domingo, 28 de dezembro de 2025

Patrimônio imobiliário e cargos públicos: o rastro de imóveis de Alexandre de Moraes




by Deise Brandão

Entre novembro de 2006 e agosto de 2009, um período sensível da carreira pública de Alexandre de Moraes, chama atenção pelo volume e pelo padrão dos negócios imobiliários realizados. Foram oito aquisições, incluindo apartamentos de andar inteiro em bairros nobres, terrenos em condomínio de luxo e propriedade rural, com valores declarados que somam R$ 4,5 milhões à época — sem correção monetária.

O intervalo coincide com sua saída do governo de Geraldo Alckmin, a atuação como conselheiro do Conselho Nacional de Justiça e parte do período em que foi secretário municipal na gestão de Gilberto Kassab. À época, sua renda pública conhecida não explicava, por si, a escalada patrimonial.

Do padrão médio ao alto luxo

Até 2005, Moraes declarava um patrimônio típico de classe média: dois apartamentos (Saúde e Aclimação) e uma casa de fim de semana em São Roque. Havia ainda herança familiar da esposa, Viviane Barci de Moraes, e rendimentos como professor e autor de obras jurídicas.

Em novembro de 2006, porém, ocorre a virada: um apartamento de 332 m², andar inteiro, no Itaim Bibi, por R$ 2,03 milhões (valor declarado). Embora a escritura registre pagamento exclusivo da esposa, um adendo posterior indica que um imóvel do próprio Moraes foi usado para abater R$ 650 mil do preço — contradição documental relevante.

Seis meses depois, em maio de 2007, outro salto: 365 m², também andar inteiro, cinco vagas, no edifício Mansão Tucumã, frente ao Clube Pinheiros. O preço declarado foi R$ 1,82 milhão (cerca de R$ 3,27 milhões corrigidos), enquanto a tabela municipal apontava R$ 4,1 milhões. Em 2014, o imóvel passou para a Lex Estudos Jurídicos, empresa ligada ao ministro.

À época dessas compras, Moraes era conselheiro do CNJ, com salário bruto em torno de R$ 23,2 mil.

Compra, venda e lucro

O apartamento do Itaim foi vendido em julho de 2010 por R$ 3,02 milhões (valor declarado), um lucro de cerca de R$ 1 milhão frente ao preço informado na compra. Na sequência, foi adquirido um imóvel de 217 m² no mesmo bairro, por R$ 850 mil, destinado ao escritório de advocacia.

A sequência na gestão Kassab

Nomeado secretário em agosto de 2007, Moraes acumulou pastas estratégicas (Transportes e Serviços), além de presidir SPTrans e CET. Nesse período, vieram mais seis aquisições:

  • Dez/2007: Aclimação (para a mãe) — R$ 145 mil

  • Fev/2008: Perdizes — R$ 200 mil

  • Jun/2009: Cambuci — R$ 150 mil

  • Jun/2009: dois terrenos em São RoqueR$ 100 mil

  • Ago/2009: 1/3 de sítio em Inimutaba (MG)R$ 40 mil

Os valores declarados, em vários casos, ficaram abaixo do mercado, segundo corretores e referências oficiais.

A casa de campo e os terrenos contíguos

Em São Roque, os dois terrenos de 2009 dobraram a área do lote já existente para 5.000 m², dentro do Patrimônio do Carmo, condomínio de alto padrão com segurança reforçada. Avaliações comparáveis indicam que lotes menores na mesma área foram avaliados entre R$ 150 mil e R$ 200 mil, enquanto um imóvel semelhante, com terreno menor, foi avaliado em R$ 1 milhão em leilão judicial (2016).

As terras em Minas

Em Inimutaba, Moraes adquiriu, com dois magistrados colegas da USP, 40 hectares do Sítio Novo Horizonte. Cada um declarou R$ 40 mil. Corretores locais estimam o hectare entre R$ 10 mil e R$ 12 mil, o que projeta valor total bem acima do declarado.

Um negócio atípico

Durante a gestão Kassab, Moraes vendeu apenas um imóvel: o apartamento da Aclimação (comprado em 1998). Em 2008, foi vendido a Luiz Herrmann Júnior, da Editora Atlas — editora das obras do ministro — por R$ 750 mil. Um mês depois, o comprador revendeu com prejuízo registrado de R$ 150 mil.

Iniciativa privada só depois

A entrada formal de Moraes na iniciativa privada ocorreu após deixar a prefeitura. Seu escritório, rebatizado com o sobrenome da esposa quando assumiu o ministério, passou a se chamar Barci de Moraes Advogados Associados. Reportagem posterior revelou pagamentos milionários recebidos da JHSF, empresa investigada à época.

Por que o tema permanece atual?

Porque o conjunto — volume de aquisições, subavaliações recorrentes, contradições documentais e coincidência temporal com cargos estratégicos — segue levantando perguntas legítimas sobre transparência patrimonial e conflitos de interesse no topo do poder. Atualizar esses fatos é relembrar que patrimônio público e privado não podem caminhar sem escrutínio.


