26/03/2013

Bombeiro indiciado por fogo na Kiss divulga carta aberta à população


 Atualizado em 26/03/2013 15h25

Major Gerson Pereira diz que conduta da polícia foi 'criminosa e vendida'.
'Estamos diante de uma nova modalidade de execução sumária', afirma.

Do G1 RS

major bombeiros gerson pereira incêndio santa maria boate (Foto: Roberta Lemes/G1)Major Gerson Pereira compara inquérito policial
à execução pública (Foto: Roberta Lemes/G1)
 major do Corpo de Bombeiros Gerson da Rosa Pereira, do 4º Comando Regional deSanta Maria (4º CRB), divulgou nesta terça-feira (26) uma carta aberta à população comentando a atuação da corporação no incêndio da boate Kiss, no dia 27 de janeiro, e o inquérito da Polícia Civil que investigou a tragédia, divulgado na última sexta-feira (22).
Ele está entre as 16 pessoas que foram indiciadas criminalmente, por fraude processual. Em tom de desabafo, o major critica a atuação dos delegados que investigaram o caso e afirma que nunca deixou de colaborar com a investigação, assim como os colegas de corporação. A conduta da polícia foi qualificada por ele como “criminosa e ‘vendida’”.
No depoimento, Gerson afirma que o fato de a polícia ter publicado na internet a íntegra do relatório final do inquérito “se assemelha às execuções de guerra e às degolas em praça pública do século medieval”. “Estamos diante de uma nova modalidade de execução sumária”, classifica.
Além disso, o chefe do Estado Maior do 4º CRB também afirma que sua dignidade foi “jogada ao vento” e que não há possibilidade de reparar este “erro”. “Minha família e vida pessoal foram feridas de morte sem qualquer possibilidade de reparo, nem mesmo qualquer indenização ou retratação pelos responsáveis poderá desconstituir a exposição que sofri”, diz outro trecho do texto, reproduzido na íntegra abaixo.
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arte indiciados boate Kiss (Foto: Editoria de Arte)
Confira abaixo a carta do major na íntegra.
"Muita exposição e ridicularização sofreram os Bombeiros Militares do 4º Comando Regional de Bombeiros, mas que serão devidamente esclarecidas no Inquérito Policial Militar em curso e a futura apuração e julgamento pela Justiça Militar Estadual.
Contudo, num primeiro momento, sem técnica processual e jurídica, busco esclarecer a incompetente imputação de crime a que sou vítima amplamente divulgada na mídia escrita e falada.
Minha família e vida pessoal foram feridas de morte sem qualquer possibilidade de reparo, nem mesmo qualquer indenização ou retratação pelos responsáveis poderá desconstituir a exposição que sofri.
Minha opinião é de que todo o comportamento policial até a divulgação do Relatório na UFSM seria desnecessário, em respeito às vítimas, mas principalmente, para preservar a imagem e individualidade das pessoas, desde o Prefeito Municipal até o Bombeiro Militar (dito “indiciado”) que seria mais prudente ser denominado “ indicado” pois estamos num primeiro momento do processo, uma mera peça ilustrativa, que será processado pela Justiça Militar, se for o caso.
Publicar um Relatório na integra, com nomes de pessoas e suas individualidades, além de depoimentos não autorizados na imprensa se assemelha as execuções de guerra e as degolas em praça pública do século medieval. Dentre estas pessoas, certamente, teremos pessoas inocentes, ao menos aos olhos da Justiça dos homens. Estamos diante de uma nova modalidade de execução sumária.
Quanto a mim, a exposição no auditório do CCR da UFSM ( e não existe lugar mais doloroso e emblemático) feita pelo Delegado Arigony abriu os trabalhos desta nova e moderna execução sumária citando meu nome e de um Sargento que tem sofrido muito, como eu, por este ato.
Meu crime: Artigo 347, parágrafo único, do Código Penal Brasileiro que assim diz:
Art. 347 - Inovar artificiosamente, na pendência de processo civil ou administrativo, o estado de lugar, de coisa ou de pessoa, com o fim de induzir a erro o juiz ou o perito:
Pena - detenção, de três meses a dois anos, e multa.
