by Deise Brandão
Circula nas últimas horas, em redes sociais e canais alternativos de informação, a alegação de que Nicolás Maduro teria sido capturado por forças ligadas aos Estados Unidos. A notícia se espalhou rapidamente, impulsionada pelo histórico de tensões entre Washington e Caracas.
Até agora, porém, não existe qualquer confirmação oficial, seja por parte do governo venezuelano, do governo norte-americano, da ONU ou de organismos internacionais independentes.
Por que esse boato ganha força?
Não surge do nada. Maduro: é alvo de sanções econômicas severas; responde a denúncias internacionais por violações de direitos humanos; já foi formalmente acusado por autoridades norte-americanas em investigações relacionadas a narcotráfico e corrupção; governa um país sob colapso institucional prolongado.
Em cenários assim, qualquer ruído vira manchete, e qualquer desejo vira “informação”.
O padrão histórico: boatos antes de rupturas. Há precedentes claros: rumores semelhantes antecederam a queda de líderes no Oriente Médio;em outros casos, boatos foram usados para testar reações populares e internacionais; também há histórico de operações psicológicas (psyops) usando desinformação como arma.
Ou seja: o boato pode não ser verdadeiro, mas ele não é inocente.
Silêncio estratégico ≠ confirmação
O silêncio das autoridades não confirma captura alguma.
Em diplomacia e inteligência, silêncio pode significar apenas isso: silêncio.
Até que: haja nota oficial, imagens verificáveis, ou confirmação por agências internacionais confiáveis, qualquer afirmação deve ser tratada como especulação.
O que é fato, hoje: Maduro segue sob forte pressão internacional. Venezuela permanece instável política e economicamente, há interesse global real em uma mudança de cenário no país. Não há prova de captura
Notícia não é torcida. Desejo não é fato. E verdade não se constrói no grito.
Registrar o boato como VERDADE NÃO é jornalismo e confirmá-lo sem prova é desinformação. E é exatamente nesse limite — entre o que se quer e o que se comprova — que se mede quem informa e quem manipula.
Pessoalmente, espero que seja o MELHOR para o POVO VENEZUELANO. Venezuela me serve de exemplo do que NAO DEVE SER.
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