26/07/2014

'Síndrome do celibato': por que os jovens do Japão não fazem mais sexo?


Do UOL, em São Paulo
  • Reprodução/The Guardian
    Japoneses hoje preferem investir na carreira a casar ou ter um relacionamento; pesquisa mostra que, no Japão, um terço das pessoas com menos de 30 anos nunca teve qualquer tipo de experiência amorosa. Taxa de natalidade em 2012 foi a menor de que se tem registro no país
    Japoneses hoje preferem investir na carreira a casar ou ter um relacionamento; pesquisa mostra que, no Japão, um terço das pessoas com menos de 30 anos nunca teve qualquer tipo de experiência amorosa. Taxa de natalidade em 2012 foi a menor de que se tem registro no país
Japoneses com menos de 40 anos de idade parecem estar perdendo o interesse nos relacionamentos convencionais. De acordo com reportagem publicada pelo jornal britânico "The Guardian", a mídia do Japão tem tratado o fenômeno como "síndrome do celibato".
Para o governo japonês, essa síndrome pode significar uma catástrofe iminente. O Japão já tem uma das menores taxas de natalidade do mundo, e a atual população de 126 milhões de pessoas --que vem diminuindo nos últimos dez anos-- pode ser reduzida em 30% até 2060, segundo projeções feitas no país.
Milhões de japoneses não estão sequer namorando, e o número de pessoas solteiras atingiu seu recorde. Uma pesquisa realizada em 2011 constatou que 61% dos homens e 49% das mulheres com idade entre 18 e 34 anos não mantinham qualquer tipo de relação romântica com outra pessoa. Outra pesquisa mostrou que um terço das pessoas com menos de 30 anos nunca havia tipo uma experiência amorosa --na vida.
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Baby do Brasil, que foi uma das musas da contracultura, revelou, recentemente, que está sem sexo 14 anos - desde que virou evangélica e fundou uma igreja, o Ministério do Espírito Santo de Deus em Nome do Senhor Jesus Cristo. "Minha vida está muito mais completa. Sempre tive homem na minha cama. Sei que é bom. Mas não preciso tomar o cálice até a última gota. Desejo tem, mas a carne não me vence", declarou a cantora ao site "Ego". Leia mais Murilo Meirelles
Dados oficiais mostram, ainda, que o número de bebês nascidos no Japão em 2012 é o menor de que se tem registro. Além disso, com o aumento da população de idosos, as vendas de fraldas geriátricas ultrapassaram as de fraldas para bebês pela primeira vez em 2012. Para Kunio Kitamura, da Associação de Planejamento Familiar, a crise demográfica é tão grave que o Japão "pode eventualmente acabar em extinção".
Nesse cenário, surgiu, então, o profissional que trabalha como conselheiro de sexo e relacionamento, a fim de tentar curar a chamada "síndrome do celibato". Ai Aoyama, 52 --que cerca de 15 anos atrás ganhou a vida como dominatrix profisisonal-- é uma dessas conselheiras.  Ela diz que, hoje, seu trabalho é muito mais desafiador.
  • A ex-dominatrix Ai Aoyama, 52, conselheira de sexo e relacionamento, e um de seus clientes
"Recebo mais homens, mas a presença das mulheres está aumentando", disse Aoyama, que trabalha em Tóquio. "Eu uso terapias como ioga e hipnose para relaxá-los e ajudá-los a entender o modo como o corpo do ser humano real funciona", disse ela, que às vezes --por uma taxa extra-- pode ficar nua para seus clientes do sexo masculino, a fim de guiá-los fisicamente em torno da forma feminina. "Mas sem absolutamente qualquer relação sexual", afirma. Como exemplo, ela cita um cliente de 30 anos, virgem, que só fica excitado quando vê robôs femininos em games, algo semelhante àqueles da série Power Rangers.
Aoyama afirma que, além do sexo casual, vê o crescimento da procura por pornografia online e "namoradas virtuais". Ou então, opina, estão substituindo o sexo por outras formas de relaxamento e diversão.
A pressão para se conformar ao modelo de família anacrônico do Japão --marido assalariado que trabalha 20 horas por dia e mulher dona de casa-- permanece forte, e talvez essa seja uma das explicações para o fenômeno do celibato. Ironicamente, o sistema que produziu papéis conjugais segregados também criou o ambiente ideal para aqueles que querem ficar só, sem qualquer incômodo, como costumam falar. "As pessoas não sabem para onde ir. Elas vêm até mim porque pensam que, por querer algo diferente, há algo de errado com elas", conta Aoyama.

