei a seguir.

Mas adianto que exceções acontecem nos hotéis de luxo, onde há somente uma ducha higiênica (um chuveirinho que fica do lado do vaso sanitário). Mas em todos os outros inúmeros hotéis onde nos hospedamos era assim:
Olha o balde ali

Os banheiros na Índia possuem um balde dentro por duas razões. Primeiro porque os indianos preferem lavar-se após fazer suas necessidades ao invés de limpar as partes com papel higiênico. E segundo porque muitos ainda mantêm o costume de tomar banho de balde. Falarei mais adiante quanto a este último tópico.

“Ái que nojo” você pode pensar. Mas antes de mais nada lembre-se que esta é uma questão cultural. Me lembro quando trabalhei em uma multinacional. Na época nós recebíamos visitantes de diversos países e grande parte deles também achava bem nojento nosso costume de ter um cestinho de lixo para colocar o papel higiênico usado (sujo de cocô e xixi). Os americanos eram os que mais tinham nojo, já que nos Estados Unidos a tubulação é mais larga e o papel higiênico é descartado diretamente no vaso sanitário. Ou seja, tudo é uma questão cultural, de costumes e tradições que são mantidas mesmo com o passar do tempo. Eu adoro essas diferenças todas.
Os indianos tomam banho de balde

Repito, nem todos. A índia tem mais de 1,3 bilhões de habitantes e fica meio complicado utilizar a palavra “todos”. Mas posso dizer que a grande maioria mantém o costume do banho de balde, especialmente em cidades menores e nos vilarejos.

Essa preferência pelo banho de balde, mesmo após o advento da água encanada e do chuveiro, não derivou de um único fator.

A água era disponível em abundância na Índia, mas o sistema de distribuição era precário. Famílias costumavam coletar água em poços, mas muitas vezes era necessário caminhar por alguns quilômetros.
Agrasen Ki Baoli, um antigo poço de abastecimento de água em New Delhi

Os mais afortunados tinham seu próprio poço privado para seu uso. Mas na maioria dos casos, as mulheres usavam baldes ou panelas para armazenar água para beber, tomar banho, cozinhar e outras finalidades.

E assim, com o passar do tempo e o costume, um balde de água tornou-se uma medida padrão não oficial na maioria das casas. Mesmo a água sendo abundante, como era necessário certo esforço para obtê-la nos poços, o recurso era utilizado com consciência. Homens e mulheres usavam um único balde de água por pessoa para o banho. Assim a medida do balde foi se formando, tornando-se referência e permanecendo até os dias atuais.
Além do balde e da canequinha, muitos banheiros tem até um banquinho
Banho de balde e economia de água

Com a urbanização das cidades os banheiros típicos mudaram, a água passou a ser encanada e já não havia a necessidade de buscar o recurso em poços. Mas os baldes não mudaram.

Alguns indianos, e eu também, defendem o uso do balde para o banho e falam sobre a economia de água que esse costume traz. Afinal, se o banho é de balde ninguém vai passar mais de uma hora cantarolando e desperdiçando um recurso tão importante. Dizem que o Leonardo DiCaprio teria anunciado que não toma banho todo dia por questões ambientais. Quem sabe se o Leo descobrir o banho de balde ele até mude de ideia, né?
Água aquecida com resistências

Em um dos hotéis onde nos hospedamos em New Delhi só saia água gelada do chuveiro. Fui até a recepção e perguntei ao gerente se não tinha água quente. Ele me disse que sim e me entregou uma resistência e disse que eu deveria aquecer minha água no balde, caso quisesse banho quente. Veja o curto vídeo que fizemos. Você vai entender melhor.


Lembre-se do Seguro Viagem

Pelo amor de Shiva, não viaje para a Índia sem seguro! Porque meu amigo, ficar doente na Índia sem Seguro Viagem definitivamente não é uma experiência pela qual você vai querer passar, te garanto!