Nota de responsabilidade editorial
Este texto não formula acusações novas nem juízos criminais. A atualização consiste na reorganização cronológica dos fatos, contextualização institucional e análise jornalística a partir de informações previamente publicadas e documentos públicos acessíveis.  Esta matéria tem como base reportagens investigativas já publicadas, documentos públicos e registros oficiais, devidamente atualizados e contextualizados.O conteúdo reflete exclusivamente o trabalho editorial da autora, baseada nas fontes abaixo.

Imprensa
Série de reportagens investigativas (2017–2018), fundamentadas em: matrículas e escrituras imobiliárias,certidões de cartórios de São Paulo e Minas Gerais,entrevistas com corretores de imóveis, tabelas oficiais de avaliação imobiliária,imagens de satélite e plantas de condomínios.

Folha de S.Paulo
Reportagem publicada em outubro de 2017 informando que o escritório Barci de Moraes Advogados Associados recebeu cerca de R$ 4 milhões da empresa JHSF, investigada à época na Operação Acrônimo.

Documentos públicos consultados
Cartórios de Registro de Imóveis
São Paulo (Itaim Bibi, Aclimação, Perdizes, Cambuci)
São Roque (SP)
Inimutaba (MG)

Prefeitura de São Paulo
Tabelas oficiais de IPTU e valores venais
Registros de área construída e dados cadastrais
Leilões judiciais e avaliações públicas
Imóveis e terrenos no condomínio Patrimônio do Carmo (São Roque/SP)
Órgãos e informações institucionais
Conselho Nacional de Justiça
Dados funcionais e remuneração do período em que Alexandre de Moraes atuou como conselheiro.

Prefeitura de São Paulo
Nomeações e cargos exercidos durante a gestão Gilberto Kassab
Atuação nas secretarias municipais e empresas públicas vinculadas.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2025

O crime que não morre com o autor: o feminicídio de Eliane de Grammont



            

by Deise Brandão

A morte recente de Lindomar Castilho recoloca em evidência um dos crimes mais emblemáticos da história da música brasileira: o assassinato de Eliane de Grammont, em 1981, em pleno palco, durante uma apresentação musical em São Paulo.

Não se trata de reabrir curiosidades biográficas nem de romantizar tragédias. Trata-se de nomear corretamente o fato: feminicídio.

Um casamento marcado por controle e violência

Lindomar Castilho e Eliane de Grammont foram casados entre 1979 e 1981. O relacionamento teve início no ambiente profissional da gravadora RCA e resultou no nascimento de uma filha, Liliane. Relatos da época, inclusive constantes nos autos judiciais, apontam um convívio marcado por ciúmes excessivos, conflitos recorrentes e episódios de violência física, agravados pelo consumo de álcool por parte do cantor.

Eliane decidiu se separar. Essa decisão — comum, legítima e legal — foi tratada por ele como afronta pessoal.

O assassinato em público

Em 30 de março de 1981, Lindomar Castilho entrou armado na casa de shows Belle Époque, na capital paulista. No momento em que Eliane interpretava “João e Maria”, composição de Chico Buarque, o cantor efetuou cinco disparos de arma de fogo contra ela.

A motivação apontada foi o ciúme em relação ao violonista Carlos Randall, primo de Lindomar, que acompanhava Eliane naquela apresentação. Randall também foi atingido, mas sobreviveu.

Eliane de Grammont morreu aos 26 anos, ainda no trajeto para o hospital. O crime foi cometido diante do público, em um espaço de trabalho, como demonstração extrema de posse e controle.

Condenação e cumprimento da pena

Lindomar Castilho foi condenado por homicídio em 1984. O cumprimento da pena ocorreu da seguinte forma:

  • Regime fechado: 1984 a 1986

  • Regime semiaberto: a partir de 1986

  • Extinção da pena: 1996

Após cumprir a pena, obteve liberdade total. Sua trajetória artística jamais se desvinculou do crime, embora parte do discurso público tenha tentado, ao longo dos anos, deslocar o foco da vítima para a “queda” do agressor.

As marcas que permanecem

Liliane, filha do casal, já declarou publicamente que o assassinato destruiu a estrutura familiar e alterou definitivamente a imagem paterna. Ao falar sobre perdão, afirmou tratar-se de um processo íntimo e subjetivo, que não apaga o fato nem suas consequências.

Carlos Randall, em depoimento concedido em 2022, relatou as sequelas psicológicas e profissionais de ter sobrevivido ao ataque que matou sua colega de palco, destacando a dificuldade de retomar a carreira artística após o episódio.

O nome correto do crime

Eliane de Grammont não morreu por “ciúme”, “paixão” ou “tragédia pessoal”. Foi assassinada por não aceitar viver sob violência e controle. Isso tem nome: feminicídio.

A morte do autor do crime não encerra a história, não reescreve os fatos e não reduz a gravidade do que ocorreu. O passado permanece — não como curiosidade, mas como registro histórico de uma violência que o país ainda insiste em repetir.

Lembrar Eliane é mais do que recordar um caso antigo. É afirmar que a sociedade não pode continuar tratando crimes contra mulheres como notas de rodapé biográficas.

