Os metrôs e trens no Japão são tão lotados quanto no Brasil, porém, são incrivelmente silenciosos. Nada de pessoas falando alto, nada de gargalhadas, nada de músicas em volume elevado no fone de ouvido e nada de pessoas falando no celular. Muitos aproveitam a viagem para descansar ou, então, para apenas mexer no celular ou ler, sem nunca incomodar os outros passageiros.
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Casos em que o celular toca enquanto o passageiro está dentro de algum transporte público parece ser um fato bastante embaraçoso. Nesses casos, o passageiro pega rapidamente o telefone e desliga a ligação. Ou então, atende o celular, sussurra algo brevemente e logo encerra a chamada.
Mas por que os japoneses não querem falar ao telefone quando usam o transporte público? Vamos dar uma olhada nas três principais razões.
1 – Perturbação pública
Primeiramente, você pode perturbar outros passageiros ao falar ao telefone em um transporte público. As outras pessoas pensarão que você está sendo rude com tal ação.
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2 – Privacidade
Se alguém fala ao telefone, todos ao redor, querendo ou não, poderão ouvir a conversa. Japoneses consideram sua privacidade muito importante, preferindo, portanto, que outras pessoas não saibam sobre a sua vida. Então, eles escolhem não falar ao telefone em nenhum transporte público.
A terceira razão trata-se de uma regra de conduta. Segundo a etiqueta, é de bom tom que o usuário do transporte público não fale ao telefone. É recomendado que se o seu telefone tocar você recuse a chamada ou, então, explique rapidamente e em voz baixa que você está no trem e que irá retornar a ligação depois.
Há até placas nas estações e nos metrôs e trens que pedem para não falar ao telefone dentro do transporte público. Existem ainda sinalizações para que os celulares sejam colocados no modo silencioso ou, como é chamado no Japão, no “manner mode“, para não aborrecer outros passageiros em caso de ligações ou de envio de mensagens.
Direito de imagemGETTY IMAGESImage captionCada vez mais empresas usam anúncios direcionados para encontrar profissionais
Há quatro meses, a neozelandesa Lisa Dorahy navegava pelo Facebook quando viu um anúncio de emprego surgir em seu feed de notícias.
Ela não estava à procura de um novo trabalho e aquela era uma das poucas vezes em que Dorahy, uma ocupada mãe de três crianças, teve tempo de dar uma passeada pelas redes sociais.
Mas o post que procurava por uma assistente em meio-período em uma empresa de recrutamento parecia perfeito para ela.
Ela clicou no link e se candidatou. Três dias depois, foi chamada para uma entrevista, e na semana seguinte já começava no novo emprego. Hoje, Dorahy entende que o anúncio tinha como alvo alguém exatamente com seu perfil.
Image captionCertas redes sociais contam com um movimento diário de 1 bilhão de usuários, o que atrai os headhunters
Anúncios de emprego no Facebook não são um fenômeno recente - você certamente já viu algum em sua página. Mas é possível que você também tenha notado anúncios para funções ou setores normalmente fora da sua área de atuação.
Isso provavelmente resulta da busca de headhunters por pessoas com habilidades e experiência como as suas, com base em informações que o Facebook "aprendeu" sobre você a partir do seu comportamento no site.
À medida que mais headhunters começam a usar esse recurso, alguns especialistas também alertam sobre o outro lado da moeda: a possibilidade de que o Facebook também seja usado para que os headhunters obtenham informações que podem servir para discriminar e eliminar possíveis candidatos, como idade, etnia, religião e gênero.
Tudo funciona da seguinte maneira: o Facebook Ads é um serviço que permite que empresas paguem para postar anúncios no feed de notícias ou nas laterais do feed dos usuários da rede social. Quando publica um anúncio, a empresa pode escolher o tipo específico de pessoa que ela quer atingir, com base em dados como idade, gênero, interesses, etnia, religião e muito mais.
A BBC Capital entrou em contato com o Facebook, mas a empresa se recusou a comentar sobre a prática de recrutamento seletivo na plataforma.
Mas o Facebook não é a única rede social que permite publicidade direcionada. Qualquer plataforma que colete dados sobre seus usuários pode oferecer esse serviço. O Google+ ou o Instagram (que pertence ao Facebook) são dois exemplos, enquanto o LinkedIn permite a headhunters criar anúncios com base na idade e no sexo, mas não na etnia nem na orientação sexual do usuário.
Image captionSegundo Jorgen Sundberg, especialista em marketing digital, 10% dos headhunters britânicos fazem anúncios direcionados
Jorgen Sundberg, fundados da agência de marketing digital Link Humans, em Londres, acredita que 10% das 20 mil empresas de recrutamento da Grã-Bretanha estejam usando os anúncios direcionados do Facebook para encontrar profissionais. "Dentre todas as empresas de tecnologia, o Facebook é, indiscutivelmente, o que possui mais informações sobre qualquer pessoa", explica Sundberg.
