quinta-feira, 4 de abril de 2013

Coreia do Norte deslocou míssil para a costa, diz Coreia do Sul



Segundo ministro da Defesa em Seul, míssil tem alcance considerável; imagens de satélite mostram que Pyongyang deu início às construções para reativar reator de plutônio

iG São Paulo 
A Coreia do Norte deslocou um míssil de "alcance considerável" para sua costa leste, informou o ministro da Defesa da Coreia do Sul nesta quinta-feira (4), acrescentando, entretanto, que não há
sinais de que Pyongyang esteja se preparando para um conflito em larga escala.

O informe foi divulgado horas depois de o Exército norte-coreano ter alertado que autorizou um ataque aos EUA usando armas nucleares "menores, mais leves e diversificadas". Foi a ameaça mais recente contra os EUA nas últimas semanas. A referência a armas nucleares menores pode significar que Pyongyang aprimorou sua tecnologia nuclear. Ou pode ser um blefe.

Quarta-feira: EUA enviarão sistema de mísseis para Guam após ameaça norte-coreana
AP
Nesta foto de abril de 2012, Coreia do Norte exibe seus mísseis durante marcha militar em Pyongyang
O ministro da Defesa sul-coreano Kim Kwan-jin disse que não conhecia a motivação para o deslocamento do míssil no Norte, e que poderia ter como objetivo a realização de "testes ou exercícios militares".
Ele descartou a possibilidade, levantada pela mídia japonesa, de que se tratava de um KN-08, míssil de longo alcance que, caso seja operado, poderia atingir os EUA. Kim afirmou a deputados durante um encontro do comitê parlamentar que o míssil tem "alcance considerável", mas não suficiente para atingir o território norte-americano.
O alcance que ele descreveu pode se referir a um míssil móvel da Coreia do Norte conhecido como Musudan, que pode atingir um raio de 3 mil quilômetros. Esse alcance torna o Japão e a Coreia do Sul alvos potenciais - vem como bases americanas nos dois países - mas há dúvidas sobre a precisão deste míssil.
O Pentágono anunciou que posicionaria um sistema de defesa antimísseis em Guam , território americano no Pacífico, para fortalecer a proteção regional contra um possível ataque.
Mais do que a retórica bélica : EUA temem os riscos velados da Coreia do Norte
Especialistas dizem que a Coreia do Norte não demonstrou possuir mísseis capazes de atingir um longo alcance com precisão. Alguns suspeitam que os mísseis de longo alcance exibidos por Pyongyang em uma marcha no ano passado eram, na verdade, maquetes.
"Pelo que sabemos do seu estoque existente, a Coreia do Norte tem mísseis de curto e médio alcance que poderiam complicar a situação da península coreana (e talvez alcançar o Japão), mas não vimos qualquer evidência de que o país tenha mísseis de longo alcance que possam alcançar o território dos EUA, Guam ou o Havaí", escreveu James Hardy, editor do semanário Jane's Defense Weekly.
Kim Kwan-jin disse que se a Coreia do Norte estivesse se perparando para um conflito em larga escala, haveria sinais, incluindo a mobilização de um número de unidades, suprimentos e tropas, mas autoridades do Exército sul-coreano não perceberam nenhuma preparação neste sentido.
"( As ameaças recentes da Coreia do Norte ) são retóricas. Eu acredito que a possibilidade de uma provocação em larga escala seja pequena", disse. Mas acrescentou que a Coreia do Norte pode realizar um ataque em pequena escala, como o bombardeio em 2010 de uma ilha sul-coreana que deixou quatro mortos.
Pyongyang expressou ira acerca dos exercícios militares conjuntos entre os EUA e a Coreia do Sul e das sanções aprovadas pela ONU após seu terceiro teste nuclear , realizado em fevereiro.
Apesar de especialistas acreditarem que se trata apenas de retórica inflamada, Pyongyang já foi além das ameaças. Na terça-feira, anunciou que reativaria um reator de plutônio que foi fechado em 2007 . Um instituto de pesquisa norte-americano disse na quarta-feira que imagens de satélite mostraram que as construções necessárias para a reativação já começaram.
Na quinta-feira, autoridades da fronteira norte-coreana impediram a entrada de funcionários sul-coreanos que trabalham na Kaesong , complexo industrial que funciona com a mão de obra norte-coreana e o know-how sul-coreano.
Em comunicado divulgado também na quinta, um porta-voz do Exército Popular da Coreia disse que as tropas foram autorizadas a conter as "agressões" dos EUA com "poderosas práticas militares de neutralização", incluindo armas nucleares.
O texto dizia que a "política hostil" dos EUA e as "ameaças nucleares" contra a Coreia do Norte "serão esmagadas pela força de vontade de todo o serviço unido com meios nucleares menores, mais leves e diversificados".
O secretário de Defesa dos EUA Chuck Hagel disse em Washington que está fazendo tudo o que pode para acalmar a situação. "Algumas das ações que eles tomaram nas últimas semanas apresentam um perigo real e claro e uma ameaça" aos EUA e seis aliados, disse.
O ministro da Defesa sul-coreano disse que o Exército está preparado para lidar com qualquer provocação da Coreia do Norte. "Posso dizer que não temos nenhum problema em gerenciar crises."
No domingo, o líder norte-coreano Kim Jong-un vai liderar uma importante reunião das autoridades do seu partido que afirmaram que construir a economia e as "Forças Armadas nucleares" são as prioridades do país.
Com AP