O silêncio genético do HIV

Imagem gerada pela GPT

by Deise Brandão

Pesquisadores da Temple University, nos Estados Unidos, vêm explorando uma abordagem ousada contra o HIV: atacar o vírus no ponto mais difícil de alcançar — o DNA das células humanas onde ele permanece oculto. Usando a ferramenta de edição genética CRISPR/Cas9, os cientistas conseguiram localizar e remover trechos específicos do material genético do HIV-1 integrados ao genoma de células do sistema imune.

A proposta é radicalmente diferente do tratamento convencional, que se baseia no uso contínuo de antirretrovirais para manter o vírus sob controle, sem eliminá-lo. Aqui, a ideia é intervir diretamente na raiz do problema: remover o HIV dos seus esconderijos genéticos mais persistentes.

Em testes realizados em laboratório, a técnica foi aplicada em células T em estado latente, conhecidas por funcionarem como reservatórios silenciosos do vírus. Nessas condições experimentais, o DNA viral foi retirado sem comprometer a integridade da célula hospedeira. Mais do que isso: as células editadas demonstraram resistência a novas tentativas de infecção, sugerindo que o vírus não conseguiu mais se reinserir nem retomar seu ciclo de replicação.

Em síntese, o que esse estudo demonstra não é uma cura disponível, tampouco uma solução imediata para pessoas vivendo com HIV, mas a prova concreta de que a ciência já consegue intervir diretamente no DNA viral integrado às células humanas — algo que até pouco tempo atrás era considerado inalcançável. Trata-se de um avanço conceitual relevante, restrito ao ambiente experimental, que abre possibilidades reais para pesquisas futuras, mas que ainda exige tempo, cautela e rigor antes de qualquer aplicação clínica. O marco aqui não é o fim do HIV, e sim a confirmação de que seus reservatórios genéticos deixaram de ser um território intocável.

Os próprios autores, no entanto, deixam claro que os resultados ainda se limitam ao ambiente de laboratório e a modelos experimentais. Antes de qualquer aplicação clínica, são necessários estudos extensos de segurança, precisão e eficácia em organismos vivos e, posteriormente, em humanos. Ainda assim, o trabalho é visto como um passo importante na direção de terapias que, no futuro, possam ir além do controle e apontar para a possibilidade real de erradicação do vírus.

Fonte: 
Nature Communications (2019)

quinta-feira, 18 de dezembro de 2025

O Brasil engolindo o que o poder cospe: 10 frases de Luiz Inácio que embrulham o estômago — não pelo vocabulário, mas pelo que revelam.

by Deise Brandão

O presidente Lula  (também) coleciona episódios em que uma frase, dita de improviso, desloca o foco do assunto central e vira o fato do dia. Em alguns casos, as declarações foram acusadas de machismo, capacitismo ou insensibilidade social; em outros, provocaram desgaste diplomático e ruído político com impacto real.

O problema aqui não é “gafe” como folclore. É o efeito acumulado: cada frase controversa vira munição, rompe pontes, alimenta polarização e enfraquece a autoridade simbólica que um chefe de Estado deveria preservar — especialmente em temas sensíveis. Veja-se:

1) “Se o cara é corintiano, tudo bem”

Em reunião no Palácio do Planalto, Lula comentou uma pesquisa que apontaria aumento da violência contra a mulher após jogos de futebol. No meio do raciocínio, disse:

“Hoje, eu fiquei sabendo de uma notícia triste, eu fiquei sabendo que tem pesquisa, Haddad, que mostra que depois de jogo de futebol, aumenta a violência contra a mulher. Inacreditável. Se o cara é corintiano, tudo bem, como eu. Mas eu não fico nervoso quando perco, eu lamento profundamente”.

A frase foi criticada por parecer relativizar um problema grave ao encaixar a observação futebolística (“corintiano”) no mesmo fluxo do tema “violência contra a mulher”. Dias depois, Lula tentou corrigir o tom com a afirmação de que “homem com fé em Deus não bate em mulher”.

2) “Quando vai fechar a porteira?”

Durante entrega de unidades do Minha Casa Minha Vida em Maceió, Lula perguntou a uma mãe de cinco filhos quando ela “iria fechar a porteira”, sugerindo que deveria parar de ter filhos.

A declaração foi classificada como machista por tratar a maternidade com ironia pública e por transformar um contexto social (família, renda, acesso a políticas públicas) em comentário pessoal — ainda que em tom informal.

3) “Uma máquina de lavar roupa é uma coisa muito importante para as mulheres”

+ “Eu não tinha noção que no Rio Grande do Sul tinha tanta gente negra”

Em evento no Rio Grande do Sul, durante anúncio de ações de reconstrução, Lula enfatizou a importância de eletrodomésticos para o cotidiano das mulheres, com a frase:

“Uma máquina de lavar roupa é uma coisa muito importante para as mulheres”.

A crítica foi direta: a fala reforçaria estereótipos de gênero ao associar mulheres à rotina doméstica como destino social.

Na mesma visita ao Estado, Lula também disse:

“Eu não tinha noção que no Rio Grande do Sul tinha tanta gente negra”.

A frase gerou repercussão por expor desconhecimento de uma realidade demográfica e histórica do próprio país, com interpretações de que o comentário reforça visões estereotipadas sobre o Sul.

4) “Que monstro vai sair do ventre dessa menina?”

