03/08/2014

Sedentarismo é o maior vilão da epidemia de obesidade nos EUA

Obesidade

Estudo mostrou que aumento do peso da população foi acompanhado por redução na prática de exercícios, mas não por piora na alimentação

Sedentarismo: estudo aponta a falta de atividade física como principal causadora da epidemia de obesidade americana
Sedentarismo: estudo aponta a falta de atividade física como principal causadora da epidemia de obesidade americana(Thinkstock/VEJA)
O principal culpado pela atual epidemia de obesidade nos Estados Unidos não é a má alimentação, mas sim o sedentarismo. É o que conclui uma nova pesquisa da Universidade Stanford, que analisou dados coletados durante vinte anos por um levantamento nacional de saúde.
Os pesquisadores observaram que, durante esse período, os americanos diminuíram significativamente os seus níveis de atividade física, ao passo que o índice de massa corporal (IMC) médio da população aumentou. Por outro lado, a quantidade de calorias consumidas permaneceu estável.
CONHEÇA O CASO

Título original: Move More, Eat Less:It’s Time for Americans to Get Serious about Exercise​

Onde foi divulgada: periódico The American Journal of Medicine​

Quem fez: Uri Ladabaum, Ajitha Mannalithara, Parvathi Myer e Gurkirpal Singh,

Instituição: Faculdade de Medicina da Universidade Stanford, Estados Unidos

Resultado: A epidemia de obesidade dos EUA ocorreu com o aumento do sedentarismo entre a população, e não com mudanças na alimentação.
Para se ter uma ideia, em 2010 mais da metade (51,7%) das mulheres adultas do país eram consideradas sedentárias, ou seja, não praticavam nenhuma atividade física nas horas vagas. É mais que o dobro da taxa de sedentarismo registrada em 1994, que foi de 19,1%. Os homens, embora se exercitem mais do que as mulheres, também apresentaram um aumento na prevalência de sedentarismo, de 11,4% em 1994 para 43,5% em 2010.
Durante esse intervalo de tempo, o IMC médio da dos americanos cresceu 0,37% ao ano, sendo que o aumento mais acentuado aconteceu entre mulheres mais jovens. Além disso, a circunferência abdominal da população feminina aumentou 0,37% por ano e a da masculina, 0,27%.
O total de calorias consumidas ao dia, no entanto, não teve alterações significativas ao longo desse tempo. “A nível populacional, encontramos uma relação significativa entre aumento do IMC e da circunferência abdominal e o sedentarismo, mas não a ingestão calórica”, diz Uri Ladabaum, professor da Faculdade de Medicina de Stanford e coordenador da pesquisa. Segundo ele, porém, isso não significa que uma má alimentação não provoca a obesidade, mas sim que o sedentarismo é o maior causador do aumento do problema nos Estados Unidos.
O estudo foi publicado nesta semana no periódico The American Journal of Medicine.

Cinco passos para sair do sedentarismo
Avalie o seu físico

Passar por uma avaliação de flexibilidade, fôlego, força muscular e composição corporal é importante para medir o progresso que virá com a prática de exercícios. Esse teste pode ser feito por um profissional de educação física. Já pessoas sedentárias com mais de 40 anos ou que tenham algum fator de risco, como sobrepeso e hipertensão, devem agendar uma consulta com um médico antes de iniciar uma atividade física. "Há recursos que traçam o perfil do indivíduo e permitem dizer se ele pode fazer exercícios mais intensos ou se deve optar pelos moderados", diz o fisiologista Turíbio Leite de Barros. Trata-se de testes como o cardiopulmonar, que mede a aptidão cardiorrespiratória, e o ergométrico, que avalia o coração em situação de stress, geralmente com o paciente se movimentando em uma esteira ou bicicleta estacionária.

Estabeleça metas realistas

Ter objetivos ao iniciar uma atividade física é motivador – desde que eles sejam realistas. "Uma pessoa que decidir perder 10 quilos em dois meses dificilmente vai conseguir alcançar a meta e, de certo, vai desistir do compromisso", diz Renato Dutra. O ideal, segundo o educador físico, é estabelecer objetivos de curto (um a três meses), médio (quatro a seis meses) e longo prazo (um a dois anos). "Metas possíveis para um sedentário são, por exemplo, emagrecer 1 quilo em dois meses ou, em um mês, correr 10 minutos ou subir um lance de escada sem se sentir tão cansado." Um dos melhores estímulos é enxergar os resultados.

