* Opinião. Eduardo Bisotto. Diretor do Sul Connection.
Tem repercutido nos últimos dias nas redes sociais a polêmica premiação do escritor Raduan Nassar no âmbito do Prêmio Camões, uma parceria dos governos do Brasil e Portugal para o incentivo da literatura. Dono de apenas três obras e aposentado há mais de 30 anos, Nassar é o retrato daquilo em que se transformou a cultura brasileira de um modo geral: uma patotinha ideológica esquerdista em que os amiguinhos se elogiam e distribuem prêmios entre si, ignorando qualquer critério técnico mais rigoroso.
Nassar, vale destacar, é amigo de Lula há décadas. E isso certamente ajuda a explicar sua atitude completamente sem noção durante a premiação: Raduan levou um discurso em que chamou o governo que lhe entregava o prêmio de golpista, atacava o impeachment e apontava como ilegítimos os atuais mandatários do país. Tudo isso diante do embaixador de Portugal, o outro país que lhe concedeu a premiação. Destaque-se: não era um prêmio simbólico. Estamos falando de 100 mil euros. Com a moeda cotada a pouco mais de R$ 3,29, é algo como R$ 329 mil. Hipócrita como todo esquerdista, Raduan Nassar apontou os tempos sombrios e o governo ilegítimo, mas não ficou com a menor vergonha de embolsar a grana.
Freire, fugindo do figurino de políticos bundões, que aceitam ser xingados, achincalhados e ver seus governos expostos sem dar um pio sequer quando se trata de vacas sagradas da esquerda, foi na jugular de Nassar. Em sua fala, Roberto Freire, último Secretário Geral do extinto Partido Comunista Brasileiro, apontou a hipocrisia de aceitar o prêmio de um governo golpista, deixou claro que vivemos uma democracia plena e que, de tão plena, permitiu a Nassar protagonizar seu papelão.
Desde então, a grande mídia esquerdista tem tentado inverter os papéis, transformando a Vaca Sagrada Nassar em uma pobre vítima da truculência de Freire. Para se chegar a esta conclusão risível, só mesmo invertendo a linha temporal. Nassar atacou. Freire apenas se defendeu e defendeu o governo do qual faz parte.
Além do desmascaramento da hipocrisia do homenageado, Freire deu outra grande lição: a coragem. A plateia ficou em peso ao lado de Nassar. Como dito no primeiro parágrafo desta análise, aquilo que se convenciou chamar de cenário cultural brasileiro não passa de uma panelinha ideológica esquerdista. Mas mesmo vaias, xingamentos e baixarias variadas da malta descontrolada conseguiram calar Freire. Ele foi até o fim, firme, consistente e desmontando a patacoada.
Que Freire aproveite a oportunidade e reforme radicalmente o prêmio, evitando que a patota continue se auto-congratulando apenas com base em critérios ideológicos. Certamente, fazendo isso, prestará mais um enorme serviço ao país.
Porque o primeiro grande serviço à Nação Freire já prestou: mostrou que esquerdistas, quando encarados sem medo, só conseguem se manter em pé na base da gritaria, da baixaria e do espírito corpo.
Roberto Freire merece os aplausos deste Sul Connection.
Image captionKaty ficou a vida toda em cativeiro, até conhecer a liberdade em 2013
Era por volta de 11h15 de 25 de outubro de 2013 quando a porta de um apartamento na região de Brixton, no sul da capital da britânica, se abriu. Duas mulheres saíram dele, chegando à rua silenciosa e pouco movimentada.
A mais jovem delas, Rosie, caminhava de uma forma estranha. Seus movimentos eram rígidos e desajeitados, como se ela não estivesse acostumada a percorrer nem curtas distâncias.
Na realidade, ela havia passado os últimos 30 anos - sua vida inteira - em cativeiro. Agora, estava doente e precisava de atendimento médico.
Nascida em um "coletivo", ela não tinha permissão para ir ao médico. Na verdade, nunca havia sido autorizada a sair sozinha. Ouvia que, se tentasse fazer isso, morreria queimada.
Preocupada com a possibilidade de não sobreviver à doença, Rosie e outra mulher, Josie, conseguiram escapar. Uma organização que ajuda pessoas que foram abusadas estava na esquina à espera delas. Junto com a polícia, a entidade tinha ajudado a planejar a fuga.
Logo ficou claro que Rosie e Josie - que tinha 57 anos - não eram as únicas mulheres que viviam naquele apartamento. Quando a polícia foi até lá, encontrou Aisha, uma senhora malaia de 69 anos. Nas semanas seguintes, foi tornado-se cada vez mais óbvio que a vida delas naquele lugar havia sido surreal.
