terça-feira, 23 de agosto de 2016

‘O cemitério está cheio desses heróis’, diz Gilmar Mendes sobre procuradores da Lava Jato

Ministro do Supremo Tribunal Federal reage a vazamento de informações sobre delação de empreiteiro que atinge seu colega da Corte, Dias Toffoli, e alerta que 'quando há concentração de poderes cometem-se abusos'

Fausto Macedo e Julia Affonso



O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, disse nesta terça-feira, 23, que ‘é preciso colocar freios’ na atuação dos procuradores da República. Ele não citou nomes, mas se referiu diretamente a procuradores da Operação Lava Jato.

A fala do ministro é a mais contundente manifestação já disparada por um membro da Corte máxima contra os procuradores.

Gilmar Mendes se revela indignado com o que classifica de vazamento de informações sobre a delação do empreiteiro Léo Pinheiro, da OAS.

O executivo, segundo a revista Veja, revelou detalhes de uma obra na residência do ministro do STF Dias Toffoli, ex-advogado do PT e amigo de Gilmar Mendes. A obra teria sido realizada pela OAS, alvo da Lava Jato por cartel e corrupção na Petrobrás.

Para Gilmar, o vazamento seria um ‘acerto de contas’ de procuradores porque Toffoli os teria contrariado ao mandar soltar o ex-ministro Paulo Bernardo (Planejamento) e ‘fatiado’ a investigação sobre a senadora Gleisi Hoffman (PT/PR) na Lava Jato.

“O fatiamento por ele (Toffoli) decretado e esse habeas corpus no caso do Paulo Bernardo (ex-ministro preso em julho na Operação Custo Brasil, mas solto por ordem de Toffoli), isso animou os procuradores a colocar artigo no jornal e coisas do tipo”, diz Gilmar.

“Como eles (procuradores) estão com o sentimento de onipotentes decidiram fazer um acerto de contas.”

“Decidiram vazar a delação (de Léo Pinheiro, da OAS), mas tem que se colocar um limite nisso.”

“Quando você tem uma concentração de poderes você tende a isso, a que um dado segmento, que detém esse poder, cometa abusos”, afirma o ministro do Supremo.

“Não há nenhuma censura imputável ao ministro Toffoli, mas tudo indica que ele está na mira dos investigadores. Em razão, provavelmente, de decisões que (Toffoli) tem tomado e os têm desagradado.”

“Se é isso, temos que prestar muita atenção. Há o risco de se tornar algo policialesco”, declarou Gilmar.

“No contexto de incensamento da Lava Jato e seus operadores já há coisas muito, vamos dizer assim, exageradas”, avalia o ministro.

Por exemplo, isso (a Lava Jato) os animou a apresentar essas propostas de combate à corrupção (projeto 10 Medidas, em curso no Congresso). Ninguém é a favor da corrupção. Mas, vejamos, a proposta de que prova ilícita, obtida de boa fé, deve ser validada, a priori, tem que ser muito criticada e se negar trânsito. Imagine, agora, um sujeito que é torturado, ah, mas foi de boa fé.”


Gilmar Mendes citou o caso do delegado Protógenes Queiroz, da Operação Satiagraha – deflagrada em 2008 -, que foi expulso da Polícia Federal por violação de sigilo funcional.


“Isso lembra o nosso delegado herói, que fazia interceptação telefônica sob o argumento de que agia com bons propósitos. Ora, espera aí. A autoridade se distingue do criminoso porque não comete crime, senão é criminoso também! Aí vira o Estado de Direito da barbárie.”


“Estado de Direito tem que ser Estado de Direito. Não se combate crime com a prática de crime. É preciso moderação, que os procuradores calcem as sandálias da humildade.”


“Eu vi outro dia na TV uma procuradora da República falando que o Congresso tem que aprovar o projeto (10 Medidas) porque teve o apoio popular (mais de dois milhões de assinaturas). Ora, de onde tiraram essa autoridade, essa legitimidade? Como assim, o Congresso tem que aprovar o pacote todo!. Depois será um desastre em termos de aplicações.”

O ministro disse que ‘o recado está dado’.

