quinta-feira, 1 de janeiro de 2026

Feliz Ano Todo!

Ao encerrar este ciclo, reconheço: foi um ano muito bom. Produtivo, intenso, fértil. De equilíbrio fisico, mental e emocional. Ainda assim, sei que posso avançar mais — e o mesmo vale para cada um de nós.

Para 2026, não faço pedidos grandiosos. Apenas que eu permaneça inteira naquilo que me move, fiel ao meu eixo e lúcida no propósito. De 2025, levo gratidão profunda.

Fica, então, um convite simples e necessário: que cada pessoa se permita uma pausa honesta para olhar a própria travessia. Não como quem se julga, mas como quem avalia com maturidade o que foi construído, o que precisa ser ajustado e o que ainda aguarda coragem, disciplina e coerência para se realizar. A todos que acompanharam meu trabalho ao longo deste ano, deixo meu agradecimento genuíno.

Cada leitura atenta, cada reflexão amadurecida, cada gesto consciente ajuda á sustentar o campo que dá forma ao Novo Mundo que se apresenta. 

Gratidão, também, a quem soube respeitar meu silêncio. A quem entendeu que o afastamento não era frieza, era cuidado. Que o isolamento foi necessário — não por desprezo, mas por sobrevivência. Sem cobranças. Sem julgamentos. Sem perguntas invasivas. Permanecendo mesmo à distância, aos quais dedico minha lealdade e meu carinho. Nem todo amor faz barulho. Alguns apenas ficam — e isso basta. ❤🌸

Que em 2026 sigamos adiante, ainda que em solitude ou solidão quando for necessária, mas sempre em estado de consciência. Que saibamos cultivar uma vida justa, ética e alinhada a princípios universais — aqueles que não se negociam, que elevam o humano e restauram a harmonia entre o que somos por dentro e o mundo que ajudamos a construir. Amanhã já é futuro e dele nada sabemos... Nosso Presente é precioso.

Um 2026 de despertar coletivo é meu desejo. Feliz Ano Todo!



domingo, 28 de dezembro de 2025

Patrimônio imobiliário e cargos públicos: o rastro de imóveis de Alexandre de Moraes




by Deise Brandão

Entre novembro de 2006 e agosto de 2009, um período sensível da carreira pública de Alexandre de Moraes, chama atenção pelo volume e pelo padrão dos negócios imobiliários realizados. Foram oito aquisições, incluindo apartamentos de andar inteiro em bairros nobres, terrenos em condomínio de luxo e propriedade rural, com valores declarados que somam R$ 4,5 milhões à época — sem correção monetária.

O intervalo coincide com sua saída do governo de Geraldo Alckmin, a atuação como conselheiro do Conselho Nacional de Justiça e parte do período em que foi secretário municipal na gestão de Gilberto Kassab. À época, sua renda pública conhecida não explicava, por si, a escalada patrimonial.

Do padrão médio ao alto luxo

Até 2005, Moraes declarava um patrimônio típico de classe média: dois apartamentos (Saúde e Aclimação) e uma casa de fim de semana em São Roque. Havia ainda herança familiar da esposa, Viviane Barci de Moraes, e rendimentos como professor e autor de obras jurídicas.

Em novembro de 2006, porém, ocorre a virada: um apartamento de 332 m², andar inteiro, no Itaim Bibi, por R$ 2,03 milhões (valor declarado). Embora a escritura registre pagamento exclusivo da esposa, um adendo posterior indica que um imóvel do próprio Moraes foi usado para abater R$ 650 mil do preço — contradição documental relevante.

Seis meses depois, em maio de 2007, outro salto: 365 m², também andar inteiro, cinco vagas, no edifício Mansão Tucumã, frente ao Clube Pinheiros. O preço declarado foi R$ 1,82 milhão (cerca de R$ 3,27 milhões corrigidos), enquanto a tabela municipal apontava R$ 4,1 milhões. Em 2014, o imóvel passou para a Lex Estudos Jurídicos, empresa ligada ao ministro.

À época dessas compras, Moraes era conselheiro do CNJ, com salário bruto em torno de R$ 23,2 mil.

Compra, venda e lucro

O apartamento do Itaim foi vendido em julho de 2010 por R$ 3,02 milhões (valor declarado), um lucro de cerca de R$ 1 milhão frente ao preço informado na compra. Na sequência, foi adquirido um imóvel de 217 m² no mesmo bairro, por R$ 850 mil, destinado ao escritório de advocacia.

A sequência na gestão Kassab

Nomeado secretário em agosto de 2007, Moraes acumulou pastas estratégicas (Transportes e Serviços), além de presidir SPTrans e CET. Nesse período, vieram mais seis aquisições:

  • Dez/2007: Aclimação (para a mãe) — R$ 145 mil

  • Fev/2008: Perdizes — R$ 200 mil

  • Jun/2009: Cambuci — R$ 150 mil

  • Jun/2009: dois terrenos em São RoqueR$ 100 mil

  • Ago/2009: 1/3 de sítio em Inimutaba (MG)R$ 40 mil

Os valores declarados, em vários casos, ficaram abaixo do mercado, segundo corretores e referências oficiais.