Escolha um exercício prazeroso

É comum que corrida e musculação, pela difusão e pela praticidade, sejam as primeiras opções na hora de escolher um exercício. Mas isso não quer dizer que elas sejam prazerosas para todo mundo. A regra é experimentar diferentes modalidades até encontrar a mais agradável. "Para sair do sedentarismo, a pessoa deverá buscar um exercício com o qual se identifique", diz Renato Dutra. "Só assim ela descobrirá que, em vez de musculação, prefere pilates, ou que se sai melhor na dança do que na corrida.

Comece devagar

Pessoas que não estão acostumadas a se exercitar devem começar uma atividade física aos poucos, com uma intensidade leve e respeitando os limites do corpo. Isso vai ajudar a evitar lesões e diminuirá as chances de o indivíduo se sentir desestimulado com o exercício. Variar as modalidades também é uma medida que ajuda a espantar o desânimo. "Faça, por exemplo, musculação em um dia, um exercício aeróbico no outro e uma aula de alongamento no dia seguinte”, diz o educador físico Renato Dutra.  

Persista nos novos hábitos

É normal que uma pessoa decida se exercitar duas vezes por semana, mas, logo no início, um imprevisto a impeça de cumprir esse objetivo. "Ela não pode desanimar por causa disso. Se não deu, deve tentar de novo na outra semana. Para criar um hábito, é preciso investir nele, reforçando determinados comportamentos. Uma pessoa que sempre foi sedentária não pode ser tão exigente consigo mesma”, afirma Dutra

by Veja

Catadora de lixo de Volta Redonda passa em Direito na UFF


Publicado em 05/06/2014, às 19h39 
JM Coelho
Maria Nazaré disse que escolheu o Direito para poder defender as mulheres e principalmente outras catadoras
Objetivo: Maria Nazaré disse que escolheu o Direito para poder defender as mulheres e principalmente outras catadoras

Pedro Borges
pedro.borges@diariodovale.com.br

Volta Redonda


Um exemplo de superação e persistência. É assim que pode ser definida a história da catadora de lixo, Maria Nazaré dos Santos. Com 55 anos, a moradora de Volta Redonda estudou sozinha, e contra todas as adversidades, conseguiu ser aprovada no vestibular da UFF (Universidade Federal Fluminense), através da nota do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) e agora cursa Direito na instituição.
Natural de Viçosa, em Minas Gerais, Maria Nazaré contou que estudava sempre à noite, duas horas por dia, além de buscar dicas com outras pessoas.
- Começava 23h, quando estava em casa e ia até 1h da manhã. A ficha está começando a cair e junto com ela vai vir à responsabilidade. Eu não imaginei que iria passar. Além do material que eu tinha para estudar, eu procurava conversar com pessoas que tem estudo e sabem como funciona a prova para pegar dicas de como fazer a prova. Sabia que a redação era a mais complicada e por isso me dediquei mais nesse quesito - falou Maria Nazaré, lembrando que mesmo estudando até de madrugada, tinha que acordar às 6h para trabalhar.
Além da faculdade, ela divide o tempo com a presidência da Cooperativa Multifuncional de Catadoras do Sul Fluminense, onde coordena outras 14 mulheres. Segundo ela, o ingresso na faculdade e o novo cargo na cooperativa, são apenas fruto de uma caminhada que começou no ano 2000, quando começou a trabalhar em Volta Redonda.
Ela contou que como parou de estudar na 6ª série do Ensino Fundamental, resolver retomar os estudos após 18 anos longe das salas de aula. Para isso, ela se inscreveu em um supletivo.
- Quando resolvi voltar a estudar eu trabalhava lá no final da Cicuta, perto da UBM e usava o horário do almoço para poder ler as matérias. Saía do trabalho umas 17h e ia andando até o Conforto e aproveitava o caminho para também poder estudar, mesmo andando. Tenho essa facilidade para poder aprender as coisas e consegui terminar o Ensino Fundamental - disse ela, que também concluiu o Ensino Médio através de um supletivo.
- A conclusão (do Ensino Médio) me proporcionou uma carteira assinada que eu nunca havia tido na minha vida. Nunca é tarde para começar a mudar a sua vida e voltar a estudar. Para conseguir alguma coisa tem que se sacrificar e foi isso que eu fiz e consegui - completou, orgulhosa do feito.