Especialmente porque não é caro. Muito pelo contrário, você encontra opções de Seguro Viagem por valores irrisórios, menos de R$ 80,00 para uma viagem de 10 dias. Clique AQUI para obter sua cotação com DESCONTO. através da Segurospromo, um site que compara preços e te apresenta uma série de opções. Além disso, ao utilizar nosso código CASALWANDERLUST5 você ainda ganha 5% de desconto na hora!
Curiosidade

Recentemente li uma matéria da BBC sobre o tema. A reportagem era sobre os esforços do governo indiano, juntamente com as escolas públicas, para ensinar as crianças a utilizar o banheiro.

Na Índia mais de 500 milhões de pessoas mantêm o costume de fazer suas necessidades a céu aberto, mesmo quando tem banheiros por perto. E isso é uma ameaça a saúde das crianças, muitas são as que morrem devido aos casos de diarreia e outras infecções transmitidas pelas fezes.

Muitos vilarejos têm criado um programa de incentivo. Em alguns casos eles fazem uma caderneta e entregam para as crianças. E a cada vez que esta faz suas necessidades no banheiro ela ganha um carimbo que vale 1 rúpia. No final do mês a criança recebe o dinheiro e cresce com o novo hábito. Bacana né? Veja a matéria completa da BBC aqui.
Texto Maurício Horta

Todo ano, 200 milhões de toneladas de cocô são lançadas ao ar livre por 2,6 bilhões de seres humanos sem acesso a um banheiro apropriado. A inhaca é tamanha que as Nações Unidas declararam 2008 o Ano Internacional da Sanitização, depois de 150 especialistas de 44 países terem se reunido em 2007 na Conferência Mundial de Banheiros (tradução aproximada de World Toilet Summit), feita no ano passado em Nova Délhi. E poucos lugares seriam melhores para uma conversa de banheiro do que a capital indiana.


A primeira civilização a criar uma privada com descarga ligada a um sistema de esgoto surgiu na Índia. É uma pena que, 4 500 anos mais tarde, o país tenha o maior problema sanitário do mundo. Sua taxa de sanitização de 33% pode estar bem acima dos 9% do africano Chade; mas, do 1,136 bilhão de indianos, cerca de 750 milhões têm que descomer seus curries em campos abertos ou em latrinas secas. Isso equivale às populações inteiras dos EUA, da Indonésia e do Brasil juntas evacuando fora do banheiro.

Tradicionalmente, a cultura indiana valoriza a higiene pessoal, mas observa menos a do ambiente comunitário. Lá, deve-se sempre tomar banho antes de entrar numa cozinha ou depois de fazer o número 2. Nas ruas, ambulantes fazem e servem comida a menos de 1 metro das valas onde o esgoto corre a céu aberto.

Por falar em esgoto, somente 232 cidades das mais de 4 700 cidades indianas têm um sistema de escoamento de dejetos. Que mais transborda do que escoa, por sinal: em Calcutá, cidade de 14 milhões de habitantes no sul do país, a rede é praticamente a mesma instalada pelos ingleses no século 19 – dimensionada para o uso por 600 mil pessoas.

Mas a situação está melhorando. Em 1990, 1% do campo indiano tinha sanitização e 12,3% das crianças morriam antes dos 5 anos. Hoje, o acesso no campo subiu para 22% e a mortalidade infantil caiu para 7,4% – número ainda alto, se comparado com os 3,3% no Brasil e com o 0,6% no Reino Unido. O país pretende universalizar o acesso ao banheiro até 2012. Soluções paralelas não faltam: elas vão de usinas de biogás em banheiros públicos a fazendas de peixes alimentados com o esgoto de Calcutá.

• 120 mil toneladas é a massa diária de fezes produzida na Índia.
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• 1,2 bilhão de litros é o volume diário de urina.

• 18 bombas atômicas seria o potencial explosivo diário do excremento indiano, caso ele fosse completamente convertido em biogás.

• R$ 0,46 é o salário mensal de um limpador de fossas indiano (veja boxe ao lado).

O pior emprego do mundo

Seu emprego é uma m…? Talvez, mas provavelmente está longe de ser a pior profissão do mundo.