“Isso não vai prosseguir assim, a gente tem instrumentos para se colocar freios. É preciso colocar freios nisso, nesse tipo de conduta. No caso específico do ministro Toffoli, provavelmente entrou na mira dos investigadores por uma ou outra decisão que os desagradou.”

“Isso já ocorreu antes no Brasil. O cemitério está cheio desses heróis.

Mesmo no elenco dos procuradores. Ninguém pode esquecer de Guilherme Schelb, Luiz Francisco e tantos mais (procuradores da República que foram acusados de abusos). Estamos preocupados, mas está dado o recado.”

“Se houver exagero alguém tem que puxar. O tribunal (STF) tem mecanismos para fazer valer a lei. ”

Gilmar Mendes considera que ‘há uma falta de coordenação’.

“Vejamos a própria estrutura da Procuradoria. Ela não dispõe de uma estrutura de coordenação. Isso leva às vezes a esses exageros.”

“Por outro lado, estão muito avançados nas investigações. Eles dispõem de informações e têm a mídia como numa situação de dependência. A mídia está hoje em relação aos investigadores como um viciado em droga em relação ao fornecimento da substância entorpecente.”

“Isso precisa ser colocado nos seus devidos termos. Vazamento tem em todo lugar. No caso do ministro Toffoli, a responsabilidade é clara da Procuradoria como um todo.”
“A concentração de poderes é um risco. Depois não querem a Lei do Abuso de Autoridade. É muito curioso.”

 Nota minha: Curioso, é ver um Ministro, da CORTE MAXIMA DE JUSTIÇA DE UM PAIS, este um comportamento ameaçador e portanto inadequado. basicamente comportamento de um delinquente. Inclassificavel sua conduta Ministro Gilmar. V.Exa. merece ser execrado da função. by Deise

domingo, 21 de agosto de 2016

No que se baseia afinal. DIREITA x ESQUERDA na politica.


O que é Direita:

Direita é uma palavra que pode representar um posicionamento político, partidário e ideológico. De acordo com um conceito primário das Ciências Políticas, a direita é marcada pelo conservadorismo social e do governo, defendendo os direitos individuais e os poderes sociais, colocando valores religiosos e tradicionais como essenciais para a construção de uma sociedade moralmente decente.
Para compreender melhor a origem do conceito de "direita" para a política, é necessário observar o cenário da Revolução Francesa (processo revolucionário fundamentado em conceitos da filosofia iluminista), no final do século XVIII. O termo "direita" referia-se ao grupo de parlamentares que se sentava ao lado direito do presidente da Assembleia Nacional Constituinte, enquanto elaboravam as leis que iriam reger a república, em substituição ao regime monárquico. 
Esses políticos defendiam ideais e leis mais conservadoras e tradicionalistas, em confronto aos políticos que sentavam à esquerda, que defendiam propostas políticas mais radicais, que buscavam mudanças na sociedade. 
A partir desta configuração, as ideias passam a ser associadas aos termos "direita" ou "esquerda", para definir a preferência política de cada um: conservador ou revolucionário.  
No século XIX, a classe dominante foi marcada pela burguesia, enquanto que a classe operária tentava definir alternativas para criar projetos que favorecessem toda a sociedade de forma igualitária. Conceitos como o Socialismo, Anarquismo e o Comunismo surgiram e passaram a ser classificados como parte das ideias "esquerdistas", enquanto que os ideais da burguesia, como o Liberalismo, que tinha como objetivo preservar as relações e privilégios mantidos pelos mais ricos, e outros regimes totalitários, como o Fascismo e o Nazismo, passaram a ser associados à "direita". 
Em inglês, a palavra "direita" é traduzida para right e "esquerda" éleft. No entanto, quando a palavra é usada no âmbito da política, um partido de direita é descrito como right-wing (ala direita) e os de esquerda como left-wing (ala esquerda).

Direita no Brasil

Atualmente, no Brasil não existem partidos políticos que se intitulam como sendo "de direita", em seu sentido clássico. Porém, podemos encontrar alguns traços de grupos conservadores que apoiam ideais típicos de partidos de direita. 
Muitos cientistas políticos acreditam que o conceito maniqueísta de "direita" e "esquerda" está defasado, pois existem muitas variantes entre os posicionamentos políticos atuais, que mesclam ideologias tipicamente "esquerdistas" com atitudes e interesses que beneficiariam os "de direita". 