As três mulheres pareciam extremamente assustadas e se referiam muitas vezes a uma "força toda-poderosa" chamada Jackie. Acreditavam que essa força poderia tentar se vingar e machucá-las. Ficavam aterrorizadas com eletricidade, que chamavam de "eeee", e pareciam nervosas diante de aparelhos domésticos que poderiam queimar ou explodir.
Conforme contava detalhes de suas vidas, Rosie foi ficando mais confiante e decidiu mudar seu nome para Katy, inspirada na música Roar, de Katy Perry, que fala sobre uma mulher superando um relacionamento difícil e encontrando sua voz.
A história de Katy e o que ela superou mostram que, na verdade, ela era muito mais forte do que qualquer um poderia imaginar.
Camarada Bala
O dono do apartamento era Aravindan Balakrishnan, a quem as mulheres chamavam de Camarada Bala ou AB. Ao descrever a vida com ele, Katy explica que o homem tinha total controle sobre as mulheres, a quem ele chamava de "camaradas".
Ele dizia que "era Deus, que dominava o mundo, era imortal e era nosso líder e que nós só tínhamos que obedecê-lo".
Camarada Bala dizia ter uma máquina "toda-poderosa" à sua disposição, que ele chamava de "Jackie", um acrônimo para Jeová, Alá, Cristo e Krishna. "Jackie" era supostamente um satélite invisível construído por chineses.
Image captionBalakrishnan criou uma seita e mantinha mulheres em cativeiro
Balakrishnan alegava que com, a ajuda de "Jackie", ele poderia controlar o mundo de dentro do apartamento. Ele dizia ser responsável por todos os acontecimentos mundiais, inclusive guerras e desastres naturais.
Um dia, em 1995, um entregador de pizza tocou a campainha do apartamento por engano. "Bala disse que era o Estado fascista britânico tentando provocá-lo trazendo uma pizza que ele não havia pedido e tocando sua campainha para atrapalhar seu trabalho político", diz Katy.
Mais tarde naquele dia, houve um enorme terremoto no Japão. "Então, no mesmo dia em que o Estado fascista bateu à porta de Deus, à porta de Bala, houve um grande terremoto em Kobe para punir o Estado fascista", ela conta. Em japonês, Kobe significa "a porta de Deus".
Balakrishnan dizia às seguidoras que era apenas uma questão de tempo até ele se tornar o "governador do mundo", conta Katy.
Ao longo de sua vida, Katy ouvia que ela entraria em combustão espontânea se tentasse sair do apartamento - "Jackie" saberia disso e faria chamas a consumirem.
Dia-a-dia
A rotina era difícil. As "camaradas" precisavam acordar cedo para fazer o trabalho da casa, cozinhar e servir Balakrishnan.
Elas competiam para agradá-lo. Era considerado uma honra ter autorização para ligar o chuveiro para seu banho ou desligá-lo depois que tivesse terminado.
No início, quando o grupo era maior, algumas eram mandadas para trabalhar fora e ganhar dinheiro para o coletivo. Balakrishnan e sua mulher, a tanzaniana Chandra, jamais tiveram empregos.
Aquelas que não saíam para trabalhar permaneciam no apartamento, onde tinham de acompanhar as leituras matinais de Balakrishnan, de pé, por três ou quatro horas. Quem se sentasse era punida.
A base do sistema criado por Balakrishnan eram princípios e ensinamentos de Karl Marx, Lenin e Mao Tse Tung. O grupo queria trazer ao mundo a revolução comunista e acreditava estar construindo o "novo mundo". Eles operavam em segredo e se escondiam do "Estado britânico fascista".
Mas por que as mulheres ficaram com Balakrishnan por tanto tempo?
O grupo começou como uma organização política de esquerda, mas evoluiu conforme Balakrishnan foi desenvolvendo ideias pseudo-religiosas. "Com o tempo, nós passamos por uma lavagem cerebral", diz Aisha.
"Nossos cérebros foram infectados. Apagamos todas as ideias que tínhamos. Quando se quer construir um novo mundo, você não pode trazer o velho junto, então, esquecemos tudo o que pensávamos até ali e passamos a preencher o cérebro com novas ideias."
Aisha e Katy dizem que apanhar era algo frequente no coletivo e que, se houvesse qualquer desobediência, a violência aumentava. No entanto, Josie defende Balakrishnan e nega que ele tenha usado de força.
