Entre 2021 e 2025, mais de 90 mil crianças e adolescentes de 0 a 17 anos foram registrados como desaparecidos no Brasil, segundo dados oficiais reunidos a partir das secretarias estaduais de segurança pública e do Ministério da Justiça.
Não se trata apenas de números. Cada registro representa uma família em angústia, uma rotina interrompida e, em muitos casos, uma espera que nunca termina.
Os dados mostram que uma parte significativa dessas crianças é localizada ao longo do tempo. Ainda assim, dezenas de milhares de casos permanecem sem solução, o que evidencia fragilidades estruturais na prevenção, na investigação e na articulação da rede de proteção.
Especialistas apontam que os desaparecimentos de menores costumam estar associados a conflitos familiares, violência doméstica, vulnerabilidade social, evasões do lar e falhas no acompanhamento institucional. Em contextos mais recentes, também cresce a preocupação com aliciamento digital e exploração, embora o país ainda careça de estatísticas detalhadas sobre as causas específicas de cada caso.
Outro ponto crítico é a subnotificação. Nem todos os desaparecimentos chegam a ser formalmente registrados, seja por falta de informação das famílias, medo, descrédito nas instituições ou dificuldade de acesso aos canais oficiais. Isso indica que a realidade pode ser ainda mais grave do que os números revelam.
Quando crianças retornam, nem sempre voltam ilesas. Muitos casos envolvem traumas psicológicos profundos, rupturas familiares e dificuldades de reintegração social — impactos que raramente aparecem nas estatísticas.
A prevenção passa por atenção cotidiana, diálogo, presença familiar, escolas atentas e comunidades informadas. Também exige políticas públicas eficazes, registros integrados e resposta rápida das autoridades.

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