Em entrevista à rádio CBN, Lula comentou o debate sobre um projeto que propõe equiparar aborto após 22 semanas ao crime de homicídio, dizendo:

“Por que uma menina é obrigada a ter um filho de um cara que estuprou ela? Que monstro vai sair do ventre dessa menina? Então essa é uma discussão mais madura, não é banal como se faz hoje”.

A oposição usou a frase como munição política, e parte da crítica pública apontou que o termo “monstro” desloca o debate (estupro, aborto, legislação) para uma imagem moralmente explosiva — que alimenta mais choque do que esclarecimento.

5) Israel e Holocausto: a crise diplomática

Em declaração sobre a guerra em Gaza, Lula afirmou:

“O que está acontecendo na Faixa Gaza não existe em nenhum outro momento histórico, aliás, existiu quando Hitler resolveu matar os judeus”.

A repercussão foi internacional. A comparação foi considerada gravíssima por Israel e gerou deterioração pública da relação diplomática, com respostas duras do governo israelense e escalada do desgaste.

6) “Não vou aparecer com muletas e andador”

Antes de uma cirurgia no quadril, Lula afirmou que não seria visto usando muletas ou andador, insinuando que isso prejudicaria sua imagem.

A fala foi acusada de capacitismo por sugerir vergonha ou demérito em instrumentos de mobilidade — reforçando estigmas que pessoas com deficiência enfrentam diariamente.

7) “Desequilíbrio de parafuso”

Após ataque a uma creche em Blumenau (SC), Lula disse:

“A OMS sempre afirmou que na humanidade deve haver 15% de pessoas com algum problema de deficiência mental. Se esse número é verdadeiro, e você pega o Brasil com 220 milhões de habitantes, significa que temos quase 30 milhões de pessoas com problema de desequilíbrio de parafuso. Pode uma hora acontecer uma desgraça”.

A crítica veio por associar violência a “deficiência mental” em tom generalizante e por usar expressão pejorativa (“desequilíbrio de parafuso”), interpretada como estigmatizante e ofensiva.

8) Banco Central “desajustado do Brasil”

Em entrevista, Lula chamou a política de juros do Banco Central de “a única coisa desajustada do Brasil” e questionou a independência da instituição.

A repercussão se deu no mercado e no debate público: críticos apontaram risco de pressão política sobre uma estrutura que deveria operar com autonomia; apoiadores viram uma crítica legítima ao custo do dinheiro e ao impacto social dos juros.

9) Venezuela: “vítima de narrativa”

Em coletiva ao lado de Nicolás Maduro, Lula afirmou que a Venezuela seria:

“vítima de uma narrativa de antidemocracia e autoritarismo”.

A frase recebeu críticas por relativizar denúncias internacionais sobre violações de direitos humanos e por colocar o Brasil no centro de um debate diplomático sensível, com custo de imagem externa.

10) Lava Jato, 7 a 1 e “f**** o Moro”

Na posse da presidente da Petrobras, Lula disse:

“Vocês estão lembrados quando nós começamos a fazer a Copa do Mundo, a quantidade de denúncias de corrupção dos estádios? (…) E, Deus é justo, nós tomamos de 7 a 1 naquela Copa, da Alemanha. Já que é para castigar, vamos castigar.”

Em outro episódio, relatou uma frase dita a procuradores durante o período em que esteve preso:

“Só vou ficar bem quando f**** o Moro”.

As falas reforçaram a leitura de confronto político permanente e alimentaram críticas sobre revanchismo e desprezo simbólico por pautas anticorrupção — ainda que parte do público as interprete como reação a abusos do próprio processo da Lava Jato.

O ponto central: a frase vira o fato — e o país paga o custo

Há um padrão nessas controvérsias: o tema principal (violência doméstica, políticas públicas, reconstrução, guerra, governança econômica, direitos humanos) é engolido pelo ruído da frase. O debate público deixa de discutir conteúdo e passa a girar em torno de interpretação, indignação e “torcida”.

Analistas apontam que esse tipo de improviso pode até funcionar no palanque, mas cobra preço alto no exercício do cargo. Porque presidente não fala só como indivíduo — fala como Estado. E, nesse nível, cada palavra vira política. 

sábado, 13 de dezembro de 2025

Controle do dinheiro vivo: o que é fato, o que é exagero e o que está em jogo



by Deise Brandão

Circulam nas redes textos alarmantes dizendo que o Estado estaria prestes a proibir o uso de dinheiro em espécie, limitar quanto cada cidadão pode ter em casa e até confiscar valores automaticamente. A discussão voltou à tona após movimentações recentes em comissões do Congresso, incluindo a CCJ. Mas o cenário real é mais complexo — e mais perigoso justamente por isso.
O que é FATO

Existem, sim, projetos de lei e propostas regulatórias no Brasil e em outros países que buscam:
  • restringir transações em dinheiro acima de determinados valores;
  • ampliar a obrigação de comunicação ao Coaf em operações consideradas “atípicas”;
  • fortalecer mecanismos de rastreabilidade financeira, sob o argumento de combate à lavagem de dinheiro, sonegação e crime organizado.
Essas medidas não são novas, nem exclusivas do Brasil. Elas fazem parte de uma tendência global de redução do dinheiro físico e fortalecimento do sistema financeiro digital.