O que é Esquerda:

Esquerda é o termo utilizado para denominar um posicionamento político, partidário e ideológico que tem como principal objetivo defender os interesses de grupos sociais, disseminando o igualitarismo e as ideias progressistas.
Atualmente, os grupos de esquerda são conhecidos por apoiarem sistemas de reformas sociais - como o socialismo -  onde o Estado teria uma influência maior sobre a sociedade.
A ideologia esquerdista defende, principalmente, às classes sociais menos favorecidas e mais carentes financeiramente, ou seja, àquelas que necessitam exclusivamente dos serviços públicos.
A origem do termo “esquerda”, como um posicionamento político-ideológico, surgiu durante as Assembleias Constituintes francesas do século XVIII.
Nestas sessões, havia a clara separação entre os grupos burgueses e conservadores - que sentavam do lado direito na Assembleia, pois não gostavam da participação dos grupos mais populares - enquanto que as pessoas que pertenciam as classes mais humildes, e que eram adeptas do revolucionismo, ficavam do lado esquerdo da sala.
A partir deste cenário, o “esquerdo” passou a simbolizar o ideal de luta pelos direitos populares e pelos trabalhadores; e a “direita” virou sinônimo de conservadorismo e elitismo.
Atualmente, a definição de um posicionamento político tornou-se mais complexa do que a antiga dualidade entre “esquerda e direita”, surgindo assim inúmeras variações desses conceitos, de acordo com os conjuntos de pensamentos políticos de cada grupo.
No cenário atual, o espectro político pode variar desde a “extrema-esquerda” ou “ultraesquerda”, passando pela “esquerda”, “centro-esquerda”, “centro”, “centro-direita”, “direita” e “extrema-direita”. Essa classificação é conhecida como “régua ideológica”.
A “ultraesquerda” é considerada o palco para os “esquerdopatas”, indivíduos considerados fanáticos pela ideologia esquerditas e que, em alguns casos, chegam a ultrapassar alguns limites em respeito aos seus ideais políticos.
Existem ainda outros grupos políticos específicos dentro da ideologia esquerdista, como a “esquerda liberal”, que une princípios do Liberalismo e do movimento de Esquerda.
by Deise
Fonte: significados.com.br

Os 10 maiores casos de corrupção da história do Brasil





Entender por que determinados países se desenvolvem e outros não tem sido até aqui um grande desafio para a humanidade. Para muitos autores que se aventuram a dar respostas a esta pergunta, a solução parece estar em uma palavra simples: instituições. Como lidamos e organizamos as instituições que nos cercam explica, segundo eles, boa parte dos nossos dilemas.
Quer um exemplo? Imagine qualquer instituição que receba verbas do governo para funcionar. Pode ser um sindicato, alguma entidade estudantil, um partido político ou mesmo uma associação de bairro. Em seguida, procure uma prestação de contas desta entidade detalhando onde os recursos foram aplicados. Quando você se der conta que nem mesmo os partidos políticos brasileiros, tão fiscalizados por tribunais de contas, conseguem explicar onde gastam suas verbas, você verá um exemplo claro de que a falta de zelo com o dinheiro público não se dá apenas com aquele político notoriamente corrupto, mas está enraizada a fundo no nosso país.
 
