Na Praia Brava, algo se quebrou. E não foi apenas a vida de dois cães.
Orelha foi assassinado. Pretinha resistiu o quanto pôde, mas também morreu, carregando no corpo as marcas da violência. Não foi por acaso, nem uma doença isolada. Foi consequência — de mãos humanas, da covardia, da omissão, de um tipo de brutalidade que não termina no ato, mas se estende no tempo, nos corpos, na memória.
Dizem que a medicina fez tudo o que era possível. E fez. O que nunca foi feito — e ainda não é — foi impedir que essa violência acontecesse.
Hoje há casinhas vazias na praia. Isso não é metáfora. É sinal visível de que a crueldade não mata só indivíduos: ela mata o espírito de um lugar.
Quem fez isso não feriu apenas dois animais indefesos. Feriu uma comunidade inteira, feriu a ideia de convivência, feriu a sensação de segurança, feriu o direito de existir sem medo.
Não aceitamos o silêncio como resposta, nem o esquecimento como solução. Não aceitamos que isso seja tratado como “mais um caso”, porque não foi.
Enquanto não houver responsabilização real, enquanto a violência contra os vulneráveis continuar sendo relativizada, enquanto a vida seguir sendo tratada como descartável — nenhuma praia será apenas uma praia.

Nenhum comentário:
Postar um comentário