25/07/2014

Magistrado afirma que uns drogados serão presos e outros assinarão mandados de prisão



24.07.2014


  • “Ontem foi domingo e me droguei muito”, diz o juiz de Direito Gerivaldo Neiva, do Estado da Bahia, em artigo publicado no seu blog.
Baiano de Irecê, Gerivaldo, desde 1990 na magistratura, é membro da Associação Juízes para a Democracia (AJD) e da Comissão de Direitos Humanos da mais influente entidade da toga, a Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB). É porta voz no Brasil do movimento Law Enforcement Against Prohibition (Leap-Brasil).
“Comecei por volta das 13h e só fui parar depois das 22h. Éramos uns poucos amigos e amigas, casais amigos, e quase todos se drogaram também. Uns mais e outros menos”, diz o texto.

Foto: Divulgação
Gerivaldo é o juiz da Comarca de Conceição do Coité, município com 65 mil habitantes a 210 quilômetros de Salvador.
Ele atua nas duas varas, a cível e a criminal, com um acervo total de 5 mil processos.
“Domingo que vem tem mais churrasco com os amigos, muita cerveja e ressaca na segunda-feira, mas também terá muita galera fumando maconha, cheirando cocaína e fumando pedras de crack”, finaliza o texto de Gerivaldo. “A diferença é que uns, por conta da droga usada, cor da pele e condição social, serão presos e condenados e outros, enquanto cidadãos respeitáveis, tomarão um engov ou epocler e assinarão mandados de prisão.”
LEIA A ÍNTEGRA DO ARTIGO DO JUIZ GERIVALDO*:
“Ontem foi domingo e me droguei muito. Comecei por volta das 13h e só fui parar depois das 22h. Éramos uns poucos amigos e amigas, casais amigos, e quase todos se drogaram também. Uns mais e outros menos.
Petiscamos durante o dia e só no final da festa é que resolvemos comer algo mais consistente. Sorrimos muito e também tivemos momentos de conversa séria. Eu, por exemplo, quando me drogo, tenho momentos de euforia e de silêncio. Passo horas ouvindo as pessoas e outras horas com o olhar perdido. Depois, peço desculpas e retorno à euforia e boas risadas.
Um desses meus amigos gosta muito de misturar e reclama que não está sentindo nada, embora todos os demais percebam seu visível estado de euforia. Outro amigo tem sempre um copo de água ao lado, mas poucas vezes bebe a água. Outro tem o ciclo bem rápido e em poucas horas passa da sobriedade para a euforia, silêncio e sono; depois, quando os demais ainda estão na fase da euforia, ele já está completamente recuperado e começa do zero. Outro não come nada e justifica que se comer não consegue continuar se drogando e sente muito sono.
Outro, ao contrário, tem sempre um prato de petiscos ao lado e justifica que não consegue se drogar sem comer. Outro, talvez só eu saiba disso, provoca vômito cada vez que vai ao sanitário para continuar se drogando e parecer sóbrio.
Drogas são drogas e ponto final. Todas elas alteram nossa percepção sensorial e, em consequência, a forma de ver o mundo. Esta relação das drogas com cada pessoa é única. Drogas é uma coisa e o efeito delas é algo absolutamente pessoal. Busca-se, portanto, algo entre a pessoa e a droga. Este algo é único e individual e reflete exatamente a história da pessoa com os efeitos da droga. Então, como cada um tem sua própria história, a relação dessa história com a droga também será uma história própria. Por causa disso, uns usam drogas apenas uma vez e não gostam, outros conseguem usar por muitos anos e não se tornam dependentes e outros não conseguem mais parar de usar depois da primeira experiência, tornando-se um usuário dependente.
Independentemente do caráter de legal ou ilegal, lícita ou ilícita, todas as drogas são drogas e estabelecem as mesmas relações com o usuário, pois não sabem se são permitidas ou não. Assim, o uso do tabaco pode causar um profundo bem estar ao fumante, embora possa causar inúmeros tipos de câncer. Da mesma forma, o álcool pode oferecer alegria e euforia e, ao mesmo tempo, causar uma infinidade de problemas à saúde de quem ingere álcool.
