sexta-feira, 1 de junho de 2018

Saída de Pedro Parente chega a suspender negociação das ações da Petrobras


TURBULÊNCIA
GIANE GUERRA
ZH - Porto Alegre

Pedro Parente pediu demissão da presidência da empresa

Pedro Parente implementou a política de preços na Petrobras José Cruz / Agência Brasil


Chegaram a ser suspensas as negociações das ações da Petrobras na B3, a bolsa de valores de São Paulo logo após a turbulência gerada pelo pedido de demissão de Pedro Parente da presidência da estatal. A medida é tomada para evitar forte volatilidade nos preços. Apesar disso, o Ibovespa passou de alta para queda após a notícia.

- Bolsa suspende para que investidores não operem sem informação adequada - explica o sócio da gestora de fundos Quantitas Wagner Salaverry.

A negociação das ações foi retomada perto das 12h. Ainda assim, os papéis da Petrobras operavam com queda de cerca de 14% e aceleraram o tombo no início da tarde para uma desvalorizaçã de 20%.

Desde o início da greve dos caminhoneiros, a estatal tem registrado forte desvalorização nas ações, após altas que vinham ocorrendo. Tanto que acabou de zerar os ganhos nas preferenciais (PN), diz Salaverry. Voltou ao mesmo preço do início de 2018. Nas ordinárias (ON), ainda acumula alta de 12% no ano.

Diretor de operações da Mirae, Pablo Spyer avisa que as ADRs da Petrobras despencam nos Estados Unidos. Por volta de 11h40, a queda era de 9%. São os papéis da estatal negociados no mercado financeiro norte-americano.

Syper avisa também que o dólar disparou, renovando a máxima em R$ 3,7649. O mesmo ocorreu com o risco-país, que subia 3,6% no fim da manhã, negociado a 234 pontos. O indicador é muito observado por investidores estrangeiros. 

              Risco país disparou
              Reprodução Mirae


A permanência de Pedro Parente na presidência da Petrobras já era questionada desde o início da greve dos caminhoneiros. O executivo que implementou a política de preços de combustíveis, com ajustes praticamente diários nos valores nas refinarias. O mecanismo foi muito criticado durante os protestos.

No entanto, a política de preços agrada ao mercado financeiro. Além da insegurança sobre o comando da empresa, é o que provoca a queda nas ações da Petrobras. Lembrando que é uma das maiores companhias do país.

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Parente chegou a ceder quando foi anunciada a redução temporária de 10% nos preços do diesel. Disse que a Petrobras não era uma ilha e o corte no preço foi importante para o início das negociações do Governo Federal com os caminhoneiros. No entanto, quem conhecia o executivo sabia que não concordaria com mais interferências.

Petrobras eleva preço da gasolina nas refinarias após 5 quedas seguidas


Preço do litro subirá 0,74% a partir desta quinta-feira

(31), passando de R$ 1,9526 para R$ 1,9671.


Por Darlan Alvarenga, G1

Após 5 cortes seguidos, a Petrobras anunciou nesta quarta-feira (30) uma elevação no preço da gasolina nas refinarias. O preço do litro da gasolina subirá 0,74% a partir desta quinta-feira (31), passando de R$ 1,9526 para R$ 1,9671.
O último reajuste tinha sido anunciado na segunda-feira, quando houve redução de 2,84% no preço da gasolina. Em maio, já foram anunciadas 13 altas e 6 quedas no preço da gasolina.
Já o preço do diesel segue congelado em R$ 2,1016. Na quarta-feira da semana passada, a estatal reduziu em 10% o valor do combustível, comprometendo-se a manter o valor por 15 dias.
O repasse do corte para o valor pago pelos consumidores nas bombas depende dos donos dos postos. Os últimos cortes anunciados pela Petrobras não foram sentidos pelos consumidores, uma vez que o abastecimento no país ainda não foi normalizado e a distribuição continua sendo afetada pelos protestos dos caminhoneiros.
Evolução dos preços cobrados pela Petrobras nas refinarias (Foto: Reprodução/Petrobras)
A Petrobras adotou novo formato na política de ajuste de preços em 3 de julho do ano passado. Segundo a nova metodologia, os reajustes acontecem com maior frequência, inclusive diariamente, refletindo as variações do petróleo e derivados no mercado internacional, e também do dólar. Desde o início do formato, o preço da gasolina comercializado nas refinarias acumula alta de 49,71% e o do diesel, valorização de 55,09%, segundoo Valor Online.