A casa de campo e os terrenos contíguos

Em São Roque, os dois terrenos de 2009 dobraram a área do lote já existente para 5.000 m², dentro do Patrimônio do Carmo, condomínio de alto padrão com segurança reforçada. Avaliações comparáveis indicam que lotes menores na mesma área foram avaliados entre R$ 150 mil e R$ 200 mil, enquanto um imóvel semelhante, com terreno menor, foi avaliado em R$ 1 milhão em leilão judicial (2016).

As terras em Minas

Em Inimutaba, Moraes adquiriu, com dois magistrados colegas da USP, 40 hectares do Sítio Novo Horizonte. Cada um declarou R$ 40 mil. Corretores locais estimam o hectare entre R$ 10 mil e R$ 12 mil, o que projeta valor total bem acima do declarado.

Um negócio atípico

Durante a gestão Kassab, Moraes vendeu apenas um imóvel: o apartamento da Aclimação (comprado em 1998). Em 2008, foi vendido a Luiz Herrmann Júnior, da Editora Atlas — editora das obras do ministro — por R$ 750 mil. Um mês depois, o comprador revendeu com prejuízo registrado de R$ 150 mil.

Iniciativa privada só depois

A entrada formal de Moraes na iniciativa privada ocorreu após deixar a prefeitura. Seu escritório, rebatizado com o sobrenome da esposa quando assumiu o ministério, passou a se chamar Barci de Moraes Advogados Associados. Reportagem posterior revelou pagamentos milionários recebidos da JHSF, empresa investigada à época.

Por que o tema permanece atual?

Porque o conjunto — volume de aquisições, subavaliações recorrentes, contradições documentais e coincidência temporal com cargos estratégicos — segue levantando perguntas legítimas sobre transparência patrimonial e conflitos de interesse no topo do poder. Atualizar esses fatos é relembrar que patrimônio público e privado não podem caminhar sem escrutínio.


Nota de responsabilidade editorial
Este texto não formula acusações novas nem juízos criminais. A atualização consiste na reorganização cronológica dos fatos, contextualização institucional e análise jornalística a partir de informações previamente publicadas e documentos públicos acessíveis.  Esta matéria tem como base reportagens investigativas já publicadas, documentos públicos e registros oficiais, devidamente atualizados e contextualizados.O conteúdo reflete exclusivamente o trabalho editorial da autora, baseada nas fontes abaixo.

Imprensa
Série de reportagens investigativas (2017–2018), fundamentadas em: matrículas e escrituras imobiliárias,certidões de cartórios de São Paulo e Minas Gerais,entrevistas com corretores de imóveis, tabelas oficiais de avaliação imobiliária,imagens de satélite e plantas de condomínios.

Folha de S.Paulo
Reportagem publicada em outubro de 2017 informando que o escritório Barci de Moraes Advogados Associados recebeu cerca de R$ 4 milhões da empresa JHSF, investigada à época na Operação Acrônimo.

Documentos públicos consultados
Cartórios de Registro de Imóveis
São Paulo (Itaim Bibi, Aclimação, Perdizes, Cambuci)
São Roque (SP)
Inimutaba (MG)

Prefeitura de São Paulo
Tabelas oficiais de IPTU e valores venais
Registros de área construída e dados cadastrais
Leilões judiciais e avaliações públicas
Imóveis e terrenos no condomínio Patrimônio do Carmo (São Roque/SP)
Órgãos e informações institucionais
Conselho Nacional de Justiça
Dados funcionais e remuneração do período em que Alexandre de Moraes atuou como conselheiro.

Prefeitura de São Paulo
Nomeações e cargos exercidos durante a gestão Gilberto Kassab
Atuação nas secretarias municipais e empresas públicas vinculadas.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2025

O crime que não morre com o autor: o feminicídio de Eliane de Grammont



            

by Deise Brandão

A morte recente de Lindomar Castilho recoloca em evidência um dos crimes mais emblemáticos da história da música brasileira: o assassinato de Eliane de Grammont, em 1981, em pleno palco, durante uma apresentação musical em São Paulo.

Não se trata de reabrir curiosidades biográficas nem de romantizar tragédias. Trata-se de nomear corretamente o fato: feminicídio.

Um casamento marcado por controle e violência

Lindomar Castilho e Eliane de Grammont foram casados entre 1979 e 1981. O relacionamento teve início no ambiente profissional da gravadora RCA e resultou no nascimento de uma filha, Liliane. Relatos da época, inclusive constantes nos autos judiciais, apontam um convívio marcado por ciúmes excessivos, conflitos recorrentes e episódios de violência física, agravados pelo consumo de álcool por parte do cantor.