Fiscalizar a aplicação destes recursos, conferir prestações de contas e exigir transparência é uma tarefa que envolve inúmeros órgãos da administração pública. Apenas os tribunais de contas da União e dos Estados nos custam cerca de R$ 10,8 bilhões ao ano para cumprir essa tarefa. A Controladoria Geral da União, criada em 2001, nos custa outros R$ 843 milhões. Parece muito? Apenas o valor obtido de volta no Petrolão cobriria o orçamento da CGU (agora transformada em ministério) por 5 anos.
Graças a essa fiscalização, por exemplo, cerca de 4,7 mil entidades são proibidas de receber recursos públicos do governo federal por conta de irregularidades (a lista cobre desde a Associação Brasileira de Cordel até a União Nacional dos Estudantes). Apenas em São Paulo, são outras 900 entidades irregulares. O motivo? Cerca de 2/3 delas não apresentaram prestação de contas de forma satisfatória. Algumas entidades até permitem que seus balanços sejam fiscalizados, mas utilizam notas frias ou usam o recurso público sem o devido direcionamento, como foi o caso da UNE, acusada pelo TCU de usar recursos do Ministério da Cultura para a compra de bebidas alcoólicas.
Apesar de todo o aparato de fiscalização existente, ainda somos surpreendidos rotineiramente por casos de mau uso do dinheiro público. Segundo o Ministério da Cultura, cerca de R$ 3,8 bilhões concedidos pela Lei Rouanet nos últimos anos não possuem um paradeiro conhecido. Como perder de vista tantos bilhões? O ministério não soube explicar, mas não é improvável que tenha contado também com a má vontade de artistas e empresas que não acharam muito necessário explicar como gastaram o dinheiro que receberam.
 
Muito mais do que o amadorismo de entidades em prestar contas, no entanto, o TCU e outros órgãos públicos têm se notabilizado nos últimos anos pela eficiência com que desmontam grandes esquemas de corrupção e desvios de dinheiro público. Ainda que o valor estimado seja muito maior (segundo o coordenador da Operação Lava Jato, Dalton Delagnol, o país enfrenta cerca de R$ 200 bilhões anuais em corrupção), alguns casos dão a dimensão do problema. Abaixo, listamos os 10 maiores casos conhecidos de corrupção da nossa história.
 
10 – Anões do Orçamento (década de 80 e início dos anos 90)

Valor desviado: R$ 800 milhões
O mais antigo entre os citados aqui, o caso dos “Anões do Orçamento” ocorreu entre o final dos anos 80 e o início dos anos 90. Para investigar o caso, foi aberta uma CPI em 1993, que acabou investigando 37 deputados. Destes, seis foram cassados e quatro renunciaram.
No centro do esquema, segundo a CPI, o deputado João Alves de Almeida, membro desde 1972 da Comissão do Orçamento no Congresso, justamente onde o esquema se dava.
Para desviar os recursos, os deputados adotavam três esquemas distintos. No primeiro deles, incluíam emendas para entidades filantrópicas detidas por parentes ou laranjas. No segundo e mais representativo, incluíam verba para grandes obras públicas mediante comissões de empreiteiras.
No terceiro caso, prefeituras acordavam o pagamento de taxas para incluir obras públicas no orçamento, que seriam pagas por meio da contratação da construtora Seval, do próprio deputado João Alves.
 
Para lavar o dinheiro, João Alves comprava “bilhetes premiados” na loteria. Segundo o próprio, ele teria ganho 200 vezes o prêmio. Era um cara de sorte, dizia.
Dentre os deputados cassados, constavam membros de apenas dois partidos: PTB e PMDB.
9 – Navalha na Carne (2007)
 

Valor desviado: R$ 1,06 bilhão 
Descoberto em 2007, o esquema da Operação Navalha envolvia, a exemplo do caso dos Anões do Orçamento, o uso de emendas parlamentares para a realização de obras públicas. No centro do esquema, a empreiteira Gautama.
Ao todo 49 pessoas foram presas, incluindo o ex-governador do Maranhão, Jackson Lago.
Iniciado na cidade de Camaçari na Bahia, o esquema se estendeu por dez estados, sugando verbas de quatro ministérios (Minas e Energia, Transportes, Cidades e Integração Nacional).
Fraudes em licitações, obras não explicadas, como o caso de uma ponte que liga o nada a lugar nenhum, foram responsáveis por sugar recursos da ordem de R$ 1,06 bilhão.
Segundo apontou a revista IstoÉ, o esquema envolveu inúmeros políticos conhecidos, além do próprio ex-governador maranhense. O atual presidente do senado, Renan Calheiros, teria conhecido pessoalmente o presidente da empreiteira. Obras sob responsabilidade de Olavo Calheiros, irmão de Renan, estão listadas entre aquelas colocadas sob suspeita pela Polícia Federal.
8 – Juiz Lalau e o TRT-SP (1992-1998)