Preços do diesel congelados nas refinarias

A Petrobras anunciou na semana passada que o preço do diesel comercializado em suas refinarias ficará inalterada por 15 dias, até 7 de junho. Após essa data, será aplicado o novo programa anunciado pelo governo, que prevê redução de R$ 0,46 no preço do litro por 60 dias e reajustes mensais após esse prazo.
Levantamento divulgado na semana passada pela Agência Nacional do Petróleo, do Gás Natural e dos Biocombustíveis (ANP) mostrou que o preço médio do diesel e da gasolina continuaram a subir nas bombas, mesmo com as redução de preços nas refinarias.
O avanço do preço do diesel nos postos foi de 5,3%, passando de R$ 3,595 por litro para R$ R$ 3,788 na semana encerrada no dia 25. Já em relação ao preço médio da gasolina houve aumento de 3,52%, com o valor passando de R$ 4,284 por litro para R$ 4,435 em média. Foi o maior aumento semanal dos preços da gasolina desde julho de 2017, quando o governo anunciou o aumento dos impostos sobre os combustíveis.

Política de preços da Petrobras sob pressão

O presidente Michel Temer afirmou nesta terça-feira (29), durante entrevista à emissora oficial TV Brasil, que pode reexaminar a política de preços da Petrobras. Na entrevista, Temer primeiro afirma não querer alterar a política da estatal. Em seguida, se refere à possibilidade de reexaminá-la.
O Palácio do Planalto divulgou nota nesta quarta-feira (30), entretanto, na qual afirmou que o governo vai “preservar” a política de preços da Petrobras.
A política de preços da Petrobras é um dos pontos criticados pela greve dos caminhoneiros e dos petroleiros. Desde julho do ano passado, a estatal promove os reajustes com base na variação do dólar e dos preços do petróleo no mercado internacional, e os preços para os consumidores dispararam bem acima da inflação.
As ações da Petrobras desabaram nos últimos dias e a companhia perdeu o posto de maior companhia da Bolsa em valor de mercado. A decisão de congelar o preço do diesel foi analisada pelos especialistas como um sinal de que a petroleira cedeu a pressões políticas e perdeu credibilidade.
Em oito pregões, desde o início da greve, a empresa chegou a perder R$ 126 bilhões. Nesta terça-feira, entretanto, as ações da petroleira fecharam em alta de 12%, recuperando parte das perdas dos últimos dias.
Por volta das 13h20, as ações preferenciais da Petrobras subiam 1,81%, enquanto o Ibovespa tinha alta de 0,8%.

quinta-feira, 31 de maio de 2018

Tendinite é a inflamação do tendão e gera dor em diferentes partes do corpo

A condição acontece geralmente devido a esforços repetitivos
 e prolongados, excesso de força ou posição viciosa