Parágrafo único - Se a inovação se destina a produzir efeito em processo penal, ainda que não iniciado, as penas aplicam-se em dobro.
E no decorrer do relatório, em sua pg. 177, na margem superior, “..delito não previsto no Código Penal Militar. Como sou militar e não há previsão desta conduta típica no Código Penal Militar, não haveria nem como “enxovalhar” o nome que defendo e defendi durante toda minha vida pessoal e profissional, “arrumando” às pressas, alguma coisa à me imputar.
Talvez não saibam esta conduta praticada por militar é reprovável e contrária a educação familiar que tive, um ato vergonhoso, ridículo e que na educação de meus filhos sempre priorizei a honestidade.
Embora não concorde sobre a exposição deste relatório e de meu nome, minhas declarações estão lá, nunca deixei de contribuir com a investigação, nunca ocultei ou inseri qualquer documento que comprometesse a investigação.
Seria muita insensibilidade de minha parte adotar a postura criminosa “vendida” pela Polícia Civil, em memória às crianças que vi durante toda aquela operação e que choro aquelas vidas perdidas, pois muitos amigos lá ficaram e minhas próprias filhas lá poderiam estar.
Somos os maiores interessados em trazer à lume a verdade, mas não é o tempo recorde de um Inquérito Policial que vai fazer justiça, pelo contrário, muitas injustiças já ocorreram: eu sou um exemplo.
Mais ainda, o Código Penal Militar é tremendamente rigoroso em relação ao Código Penal Comum, basta comparar as penas de crimes idênticos praticados por civil ou militar para que se perceba as diferenças.
Alegar que é corporativa, enganem-se, é tremendamente rigorosa com os desvios de conduta de seus militares. Insistir em dizer que é corporativa, então terminemos com os julgamentos em foros privilegiados de políticos, juízes, promotores, etc.
Delegado Arigony:
Tenho me dado ao luxo de chorar desde o dia 29 de janeiro daquele fatídico dia, chorar na madrugada, em silêncio, ao acordar com pesadelos. Assim como todos os Bombeiros Militares por não terem podido salvar todas aquelas vidas, impotentes, enfraquecidos, tristes ao longo deste trinta e poucos dias diariamente sendo massacrados pela opinião pública induzida pela mídia e por sua investigação;
Como o senhor, chorei por todas as pessoas que conhecia, pelos 241 inocentes e sua família com suas casas vazias e pelas calúnias e difamações que sofremos como Instituição e pessoas.
Todos os seus termos, me permito compartilhar.
Mas choro pelo espetáculo proporcionado por sua Instituição, do qual poderíamos ser poupados; Choro pela desconsideração em relação aos militares que o senhor não tinha competência de indiciar e, que, na “maior boa vontade” prestaram depoimentos desnecessários à sua Instituição.
Choro, pois o senhor poderia, em sua fala dizer: “Deixo de indiciar os Policiais Militares por não ser de nossa competência constitucional investigar crimes militares” e quanto a mim poupar meu nome e dignidade por não ter praticado qualquer crime e se praticado, não seria da sua competência o indiciamento.
Choro, pois não esperava do senhor e de sua instituição meu indiciamento por crime comum (crime impossível), expondo minha vida, minha família, minha carreira. Caso ache que fez justiça, creio que sim ou não, mas à custa de muitos inocentes vivos e mortos.
Não acredito que possam reparar este erro, pois jogada ao vento minha dignidade impossível o resgate, mas lhe reputo toda minha indignação e à sua instituição pela maldade e falta de escrúpulos. O senhor hoje pode ser herói, mas não esqueça de que nosso heroísmo e bravura remonta 175 anos de história no cenário gaúcho, nacional e internacional e não é a toa, somos a única instituição de Policia Militar com nome próprio: “Brigada Militar” e pelo que nossos telefones são conhecidos: 193 e 190 este é o último baluarte de proteção da sociedade gaúcha.
Gerson da Rosa Pereira
Major da Brigada Militar e Chefe do Estado Maior do 4º Comando Regional de Bombeiros"