Valor desviado: R$ 2 bilhões
Liderado pelo juiz Nicolau dos Santos Neto e pelo ex-senador Luis Estevão, do Distrito Federal, este foi o oitavo maior esquema de corrupção da nossa história, e desviava verbas na construção do fórum do Tribunal Regional do Trabalho em São Paulo.
As obras do fórum se iniciaram ainda em 1992, por meio de uma licitação que premiou a construtora Incal como vencedora. No mesmo ano, o TCU iniciou a auditoria no processo e chegou à conclusão, já em 1995, que haviam irregularidades na obra.
Em 1998, um mês após o juiz Nicolau abandonar a comissão responsável pela construção, a obra foi então abandonada. Auditorias constatam que apesar de 98% da verba ter sido liberada, apenas 64% das obras estariam prontas.
Dos R$ 232,5 milhões destinados à construção, R$ 169,5 milhões foram devidamente desviados.
Após investigar o caso em 1999, o Congresso descobriu transferências de recursos e do próprio capital da construtora Incal para o Grupo OK, do senador Luiz Estevão. Em 2001, Estevão chegou a ser preso, mas iniciou sua batalha judicial com um pedido de habeas corpus.
Em 2016, há poucas semanas, o ex-senador foi finalmente preso, condenado a 25 anos.
A CGU cobra R$ 2 bilhões de Estevão, valor que ele contesta. Pelo acordo firmado pelo Grupo OK com a CGU, mensalmente o governo teria de receber R$ 4 milhões. Para garantir o cumprimento, cerca de 1,2 mil imóveis do ex-senador estariam bloqueados. Sim: mil e duzentos imóveis.
7 – Jorgina de Freitas (1991)

Valor desviado: R$ 2 bilhões
Jorgina de Freitas atuou durante muito tempo como advogada e procuradora previdenciária. Durante dois anos, ela liderou uma rede responsável por fraudes milionárias no INSS, incluindo supostas indenizações concedidas a supostos beneficiários da previdência.
Em março de 1991, uma investigação interna do INSS acabou descobrindo que um único beneficiário, um motorista de empilhadeira, havia sido beneficiado em US$ 90 milhões, em valores atuais. A sentença em favor de Alaíde Fernandes Ximenes foi julgada improcedente em 2010, quando a Advocacia Geral da União conseguiu anulá-la, evitando um prejuízo de R$ 880 milhões à época, superior a R$ 1 bilhão em valores atuais.
Em 1992 Jorgina fugiu, com ajuda de um mafioso chileno, envolvido com esquemas com PC Farias. Em 1997, acabou sendo presa na Costa Rica, e no retorno ao Brasil, foi condenada pela Justiça e obrigada a devolver R$ 200 milhões. Jorgina foi solta em 2010.
Na época, o valor desviado pela quadrilha equivalia à metade de toda arrecadação do INSS.
6 – Fundos de Pensão (2015)

Valor desviado: R$ 3 bilhões
Criados para garantir aposentadorias e pensões de funcionários de empresas estatais, os fundos de pensão são hoje gigantes que englobam 2 milhões de beneficiários e detém cerca de 15% da dívida pública. Boa parte deles, como a PREVI, dos funcionários do Banco do Brasil, detém participações significativas em grandes empresas, como a Vale do Rio Doce, a Embraer e outras tantas.
São as pequenas transações, envolvendo compras de títulos privados, porém, que levantaram suspeitas na CPI dos Fundos de Pensão. Após meses de avaliação, a CPI, realizada em 2015, concluiu que parte do prejuízo superior a R$ 77,8 bilhões que os fundos acumulam hoje, se deve a contratos fraudados ou suspeitos.
O prejuízo estimado pela CPI, que pediu o indiciamento de mais de 200 pessoas, é de R$ 3 bilhões, apenas nos principais fundos de empresas estatais. Os valores podem alcançam cifras ainda maiores.
5 – Banco Marka (1999)