Foto: Getty Images
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Embora o nome seja comum, bastante gente ainda tem dúvida sobre o que é a tendinite. O problema, que pode acometer pessoas de todas as idades, é resumido como a inflamação de um ou mais tendões. Pode ocorrer em qualquer tendão do corpo, mas envolve com mais frequência os tendões dos ombros, cotovelos, mãos e punhos, tornozelos e pés.
José Ribamar Moreno, reumatologista, especialista em dor, mestre em medicina pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e coordenador responsável do Centro de Tratamento Intensivo da Dor (CTIDor), explica que a tendinite é uma doença caracterizada pela inflamação dos tendões, que são as estruturas que transmitem a tração muscular ao osso e permitem o movimento. “Podem ser pequenos, como nas mãos, ou grandes, como o tendão do calcanhar”, diz.
As causas da tendinite, de acordo com o especialista, quase sempre são mecânicas, por conta de esforços repetitivos e prolongados, excesso de força ou posição viciosa. “Podem ser também químicas, quando relacionadas à desidratação de tendões e músculos, além de alimentação inadequada, que pode provocar o acúmulo de toxinas no organismo”, diz.
Moreno destaca que os tendões dos membros inferiores próximos das articulações do tornozelo e joelho, como tendão de Aquiles e patelar, são os mais acometidos.
A tendinite muitas vezes está relacionada à profissão ou atividade do paciente, quando, por exemplo, ele faz movimentos repetitivos para desempenhar a sua função.
“Profissões ou atividades com muita carga ou impacto podem associar-se aos principais fatores desencadeantes que são o trauma ou trauma repetido do tendão”, destaca Moreno.
Exemplos de profissionais que podem ser afetados pela tendinite são: telefonistas, pianistas, bailarinos, atletas (tenistas, jogadores de futebol, voleibol e handebol), digitadores etc.

Sintomas que você não deve ignorar

Foto: Getty Images
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Mas, afinal, quais são os sinais que realmente estão associados à tendinite?
Abaixo, Moreno fala sobre os principais sintomas da tendinite nas diferentes partes do corpo:
Tendinite nos ombros (Tendinite do Bíceps)
  • Dor ao movimentar o braço ou os ombros, principalmente em movimentos acima do ombro.
  • Dor na palpação (toque) da região.
Tendinite no cotovelo (Tendinite de Tríceps)
  • Dor ao dobrar e/ou esticar o braço.
  • Rigidez no músculo e tendão da região do cotovelo.
  • Inchaço próximo ao cotovelo.
Tendinite nos joelhos
  • Dor e sensibilidade ao redor do tendão patelar e atrás dele.
  • Dor ao andar ou praticar atividade física.
  • Dor ao subir e descer escadas.
  • Dor ao dobrar ou esticar a perna.
  • Inchaço na região do joelho.
Tendinite no quadril
  • Dor no quadril, que pode irradiar para perna.
  • Dificuldade de movimentar a perna, caminhar, sentar ou deitar sobre o lado afetado.
  • Câimbras frequentes, principalmente após um tempo de repouso.
Tendinite nos pulsos e mãos
  • Dor local.
  • Edema.
  • Limitação dos movimentos das mãos.
Tendinite nos tornozelos e pés.
  • Edema e rigidez no tendão.
  • Dor intensa após o exercício.
  • Dor ao levantar os dedos do pé e/ou alongar.
  • Limitação da movimentação do tornozelo.

Causas da tendinite e fatores de risco

Vale destacar que o tendão não é elástico como o músculo, e nem tão forte quanto o osso. Dessa forma, em casos de sobrecarga, é a estrutura que costuma sofrer mais.
Moreno reforça que as causas da tendinite quase sempre são mecânicas: por conta de esforços repetitivos e prolongados, excesso de força ou posição viciosa. Mas podem ainda estar associadas à desidratação de tendões e músculos, e também à alimentação inadequada (que pode provocar o acúmulo de toxinas no organismo).
Existem alguns fatores de risco importantes. Moreno explica que são múltiplos os fatores que se associam e, em certo momento, apresentam os sintomas da tendinite. Os principais deles são:
  • Problemas posturais;
  • Movimentos repetitivos e prolongados;
  • Excesso de força;
  • Deformidades como encurtamento de um dos membros;
  • Deformidade do pé;
  • O uso de calçados inadequados;
  • Causas anatômicas locais;
  • Causas gerais, como sobrepeso ou obesidade, sedentarismo e baixo condicionamento aeróbico.
Tudo isso, de acordo com o especialista, pode provocar o quadro de lesão e inflamação do tendão, conhecido como tendinite.

Como a tendinite é diagnosticada?