Prem Maopinduzi
Katy nasceu em 1983. Sua mãe, Sian Davies, se juntou ao coletivo voluntariamente e passou a ter relações sexuais com Balakrishnan no início da década de 1980.
Sian ficou grávida, e sua filha ganhou o nome de Prem Maopinduzi. Prem significa "amor" em hindu e Maopinduzi era aparentemente uma combinação de Mao com a palavra em suaíli para revolução, mapinduzi.
Image captionSian teve uma filha com Bala e a batizou de Prem Maopinduzi
"Significava 'Revolução do Amor', e eu odiava isso… Ele achava que, enquanto ele dominava o mundo, eu poderia ser como um soldado ou porta-voz", conta Katy, que começou na adolescência a referir-se à si mesma como Rosie.
As representantes do coletivo não sabiam quem o pai dela era e foram levadas a acreditar que Sian havia engravidado de "Jackie". Naquela época, Balakrishnan já falava sobre o Projeto Prem.
Projeto Prem foi uma experiência realizada com crianças com o objetivo de eliminar a família nuclear - um piloto sobre uma nova forma de organização social que seria implementado mundialmente uma vez que Balakrishnan assumisse o comando do mundo.
A camarada Prem, como Katy era conhecida, se vestia com roupas sem identificação de gênero. Nunca foi à escola, nunca conheceu nenhuma outra criança e raramente saiu de casa.
Ela não sabia quem eram seus pais. E o grupo não tinha permissão de demonstrar afeição por ela.
Início
Balakrishnan passou a infância na Ásia. Ele nasceu na Índia em 1940 e mudou-se para Cingapura com sua família quando aos 8 anos.
Em 1963, viajou para o Reino Unido com uma bolsa do Consulado Britânico para estudar na London School of Economics. Como estudante, foi se envolvendo com a esquerda na política e, em determinado momento, abandonou os estudos.
Em 1974, criou o Instituto dos Trabalhadores do Pensamento Marxista-Leninista-Mao Tsetung, que descreveu como um "Partido Revolucionário Mundial iniciado pelos chineses".
Seu slogan era "o presidente da China é nosso presidente, o trajeto da China é nosso trajeto".
Image captionExemplar do jornal do grupo criado por Bala
Em 1976, o Instituto dos Trabalhadores se mudou para instalações na rua Acre Lane, em Brixton. Além da esposa de Balakrishnan e a irmã dela, o grupo consistia principalmente de estudantes de Cingapura e da Malásia que se sentiam divididas quanto ao passado colonial e imperialista da Grã-Bretanha.
Aisha Wahab tinha se mudado para o Reino Unido com 24 anos para estudar levantamento estatístico. Ela se juntou ao grupo logo no início.
"Fiquei muito inspirada e atraída por ele. Pensei que era ótimo tê-lo ali para esclarecer nossos pensamentos sobre o que fazer com a vida", conta.
Outras integrantes do grupo eram Josie Herivel, uma violonista jovem e brilhante que estudava no Royal College of Music, e Sian, estudante de pós-graduação da London School of Economics que usava o dinheiro enviado pela sua família para pagar o aluguel das instalações.
Não demorou até que as atividades políticas do Instituto dos Trabalhadores atraíssem a atenção da polícia. Em março de 1978, o local foi revirado em uma busca por drogas.
Apesar de não ter sido achado nada ilícito, nove membros do grupo - incluindo Balakrishnan - foram presos por terem atacado policiais durante a operação.
No julgamento, eles se recusaram a reconhecer a autoridade do tribunal e, quando foram chamados, gritaram: "Viva o presidente Mao! Viva o Partido Comunista da China! Morte ao Estado Fascista britânico! Vitória para a revolução mundial!".
Depois de um período breve de encarceramento, Balakrishnan decidiu que, para escapar da atenção do "Estado fascista britânico", o grupo deveria viver escondido.
Então, daí em diante, passaram a operar em segredo, mudando frequentemente de casa. Em 1980, haviam restado somente sete seguidores - todas mulheres.
Conforme elas foram parando de sair para trabalhar, o grupo passou a sobreviver somente com a pensão recebida do governo pela irmã de Chandra, que tinha uma deficiência.
Balakrishnan exerceu controle sobre o grupo por muitos anos. Além de ameaças e violência física, usava o passado de cada uma para manter seu domínio.
O pai de Sian havia se matado quando ela era uma adolescente, e Balakrishnan dizia repetidamente que a culpa era dela. Em 1996, a saúde mental de Sian ficou frágil, e, na noite de Natal, ela caiu da janela do banheiro do segundo andar de uma casa em Brixton em uma aparente tentativa de suicídio.