Valor desviado: R$3,7 bilhões
Durante 4 anos, igualar o real e o dólar foi um dos principais pontos do Plano Real. A medida atrelou fortemente a inflação brasileira à inflação americana, muito menor do que a nossa, e foi um dos principais fatores para levar a inflação brasileira abaixo de 1% em 1998, pela primeira em mais de um século.
Sucessivas crises cambiais em países emergentes, porém, fizeram com que esta medida se tornasse cada vez mais difícil de ser mantida, requerendo elevadas taxas de juros por parte do governo brasileiro. Em 1999, foi a vez da própria moeda brasileira tornar-se alvo de dúvidas, e o Banco Central se viu obrigado a desvalorizar o real.
Em janeiro de 1999, quando o BC decidiu elevar de R$ 1,22 para R$ 1,32 o teto do dólar, o banco Marka, do banqueiro Salvatore Cacciola, foi pego de surpresa. O banco possuía 20 vezes o seu patrimônio líquido em contratos de venda de dólar futuro. Com o aumento do preço da moeda americana, Cacciola sofreu um revés bilionário, e correu para o BC para pedir ajuda. O que aconteceu em seguida? Como você deve imagina, o banqueiro foi prontamente atendido, em uma ação que teria causado prejuízo de R$ 1,5 bilhão na época, ou R$3,7 bilhões em valores atuais.
Em 1999, o banco foi alvo de uma CPI, onde descobriu-se que Cacciola possuía informações internas no BC – o que provocou a demissão de diretores da instituição. O presidente da instituição, Francisco Lopes, recebeu pena de 10 anos de prisão.
Em 2008, Cacciola foi preso em Mônaco, após uma viagem em que saiu da Itália, onde se refugiou.
 
4 – Vampiros da Saúde (1990-2004)

Valor desviado: R$4,08 bilhões
Descoberto pela Polícia Federal em 2004, o esquema dos vampiros da saúde operava envolvendo empresas, funcionários do Ministério da Saúde e deputados federais ao menos desde 1990. O esquema principal do grupo consistia em fraudes de licitações, gerando sobrepreços na compra de remédios e hemoderivados – daí o nome da operação.
Segundo estimou a PF, o esquema teria causado um prejuízo de R$ 2 bilhões, o que corrigido pela inflação, equivale hoje a R$4,08 bilhões.
Cerca de 17 pessoas foram presas, na grande maioria, membros do Ministério da Saúde.
 
3 – Zelotes (2015)

Valor sonegado: R$ 19 bilhões
Iniciada em março de 2015, a operação Zelotes ainda está em andamento. Pelo que se sabe até agora, porém, a operação, que apura corrupção no CARF, o Colegiado de Administração de Recursos Fiscais, envolve dezenas de grandes empresas nacionalmente conhecidas.
Segundo apura a PF, tais empresas e empresários teriam pago propinas, por intermédio de lobistas, para anular multas aplicadas pela Receita Federal. Dentre os nomes suspeitos até agora, mais de 70 empresas, como Gerdau, Bradesco, Santander, RBS (afiliada da Rede Globo no RS) e o Banco Safra.
Segundo a PF apura, o esquema gerou um prejuízo estimado em R$ 19 bilhões aos cofres públicos. Até o presente momento, a operação continua investigando e intimando para depor suspeitos e testemunhas.
Na quarta fase da operação, o ex-presidente Lula foi intimado para depor sobre suspeitas de compras de medidas provisórias que beneficiariam montadoras em seu governo. A empresa de seu filho mais novo, Luiz Claudio, é suspeita de ter recebido valores por parte de lobistas que atuavam para as montadoras.
André Gerdau, presidente da siderurgica Gerdau e o ex-Ministro da Fazenda, Guido Mantega, também foram alvos da PF, sofrendo mandatos de condução coercitiva na sexta e sétima fase da operação.
 
2 – Banestado (1996)

Valor enviado irregularmente ao exterior: US$ 30 bilhões. Valor sonegado: Incerto.
Enviar recursos ilegalmente para o exterior tornou-se durante muito tempo o principal serviço ofertado pelo Banestado, o Banco do Estado do Paraná. Durante anos, centenas de empresas, de muita gente rica e famosa no país, enviaram para a agência do banco em Nova York, recursos por meio de contas CC5, uma espécie de conta criada pelo Banco Central para permitir que brasileiros residentes no exterior pudessem trocar a moeda nacional por moeda estrangeira de forma simplificada.
 