Família X Trabalho

Embora as mulheres japonesas sejam cada vez mais independentes e ambiciosas, no mundo corporativo japonês é quase impossível que a mulher consiga combinar carreira e família. Assim, as mulheres japonesas hoje encaram o casamento como o "túmulo" da carreiras conquistada --cerca de 70% das mulheres japonesas deixam seus empregos depois de seu primeiro filho, e o Fórum Econômico Mundial classifica o Japão como um dos piores países do mundo para a igualdade de gênero no trabalho.
Eri Tomita, 32, trabalha no departamento de recursos humanos de um banco francês --e adora. Fluente no idioma francês e com dois diplomas universitários, ela evita relacionamentos românticos para poder se concentrar no trabalho. "Um namorado me pediu em casamento há três anos, e eu recusei quando percebi que se preocupava mais com o meu trabalho. Depois disso, perdi o interesse em namoro." Tomita diz ainda que às vezes tem "uma noite só" com homens que conhece em bares, mas afirma que sexo não é uma prioridade para ela.
  • Eri Tomita, 32, que recusou um pedido de casamento. "Percebi que me preocupava mais com o trabalho. Perdi o interesse em namoro"
Mas esse modelo de sociedade também tem afetado os homens. Em meio à recessão e à crise dos salários, os homens têm sentido a pressão da responsabilidade de sustentar uma família. Satoru Kishino, 31, pertence a uma tribo de homens com menos de 40 anos que estão envolvidos em uma espécie de rebelião passiva contra masculinidade tradicional japonesa.Para eles, sustentar mulher e família como guerreiros é algo fora da realidade.
"É muito preocupante. Eu não ganho um salário enorme e não quero essa responsabilidade do casamento", diz Kishino, que se define como "um homem heterossexual para quem relacionamentos e sexo não são importantes".

Futuro

O Japão está oferecendo uma visão do futuro de todos nós? Muitas das mudanças constatadas lá vem ocorrendo em outros países avançados também: no outro lado urbano da Ásia, na Europa e na América as pessoas estão se casando mais tarde, taxas de natalidade têm caído e famílias de uma pessoa só estão em ascensão. No entanto, para o demógrafo Nicholas Eberstadt, é um conjunto de fatores que caba acelerando essa tendências no Japão: falta de autoridade religiosa que pregue o casamento e a família, o alto custo de vida e a precária geografia do país, localizado em zona com frequentes abalos sísmicos, o que gera sentimentos de inutilidade.
"Aos poucos, mas inexoravelmente, o Japão evolui para um tipo de sociedade cujos contornos só foram contemplados na ficção científica", escreveu Eberstadt no ano passado.
Voltando à ex-dominatrix Ai Aoyama, ela se diz determinada a educar seus clientes sobre o valor daquilo que chama de "pele a pele", "coração a coração". "Não é saudável que as pessoas sejam tão desconectados umas das outras fisicamente", diz. "Sexo com outra pessoa é uma necessidade humana que produz sensação de bem estar e ajuda as pessoas a encarar melhor a vida cotidiana."
by Isto É

Guru do sexo de 90 anos faz sucesso com respostas curtas e diretas

  26 de julho, 2014 
Mahinder Watsa (Atul Loke / Panos )
O país que deu ao mundo o Kama Sutra aprende sobre sexo com um senhor de 90 anos. A coluna diária de Mahinder Watsa, franca e engraçada, tornou-se um cult na Índia, onde a educação sexual é um assunto polêmico.
"Sexo é uma coisa alegre", diz Watsa "mas alguns escritores lidam com isso de forma médica e séria."
Como colunista nos últimos 50 anos, Watsa deixa o leitor à vontade, em vez de ir pelo caminho científico ou moral. Suas respostas são curtas e vão direto ao ponto - ocasionalmente agressivas, muitas vezes hilárias. "Estou falando a língua deles."
P: Há dois dias, eu tive relações sexuais sem proteção com minha namorada. Compramos uma "pílula do dia seguinte" mas, no calor do momento, eu tomei no lugar dela. Isso pode me causar complicações?
R: Da próxima vez, por favor, use camisinha e certifique-se que você não vai engolir isso também.

P: Depois de fazer sexo quatro vezes por dia, fico fraco no dia seguinte. Por cerca de cinco minutos, minha visão fica branca e não consigo ver nada. Por favor, ajude-me.
R: O que você esperava? Gritos de "Viva" e "Eu sou um campeão" por toda a cidade?
P: É seguro dormir com o pênis dentro da vagina?
R: Normalmente, quando o pênis retorna ao estado flácido, desliza para fora da vagina. Mesmo se não o fizer, fique tranquilo, que a vagina não vai comê-lo de café da manhã.