Mulheres, imaginem esvaziar fossas sépticas e carregar os excrementos humanos numa cesta sobre a cabeça. É do mal, mas pode ficar pior: espere chegar a época das monções para as chuvas diluírem as fezes, que fatalmente escorrerão em seu rosto e roupa.

Já os homens, pensem num bueiro de onde, ao abrir, saiam baratas e ratos. Quando o movimento diminuir, mergulhe no caldo fétido e escuro, só de tanga fio-dental, para desobstruir as tubulações. Nada de luvas nem máscaras para amontoar do lado de fora a massa escura feita de fezes, absorventes femininos, camisinhas e embalagens plásticas. No máximo, pás, baldes e carriolas. Muitos morrem afogados no excremento ou envenenados pelo gás metano – resultante da fermentação das fezes – que se acumula nas galerias e ainda causa explosões letais.

Esse é o trabalho dos 650 mil scavengers indianos. Em inglês, scavengers são os animais que se alimentam de carniça (como urubus e hienas), mas, na Índia, a palavra se tornou apelido para a profissão daqueles que nasceram na fossa da hierarquia hindu. Os dalits são a mais baixa casta, mas mesmo eles, os intocáveis, estão divididos em subcastas. Para grupos como os bhangis, pakhis, balmikis e sikkaliars, o cocô é a opção única – e hereditária. Pouca gente parece se incomodar com isso na sociedade indiana. Tanto que os mergulhadores de bueiros são contratados por empresas a serviço do poder público em cidades como Mumbai e Nova Délhi.

Índia: 7 motivos para um choque cultural

Por Rafael Sette Câmara

Acredite: nada vai te preparar para a Índia. Lotada, caótica, suja e confusa. Ao mesmo tempo, diferente, interessante e bela. Por ali, os contrastes estão por todos os lados. Se apenas visitar o país já causa um tremendo choque cultural, imagina morar lá? Pois é. Quem acompanha o blog há mais tempo sabe que nós vivemos na Índia entre 2011 e 2012.

Selecionamos aqui algumas das primeiras impressões que tivemos do país, coisas que fazem muitos viajantes desejarem sair correndo de lá. Se isso acontecer com você, tenha calma. Superado o susto inicial, a Índia se revela um lugar incrível. Uma experiência que certamente muda a vida das pessoas, embora não exatamente do jeito que elas esperavam.
Sujeira e poluição

Nós nem tínhamos pisado na Índia quando tomamos o primeiro susto. Segundos antes do avião pousar no aeroporto de Nova Délhi, capital do país, eu olhei pela janela da aeronave. Eu esperava ver um país exótico, cheio de tuk-tuks, elefantes e vacas andando pelas ruas. O que eu vi? Absolutamente nada. É que a poluição impedia que tuk-tuks, vacas (e um ou outro elefante) estivessem visíveis. Também não consegui ver o aeroporto até que a roda da aeronave tocou o solo.

A Índia é suja, a ponto de invalidar completamente aquela regra dos seis segundos de tolerância para comer algum alimento que caiu no chão. Há lixo por todos os lados. Muitos lugares fedem a merda e mijo – não, nada de fezes e urina. O cheiro é de bosta mesmo, sem eufemismos. E o pior: nem sempre de origem animal. A culpa não é das vacas, mas da falta de banheiros que assola o país, problema considerado uma humilhação nacional até mesmo pelo governo.


Do aeroporto, nós seguimos até a rodoviária de Nova Délhi, uma unanimidade entre os estrangeiros que conheci por lá: todos concordavam que aquele era o pior lugar do mundo. Paredes quebradas, escuridão, odores nada agradáveis e lixo. Muito lixo. Era tão sujo que nós nem queríamos colocar as mochilas no chão. Ficamos com elas nas costas mesmo, até o ônibus partir. Conselho número um: Vai visitar a Índia? Ande com um pouco de álcool em gel. E prepare-se para deixar de ser fresco mudar alguns padrões.
Trânsito indiano

Enfim, o ônibus partiu. O motorista era alto, magro e tinha uma barba enorme. Ou seja: era a cara do Bin Laden. Com o Osama ao volante, começamos a viagem até Chandigarh, cidade onde iríamos morar. Na estrada, minhas impressões do país começaram a mudar.

