quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Os vencedores do Troféu Algemas de Ouro

CORRUPÇÃO

Eleitores usam as máscaras dos vencedores do concurso do político mais corrupto
Os vencedores do Troféu Algemas de Ouro 2012 foram o ex-presidente Lula (ouro), o ex-senador Demóstenes Torres (prata) e o governador do Rio, Sérgio Cabral (bronze). A festa de premiação foi realizada hoje durante o Grito de Carnaval do Pega Ladrão, no Leblon. RJ. Além das algemas, o vencedor recebeu um "checão" de R$ 153 milhões, valor desviado dos cofres públicos com o Mensalão, segundo o Supremo Tribunal Federal (STF).
A escolha da personalidade mais corrupta de 2012 foi feita por meio de enquete no Facebook. Foram computados mais de 14 mil votos válidos pelo Movimento 31 de Julho contra a Corrupção e a Impunidade, que organizou o concurso. Os organizadores impugnaram cerca de 9 mil votos falsos, enviados por software robô. A votação começou em novembro e foi encerrada no dia 15 de janeiro.
A primeira edição do Troféu Algemas de Ouro (2011) foi vencida pelo senador José Sarney com 60% dos 7 mil votos. As Algemas de Prata ficaram com o ex-ministro José Dirceu. E as Algemas de Bronze ficaram com a deputada federal Jaqueline Roriz.
Para os organizadores da enquete, todos os dez candidatos ao troféu merecem as algemas. Os candidatos da segunda edição do Troféu Algema de Ouro foram: Demóstenes Torres (ex-DEM/GO), ex-senador, da Quadrilha Delta-Cachoeira; Eduardo Azeredo (PSDB/MG), deputado federal, envolvido no mensalão do PSDB de MG; Erenice Guerra (PT), ex-ministra da Casa Civil, afastada por tráfico de influência; Fernando Pimentel (PT), ministro do Desenvolvimento, acusado de consultorias fantasmas; Fernando Cavendish (Delta), ex-presidente da Delta, empresário líder no mercado da corrupção; Jader Barbalho (PMDB/PA), senador, escapou da Lei da Ficha Limpa, envolvido no escândalo da Sudam; José Roberto Arruda (ex-DEM/DF), ex-governador do DF, cassado por corrupção explícita; Lula (PT), ex-presidente, que não sabe do Mensalão nem do Rosegate, pelo conjunto da obra; Paulo Maluf (PP/SP), deputado federal, fugitivo da Interpol, pelo conjunto da obra; e Sérgio Cabral (PMDB/RJ), governador do RJ, da Gang do Guardanapo, amigo da Delta.
by Enviado por Jorge Antonio Barros -

O PT e as autocríticas



Nota: A facção totalitária do PT não está nem aí para autocrítica. Chama isso de “moralismo burguês”. Mas vale acompanhar este movimento dentro do partido.
Zuenir Ventura*
Uma aragem moralizadora está soprando do Sul, vinda de dentro do próprio PT. Primeiro foi o ex-prefeito de Porto Alegre, ex-ministro das Cidades e ex-presidente do partido, Olívio Dutra. Agora é a vez do governador e ex-ministro de Lula Tarso Genro.
Descontentes, ambos criticam a postura da agremiação que ajudaram a fundar por ter abandonado sua original e lendária bandeira da ética. Além de ter sido contra José Genoino assumir o mandato depois de condenado pelo STF (“Tu deverias pensar na tua biografia”), Dutra repetiu a advertência que já tinha feito a Lula sobre o preço que iria pagar “por estar cercado de maus companheiros”, referindo-se à entrega de cargos a torto e a direito sob o pretexto de garantir governabilidade.
Genro, por sua vez, disse essa semana ao repórter Marcelo Remígio, do GLOBO, que “estamos utilizando os métodos de partidos que criticávamos”, e por isso defende a adoção de “regras muito rígidas em relação a seus dirigentes, seus quadros e seus vínculos com as empresas privadas”. Em suma, “o partido precisa passar por uma profunda renovação”.
Ainda que menos incisiva do que a de Dutra, a crítica do governador gaúcho deixa claro que não concorda, por exemplo, com a tentativa de José Dirceu de “estabelecer uma identidade entre seus problemas e os do partido”. Segundo ele, a agenda do PT não pode ser a da “Ação Penal 470, mas sim a da reforma política e do sistema de alianças”.
O que acontecerá com esses dois líderes históricos do petismo após suas autocríticas? Embora sejam atitudes saudáveis, sabe-se que o PT não convive bem com a divergência. Quando isso acontece, ou os dissidentes deixam o partido, como foi o caso de Chico Alencar, Cristovam Buarque, Marina Silva, Plínio de Arruda Sampaio, Cesar Benjamim, Fernando Gabeira, Milton Temer, ou são expulsos, como foram em 2003 a senadora Heloísa Helena e os deputados Luciana Genro (filha de Tarso), João Fontes e João Batista Araújo, o Babá.
Por ironia da história, o mesmo PT que, presidido por Genoino na época, decidiu botar para fora seus colegas por conduta radical, não pretende fazer o mesmo com os quatro recém-condenados pelo STF no processo do mensalão, embora o estatuto preveja a expulsão por “práticas administrativas ilícitas” e “inobservância grave da ética”. Será que “corrupção ativa” não configura ilícito?
Ainda sobre más companhias. Sergio Cabral teve que engolir calado o deboche de Garotinho: “O Eduardo Cunha já foi meu amigo. Hoje não fala comigo e é amigo do Cabral.”
* Artigo de Zuenir Ventura, publicado na edição de 19 de janeiro de 2013, no jornal O Globo
Fonte: www.estemundopossivel.com.br

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