Eliane decidiu se separar. Essa decisão — comum, legítima e legal — foi tratada por ele como afronta pessoal.

O assassinato em público

Em 30 de março de 1981, Lindomar Castilho entrou armado na casa de shows Belle Époque, na capital paulista. No momento em que Eliane interpretava “João e Maria”, composição de Chico Buarque, o cantor efetuou cinco disparos de arma de fogo contra ela.

A motivação apontada foi o ciúme em relação ao violonista Carlos Randall, primo de Lindomar, que acompanhava Eliane naquela apresentação. Randall também foi atingido, mas sobreviveu.

Eliane de Grammont morreu aos 26 anos, ainda no trajeto para o hospital. O crime foi cometido diante do público, em um espaço de trabalho, como demonstração extrema de posse e controle.

Condenação e cumprimento da pena

Lindomar Castilho foi condenado por homicídio em 1984. O cumprimento da pena ocorreu da seguinte forma:

  • Regime fechado: 1984 a 1986

  • Regime semiaberto: a partir de 1986

  • Extinção da pena: 1996

Após cumprir a pena, obteve liberdade total. Sua trajetória artística jamais se desvinculou do crime, embora parte do discurso público tenha tentado, ao longo dos anos, deslocar o foco da vítima para a “queda” do agressor.

As marcas que permanecem

Liliane, filha do casal, já declarou publicamente que o assassinato destruiu a estrutura familiar e alterou definitivamente a imagem paterna. Ao falar sobre perdão, afirmou tratar-se de um processo íntimo e subjetivo, que não apaga o fato nem suas consequências.

Carlos Randall, em depoimento concedido em 2022, relatou as sequelas psicológicas e profissionais de ter sobrevivido ao ataque que matou sua colega de palco, destacando a dificuldade de retomar a carreira artística após o episódio.

O nome correto do crime

Eliane de Grammont não morreu por “ciúme”, “paixão” ou “tragédia pessoal”. Foi assassinada por não aceitar viver sob violência e controle. Isso tem nome: feminicídio.

A morte do autor do crime não encerra a história, não reescreve os fatos e não reduz a gravidade do que ocorreu. O passado permanece — não como curiosidade, mas como registro histórico de uma violência que o país ainda insiste em repetir.

Lembrar Eliane é mais do que recordar um caso antigo. É afirmar que a sociedade não pode continuar tratando crimes contra mulheres como notas de rodapé biográficas.

O silêncio genético do HIV

Imagem gerada pela GPT

by Deise Brandão

Pesquisadores da Temple University, nos Estados Unidos, vêm explorando uma abordagem ousada contra o HIV: atacar o vírus no ponto mais difícil de alcançar — o DNA das células humanas onde ele permanece oculto. Usando a ferramenta de edição genética CRISPR/Cas9, os cientistas conseguiram localizar e remover trechos específicos do material genético do HIV-1 integrados ao genoma de células do sistema imune.

A proposta é radicalmente diferente do tratamento convencional, que se baseia no uso contínuo de antirretrovirais para manter o vírus sob controle, sem eliminá-lo. Aqui, a ideia é intervir diretamente na raiz do problema: remover o HIV dos seus esconderijos genéticos mais persistentes.

Em testes realizados em laboratório, a técnica foi aplicada em células T em estado latente, conhecidas por funcionarem como reservatórios silenciosos do vírus. Nessas condições experimentais, o DNA viral foi retirado sem comprometer a integridade da célula hospedeira. Mais do que isso: as células editadas demonstraram resistência a novas tentativas de infecção, sugerindo que o vírus não conseguiu mais se reinserir nem retomar seu ciclo de replicação.

Em síntese, o que esse estudo demonstra não é uma cura disponível, tampouco uma solução imediata para pessoas vivendo com HIV, mas a prova concreta de que a ciência já consegue intervir diretamente no DNA viral integrado às células humanas — algo que até pouco tempo atrás era considerado inalcançável. Trata-se de um avanço conceitual relevante, restrito ao ambiente experimental, que abre possibilidades reais para pesquisas futuras, mas que ainda exige tempo, cautela e rigor antes de qualquer aplicação clínica. O marco aqui não é o fim do HIV, e sim a confirmação de que seus reservatórios genéticos deixaram de ser um território intocável.

Os próprios autores, no entanto, deixam claro que os resultados ainda se limitam ao ambiente de laboratório e a modelos experimentais. Antes de qualquer aplicação clínica, são necessários estudos extensos de segurança, precisão e eficácia em organismos vivos e, posteriormente, em humanos. Ainda assim, o trabalho é visto como um passo importante na direção de terapias que, no futuro, possam ir além do controle e apontar para a possibilidade real de erradicação do vírus.

Fonte: 
Nature Communications (2019)

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