Adentrando às drogas consideradas ilícitas, a cocaína pode causar sensação de autoconfiança e poder, mas pode também comprometer a saúde de quem cheira ou injeta. Também a maconha pode relaxar e proporcionar viagens leves e lentas, mas também pode causar mal à saúde de quem fuma. O ponto comum é que todas as drogas podem causar a dependência e se tornar um problema para o usuário, seus familiares e comunidade.
No fim, o problema a ser enfrentado e discutido é por que alguns usuários se tornam dependentes e problemáticos e outros não. Sendo assim, como jamais conseguiremos acabar com as substâncias que alteram nossa percepção sensorial, interessa muito mais entender a mente humana, as tragédias pessoais e a desigualdade social do que proibir e criminalizar as drogas.
Pensando assim, fico a me perguntar, qual o fundamento jurídico, legal, histórico, filosófico, moral, religioso ou de qualquer outra natureza para considerar marginais e bandidos pessoas que usam algum tipo de droga? E mais, também me pergunto, por que as drogas fabricadas pela indústria capitalista, a exemplo do tabaco, álcool, ansiolíticos e antidepressivos, são consideradas lícitas e, inexplicavelmente, as drogas que não passam pela indústria capitalista são consideradas ilícitas, a exemplo da maconha e cocaína? Será, por fim, que o detalhe em comum seja exatamente este: a indústria capitalista?
Voltando ao começo, ontem fiz um churrasquinho em casa e convidei os amigos para matar a saudade, jogar conversa fora, comentar os jogos da Copa no Brasil e as consequências na campanha política, lembrar das aventuras passadas, dos tempos difíceis, empanturrar de carnes e, principalmente, tomar muitas cervejas.
Abasteci o freezer com algumas caixas de cerveja, preparei costelinhas de porco e carneiro com toque final de alecrim; coração de frango, coxinhas da asa de frango, costela de boi ao forno com papel alumínio, calabresa mista apimentada (uma delícia!) e, como não poderia deixar de ser, saborosas picanhas com dois dedinhos de gordura. Na manhã seguinte, como sou de carne e osso, tinha as mãos trêmulas, boca seca, dificuldade de raciocinar e uma sede insaciável, ou seja, estava de ressaca.
Sei, por fim, que no mesmo domingo milhões de pessoas fizeram a mesma coisa e outros milhões usaram drogas consideradas ilícitas. Muitos, como eu, trabalharam normalmente no dia seguinte e outros, não tenho dúvidas, por conta exatamente de sua relação com as drogas, continuaram usando abusivamente e causando problemas à sua família e comunidade.
No mais, é muito provável que muitos policiais militares, que poderiam estar presentes em algum churrasco e provavelmente também de ressaca, resultado das cervejinhas do domingo, irão prender em flagrante jovens pobres, negros, periféricos e excluídos com pequenas porções de maconha ou crack, conduzindo-os a algum delegado, também de ressaca, que irá indiciá-lo, mais pela cor da pele e condição social, como traficante de drogas.
Em seguida, algum representante do Ministério Público, também participante do churrasquinho do domingo, irá representar pela prisão preventiva com fundamento puro e simples na “garantia da ordem pública” e, por fim, seu destino será escrito indelevelmente como acusado por tráfico de drogas quando as mãos trêmulas e boca sedenta de algum juiz de direito lhe decretar a prisão preventiva e lhe esquecer na prisão.
Domingo que vem tem mais churrasco com os amigos, muita cerveja e ressaca na segunda-feira, mas também terá muita galera fumando maconha, cheirando cocaína e fumando pedras de crack. A diferença é que uns, por conta da droga usada, cor da pele e condição social, serão presos e condenados e outros, enquanto cidadãos respeitáveis, tomarão um engov ou epocler e assinarão mandados de prisão.
* Juiz de Direito (Ba), membro da Associação Juízes para a Democracia (AJD), membro da Comissão de Direitos Humanos da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) e Porta-Voz no Brasil do movimento Law Enforcement Against Prohibition (Leap-Brasil)
http://blogs.estadao.com.br/

Ajuda da Cruz Vermelha a cidades da serra do RJ foi desviada, diz auditoria

25/07/2014 

Segundo secretário geral no país, desvio foi de cerca de R$ 17 milhões.
Vítimas da fome na Somália e terremoto no Japão também foram afetadas.

