sábado, 3 de janeiro de 2026

EUA e a suposta captura de Nicolás Maduro: o que se sabe — e o que NÃO se sabe




by Deise Brandão

Circula nas últimas horas, em redes sociais e canais alternativos de informação, a alegação de que Nicolás Maduro teria sido capturado por forças ligadas aos Estados Unidos. A notícia se espalhou rapidamente, impulsionada pelo histórico de tensões entre Washington e Caracas.

Até agora, porém, não existe qualquer confirmação oficial, seja por parte do governo venezuelano, do governo norte-americano, da ONU ou de organismos internacionais independentes.
Por que esse boato ganha força?

Não surge do nada. Maduro:  é alvo de sanções econômicas severas; responde a denúncias internacionais por violações de direitos humanos; já foi formalmente acusado por autoridades norte-americanas em investigações relacionadas a narcotráfico e corrupção; governa um país sob colapso institucional prolongado.

Em cenários assim, qualquer ruído vira manchete, e qualquer desejo vira “informação”.
O padrão histórico: boatos antes de rupturas. Há precedentes claros: rumores semelhantes antecederam a queda de líderes no Oriente Médio;em outros casos, boatos foram usados para testar reações populares e internacionais; também há histórico de operações psicológicas (psyops) usando desinformação como arma.
Ou seja: o boato pode não ser verdadeiro, mas ele não é inocente.

Silêncio estratégico ≠ confirmação

O silêncio das autoridades não confirma captura alguma.
Em diplomacia e inteligência, silêncio pode significar apenas isso: silêncio.
Até que: haja nota oficial, imagens verificáveis, ou confirmação por agências internacionais confiáveis, qualquer afirmação deve ser tratada como especulação.

O que é fato, hoje: Maduro segue sob forte pressão internacional. Venezuela permanece instável política e economicamente, há interesse global real em uma mudança de cenário no país. Não há prova de captura
Notícia não é torcida. Desejo não é fato. E verdade não se constrói no grito.

Registrar o boato como VERDADE NÃO é jornalismo e confirmá-lo sem prova é desinformação. E é exatamente nesse limite — entre o que se quer e o que se comprova — que se mede quem informa e quem manipula.

Pessoalmente, espero que seja o MELHOR para o POVO VENEZUELANO. Venezuela me serve de exemplo do que NAO DEVE SER.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

Quando a militância substitui o jornalismo, e a Justiça vira retórica

 


by Deise Brandão

No Brasil, não falta lei. O que falta, com frequência, é Justiça no sentido real da palavra.
E isso precisa ser dito sem rodeios.

Juízes corruptos não fazem Justiça.
Juízes que inovam fora da lei não aplicam o Direito.
Juízes que ignoram direitos fundamentais não obedecem a Constituição, ainda que tentem se esconder atrás dela.

O Judiciário não é um ente mecânico que apenas “executa leis”. Essa narrativa é confortável, mas falsa. Juízes interpretam, decidem, escolhem — e, quando escolhem mal, quando agem por interesse, conveniência, corporativismo ou alinhamento político, violam a própria função que deveriam proteger.

Em 2019, isso ficou escancarado quando Dias Toffoli, então presidente do Supremo Tribunal Federal, determinou o acompanhamento e monitoramento de magistrados, (vários do RS), que vinham:

  • descumprindo direitos fundamentais,

  • inovando decisões sem base legal,

  • desrespeitando regras processuais,

  • atuando fora dos limites constitucionais.

Esse movimento não surgiu do nada. Ele foi resposta a abusos reiterados, a um Judiciário que, em muitos casos, deixou de ser garantidor para se tornar produtor de ilegalidades.

Por isso, é intelectualmente desonesto transferir toda a responsabilidade para o Legislativo ou para o Executivo, como se o Judiciário fosse uma engrenagem neutra e impotente. Não é. Nunca foi.
Quando a Justiça falha, ela falha por ação ou por omissão de quem julga.

Jornalismo não é militância seletiva.
Crítica institucional não pode ser discurso de conveniência.
E defender a legalidade exige coragem para dizer o óbvio: sem juízes comprometidos com a Constituição, não há Justiça — há apenas encenação institucional.

A Astúcia do Mal



by Deise Brandão

Não te detenhas na Bíblia como fábula, nem na maçã, nem em Eva. O que importa é entender o mecanismo.

A astúcia do mal não se vence no confronto direto, nem na força bruta. Ela atua nas frestas: na distração, na dúvida, na autossabotagem silenciosa. Nenhum ser humano derrota isso por arrogância ou coragem cega. O único antídoto real é vigília — lucidez contínua, alinhada a princípios.

O erro é subestimar. A inteligência do mal não é barulhenta; é estratégica. Atua confundindo, distorcendo, relativizando. Vende mentira com aparência de verdade, empacota engano como se fosse liberdade. Enquanto lhe damos atenção, ele não nos trata como adversários. Pelo contrário: nos usa.

Mas há um ponto em que ele falha sempre.
Não diante do grito.
Não diante da culpa.
Mas diante da verdade afirmada com clareza.

Quando a consciência está ancorada em algo maior — chame de Palavra, princípio, eixo ou verdade — não há espaço para negociação interna. A dúvida perde força quando encontra convicção. É por isso que o ataque vem em duas fases bem conhecidas: primeiro, o sussurro permissivo — “não é tão grave assim”. Depois, o golpe acusatório — “agora já foi longe demais”

É o mesmo roteiro, repetido há séculos.

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