– “Olha, aqui nem é tão sujo. Até se parece com o Brasil. Nem tem tanta… MERDA! A GENTE VAI BATER NAQUELA VACA!”.

Buzina. Mugidos. Num passe de mágica, o ônibus desviou da vaca, que ruminava calmamente na beira da estrada.

– “Ufa. Foi por pouco. O Osama é bom de roda. Nem sei como ele conseguiu desviar da… PUTA QUE PARIU, ele está dirigindo na contramão!!”

Buzinas. Gritos. Nosso motorista, ainda na contramão, mandava que os veículos no sentido contrário dessem passagem.


Qualquer pessoa que diga que o trânsito da Índia é o caos subestima o trânsito da Índia. Se o Caos em pessoa resolvesse dirigir na Índia ele certamente se envolveria num acidente nos primeiros cinco minutos. É preciso ter talentos extraordinários para dirigir ali, em meio a vacas, elefantes, carros, bicicletas, vacas, tuk-tuks, vacas, búfalos, camelos… e mais vacas.

Teoricamente o trânsito funciona na mão errada de direção, aquilo que os súditos da Rainha chamam de mão-inglesa. Na prática, essa regra pode ser abolida facilmente. Vi motoristas dirigirem por longos trechos no que seria a contramão, mesmo em avenidas movimentadas de grandes cidades. Conselho número 2: Nem pense em alugar um carro e dirigir. (Temos um post inteiro sobre o trânsito indiano. Leia aqui).
Barulho

Dizem que a Índia é o pior país do mundo para acordar de ressaca. Além dos vários odores, é barulho que não acaba mais. Depois de ser atropelado por um cerveja com 8% de álcool, o cara acordada zonzo. Tenta ir para o trabalho, até que é quase atropelado por um tuk-tuk. BUZINA. GRITOS. “De onde você é?”, pergunta um. “Compre meu produto”, fala o outro. BUZINAS. GRITOS. “De onde você é?, perguntam cinco pessoas diferentes. Cambaleante, o cara continua a andar, mas até agora não percorreu cinco metros. BUZINAS. GRITOS. Dor de cabeça.

Nada me irritava tanto quanto o barulho. Em especial o da buzina. Se no Brasil uma buzinada um pouco mais longa equivale a pior das ofensas, na Índia nada mais é do que um “me dá licença, que agora eu vou passar”. Eles buzinam para tudo. Para pedir passagem. Enquanto fazem a ultrapassagem. Depois que ultrapassaram. Quando estão sozinhos na pista e não tem nenhum carro para ser ultrapassado. A buzina é um barulho tão inofensivo que letreiros dizem “Buzine por favor”, na traseira de vários caminhões. BUZINAS. GRITOS. Conselho número 3: Vai visitar a Índia? Leve um tapa-ouvidos.

Noção de espaço pessoal

Eu estava dentro de um trem, numa das várias viagens que fizemos pelo país. Era uma classe mais cara, que tinha ar-condicionado, camas confortáveis e cobertores. E o melhor: garantia de camas individuais, sem ninguém invadindo o seu espaço. Peguei meu computador para assistir a um filme.

“O que você está vendo?”, perguntou o indiano que estava na cama do outro lado.

Tirei os fones de ouvido. Pausei o vídeo. Olhei para ele. “Um filme”, respondi.

Coloquei os fones. Peguei o computador. “Qual filme?”, perguntou o indiano. Fingi que não ouvi.

Um segundo depois ele estava tentando se sentar ao meu lado, na minha cama-que-seria-individual, e perguntando insistentemente: “Qual filme? Qual filme? Qual Filme?