Foto: Getty Images
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Moreno explica que o diagnóstico é feito com base no exame físico e relato do paciente. “O especialista irá procurar indícios de sensibilidade e dor nos locais indicados pelo paciente e fazer testes específicos para cada tendão. Exames de imagem podem ser solicitados para avaliar o grau da inflamação e confirma exame físico”, diz o reumatologista.
“Depois de atividades aeróbicas, os alongamentos são um tipo de preparo para se saber se cada parte do corpo está cumprindo o ângulo completo necessário para a prática do movimento naquele esporte e se está tudo bem, se não há limitação, dor ou alguma coisa que impeça a realização do movimento. Por exemplo, o ombro deve fazer uma movimentação de 180 graus”, acrescenta o especialista.
É importante procurar o médico quando notar os sinais associados à tendinite, especialmente quando eles persistirem. Na consulta, é necessário descrever todos os sintomas e aproveitar para tirar as dúvidas sobre o problema (por exemplo, perguntar se você pode ou não continuar fazendo determinada atividade etc.).

Quais são as opções de tratamento?

Foto: Getty Images
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Moreno destaca que o tratamento deve ser feito imediatamente com gelo no local por 40 minutos de 3 a 6 vezes por dia, analgésicos e anti-inflamatórios por 5 dias. “Existem também as terapias físicas analgésicas, como a estimulação elétrica nervosa transcutânea (TENS, na sigla em inglês)”, diz.
”É importante buscar uma fisioterapia monitorada para estabilização da articulação, dos tendões e músculos envolvidos na função e no movimento do membro afetado. Em casos graves com roturas (rupturas), dor incapacitante e déficit de função, o tratamento só deve ser realizado por um especialista”, ressalta Moreno.
Vale destacar que medicamentos só devem ser tomados se prescritos pelo médico. “A automedicação pode mascarar sintomas, por isso é importante ter um tratamento adequado e bem orientado desde o começo, principalmente em atletas profissionais”, diz o especialista.
“A tendinite pode levar à dor na região do corpo, além de incapacitação, perda de massa muscular, perda de massa óssea, dor crônica e, algumas vezes, incapacitação permanente, nos casos mais graves”, alerta Moreno.

Tratamentos alternativos

Moreno ressalta que as terapias físicas, como colocar bolsa de gelo envolta em toalha fina úmida 3 vezes por dia, por 40 minutos, por 2 semanas, são fundamentais.
“O calor por ultrassom ou ondas curtas, manipulação fisioterápica, exercícios terapêuticos assimétricos, acupuntura e eletroestimulação transcutânea também são importantes no tratamento das tendinites”, acrescenta o especialista.

Como prevenir a tendinite?

Foto: Getty Images
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1. Procurar ajuda médica. “A melhor maneira de se evitar a tendinite é, após se sentir a dor ou qualquer sintoma que lembre uma lesão muscular ou de tendão, procurar um especialista e iniciar um tratamento bem prescrito que envolva redução da dor e dos sintomas e reabilitação intensiva e acelerada. Médicos especialistas na área de dor e ortopedistas são os mais indicados”, explica Moreno.
2. Reduzir a carga nos esportes e manter alto condicionamento. “Para quem pratica esportes, a melhor forma de prevenção é tentar reduzir a carga sobre os tendões dos membros inferiores e manter alto condicionamento aeróbico, visto que os tendões não têm vasos sanguíneos e precisam de muito oxigênio para funcionar bem e se regenerarem rápido. Um dos fatores fundamentais para se manter o alto fluxo sanguíneo e, com isso, a boa oxigenação dos tendões, é hidratação ou até hiper-hidratação nos casos de esportes mais extenuantes”, orienta o especialista.
3. Alongar-se. Fazer alongamentos antes e depois dos exercícios físicos também é recomendado.
4. Evitar movimentos repetitivos, prolongados, excesso de força ou posição viciosa.“É necessário retirar todos os fatores locais que podem propiciar o surgimento de lesões e evitar acidentes e traumas diretos”, destaca Moreno. Um hábito importante que pode ser adotado, por exemplo, é fazer mais pausas durante o trabalho.
Por fim, vale lembrar que somente um médico poderá dizer qual é o tipo de tratamento mais indicado para o seu caso, se será ou não necessária a utilização de medicamento. O importante é seguir sempre à risca as orientações do profissional e nunca se automedicar (o que poderia mascarar os sintomas da tendinite).

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