Também é verdade que o uso de dinheiro vivo já é tratado com suspeição crescente por órgãos de controle.
 
O que NÃO é verdade (ou está exagerado)
  • Não existe, neste momento, uma lei aprovada que proíba o cidadão de ter dinheiro em casa.
  • Não há confisco automático de valores apenas por posse.
  • Não existe um limite legal fixo nacional dizendo que você não pode guardar mais de “X” reais sob pena de perder tudo.
Muitas das cifras citadas (R$ 10 mil, R$ 100 mil, R$ 300 mil) aparecem em contextos diferentes, como:
regras bancárias,normas administrativas,obrigações de comunicação,projetos ainda em discussão,
e são misturadas propositalmente para criar a sensação de um pacote único já em vigor — o que não é verdade.
 
Onde está o PERIGO REAL

O risco não é um “confisco imediato”, mas algo mais sutil e estrutural.
O modelo que está sendo desenhado em vários países é este:
Tudo é permitido — desde que você explique.
E explicar significa:justificar origem,justificar destino,justificar intenção,justificar padrão de consumo.

Isso inverte a lógica da presunção de liberdade.
O cidadão deixa de ser livre até prova em contrário e passa a ser suspeito por padrão.
O dinheiro em espécie sempre foi:anônimo,descentralizado,resistente a bloqueios,
último instrumento de autonomia prática.
Reduzir seu uso não é só questão financeira, é questão de poder.
Não é “combate ao crime” apenasO discurso oficial sempre vem embalado em palavras bonitas:
“segurança”“transparência”“controle”“proteção da sociedade”

Mas, historicamente, toda arquitetura de vigilância começa assim:
devagar, técnica, burocrática, aparentemente razoável.
O problema não é investigar crimes.
O problema é tratar todo cidadão como um criminoso em potencial.

Não, o Brasil ainda não vive uma proibição total do dinheiro vivo.
Mas sim, há um movimento claro para:reduzir sua circulação,associar sua posse à suspeita,
condicionar a liberdade econômica à autorização estatal.
Não é distopia pronta.
É ensaio.
E ensaios servem justamente para testar até onde as pessoas aceitam.

O alerta não é para entrar em pânico. É para não normalizar.
Porque quando o dinheiro vira crime, a liberdade vira exceção.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2025

As 48 leis do poder

  Imagem criada para apostagem pela IAGemini

by Deise Brandão

1. Não ofusque o brilho do mestre.

Para agradar não exagere seus talentos, faça o mestre parecer mais brilhante. Mas se ele for fraco, apresse discretamente sua queda, contudo se ele for muito fraco, deixe o tempo se encarregar dessa queda para não manchar sua imagem.

2. Não confie demais nos amigos e aprenda a usar os inimigos.

Pessoas próximas podem sentir inveja e te derrubar facilmente pelo acesso que têm a você, cuidado. Inimigos próximos, por sua vez, te deixam alerta e se dedicam mais porque precisam se provar.

3. Oculte suas intenções.

Quando seus planos são ocultos as pessoas não poderão te prejudicar com ações prévias e más intenções. Porém, cuidado com cortinas de fumaça constantes que são descobertas e trazem uma imagem de charlatanismo. Se for necessário, assuma o erro e se mostre arrependido para reconquistar a confiança do público.

4. Diga menos que o necessário.

Quanto mais você diz, mais comum parece ser e mais pode dizer besteiras. Torne as coisas inexatas, amplas e enigmáticas para parecer original e instigante. Contudo, nem sempre é sensato ser vago, principalmente para não fomentar hipóteses prejudicais a você ou suspeitas e insegurança nos outros.  Seja cauteloso ao usar essa lei.

5. Muito se depende da reputação, então dê a própria vida para defendê-la.

Saiba qual reputação quer nutrir e aja conscientemente para construí-la e mantê-la de acordo com seus desejos. Não permita que outros construam sua reputação ou ficará a mercê deles.

6. Chame atenção a qualquer custo.

Destaque-se e fique visível a qualquer preço, porém com cuidado para não parecer excessivamente ansioso pela atenção, pois isso transmite insegurança, o que afasta o poder.

7. Faça os outros trabalhem por você, mas sempre fique com o crédito.

Use a sabedoria, o conhecimento e o esforço físico dos outros em causa própria. Porém, para que esse uso seja efetivo, sua posição tem de ser inabalável, ou você será acusado de fraude. Saiba quando dividir créditos pode ser útil para você.

8. Faça as pessoas virem até você, inclusive usando uma isca, se necessário.

É sempre melhor fazer seu adversário vir até você, abandonando seus próprios planos no processo. Use uma isca de ganhos fabulosos e atraia as pessoas para o campo de batalha que você domina. Porém, se surgir uma oportunidade para atacar de forma a vencer rapidamente seus inimigos, faça.

9. Vença por suas atitudes e não por discussões.

Vencer por discussão traz ressentimento e má vontade nas pessoas, é melhor fazer os outros concordarem com você pelas suas atitudes, sem dizer uma palavra. Só apele para um discurso persuasivo quando for para salvar sua pele e, nesse caso, mesmo sabendo que está mentindo, passe toda convicção possível, com a emoção certa e a segurança adequada.