Em 1996, ao ser detectada uma irregularidade de US$ 228,3 mil por um dos agentes de câmbio da instituição, o esquema foi descoberto de forma definitiva, uma vez que o agente não apenas revelou detalhes do próprio crime, mas de 107 outras contas mantidas pela instituição.
Com a instalação da CPI em 2003, os deputados puderam por meio de quebras de sigilo, verificar desvios da ordem de US$ 30 bilhões (ou R$ 30 bilhões na época do ocorrido).
Apesar dos recursos em si não serem necessariamente ilegais, o não pagamento do imposto envolvido configura o crime neste caso. Não é possível, portanto, estimar que todo o valor enviado tenha sido um “prejuízo” ou pago em propina. Apenas uma parte disso causou prejuízo ao governo pela não arrecadação.
 
O caso foi ainda o primeiro levar os holofotes ao juiz Sérgio Moro, que recebeu críticas pela rigidez com que condenou os envolvidos (posteriormente todos inocentados pelo STF). O doleiro Alberto Yousseff, também envolvido no esquemao, saiu do caso Banestado com uma pena menor, pois colaborou com o MP entregando os demais doleiros.
Ao sair da prisão meses depois, Yousseff descobriu que era ele o maior doleiro em operação no país, uma vez que todos os outros haviam sido presos por denúncias dele próprio. Tal fato colaborou para fazer de Yousseff o principal doleiro no caso a seguir, o maior esquema de corrupção da história do país: o Petrolão.
1- Operação Lava Jato (atualmente)



Valor desviado: R$ 42,8 bilhões. Prejuízo causado: R$ 88,8 bilhões apenas na Petrobrás.
Com mais de dois anos de andamento, a operação Lava Jato apresenta números superlativos. Foram mais de 1.200 processos instaurados, 160 prisões (incluindo prisões temporárias), 52 acordos de delação premiada, 209 acusados, 105 condenados, 5 acordos de leniência, 16 empresas envolvidas e mais de R$ 42,8 bilhões desviados.
 
Trata-se também da maior operação da história do país em termos de valores reavidos pelo Estado. Foram mais de R$ 2,9 bilhões, sendo R$ 700 milhões repatriados. Ao todo são R$ 37,6 bilhões em pedidos de ressarcimento. À frente da operação, a maior força tarefa já montada pela Polícia Federal.
Os condenados nos crimes somam penas de 1.140 anos. O motivo mais relevante: fraudes em licitações na Petrobras.
 
À frente do caso, quase uma década depois de ter julgado o Banestado, o juiz federal Sergio Moro.
Envolvendo praticamente todos os grandes partidos nacionais, a Lava Jato destaca-se não apenas como a maior operação em números, mas especialmente pelo rigor com que têm sido punidos os envolvidos. Apesar de nenhum deles ter sido ainda condenado no STF, e inúmeros processos ainda estarem sob sigilo, por envolverem nomes de autoridades com foro privilegiado, a operação já ganhou destaque e, para inúmeras autoridades, como o ministro Augusto Nardes do TCU, não há dúvidas de que já seja amaior da história do país.
 
Como estes, existem inúmeros casos de corrupção no país que ainda merecem ser citados. Esquemas envolvendo o fechamento da SUDAM e SUDENE, o Escândalo dos Precatórios ou a Operação Satiagraha são alguns dos exemplos cujas cifras atingem bilhões. Nestes casos, porém, não se tratam de esquemas diretos onde é possível definir um corrupto e um corruptor. Tratam-se de somas de esquemas diversos em uma mesma instituição.
 
Na prática, o Brasil hoje é mais transparente, e a despeito de a Polícia Federal ter sofrido severos cortes em seu orçamento de investimentos, continua a investigar.
Inúmeras autoridades, como a presidente afastada, o presidente do Senado, ministros e ex-ministros, já foram acusados, ou ainda estão sendo acusados de buscar impedir o andamento da Operação Lava Jato. Garantir o bom funcionamento de operações como esta, que prezem pela transparência e a responsabilidade pela coisa pública, é parte fundamental do papel da mídia, mas especialmente da população, a quem cabe cobrar e fiscalizar.
 
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