A noção de espaço é muito diferente por lá. Os homens andam perto uns dos outros, encostam uns nos outros. Invadem o tempo inteiro o que seria o seu espaço, pelo menos aqui no Brasil. E perguntam. O tempo inteiro, coisas que nós consideramos indiscretas. “Quanto você ganha? É casado? Qual filme? Qual filme? Qual… AHHHHHH!



Como ter noção de espaço quando seu transporte público é sempre assim?

Calma. Conselho número 4: Tente não se irritar com perguntas indiscretas ou com gente invadindo o seu espaço. É um país com quase um bilhão e 300 milhões de habitantes. É claro que a noção de espaço é diferente. Seja compreensivo.
Comida indiana

Muita gente acha que o maior problema é não ter carne na alimentação diária. Engano: isso incomoda pouco. Além do mais, é possível achar carne na Índia. Em algumas cidades, de maioria muçulmana, até mesmo carne de vaca. O problema mesmo é a pimenta. Se você não curte, aprenda o mantra: no salt, no massala, no chilli. E tenha certeza que mesmo a comida não apimentada será picante para você, embora o cozinheiro indiano jure que não tem pimenta nenhuma ali. E muito provavelmente a língua dele, acostumada com os temperos, não sentiria mesmo pimenta nenhuma.

Superado o problema com a pimenta, há a diferença da alimentação em si. Nada de lasanha congelada. Nada de comida para forno micro-ondas comprada no hipermercado. Na realidade, muito provavelmente nada de hipermercado para comprar comida. Para quem vai só visitar o país isso pode ser interessante, afinal conhecer a comida de um lugar é uma etapa importante na hora de turistar. Mas experimente ficar seis meses com essa alimentação. Você vai sentir mais falta do arroz com feijão do que da carne. Conselho 5: Quando se cansar da comida indiana tente a afegã. Ela salvou nossas vidas.

Barganha

Se alguém te disser que o críquete é o esporte nacional da Índia, diga “truco”. Certamente o críquete lota estádios e causa uma comoção comparável a que temos com o futebol, mas todos sabem que o esporte nacional indiano é a barganha. Para os escolados funciona assim:

Você está numa feira quando vê um artesanato fantástico numa barraquinha. Se aproxima do local e, sem olhar para o produto e com cara de total desinteresse, pergunta –“Quanto é essa porcaria isso?”

“ É um produto raríssimo, original da caxemira. Três mil rúpias”, responde o proprietário.

“O que, meu amigo, eu moro aqui. Aquilo não vale nem cinco rúpias.”

E começa o jogo. Se comprador e vendedor saírem furiosos depois da venda, é a prova de que o preço foi o justo e deu empate. Caso raro. Ok, isso parece divertido num primeiro momento. Mas vai por mim: quando você tiver que barganhar para tudo, até para comprar uma garrafa d’água, você vai se cansar. O vendedor não, já que para ele isso é normal. Conselho 5: Treine sua sua capacidade de barganhar. Temos um guia completo sobre isso.

Roupas

Um estrangeiro chega na Índia e tenta se vestir como os locais. Para isso, ele usa sua melhor camisa indiana, comprada pela internet. O problema é que nós pensamos que os indianos costumam usar isto:


Mas na realidade eles usam isto:



Troll face. Você foi enganado pelos ocidentais, gente que acha que sabe o que a Índia é. A realidade é outra – mulheres indianas raramente usam roupas que deixem as pernas ou os ombros descobertos. Muitas delas usam o tradicional Sari. Homens quase nunca usam bermudas. E definitivamente não usam essas camisetas com elefantinhos. Na realidade, a vestimenta do homem indiano, pelo menos no norte do país, raramente varia do conjunto camisa social + mais calça. Quando muito, inclui uma camisa social dentro da calça. Assim:


E isso até na moda praia, como você pode ver na foto. É claro que nada impede que você use sua camisa com elefantinhos – é até muito fácil achar esse tipo de roupa em cidades turísticas. Mas tenha em mente que essas peças são feitas pensando em você, caro ocidental, e nenhum indiano vai acompanhar a moda.