Virgindade

Watsa recebe cerca de 60 cartas e e-mails por dia e responde a todas. Acha que já respondeu a mais de 35 mil perguntas.
Ele foi convidado a escrever uma coluna estilo "Querido Doutor" nos anos 1960 por uma revista feminina (Trend). Tinha quase 40 anos e se formara recentemente como médico. "Não tinha muita experiência, confesso."
Mahinder Watsa (Atul Loke / Panos )
Nos primeiros meses, as perguntas eram de medicina em geral – sobre pediatria e coisas do tipo - mas começaram a chegar cartas de jovens mulheres de locais distantes com problemas.
Contavam que um tio ou um alguém mais velho havia abusado delas quando eram adolescentes e temiam não se casarem por terem perdido a virgindade.
"Muitas sugeriam que cometeriam suicídio", disse Watsa. "Um hímem intacto é muito importante nessa parte do mundo."
Tudo que ele podia fazer era aconselhá-las a não entrar em pânico no dia do casamento."Não se preocupe, seu marido não vai perceber."
Hoje em dia, Watsa é bem mais direto. Ele explica que o hímen pode romper ao fazer o exercício físico ou com masturbação, o que não podia fazer na época.
O especialista percebeu que muitos dos problemas dos leitores decorriam de falta de educação sexual, o que acabou tornando a conscientização sobre o sexo um objetivo de sua vida, primeiro por meio da Associação de Planejamento Familiar da Índia (FPAI, sigla em inglês) e, posteriormente, da sua própria organização, o Conselho Internacional de Educação Sexual e Familiar (CSEPI, sigla em inglês). Enquanto isso, continuava escrevendo.
"Um hímem intacto é muito importante nessa parte do mundo."
Mahinder Watsa
Recebe cartas sobre hímen rompido até hoje. "Infelizmente, o tema ainda é muito forte." Os homens que escrevem para lançar dúvidas sobre a virgindade da sua parceira recebem pouca atenção.
P: Minha namorada e eu temos 22 anos de idade. Tivemos relações sexuais há alguns meses, pela primeira vez, mas ela não sangrou. Como posso identificar se ela é virgem? 
R: É dessa maneira que você ama sua namorada? Você é uma pessoa suspeita. Você nunca ouviu falar que existem várias outras maneiras pelas quais o hímen pode romper, como ao praticar um esporte?
Watsa tampouco tem papas na língua com aqueles mais preocupados com o tamanho do seu órgão sexual.
P: Tenho um pênis pequeno e não consigo satisfazer minha namorada. Meu astrólogo me aconselhou a puxá-lo todo dia por 15 minutos, enquanto faço uma oração. Venho fazendo isso há um mês e não tem ajudado. O que devo fazer?
R: Se isto fosse correto, a maioria dos homens teria o pênis no joelho. Deus não ajuda homens ingênuos, bobos. Vá a um especialista em sexualidade que lhe ensine a arte de fazer amor.

'Obscenidade'

Por anos, Watsa escreveu para revistas femininas e masculinas e websites por anos, mas em nenhuma publicação seus escritos fizeram mais sucesso que no Mumbai Mirror. Há dez anos, quando tinha 80 anos de idade, ele iniciou a coluna Pergunte ao Sexpert, a primeira coluna diária em um jornal indiano que abordou as inquietações sexuais dos leitores.
"Até começarmos a coluna, a mídia indiana raramente usava palavras como pênis e vagina", diz Meenal Baghel, editora do jornal. A iniciativa imediatamente atraiu muita atenção, e nem sempre positiva.
Baghel teve de lidar com acusações de obscenidade e ações e mensagens de ódio, mas achava que os benefícios de publicar a coluna valiam a pena. "Ele é, sem dúvida, a estrela do jornal", diz a editora.
Ela sabe de cor a sua resposta favorita de Watsa a um leitor. "Alguém perguntou a ele se o pênis pode encolher devido à masturbação repetida. Sua resposta foi: você fala muito, sua língua encolheu?"
Com criatividade e paciência infinitas, Watsa encontra novas maneiras de responder às mesmas perguntas feitas há décadas.
Demonstração de como colocar camisinha (Getty)
Muito de seu trabalho envolve algo conhecido como 'dar permissão'- tranquilizar as pessoas de que seu comportamento sexual é normal e inofensivo. "O problema ainda é masturbação", diz Watsa.
Homens ansiosos questionam se a masturbação vai levá-los a perder a força, o cabelo ou a capacidade de ter filhos. A ideia de que a perda de sêmen é prejudicial para a saúde de um homem é reforçada por sistemas de crenças tradicionais.
Ele também testemunhou grandes mudanças. "Há trinta anos, poucas mulheres me escreviam. Agora, são muitas." E elas não têm apenas questões práticas sobre como engravidar ou não: nos últimos anos, começaram a perguntar sobre satisfação sexual e masturbação. Ele responde com o mesmo humor.
P: Minha amiga acha que seus seios estão ficando maiores por causa da masturbação. Isso é possível?
R: Não. Ela acha que o clitóris é uma bomba de ar?
Apesar destes sinais de emancipação das mulheres, Watsa diz que ainda fica ocasionalmente chocado com o que suas leitoras aguentam. "Quando elas escrevem sobre o abuso sexual, tortura e o que seus maridos fazem com elas quando estão bêbados eu me preocupo", diz.
Watsa também lamenta o fim das grandes famílias onde várias gerações viviam sob o mesmo teto. "Havia sempre tias ou avós que poderiam explicar as coisas para os casais mais jovens", diz ele. "Agora ninguém está lá para explicar como funciona o sexo. Ouço falar de um monte de casamentos não consumados."
Casamentos arranjados entre pessoas que não se conhecem ainda são comuns, diz Watsa. "Eles esperam consumar um casamento de imediato, mas no Kama Sutra há uma parte que diz que se leva de quatro a cinco dias para fazer amigos e entender uns aos outros", diz.
Para um estudo acadêmico, a ginecologista e militante Suchitra Dalvie analisou mais de 500 cartas recebidas por Watsa em um período de quatro meses. Quando ela apresentou as suas conclusões em uma conferência em Pequim, o público ficou fascinado pelas contradições da Índia.
Todos conheciam o país como a "terra mística do Kama Sutra" - o antigo texto sânscrito sobre a arte do amor e do prazer sensual - e ficaram surpresos ao saber sobre o nível rudimentar de educação sexual ou mesmo sobre a discussão clara sobre sexo no país.
A coluna de Watsa é um dos tratamentos mais francos sobre o assunto há 2 mil anos.