10. Evite os infelizes e azarados e associe-se aos felizes e afortunados.

Associe-se aos felizes e afortunados, pois os estados emocionais são tão contagiosos quanto doenças. Os infelizes às vezes provocam a própria infelicidade; vão provocar a sua também.

11. Aprenda a manter as pessoas dependentes de você.

Quanto mais dependerem de você, mais liberdade você terá. Faça com que as pessoas dependam de você para serem felizes e prósperas, e você não terá nada o que temer. Mas lembre-se que toda independência tem o seu preço, aprenda a lidar com essa pressão para não sucumbir.

12. Use honestidade e generosidade seletivas para desarmar as pessoas.

Um gesto sincero e honesto encobrirá dezenas de outros desonestos. Até as pessoas mais desconfiadas baixam a guarda diante de atitudes francas e generosas. Porém quando você já tem um histórico de dissimulações, não há honestidade, generosidade ou gentileza que consiga enganar as pessoas.

13. Ao pedir ajuda, apele para o egoísmo das pessoas, jamais para a sua misericórdia ou gratidão.

Se precisar pedir ajuda a um aliado, não se preocupe em lembrar a ele a sua assistência e boas ações no passado, em vez disso revele algo na sua solicitação, ou na sua aliança com ele, que o vá beneficiar, e exagere na ênfase. Porém lembre que há pessoas que preferem uma oportunidade qualquer de exibir o quão são boas, nesse caso dê isso a elas.

14. Banque o amigo, mas aja como espião.

Use espiões para colher informações preciosas que o colocarão um passo à frente e ajudarão a conhecer melhor seu rival. Melhor ainda: represente você mesmo o papel de espião. Mas lembre-se que assim como você espiona, outros te espionarão também, então se for necessário espalhe algumas mentiras para te proteger. 

15. Aniquile totalmente o inimigo.

O inimigo perigoso deve ser esmagado totalmente, tanto física quanto espiritualmente. Se restar uma só brasa, por menor que seja, acabará se transformando em uma fogueira.Porém se tiver a chance de deixar ou mesmo promover que ele se autodestrua sozinho, melhor ainda.

16. Use a ausência para aumentar o respeito e a honra.

Circulação em excesso faz os preços caírem: quanto mais você é visto e escutado, mais comum vai parecer. Você deve saber quando se afastar. Crie valor com a escassez. Porém essa lei só se aplica se você já alcançou um certo nível de poder, afaste-se cedo demais e você será esquecido.

17. Mantenha os outros em um estado latente de suspense: cultive uma atmosfera de imprevisibilidade.

A sua previsibilidade lhes dá um senso de controle. Vire a mesa: seja deliberadamente imprevisível para deixar seus inimigos desorientados. Mas use a previsibilidade quanto for necessário deixar as pessoas ao seu redor se sentindo à vontade e tranquilas de forma que consiga direcioná-las para onde você quer.

18. Não construa fortalezas para se proteger, pois o isolamento é perigoso.

O isolamento expõe você a mais perigo do que o protege deles. Você fica isolado de informações valiosas, transforma-se em um alvo fácil e evidente. Melhor circular entre as pessoas, descobrir aliados e se misturar. A multidão serve de escudo contra seus inimigos. Contudo, o isolamento pode ser necessário para elaboração mais detalhada de um plano sem influências confusas alheias, mas use isso por um tempo curto para não perder de vista a realidade da vida.

19. Saiba com quem está lidando para não ofender a pessoa errada.

Engane ou passe a perna em certas pessoas e elas vão passar o resto da vida procurando se vingar de você. Portanto, cuidado ao escolher suas vítimas e adversários e jamais ofenda ou engane a pessoa errada.

20. Não se comprometa com ninguém.

Não se comprometa com partidos ou causas, só com você mesmo. Mas lembre-se que as pessoas vão lhe exigir um partido, saiba quando escolher algum lado pelas aparências e conquistar mais aliados.

21. Faça-se de otário para pegar os otários, pareça bobo para desarmar as pessoas.

O truque é fazer com que as pessoas se sintam espertas, e não só espertas, como também mais espertas do que você. Uma vez convencidas disso, elas jamais desconfiarão que você possa ter segundas intenções. Atenção apenas quando estiver subindo no poder, momento em que vale mostrar discretamente sua inteligência e capacidades acima da concorrência.

22. Use a tática da rendição: transforme a fraqueza em poder.

Se você é o mais fraco, não lute só por uma questão de honra; é preferível se render. Rendendo-se, você tem tempo para se recuperar, tempo para atormentar e irritar o conquistador, tempo para esperar que ele perca seu poder. Apenas cuidado para que sua rendição não te leve ao seu próprio extermínio, nesse caso deixe para lá o martírio e se proteja para ressurgir mais forte quando o tempo certo chegar.

23. Concentre suas forças.

Preserve suas forças e sua energia concentrando-as no seu ponto mais forte. Ao procurar fontes de poder para promovê-lo, descubra um ponto forte seu e o desenvolva com profundidade.