Além disso tudo, ainda existe a diferença religiosa, afinal a Índia está bem longe do mundinho cristão a que estamos acostumados. Tem maioria hindu, mas também milhões de muçulmanos e sikhs. Isso significa que sai o Cristo, entra o Shiva Redentor. Ou o Ganesha. E outros costumes e crenças. Mas essas diferenças são bem menos impactantes, pelo menos diretamente. O pior mesmo é a buzina.

Bene Barbosa vê interferência indevida do STF em suspensão de trechos de decretos de Bolsonaro sobre armas

 Bene Barbosa vê interferência indevida do STF em suspensão de trechos de decretos de Bolsonaro sobre armas

by Fábio Mattos
Revista OESTE 
‘Não é de hoje que o Supremo vem legislando sobre questões que ele não deveria, inclusive esmagando o Poder Legislativo’, afirmou especialista em segurança em entrevista ao Opinião no Ar, da RedeTV!
Bene Barbosa defendeu os decretos que flexibilizam porte e compra de armas
Bene Barbosa defendeu os decretos que flexibilizam porte e compra de armas | Foto: Reprodução/YouTube

Em entrevista ao programa Opinião no Ar, da RedeTV!, nesta quarta-feira, 14, o analista de segurança Bene Barbosa — uma das maiores autoridades do país no assunto — criticou a decisão da ministra Rosa Weber, do Supremo Tribunal Federal (STF), de suspender trechos de decretos do presidente Jair Bolsonaro que flexibilizavam o porte e a compra de armas no Brasil.

Silvio Navarro, editor-executivo de Oeste, e Rodrigo Constantino, colunista da revista, participaram da entrevista. O programa é apresentado por Luís Ernesto Lacombe e também conta com a participação da jornalista Amanda Klein.

Leia mais: “Rosa Weber anula parcialmente decretos de Bolsonaro sobre armas”

Segundo Barbosa, trata-se de mais uma interferência indevida da Corte em um tema que deveria ser discutido no âmbito do Congresso Nacional. “Ela [Rosa Weber] coloca o desarmamento como uma política de Estado, contrariando uma política de um governo que foi eleito democraticamente com essa pauta e, mais grave ainda, contrariando a decisão popular inequívoca do referendo de 2005”, critica Barbosa.

Leia também: “Fachin considera inconstitucionais decretos de Bolsonaro sobre armas”

“Não é de hoje que o STF vem legislando sobre questões que ele não deveria, inclusive esmagando o poder legislativo do Congresso Nacional. É óbvio que essa questão precisa ser discutida no Congresso”, prossegue o especialista em segurança. Barbosa afirmou ainda que “algumas pautas não vão andar ou vão andar muito pouco” no STF “exatamente porque não fazem parte das ideias, da parte ideológica, dos ministros” da Corte.

Para Barbosa, o argumento de que Bolsonaro extrapolou de suas prerrogativas ao editar os decretos não se sustenta. “O presidente Bolsonaro não ultrapassou seu poder regulatório. Todas as modificações que ele fez podiam ser feitas através de decretos, tanto é que o presidente do Senado [Rodrigo Pacheco] já disse que não via nenhuma ultrapassagem do poder regulatório do presidente”, disse.

Menos armas, mais violência

Durante a entrevista, Bebe Barbosa afirmou que existe uma falsa correlação — difundida por grande parte da esquerda — de que o acesso mais fácil às armas gera aumento da violência no país. “Não há essa correlação. Não há nenhum nexo causal entre uma coisa e outra”, diz. “O que nós vimos no Brasil é que quanto mais restrições foram colocadas, mais a criminalidade violenta cresceu.”

Como noticiamos, os decretos de Bolsonaro entrariam em vigor nesta semana. Por se tratar de uma decisão provisória, o entendimento de Rosa Weber será submetido ao plenário do STF. Os ministros terão uma semana para incluir seus votos no sistema eletrônico da Corte.

Clique aqui para ver os trechos anulados pela ministra do STF.

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