Entenda: Como aconteceu a tragédia em Santa Maria/RS

O incêndio na boate Kiss, em Santa Maria, região central do Rio Grande do Sul, na madrugada de domingo, dia 27 de janeiro, resultou em 241 mortes. O fogo teve início durante a apresentação da banda Gurizada Fandangueira, que fez uso de artefatos pirotécnicos no palco. O inquérito policial, que indiciou 16 pessoas criminalmente e responsabilizou outras 12, conclui que:
- O vocalista segurou um artefato pirotécnico aceso no palco
- As faíscas atingiram a espuma do teto e deram início ao fogo
- O extintor de incêndio do lado do palco não funcionou
- A Kiss apresentava uma série das irregularidades quanto aos alvarás
- Havia superlotação no dia da tragédia, com no mínimo 864 pessoas
- A espuma utilizada para isolamento acústico era inadequada e irregular
- As grades de contenção (guarda-corpos) obstruíram a saída de vítimas
- A casa noturna tinha apenas uma porta de entrada e saída
- Não havia rotas adequadas e sinalizadas de saída em casos de emergência
- As portas tinham menos unidades de passagem do que o necessário
- Não havia exaustão de ar adequada, pois as janelas estavam obstruída.

by G1

Idoso morre em frente a posto de saúde em Porto Alegre


Atualizado em 26/03/2013 13h12


Secretaria Municipal de Saúde esclarece que morte ocorreu fora do local.
Homem de 72 anos desceu do táxi e passou mal; BM isolou a área.



Idoso morrem em frente ao Postão, no IAPI (Foto: Ivani Schütz/RBS TV)

Um homem de 72 anos morreu em frente a um posto de saúde na Zona Norte de Porto Alegre na manhã desta terça-feira (26). Segundo a Secretaria Municipal da Saúde, Altamiro Guimarães tinha consulta marcada para as 7h no Centro de Saúde IAPI, chegou ao local com antecedência e, antes de entrar, passou mal. "Ele desceu do táxi e desmaiou, ele estava se dirigindo para a consulta, foi ainda fora do posto", informou a assessoria de imprensa ao G1.
O idoso iria a uma consulta de rotina com o cardiologista. Por volta das 6h30, horário em que ele chegou, o centro de especialidades ainda estava fechado. Populares pediram ajuda ao segurança do prédio e aos funcionários do Centro de Saúde Mental, que fica na parte de trás, e permanece aberto durante 24 horas. Mas foi em vão.
Segundo testemunhas que estavam em frente ao posto, uma ambulância do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi chamada, mas demorou a chegar. "Ligamos, mas levou 40 minutos", contou o aposentado Luís Carlos Bertotto Paz, em frente ao posto. A Secretaria Municipal de Saúde ainda apura o tempo de deslocamento do veículo até o local. O idoso estava com sua mulher, que precisou ser atendida na unidade de saúde após ver o marido passar mal.
A Brigada Militar foi acionada e isolou o local, segundo o Centro Integrado de Operações de Segurança Pública (Ciosp). Uma equipe de perícia seria deslocada, mas não foi necessário. O médico de Altamiro, doutor Manoel Araújo, se encarregou do atendimento e atestou a morte.
De acordo com o médico, o idoso era hipertenso, fazia tratamento há 12 anos e, a cada três meses, visitava o consultório. "Vinha regularmente às consultas, não tinha maiores queixas", relatou.
Os familiares estão inconformados por ele ter morrido na porta de entrada de um posto de saúde e pelo atendimento de emergência não ter sido mais rápido. "Eu também liguei para o Samu, e eles disseram que estavam em deslocamento. Demoraram quase uma hora, deixaram meu pai morrer no chão, na frente de um posto de saúde", lamentou Josi Guimarães, filha de Altamiro.
by G1

Deputados visitam áreas destruídas pelas chuvas em Petrópolis, RJ


26/03/2013 16h36 - Atualizado em 26/03/2013 16h47


Parlamentares querem a desburocratização no envio de recursos.
Temporal dos dias 17 e 18 de março deixou 33 mortos.