Do G1 Rio


A Cruz Vermelha brasileira desviou dinheiro arrecadado para campanhas humanitárias, de acordo com uma uma auditoria encomendada pela Federação Internacional das Sociedades do próprio órgão, com sede em Genebra, Suíça. De acordo com uma reportagem publicada nesta sexta-feira (25) no jornal "Folha de S.Paulo", o dinheiro seria usado com as vítimas da chuva na Região Serrana do Rio de Janeiro, do terremoto no Japão, da fome da Somália, e em campanhas contra a dengue em todo o Brasil.
Em entrevista à GloboNews, o secretário geral nacional da Cruz Vermelha brasileira, o coronel Paulo Roberto Costa e Silva, informou que o total desviado foi de aproximadamente R$ 17 milhões. O dinheiro teria ido parar na conta de uma ONG no Maranhão, o Instituto Interamericano de Desenvolvimento Humano – conhecido como Humanos. A organização era presidida pela mãe do ex-vice-presidente da Cruz Vermelha no Brasil, Anderson Marcelo Choucino.
"Nós temos constatações pela auditoria que em torno de R$ 17 milhões saíram de doações e não chegaram ao seu destino”, explicou o coronel (veja na reportagem acima).
De acordo com o secretário, o relatório, que demorou um ano para ser concluído, será levado nesta sexta-feira (25) às autoridades brasileiras. “Tão logo que tomamos conhecimento da denúncia que ocorreu em meados de 2012, nós solicitamos uma auditoria internacional independente em toda a Cruz Vermelha brasileira. A auditoria se desenvolveu durante todo o ano de 2013. As denúncias apresentadas pela mídia naquela oportunidade foram quase todas confirmadas por esta auditoria”, explicou.
De acordo com Paulo Roberto, já houve uma representação preliminar do desvio. ‘Agora, substanciados com o resultado da auditoria, nós vamos à procuradoria da Justiça, vamos tomar medidas judiciais e policiais cabíveis”, afirmou o coronel, informando ainda que o Ministério Público estava investigando a questão há mais de um ano.
“O que a gente está pedindo é que este dinheiro que saiu da Cruz Vermelha e foi para este instituto, ou ele seja devolvido, ou que seja prestado contas para onde foi, porque não chegou ao seu destino”, afirmou o secretário.
Risco de suspensão de atividades
Pedro Paulo afirmou que o comitê pode desde advertir ou até recomendar a suspensão das atividades da Cruz Vermelha em território brasileiro.
“Sem dúvida seria muito traumático para todos nós”, disse, informando que todas as pessoas envolvidas no desvio foram afastadas. "Nós fazemos parte de um movimento humanitário de ajuda humanitária internacional que hoje reúne 189 nações em todo o mundo. Essa marca é muito forte e uma imagem que arranha a credibilidade do movimento nos atinge diretamente. Nós estamos sendo acompanhados de perto pelo Comitê de Mediação e Comprimento, que é um órgão da Federação Internacional encarregado de verificar os procedimentos e as condutas da Cruz Vermelha.”
carro pendurado em nova friburgo (Foto: Marcos de Paula/Agência Estado)Estrago provocado pela chuva em Nova Friburgo, em 2011 (Foto: Marcos de Paula/Agência Estado)
Maior tragédia climática do país
O dinheiro desviado seria usado para ajudar vítimas de tragédias de 2011. A chuva na Região Serrana do Rio, em janeiro, provocou a morte de quase mil pessoas em sete municípios afetados, e é considerada o maior desastre climática da história país. Nova Friburgo, Petrópolis e Teresópolis foram as áreas mais atingidas com deslizamentos de terra e inundações.
De acordo com especialistas, houve falta de controle e planejamento no crescimento das cidades. Segundo dados das prefeituras e da Defesa Civil na época, Teresópolis teve 9 mil desalojados e 6 mil desabrigados; Petrópolis (incluindo Itaipava) somou 6 mil desalojados e 191 desabrigados; e Nova Friburgo contabilizou 3 mil desalojados e 2 mil desabrigados.
Em março, o Japão foi atingido pelo mais forte terremoto da sua história. O desastre deixou 19 mil vítimas. No mesmo ano, uma seca atípica no chifre da África provocou uma crise alimentar na região.
Mulher é vista cuidado de filhos desnutridos em Dadaab. Pessoas doentes não precisam jejuar durante o Ramadã, mas a maioria dos acampados que sofrem com a fome na Somália parece determinada a manter as tradições (Foto: Omar Faruk/Reuters)Mulher cuidando de filhos desnutridos em Dadaab, na Somália, em 2011 (Foto: Omar Faruk/Reuters)