Um porta-voz do Facebook afirmou que a empresa não divulga dados sobre o número de headhunters que utilizam a ferramenta, e se recusou a comentar mais sobre o assunto.
"Com 1,13 bilhão de usuários ativos por dia, o Facebook é um lugar onde você pode encontrar candidatos para todo tipo de emprego", afirma Tony Restell, sócio da agência de mídias sociais Social-Hire, com sede na Grã-Bretanha. "Analistas do mercado financeiro têm as mesmas chances de querer se conectar com amigos do que motoristas de caminhão. Por isso, o Facebook tem uma penetração enorme em vários setores da economia."
Essa grande variedade de usuários faz com que os anunciantes sejam específicos e precisos ao buscar seus alvos. Quando não o fazem, acabamos recebendo aqueles anúncios que não fazem o menor sentido para nós.
Mas, segundo Restell, o Facebook não quer dar margens a erros. A empresa compensa os anunciantes oferecendo preços mais baixos se a audiência estiver interessada no post, enquanto cobra mais daqueles cujos anúncios não são populares.
Image captionA headhunter Emily Richards usa o Facebook para 30% das vagas que tem para preencher
A neozelandesa Emily Richards, chefe de Dorahy na firma de recrutamento Human Connections Group, usa o Facebook para preencher um terço das vagas disponíveis na empresa.
Por cerca de US$ 14 (ou R$ 46), um anúncio pode atingir até 10 mil pessoas, dependendo do perfil desejado - algo que, para Richards, é uma opção com uma ótima relação custo/benefício.
Mas a empresária também se diz "totalmente ciente" da capacidade das companhias de usar o direcionamento para acabar eliminando certos perfis "indesejados". "Se colocada nas mãos erradas, a ferramenta pode ser extremamente prejudicial para a igualdade de gêneros, a igualdade racial e tudo aquilo para o qual trabalhamos tanto para evitar."
Com o objetivo de testar a precisão de um anúncio direcionado, a BBC Capital fez uma simulação no Facebook. A primeira opção foi apenas por homens com idades entre 18 e 25 anos, morando em Nova York. Em seguida, excluímos todos os que têm filhos ou que são casados ou comprometidos. É possível até fazer escolhas por apenas algumas etnias. Excluímos ainda todos os vegetarianos, veganos e pessoas que "curtem" chocolate.
O anúncio final para uma "Superestrela das Redes Sociais" foi logo aprovado pelo Facebook e publicado para cerca de 430 mil homens jovens, solteiros, sem filhos e carnívoros.
Davida Perry, sócia do escritório de advocacia Schwartz & Perry, de Nova York, acredita que a prática de direcionar anúncios de emprego através do Facebook Ads pode levar à violação de várias leis.
Nos Estados Unidos, uma lei federal proíbe que o recrutamento seja feito de maneira a discriminar pessoas por sua idade, raça, religião, sexo, estado civil, saúde e orientação sexual.
Portanto, mesmo que os anúncios não sejam necessariamente discriminatórios, o processo de direcionamento - através de selecionar certos perfis e excluir outros - pode ser.
Mas para Perry, apesar de o processo usado para postar anúncios direcionados poder ser ilegal, é muito difícil provar que há discriminação.
A política de publicidade do Facebook diz que anunciantes "não devem usar as opções de direcionamento para discriminar, assediar, provocar ou denegrir usuários". Esses anunciantes também são obrigados a assegurar que sua propaganda está de acordo com a lei.
Apesar dos riscos, especialistas em recrutamento online pedem para que as pessoas não pensem no cenário mais negativo.
Sundberg faz uma analogia com "a Força" da saga Star Wars: os anúncios direcionados podem ser usados pelo lado negro, mas também pode servir para um bem maior.
"Há todo tipo de gente no mundo, mas de maneira geral, trata-se de uma forma legítima de se conseguir o que se quer", afirma.
Imagem de divulgação do nome filme baseado no livro.
Não há nada de cinza sobre os 50 tons de cinza. É tudo preto.
Deixe-me explicar.
Eu ajudo pessoas que estão quebradas por dentro. Ao contrário dos médicos que utilizam raios X ou exames de sangue para determinar por que alguém está com dor, as feridas que me interessam estão ocultas. Faço perguntas e ouço atentamente as respostas. É assim que eu descubro por que a pessoa na minha frente está “sangrando”.