Deputados visitam uma área do Quitandinha onde 20 pessoas morreram (Foto: Felipe Carvalho/G1)Deputados visitaram a área do Quitandinha onde 20 pessoas morreram (Foto: Felipe Carvalho/G1)
Uma comitiva composta por oito deputados federais estiveram em Petrópolis, Região Serrana do Rio, nesta terça-feira (26) para visitar os locais destruídos pelo temporal dos dias 17 e 18 de março. Os parlamentares criaram uma comissão externa para acompanhar a recuperação e os investimentos em prevenção de desastres na Região Serrana.
Pela manhã, os deputados se reuniram com o prefeito da cidade, Rubens Bomtempo, e com o coordenador de Defesa Civil, o tenente-coronel Rafael Simão. Logo em seguida, a comitiva visitou os dois bairros mais castigados pelas chuvas da última semana: Quitandinha e Alto Independência.
Após a visita, os parlamentares apontaram a burocracia no envio dos recursos federais e o baixo investimento em prevenção como os principais problemas enfrentados pela cidade neste primeiro momento.
"Em 2010 e 2011 nenhum centavo em prevenção foi repassado pelo governo federal para Petrópolis. Em 2012, apenas R$ 32 milhões. Não é à toa que nenhuma casa popular foi entregue. Desburocratizar é o nosso grande objetivo. É preciso trabalhar para que estes recursos cheguem com mais celeridade", disse o deputado federal Otávio Leite (PSDB-RJ).
Nos últimos quatro anos, nenhuma casa popular foi entregue. Estima-se que 15 mil famílias vivam em áreas de risco em Petrópolis. O temporal da última deixou 33 mortos e mais de mil desabrigados. Oito pessoas ainda permanecem internadas, duas em estado grave. Um levantamento divulgado pela Defesa Civil aponta que 31 casas foram destruídas totalmente, 155 residências tiveram danos parciais e ainda outras 200 foram interditadas.
"Esta conversa é importante para entendermos que a formalidade não pode ser maior que o objetivo das coisas. Não adianta ter o recurso liberado, mas que esteja de alguma forma represado. É preciso que estes recursos se traduzam em benefício público. Ainda existem alguns gargalos para serem trabalhados", afirmou o prefeito de Petrópolis, Rubens Bomtempo.
No início da tarde, a comitiva seguiu para Niterói, Região Metropolitana do Rio de Janeiro, para visitar o Morro do Bumba, onde, em 2010, 50 pessoas morreram em um deslizamento.
Verba emergencial liberada pelo estado ainda não chegou
Bomtempo confirmou que o recurso emergencial ainda não chegou (Foto: Felipe Carvalho/G1)Bomtempo confirmou que o recurso emergencial
ainda não chegou (Foto: Felipe Carvalho/G1)
O governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, anunciou no último dia 18 de março a liberação de R$ 3 milhões para repasse imediato para a recuperação das áreas atingidas na cidade. No entanto, quase 15 dias depois, o dinheiro ainda não chegou aos cofres de Petrópolis.
"Nós ainda estamos trabalhando para resolver algumas pendências burocráticas. Acredito o recurso chegue ainda esta semana. Estamos trabalhando com contratações emergenciais para resolver os problemas iniciais", disse o Bomtempo.
by Chandy Teixeira
Do G1 Região Serrana

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