24. Represente o cortesão perfeito.

Domine a arte da dissimulação; adule, ceda aos superiores e assegure o seu poder sobre os outros da forma mais gentil e dissimulada. Porém não se arrisque a ser apanhado nas suas manobras e não deixe que as pessoas vejam seus artifícios e truques para eles não se voltarem contra você.

25. Recrie-se.

Não aceite os papeis que a sociedade lhe impinge. Recrie-se forjando uma nova identidade, uma que chame atenção e não canse a plateia. Apenas cuidado para não criar um papel que seja tão exagerado que seja visto como um canastrão e se volte contra você.

26. Mantenha suas mãos limpas.

Você deve parecer um modelo de civilidade e eficiência: suas mãos não se sujam com erros e atos desagradáveis. Mantenha essa aparência impecável fazendo os outros de joguete e bode expiatório para disfarçar a sua participação. Mas lembre-se de ficar atento caso isso comece a gerar revolta, se perceber esse movimento aja para pará-lo. 

27. Jogue com a necessidade que as pessoas têm de acreditar em alguma coisa para criar um séquito de devotos.

As pessoas têm um desejo enorme de acreditar em alguma coisa. Torne-se o foco desse desejo oferecendo a elas uma causa, uma nova fé para seguir. Para isso use palavras vazias de sentido, mas cheias de promessas. Contudo, lembre-se que lidar com uma multidão também traz perigo, uma vez que venham a se desiludir, serão muitos para você lidar.

Fique atento e tenha planos de contenção se surgirem sinais.

28. Seja ousado.

Todos admiram o corajoso, ninguém louva o tímido. Melhor agir com coragem. Qualquer erro cometido com ousadia é facilmente corrigido com mais ousadia. Porém a ousadia não deve ser uma estratégia por trás de todas as suas ações, ela deve ser usada no momento certo. Isso tanto para não cansar quanto para não gerar tantos distúrbios que não se possa controlá-los.

29. Planeje até o fim.

O desfecho é tudo. Planeje até o fim, considerando todas as possíveis consequências, obstáculos e reveses que possam anular o seu esforço e deixar que os outros fiquem com os louros. Mas tenha flexibilidade, pois sempre é necessário ajustes diante de acontecimentos inesperados. Nesse sentido, a flexibilidade sábia pode te salvar.

30. Faça suas conquistas parecerem fáceis.

Seus atos devem parecer naturais e fáceis. Toda técnica e esforço necessários para a sua execução, e os truques, devem estar dissimulados. Não caia na tentação de revelar o trabalho que você teve, pois isso despertará dúvidas, e não ensine a ninguém seus truques ou eles serão usados contra você. Contudo, há momentos também em que vale a pena revelar o esforço dos sues projetos. Tudo depende do gosto da sua plateia e da época em que você opera.

31. Controle as opções: quem dá as cartas é você.

Faça parecer que as pessoas têm opções, assim elas acham que estão no controle. Dê às pessoas opções que sempre gerem resultados favoráveis a você. Porém, há situações em que é mais vantajoso deixar as pessoas com mais liberdade. Vendo-as agir, você tem oportunidade para espionar, reunir informações e ter novas ideias.

32. Desperte a fantasia das pessoas.

Em geral evita-se a verdade porque ela é feia e desagradável. A vida é tão dura e angustiante que as pessoas capazes de criar romances ou invocar fantasias são como oásis no meio do deserto: todos correm até lá. Há um enorme poder em despertar fantasia das massas, mas também um grande risco ao despertar esse tipo de paixão.  Aja com cautela. 

33. Descubra o ponto fraco de cada um.

Todo mundo tem um ponto fraco que, em geral, é uma insegurança, uma emoção, uma necessidade incontrolável ou pode também ser um pequeno prazer secreto. Seja como for, uma vez encontrado esse ponto fraco, é ali que você deve apertar. Contudo, lembre que tirar proveito da fraqueza alheia pode desencadear ações que você não vai conseguir controlar.

34. Seja aristocrático ao seu próprio modo, aja como um rei para ser tratado como um tal.

A maneira como você se comporta, em geral, determina como você é tratado, agindo com realeza e confiança nos seus poderes, você se mostra destinado a usar uma coroa. Porém cuidado com o exagero, não é bom ficar muito acima da multidão para não criar repulsa, nem se tornar um alvo fácil.

35. Domine a arte de saber o tempo certo.

Mostre-se sempre paciente, como se soubesse que tudo acabará chegando até você. Fareje o espírito dos tempos e as tendências que o levarão ao poder. Aprenda a esperar quando ainda não é hora, e atacar ferozmente quando for propício.

36. Despreze o que não puder ter: ignorar é a melhor vingança.

Quanto mais atenção você der a algo, mais forte você o torna, às vezes é melhor deixar as coisas como estão. Se existe algo que você quer, mas não pode ter, mostre desprezo. Quanto menos interesse você revelar, mais superior vai parecer. Porém cuidado com o desprezo, há situações que se resolvem sozinhas, mas há aquelas que precisam sim de atenção e cuidado.