Anos de escuta atenta me ensinaram muito. Uma coisa que eu aprendi é que os jovens são totalmente confusos sobre o amor – para achá-lo e mantê-lo. Eles fazem escolhas erradas e acabam sofrendo muito.
Eu não quero que você sofra como as pessoas que vejo em meu escritório, por isso estou avisando sobre um novo filme chamado Cinquenta Tons de Cinza. Mesmo se você não ver o filme, sua mensagem tóxica está se infiltrando na nossa cultura e poderia plantar ideias perigosas em sua cabeça.
Cinquenta Tons de Cinza está sendo lançado no Dia dos Namorados, então você vai pensar que é um romance, mas não caia nessa. O filme é realmente sobre uma relação doentia e perigosa, preenchido com abuso físico e emocional. Parece glamouroso, porque os atores são lindos, têm carros caros e aviões, e Beyonce está cantando. Você pode concluir que Christian e Ana são legais e que seu relacionamento é aceitável.
Não se permita ser manipulado! As pessoas por trás do filme só querem o seu dinheiro; eles não se preocupam nem um pouco com você ou seus sonhos.
Abuso não é glamouroso ou legal. Nunca é OK, sob quaisquer circunstâncias.
Isto é o que você precisa saber sobre Cinquenta Tons de Cinza: Christian Grey foi terrivelmente negligenciado quando era uma criança. Ele está confuso sobre o amor, porque ele nunca experimentou a coisa real. Em sua mente, o amor está emaranhado com sentimentos ruins como dor e o constrangimento. Christian gosta de machucar mulheres de formas bizarras. Anastasia é uma menina imatura que se apaixona pelos olhares e pela riqueza de Christian, e tolamente segue seus desejos.
No mundo real essa história iria acabar mal, com Christian na cadeia e Ana em um abrigo – ou morgue. Ou Christian continuaria batendo em Ana, e ela sofreria como nunca. De qualquer maneira, as suas vidas não seriam um conto de fadas. Confie em mim.
Como médica, estou lhe pedindo: não assista Cinquenta Tons de Cinza. Se informe, conheça os fatos e explique aos seus amigos por que eles não devem assitir também.
Aqui estão algumas das ideias perigosas promovidas em Cinquenta Tons de Cinza:
1. As meninas querem caras como Christian: Grosseiro e que mande nela.
Não! Uma mulher psicologicamente saudável evita dor. Ela quer se sentir segura, respeitada e cuidada por um homem que ela pode confiar. Ela sonha com vestidos de casamento, não algemas.
2. Homens querem uma garota como Anastasia: Calma e insegura.
Errado. Um homem psicologicamente saudável quer uma mulher que sabe se defender por si mesma. Ele quer uma mulher que o corrija quando ele sair da linha.
3. Anastasia exerce livre escolha quando ela consente em ser machucada, então ninguém pode julgar a sua decisão.
Lógica falha. Claro, Anastasia tinha livre escolha – e ela escolheu mal. A decisão auto-destrutiva é uma má decisão.
4. Anastasia faz escolhas sobre Christian de forma racional e distante.
Duvidoso. Christian constantemente serve Anastasia com álcool, prejudicando seu julgamento. Além disso, Anastasia se torna sexualmente ativa com Christian – sua primeira experiência – logo após conhecê-lo. O sexo é uma experiência poderosa – particularmente na primeira vez. Finalmente, Christian manipula Anastasia para assinar um acordo que a proíbe de falar a alguém que ele é um abusador. Álcool, sexo e manipulação – dificilmente seriam os ingredientes de uma decisão racional.
5. Os problemas emocionais de Christian são curados pelo amor de Anastasia.
Apenas em um filme. No mundo real, Christian não mudaria de forma significativa. Se Anastasia quisesse ajudar pessoas emocionalmente perturbadas, ela deveria ter se tornado uma psiquiatra ou uma psicóloga.
A principal questão: as idéias de Cinquenta Tons de Cinza são perigosas e podem levar à confusão e más decisões sobre o amor. Existem grandes diferenças entre os relacionamentos saudáveis e não-saudáveis, mas o filme borra essas diferenças, de modo que você começa a se perguntar: o que é saudável em um relacionamento? O que é doentio? Há tantos tons de cinza … Eu não tenho certeza.
Ouça, é da sua segurança e do seu futuro que estamos falando aqui. Não há margem para dúvidas: uma relação íntima que inclui violência, consensual ou não, é completamente inaceitável.
É preto e branco. Não existem tons de cinza aqui. Nem mesmo um.
Miriamgrossmanmd
Miriam Grossman, MD é médica com formação em pediatria e na especialidade de psiquiatria infantil, adolescente e adulta.
Ela também é a autora de "Unprotected" e "Você está ensinando o meu filho O QUE"?