Image captionAisha Wahabé uma das mulheres mantida em cativeiro por Bala
Sian foi levada para o hospital, onde ficou em coma. Balakrishnan insistia que os familiares dela não deveriam ser avisados sobre o que aconteceu. Então, Josie disse a eles pelo telefone que Sian estava viajando pela Índia. Depois de ficar em coma por sete meses, Sian morreu.
Ela não foi a única a falecer durante a existência do coletivo. Em 2004, Oh Kar Eng, uma enfermeira da Malásia que tinha acompanhado Balakrishnan desde os anos 1970, bateu a cabeça no gabinete da cozinha e teve um AVC. Ela morreu no dia seguinte.
Essas duas mortes reforçavam para as mulheres a ideia de que Balakrishnan tinha o poder sobre a vida e a morte.
"AB dizia que ele ajudava as pessoas a viver e que as pessoas que morriam não haviam compreendido o suficiente seus ensinamentos. Isso era algo que me aterrorizava", conta Aisha. "Eu pensei: ok, da próxima vez, serei eu. Não quero morrer".
Em 2005, a situação de Katy fez com que ela entrasse em depressão profunda. Observando a vida por uma janela, ela começou a duvidar do poder de Balakrishnan sobre o mundo.
Quando completou 22 anos sem nunca ter saído dali sozinha - e apesar de acreditar que ela poderia ser morta por "Jackie" - Katy tentou escapar, mas, sem experiência de vida alguma, não conseguiu explicar sua situação para um policial. Disse apenas que "havia fugido de casa".
O policial a convenceu a dar o telefone de Balakrishnan, que foi buscá-la. Ele garantiu que estava tudo bem e levou Katy de volta para o apartamento, onde disse que ela havia sido ingrata. Katy ficou em cativeiro por mais oito anos.
Image captionA casa na Shakespeare Road que foi a sede do coletivo por anos
Nova vida
Durante o verão de 2013, Katy perdeu muito peso e ficou tão mal que Josie teve medo de ela não sobreviver. Ir ao médico não era uma opção, então, as duas mulheres bolaram num plano.
Elas contataram Gerard Stocks e Yvone Hall, da Palm Cove Society, uma instituição beneficente que ajuda vítimas de trabalho escravo, tráfico humano, casamento forçado e violência doméstica. Junto com a polícia, eles conseguiram coordenar o resgate.
Katy estava determinada a ir embora e não voltar mais. "Eu não poderia mais aguentar viver como um animal, ser tratada com tanto desrespeito e não como uma pessoa."
Naquele mesmo dia, Yvonne e Gerard levaram Katy, Josie e Aisha para a cidade de Leeds, na região central da Inglaterra, e ofereceram a elas um lugar pra ficar. Katy foi levada ao hospital para receber tratamento para diabetes.
Rapidamente, ficou claro que Katy não tinha muita experiência de vida. Ela ficou extasiada com a grandeza de tudo o que via, porque havia permanecido "confinada" por muito tempo, explica Yvonne.
Ela não conseguia atravessar a rua, nunca tinha tocado em dinheiro e era incapaz fazer qualquer contato visual com outras pessoas.
Image captionKaty alguns dias depois da fuga do apartamento
Depois de algum tempo, Josie e Aisha foram morar em outro apartamento, mas Katy ainda precisava de cuidados especiais, então, ela viveu com Yvonne e Gerard por mais de um ano, enquanto eles a ajudavam a desenvolver as habilidades de que precisaria para viver independentemente.
Balakrishnan foi levado a julgamento e acusado de cometer crimes sexuais, além de manter a filha em cativeiro. Durante a investigação, descobriu-se que ele havia estuprado duas mulheres por muitos anos.
Image captionJosie ainda faz campanha pela libertação de AB
Em janeiro de 2016, Balakrishnan foi condenado a 23 anos de prisão por estupro, assédio sexual, crueldade infantil e cárcere privado de sua filha.
Chandra e Josie divulgaram uma nota para a imprensa declarando sua inocência e dizendo que ele havia sido vítima do "Estado fascista britânico".
Apesar de ter saído voluntariamente do coletivo, Josie continuou a seguir seus ensinamentos e, agora, dedica seu tempo a tentar limpar o nome de Balakrishnan.
Image captionDa esquerda para a direita: Aisha, Katy, Yvonne Hall e Josie
Aisha tem 72 anos e vive em Leeds. Ela alega que não sabia de nenhum abuso sexual no coletivo. Apesar de se arrepender do jeito que Katy era tratada, ainda acredita na importância de campanhas para fazer do mundo um lugar melhor.