Tempestade solar quase causou 'apagão geral' na Terra

Segundo a Nasa, uma grande erupção solar passou muito perto do planeta em 2012 e poderia levar a civilização a condições semelhantes ao século XVIII

As erupções solares emergem do interior do Sol e suas radiações eletromagnéticas podem induzir flutuações elétricas na superfície da Terra, destruindo transformadores, provocando erros em GPS e sistemas de rádio
As erupções solares emergem do interior do Sol e suas radiações eletromagnéticas podem induzir flutuações elétricas na superfície da Terra, destruindo transformadores, provocando erros em GPS e sistemas de rádio (Thinkstock)
A tempestade solar mais forte dos últimos 150 anos passou muito perto da Terra em 23 de julho 2012, revelou a Nasa. Se ela tivesse nos atingido, seria poderosa o suficiente para levar a civilização a condições semelhantes ao século XVIII. “Se a erupção tivesse ocorrido uma semana antes, a Terra estaria na linha de fogo”, afirmou Daniel Baker, professor de Física Atmosférica e Espacial da Universidade do Colorado, nos Estados Unidos, em comunicado da agência espacial americana.
O evento foi uma explosão solar, conhecida como Ejeção de Massa Coronal (EMC). Essas rajadas solares não chegam até nós, mas sua radiação eletromagnética e partículas energizadas sim. Elas podem induzir flutuações elétricas na superfície do planeta, destruindo transformadores, afetando redes de comunicação, provocando erros em GPS e sistemas de rádio e danificando satélites.
A Nasa só soube da tempestade porque ela atingiu um observatório solar chamado Stereo-A, construído para medir eventos semelhantes. Ele recolheu informações sobre o frenômeno sem ser destruído porque não estava orbitando a Terra no momento da erupção, mas viajando pelo espaço interplanetário. No entanto, isso demonstra que outras tempestades podem ter passado próximas da Terra sem terem sido detectadas por nenhum sistema espacial. 
“Com os últimos estudos, me convenci ainda mais do quanto os habitantes da Terra foram sortudos de que a erupção de 2012 tenha acontecido dessa maneira. Se tivesse nos atingido, ainda estaríamos recolhendo nossos pedaços”, afirmou Baker.
Tempestade poderosa — No caso de ter chegado ao nosso planeta, a tempestade solar de 2012 teria sido comparável à tempestade solar Carrington, de 1859, a mais poderosa já registrada. Na ocasião, postos de telégrafo foram incendiados, redes elétricas tiveram panes e foram percebidos distúrbios no campo magnético da Terra.
De acordo com um estudo da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos, um evento como esse custaria hoje 2 trilhões de dólares ou 20 vezes mais que o furação Katrina. Segundo a Nasa, há 12% de probabilidade que uma tempestade solar poderosa como essa realmente chegue até a Terra nos próximos dez anos.
by Veja

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