by Deise Brandão
O nome dela é Erin Brockovich.
E tudo começou com uma pergunta simples — e perigosa: por quê?
Em 1993, Erin era mãe solo de três filhos, duas vezes divorciada, sem dinheiro e sem prestígio. Trabalhava arquivando papéis em um pequeno escritório de advocacia. Um lugar onde ninguém espera que você pense. Muito menos que questione. Mas ela questionou.
Ao organizar documentos de um caso imobiliário, percebeu algo fora do lugar: exames médicos misturados a registros de terras. Laudos, resultados de sangue, diagnósticos. Por que uma empresa de energia precisava disso? Ela não fingiu que não viu.
Foi até Hinkley, uma cidade pequena, quente, silenciosa — e doente. Conversando dentro das casas, ouvindo histórias na mesa da cozinha, percebeu o padrão: sangramentos, dores constantes, problemas respiratórios, câncer demais para um lugar tão pequeno.
A empresa garantia que a água era segura. Que continha apenas cromo “inofensivo”. Erin foi atrás dos fatos. Descobriu que havia dois tipos — e que o usado ali era o cromo-6, altamente tóxico e cancerígeno.
Durante anos, resíduos foram despejados no solo. A água foi envenenada. E as pessoas, adoeceram em silêncio.
Erin reuniu provas, convenceu seu chefe e bateu de frente com uma gigante bilionária. Não era mais um processo. Era um levante.Foram 634 moradores.
Em 1996, a empresa pagou 333 milhões de dólares — o maior acordo judicial direto da época. Mas o valor real não foi o dinheiro.
Foi provar que uma mulher fazendo a pergunta certa pode desmontar um sistema inteiro.

Nenhum comentário:
Postar um comentário