Por sua vez, Katy passou a usar o sobrenome Morgan-Davies, que é formado por dois sobrenomes da família de sua mãe.
Ela está se esforçando ao máximo para deixar o doutrinamento para trás e faz progressos notáveis. Está estudando Inglês e Matemática na faculdade e vive em um apartamento próprio.
Image captionKaty na casa de Gerard e Yvone enquanto se recuperava
Testes de DNA confirmaram que Balakrishnan é seu pai. De alguma forma, ela conseguiu perdoá-lo
"Eu o odiava, mas agora não mais. Nelson Mandela disse que você ainda está na prisão se você segurar a sua raiva, ódio e amargura, então, não há lugar para isso em minha vida. Gostaria de me reconciliar com ele no futuro, se ele quiser."
Os animais possuem alma, estão em caminhos de evolução.Chico Xavier nos deixou esta linda mensagem sobre nossos irmãos menores, os animais.
Os cães como todos os seres viventes, possuem alma e segundo nosso irmão Chico Xavier, se tratados com respeito, amor e carinho, podem após seu desencarne, ainda permanecer até 4 anos ao lado de quem tanto lhe deu amor. É uma forma de não sofrerem com a separação. Mas eles voltam ter a mesma vitalidade de quando eram filhotes. Quem já perdeu um amigo, fique sabendo que ele continuou ou continua ao seu lado, com a mesma felicidade de sempre!!! Os animais, diferentemente, do homens, não possuem o tempo da erraticidade (intervalo mais ou menos longo entre uma encarnação e outra). Quando morrem, quase que instantaneamente, sua alma ou energia vital é atraída, magneticamente e por afinidade para mais um processo de encarnação. Dessa forma, de pouquinho em pouquinho, vai progredindo. Devemos lembrar que a lei do progressa é um dos princípios fundamentais da doutrina espírita. A alma de alguns animais podem, a exemplo dos cachorros, retornar rapidamente para seu dono, através de outro que nasça. Mas isso ocorre, somente, por merecimento e mérito nosso. Isso nos leva a entender que assim como nós seres humanos que buscamos a evolução em direção a Jesus, também os animais buscam a evolução em direção à nós. A energia vital que os habita sente as experiências vividas e apreende as sensações que lhes é como as nossas provas e expiações. O resultado é a progressiva evolução entre os reinos animais e as personalidades únicas evidenciadas pelos diferentes animais e suas características.
Veja um relato bem interessante sobre Chico Xavier e sua cadelinha boneca:
Chico Xavier tinha uma cachorra de nome Boneca, que sempre esperava por ele, fazendo grande festa ao avistá-lo. Pulava em seu colo, lambia-lhe o rosto como se o beijasse. O Chico então dizia: – Ah Boneca, estou com muitas pulgas !!!! Imediatamente ela começava a coçar o peito dele com o focinho. Boneca morreu velha e doente. Chico sentiu muito a sua partida. Envolveu-a no mais belo xale que ganhara e enterrou-a no fundo do quintal, não sem antes derramar muitas lágrimas. Um casal de amigos, que a tudo assistiu, na primeira visita de Chico a São Paulo, ofertou-lhe uma cachorrinha idêntica à sua saudosa Boneca. A filhotinha, muito nova ainda, estava envolta num cobertor, e os presentes a pegavam no colo, sem contudo desalinhá-la de sua manta. A cachorrinha recebia afagos de cada um. A conversa corria quando Chico entrou na sala e alguém colocou em seus braços a pequena cachorra. Ela, sentindo-se no colo de Chico, começou a se agitar e a lambê-lo. – Ah Boneca, estou cheio de pulgas!!! Disse Chico. A filhotinha começou então a caçar-lhe as pulgas, e parte dos presentes, que conheceram a Boneca, exclamaram: – Chico, a Boneca está aqui, é a Boneca, Chico!! Emocionados perguntamos como isso poderia acontecer. Chico respondeu: – Quando nós amamos o nosso animal e dedicamos a ele sentimentos sinceros, ao partir, os espíritos amigos o trazem de volta para que não sintamos sua falta. É, Boneca está aqui, sim, e ela está ensinando a esta filhota os hábitos que me eram agradáveis. Nós seres humanos, estamos na natureza para auxiliar o progresso dos animais, na mesma proporção que os anjos estão para nos auxiliar. Por isso, quem maltrata um animal vai contra as leis de Deus, porque Suas leis são as leis da preservação da natureza. E, com certeza, quem chuta ou maltrata um animal é alguém que ainda não aprendeu a amar.