Exemplo no trabalho

E a conquista de Maria Nazaré serve como exemplo para as demais catadoras da cooperativa.
- Sou a primeira das catadoras a entrar em uma faculdade. Assim que fiz a inscrição no Sisu (Sistema de Seleção Unificada) levei o comprovante para elas e falei que gostaria muito que elas crescessem junto comigo. E tenho certeza que isso irá acontecer. Não só elas, mas a juventude, que ao invés de desperdiçar o tempo com coisas erradas, deveriam ocupar com os estudos. Os nossos jovens estão se perdendo e se a pessoa quiser algo na vida, tem que estudar - afirmou. 
Ligada a movimentos em pró das mulheres, Maria Nazaré contou que exatamente por isso optou pela faculdade de Direito, já que pretende continuar lutando pelos direitos das catadoras do Sul Fluminense.
- Existem muitas leis que não são respeitadas e também muitas que precisam ser renovadas. A constituição é antiga, mas se a gente ficar parados nada vai mudar. Eu quero me aperfeiçoar e aprender mais para poder lutar cada vez mais sobre os direitos das catadoras - garantiu Maria Nazaré que está contando os dias para o primeiro dia de aula.
- Um sonho sem agir é apenas um sonho. Já se você agir se torna realidade. Eu consegui e espero que mais gente também consiga. Estou muito ansiosa para começar as aulas e não quero parar na faculdade. Quero cada vez mais e continuar lutando pelos direitos das catadoras. Uma Nazaré sozinha lutando é uma coisa, agora todas lutando é muito mais forte - enfatizou.

Orgulho

Uma das professoras de Maria Nazaré foi a secretária de Políticas Públicas para Mulheres de Volta Redonda, Glória Amorim. Ela revelou que tem um orgulho muito grande da ex-aluna, que segundo Glória, é formada na escola da vida.
- Sempre falei que ela iria ouvir muita coisa boa, mas também muita coisa ruim. Então sempre disse para apenas absolver as boas e fazer uma análise crítica daquilo e procurar entender. Foi assim que ela aprendeu tudo. Tenho muito orgulho dela e tenho certeza que ela é um grande exemplo para qualquer pessoa - falou Glória que ainda destacou que Nazaré é uma grande parceira nas lutas pelos direitos das mulheres.
- É uma guerreira. Sempre está com a gente em diversos lugares lutando pelas catadoras e mulheres. Ela está de parabéns por tudo que andou conquistando e pode ter certeza que mais coisas boas estão por vir - encerrou.

by diario do vale

New York Times' veicula anúncio de página inteira de empresa de cannabis


O jornal americano The New York Times estampa na sua edição deste domingo um anúncio de página inteira de uma companhia da indústria de marijuana – reforçando a posição do jornal em favor da legalização desta substância.

A companhia, Leafly, avalia e critica diferentes variedades de cannabis, mais ou menos como revistas voltadas para produtos de consumo ajudam a informar a escolha dos compradores.

No mês passado, Nova York se tornou o 23º Estado americano a legalizar o uso de cannabis para fins medicinais.

O diário nova-iorquino, de tendência liberal, saudou a iniciativa e pediu a legalização da maconha em editorial no último domingo.

No texto, o conselho editorial do jornal argumentou que a atual proibição da droga é prejudicial à sociedade, já que a maconha causa me nos danos à saúde que o álcool ou o tabaco.



Debate crescente


O assunto virou um tema central no debate público americano, principalmente desde que os Estados do Colorado e de Washington passaram a permitir a substância para fins recreativos, neste ano.

Os defensores da legalização acreditam poder conseguir algum tipo de liberalização também no Alasca, Arizona e Oregon, e talvez uma espécie de referendo nos próximos anos na Califórnia.

Porém, a legislação federal americana proíbe o uso de maconha, considerada uma droga perigosa e sem valor medicinal.

O governo do presidente Barack Obama disse que vai tolerar a experiência dos dois Estados que legalizaram a marijuana, mas que não tem intenção de mudar a legislação nacional.

O tema também levanta uma discussão regional sobre as drogas, já que os EUA são o principal defensor da estratégia de "guerra" contra o narcotráfico no hemisfério.

Enquanto a tática até agora privilegiou a ação armada, requereu bilhões de dólares e resultou em dezenas de milhares de mortos da Colômbia ao México, outros países discutem saídas alternativas, ilustradas pela legalização da maconha no Uruguai.



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