Polícia vai escavar área onde corpo de Eliza Samudio estaria enterrado

24/7/2014 

Primo do goleiro Bruno disse que modelo foi deixada em uma cova na Grande Belo Horizonte
    Do R7, com Record Minas
Declaração de primo do Bruno vai motivar 13ª busca pelo corpoReprodução/ Rádio Super Tupi
A Polícia Civil vai fazer buscas nesta sexta-feira (25) pelo corpo de Eliza Samudio, ex-amante do goleiro Bruno Fernandes. A nova tentativa de encontrar os restos mortais da modelo, a 13ª em quatro anos, é motivada pela declaração do primo do jogador, Jorge Rosa Sales, queafirmou saber onde Eliza foi enterrada.
Segundo o delegado Wagner Pinto, chefe do DHPP (Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa), que ouviu Jorge nesta quinta-feira (24), houve “coerência” no depoimento do rapaz.
— Ele descreveu preliminarmente e o local assemelha-se ao que ele apresentou. Essa hipótese vai ser confirmada ou não amanhã.
Uma equipe de peritos deve começar a fazer as "escavações necessárias" às 9h. Ainda conforme o policial, caso nada seja encontrado, a situação do primo de Bruno não deve mudar. Jorge, que era adolescente na época do crime, cumpriu medida socioeducativa por participação no assassinato. Ele era considerado testemunha-chave no caso.
— A situação não muda. Ele já respondeu penalmente pela sua participação enquanto adolescente.
O primo do goleiro disse em entrevista à rádio Tupi, do Rio de Janeiro, que o corpo de Eliza foi enterrado em um terreno próximo ao Aeroporto Internacional Tancredo Neves, em Confins, na região metropolitana de Belo Horizonte.
Nova versão
Morando atualmente no Rio de Janeiro, Sales ainda contou ao repórter Marcus Marinho que Eliza não foi esquartejada. Segundo ele, a modelo teve a mão cortada pelo ex-policial Marcos Aparecido dos Santos, o Bola. Cerca de quatro anos após a morte, Jorge afirma que decidiu apontar o paradeiro do corpo para "ter a mente tranquila".
— Eu sei chegar tranquilo, é uma estrada de chão bastante deserta, identifico perto de um coqueiro, um lugar praticamente abandonado. Sei apontar onde ela está, para que a mãe dela possa enterrar ela, pelo menos.
Na entrevista, Sales alega ainda que o primo não sabia que Eliza seria assassinada. Segundo ele, a modelo foi asfixiada por Bola, na casa dele, em Vespasiano, região metropolitana. No local, Bola ainda chegou a dizer que era da polícia e que ela deveria ficar tranquila, já que passaria somente uma noite lá. No entanto, ele pediu para ver a mão de Eliza e aproveitou para aplicar um golpe fatal nela.
— Ele rodou ela e deu uma gravata, caiu com ela no chão. O Macarrão [Luiz Henrique Romão] veio por cima e amarrou a mão dela. Ele engravatou ela até ela morrer.
Em seguida, eles teriam enrolado o corpo de Eliza em um lençol e o colocado em um saco plástico de cor preta. Por fim, enterraram o cadáver em uma cova que já havia sido previamente cavada com a ajuda de uma máquina.

Em Alta

Anatomia de uma Versão: Como a sociedade é manipulada sem perceber

by Deise Brandão Existe uma diferença brutal entre informação e reprodução de roteiro . No jornalismo investigativo e na perícia forense, a...

Mais Lidas