Briga de peixes grandes: Eike Batista e Roberto Carlos tem novo round. Que vença RC. by Deise



A briga de reis em que se o projeto de revitalização da Marina da Glória ganhou mais um round nesta terça-feira, em audiência pública na Câmara do Rio. De um lado, o rei Roberto Carlos, que ancora o seu famoso iate Lady Laura na Marina e, junto com outros 400 proprietários de barcos, como O DIA noticiou em 23 de fevereiro, seria obrigado a deixar o local. Do outro, o bilionário Eike Batista, que quer construir um shopping e centro de convenções na região.

Nesta terça-feira, por meio do diretor de uma de suas empresas, a Rex, Marco Adnet, Eike abriu o baú de promessas, e o fim do esgoto na Marina e a criação de áreas de circulação públicas, como calçadões, ciclovias e
parque, hoje inexistentes, foram citados como melhorias com as obras planejadas. Mas não convenceu a plateia na Casa. E o assunto voltará a ser tema de debates em novas audiências do Ministério Público e da Alerj.

O que o representante de Eike não disse é que todas as alterações feitas pela EBTE, antiga concessionária da Marina — grades, edificações provisórias e lojas —, foram condenadas em processo judicial de 2009. Por Lei, a Marina tem que voltar a ter as características que possuía no ano de seu tombamento pelo Patrimônio Histórico: 1965.

“Estamos aqui em audiência pública sem planta ou qualquer documento oficial, sem processo administrativo para avaliar. Disseram que o Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) aprovou previamente o projeto, mas, até agora, nada foi publicado em D.O”, questionou a ex-vereadora e advogada Sonia Rabello.

Funcionários da Marina, que não quiseram se identificar, disseram que Roberto já decidiu não tirar seu iate da Marina, mesmo que, para isso, precise ir à Justiça. A assessoria do cantor foi procurada, mas não retornou os contatos.