37. Crie espetáculos atraentes.

Imagens surpreendentes e grandes símbolos criam uma aura de poder e todos reagem a eles. Encene espetáculos para os que o cercam, repletos de elementos visuais interessantes e símbolos radiantes que realcem a sua presença. Deslumbrados com as aparências, ninguém notará o que você realmente está fazendo.

38. Pense como quiser, mas comporte-se como os outros.

Se você alardear que é contrário às tendências da época, ostentando suas ideias pouco convencionais e modos não ortodoxos, as pessoas vão achar que você está apenas querendo chamar atenção e se julga superior.Acharão um jeito de punir você por fazê-las se sentir inferiores, então é muito mais seguro juntar-se a elas e desenvolver um toque comum. Compartilhe a sua originalidade só com os amigos tolerantes, com aqueles que certamente apreciarão a sua singularidade ou quando seu poder alcançar um nível que permita esse tipo de comportamento sem que você perca poder.

39. Agite as águas para atrair os peixes.

Raiva e reações emocionais são contraproducentes do ponto de vista estratégico. Você precisa se manter sempre calmo e objetivo. Mas, se conseguir irritar o inimigo sem perder a calma, você ganha uma inegável vantagem. Desequilibre o inimigo: descubra uma brecha na sua vaidade para confundi-lo e é você quem fica no comando. Contudo é preciso ter cuidado quando se joga com as emoções das pessoas, às vezes é melhor deixar alguns peixes no fundo do lago.

40. Despreze o que vier de graça.

O que é oferecido de graça é perigoso – normalmente é um ardil ou tem uma obrigação oculta.Se tem valor, vale a pena pague o valor integral e não deva nada a ninguém.Mas lembre-se que as pessoas são essencialmente preguiçosas e preferem que tudo lhes caiam no colo a ter que trabalhar. Se for você, prometa ganhos fáceis e elas não enxergarão mais nada.

41. Evite seguir os passos de um grande homem.

Não fique perdido na sombra de outras pessoas famosas que vieram antes de você, ou preso a um passado que não foi obra sua: estabeleça o seu próprio nome e identidade mudando de curso. Se enxergar oportunidade, se aproprie de coisas do passado que possam te aproximar do poder, mas depois disso menospreze o legado e se firme no poder com sua própria luz.

42. Ataque o pastor e as ovelhas se dispersam.

Em geral, a origem dos problemas pode estar em um único individuo: o agitador, o subalterno arrogante, o envenenador da boa vontade. Não espere os problemas que eles causam se multiplicarem e não tente negociar com eles, neutralize a sua influência isolando-os ou banindo-os. Mas lembre-se de fazer isso de forma astuta para que o agitador não tenha tempo para criar ações de contra-ataque e acabar te derrubando.

43. Conquiste corações e mentes.

A coerção provoca reações que acabam funcionando contra você. É preciso atrair as pessoas para que elas queiram vir até você de bom grado, pois a pessoa seduzida torna-se um peão fiel.

44. Desarme e enfureça com o efeito espelho.

Quando você espelha os seus inimigos, agindo exatamente como eles agem, eles não entendem a sua estratégia. O efeito espelho os ridiculariza e humilha, fazendo com que reajam exageradamente. Porém cuidado com o tipo de memória que o reflexo pode provocar nas pessoas, que pode te destruir. Tenha muita cautela ao usar essa lei.

45. Pregue a necessidade de mudança, mas não mude muita coisa ao mesmo tempo.

Teoricamente, todos sabem que é preciso mudar, mas na prática as pessoas são criaturas de hábitos. Muita inovação é algo traumático e conduz à rebeldia. Se você é novo numa posição de poder, ou alguém de fora tentando construir a sua base de poder, mostre explicitamente que respeita a maneira antiga de fazer as coisas. Se a mudança é necessária, faça-a parecer uma suave melhoria do passado. Apenas cuidado para não se associar a um passado funesto cujo fim é inclusive já esperado pelas pessoas.

46. Não pareça perfeito demais.

Parecer melhor do que os outros é sempre perigoso, mas o que é perigosíssimo é parecer não ter falhas ou fraquezas. Exiba ocasionalmente alguns defeitos e vícios inofensivos, para desviar a atenção e parecer mais humano e acessível. Apenas se seja perfeito diante dos invejosos que tentarem te destruir, contra eles sua perfeição pode ser disparada com precisão e astúcia.

47. Não ultrapasse a meta estabelecida, na vitória aprenda a parar.

O momento da vitória é quase sempre o mais perigoso. No calor da vitória, a arrogância e o excesso de confiança podem fazer você avançar além da sua meta e, ao ir longe demais, você conquista mais inimigos do que derrota. Seja implacável com o seu inimigo, mas não crie outros avançando além do necessário. Fixe a meta e, ao alcançá-la, pare.

48. Evite ter uma forma definida.

Em vez de assumir uma forma que o seu inimigo possa agarrar, mantenha-se maleável e em movimento.A melhor maneira de se proteger é ser tão fluido e amorfo como a água; não aposte na estabilidade ou na ordem permanente. Até porque tudo muda.

Fontes:

GREENE, Robert. As 48 leis do poder. Rio de Janeiro: Rocco, 2021.

As 48 Leis do Poder de Robert Greene. em: <https://www.youtube.com/watch?v=dQUApn0G-8c>.

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