"Promete o que não pode cumprir"


“O projeto deles acaba com os lugares destinados a pequenas e médias embarcações. Não pudemos explicar isso, mas vamos fazê-lo e recorrer a todas instâncias judiciais possíveis contra esse absurdo”, disse o presidente da Associação dos Usuários da Marina da Glória (Assuma), o advogado José Fernandes. Das cerca de 200 vagas secas, Eike quer manter apenas 50 e para veleiros. Em troca, promete ampliar as atuais 180 vagas no mar para 450. “Ocorre que, para isso, ele terá que construir píeres fora da área aforada, ou seja, está prometendo o que não pode cumprir”, questionou Fernandes.

by Brasil vamos curtir

Artigo: A vida dos nossos filhos



Nós criamos nossos filhos com medo. Os ensinamos a viver a partir do medo. Medo de atravessar a rua e ser atropelado em cima da faixa de segurança, de se dirigir a um policial pedindo ajuda e acabar levando um tiro, de sofrer um acidente e não obter o socorro adequado do plano de saúde que pagamos religiosamente a vinte anos, de morrer asfixiado em uma boate superlotada para dar uma noite de lucro maior aos seus donos irresponsáveis, enfim.


Pais preocupados da classe média passam madrugadas levando e trazendo seus filhos de festas, casas de amigos, casas noturnas, com medo que sejam colhidos pela morte num acidente de trânsito, numa overdose, ou num assalto. Pais que não têm carro simplesmente não encontram alternativa outra que não seja vibrar com muita força todas as células do próprio corpo em orações infindáveis, até que ouçam o barulho da chave na porta de casa.
Mas por que estamos vivendo assim? Em nome de que?
O que a tragédia de Santa Maria mostra é a face mais podre, mas inexplicável do capitalismo, pois em função de algum lucro a mais, empreendedores de todos os tipos de negócio são capazes de menosprezar as mínimas condições de segurança, o que significa que são capazes de menosprezar a vida sem o menor pudor, desde que isso assegure mais dinheiro.
Quando deixamos de considerar o dinheiro como um meio de ganhar a vida, e passamos a considerar a vida um meio de ganhar dinheiro, sobretudo a vida dos outros, é que algo operou em nós uma inversão perversa que só pode levar, necessariamente, à implosão do sentido de sociedade, de civilização e de humanidade.
O que presenciamos diariamente é a busca desenfreada do lucro nos jogando em uma arena de feras desesperadas lutando pela sobrevivência, e é isso que chamamos hoje em dia de Cidade. Mas por que mesmo estamos fazendo isso?
A agenda do Capital, executada com disciplina pelos meios de comunicação, faz com que nós, os socialistas, passemos o tempo todo tentando justificar a necessidade de um Estado regulador e de mecanismos de controle social a partir dos possíveis resultados econômicos positivos que isso traria. Está errado, ao menos está manco, incompleto.
Deveríamos perder mais tempo mostrando para a sociedade que sua participação e fiscalização efetiva sobre os processos e instituições mais relevantes, como parte constitutiva de um Estado regulador, pode e deve ser o instrumento adequado para a valorização da vida, ou mais, pode e deve ser parte de uma estratégia maior para recuperar a vida como centro gerador de sentido, tanto nas ações do governo como do mercado, o que inclui os donos de boate, e que essa é a grande proposta da esquerda para esse planeta: trazer a vida para o centro organizador da vida.
Há uma agenda abandonada pela esquerda, que só pontua de quando em vez em grandes eventos como a Rio+20, ou quando uma tragédia traz à tona a necessidade de debater os parâmetros pelos quais orientamos nosso comportamento em sociedade.
Precisamos retomar essa agenda e mostrar que nunca haverá solução efetiva para tragédias como a de Santa Maria, enquanto a ganância e o lucro estiverem definindo e justificando os nossos padrões de comportamento, que não haverá perspectiva de deixarmos de criar nossos filhos pelo medo, enquanto o respeito à vida, não só a humana, não for o sentido definidor do Direito, da Política, da Economia, da Educação, da Arte e de tudo mais que produzimos para tornar melhor a vida dos nossos filhos.
by Roberto Gonçalves de Lima é dramaturgo e gestor cultural.
(Publicado originalmente no blog da Secretaria Nacional de Cultura do PT)

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