segunda-feira, 28 de fevereiro de 2022

EUA bombardeiam a Somália e nada de sanções

Não se sabe o número de mortes.

Redação
25 Fevereiro 


Os Estados Unidos (EUA) bombardearam instalações de radicais do Al-Shabaab, uma filial da Al-Qaeda, na Somália, no Chifre da África, na última terça-feira. É primeiro ataque militar dos EUA no país desde agosto do ano passado.

Nesta quinta-feira, o comando militar dos EUA na Somália informou, por meio de nota, que fez um ataque aéreo contra membros do Al-Shabaab (grupo islâmico) depois que de terem feito um ataque perto de uma comunidade chamada Duduble.

Não se sabe o número de mortes. O comando militar ainda está fazendo avaliação, porém o que tudo indica é que não há vítimas civis.

A Somália vive turbulência política em meio a atuação de grupos extremistas e operações do exército somali e dos militares dos EUA.

Guerras pelo mundo: Síria, Somália e Iêmen também sofreram ataques aéreos nos últimos dias


Conflito entre Rússia e Ucrânia não é o único que registrou bombardeios pelo ar durante a semana



Somália, na África, sofreu ataque de drone dos Estados Unidos no início da semana; foto não corresponde ao ataque de 2022, mas sim a um de 2017 - Divulgação/Twitter

Paulo Motoryn
Brasil de Fato | São Paulo (SP) | 
25 de Fevereiro de 2022 às 15:24

O conflito na Ucrânia no leste europeu registrou uma série de bombardeios aéreos feitos pela Rússia nas últimas horas. Enquanto o mundo acompanha com atenção o avanço de tropas russas em território ucraniano, países como Síria, Somália e Iêmen também sofreram ataques aéreos.

Pelo menos outros 28 países passam por conflitos ou registram combates armados neste início de 2022. A informação é do Projeto de Dados de Localização e Eventos de Conflitos Armados (Acled, na sigla em inglês), que analisou dados até 11 de fevereiro. O levantamento foi publicado pelo jornal Folha de S.Paulo na semana passada.


Na manhã de quinta-feira (24), em Kiev, na capital da Ucrânia, sirenes de alerta para possíveis ataques aéreos começaram a soar. A última vez que estes sinais foram acionados na cidade foi na 2ª Guerra Mundial. Outros locais do país já chegaram a ser bombardeados, segundo agências de notícias. Pelo mundo, no entanto, episódios como esse são relativamente comuns.

Apenas nesta semana, segundo os principais veículos jornalísticos internacionais, o governo de Israel matou seis combatentes pró-Síria pelo ar, os Estados Unidos lançaram um drone contra a Somália e a Arábia Saudita realizou ataques no Iêmen. O Brasil de Fato resume o que ocorreu em cada um dos casos, de acordo com a imprensa. Leia:

Mortos na Síria após ataques aéreos de Israel

O Observatório Sírio para os Direitos Humanos (OSDH) informou, nessa quinta-feira (24), que pelo menos seis combatentes pró-governo sírio morreram em ataques aéreos israelenses durante a madrugada na região de Damasco, capital do país. A notícia foi publicada no Brasil pelo UOL, com informações da AFP.

"Os bombardeios israelenses mataram seis pessoas, incluindo dois soldados sírios e quatro combatentes de milícias apoiadas pelo Irã, cujas nacionalidades são desconhecidas", anunciou o OSDH. Desde o início da guerra na Síria, em 2011, Israel realizou centenas de ataques contra o Exército de Bashar al-Assad.


Estados Unidos lançam drone contra Somália

O jornal The New York Times informou nesta quinta-feira (24) que os Estados Unidos realizaram um ataque de drones contra militantes do Al Shabab, na Somália, na última terça-feira (22). Foi a primeira ação militar desse tipo contra a afiliada da Al Qaeda na África Oriental desde agosto do ano passado.

O ataque ocorreu após um ataque do Shabab às forças aliadas somalis em Duduble, cerca de 64 quilômetros a noroeste da capital do país. Segundo o The New York Times, ainda não se sabe quantos somalianos foram mortos no ataque. As forças dos Estados Unidos disseram, no entanto, que nenhum civil foi ferido.

Iêmen: mulheres mortas após ataque da Arábia Saudita

Na segunda-feira (21), a organização Médicos Sem Fronteiras (MSF) afirmou, em sua conta no Twitter, que “após um bombardeio” durante a noite na província de Hajjah, no Iêmen, sua equipe na sala de emergência do hospital geral da região “recebeu uma menina de 12 anos e uma mulher de 50 anos, ambos mortos na chegada”.

No final de janeiro, ataques aéreos em uma prisão no norte do Iêmen deixaram pelo menos 37 de mortos. O ataque foi uma vingança da coalizão liderada pela Arábia Saudita depois de um atentado que deixou 3 mortos e 6 feridos nos Emirados Árabes Unidos. As informações são da Al-Jazeera.

A guerra civil no Iêmen é tida pelo Acnur (Alto Comissariado da ONU para os Refugiados) como “a maior crise humanitária do mundo” atual, com estimativas de mais de 377 mil mortes. O país tem cerca de 80% da população em situação de fragilidade, com 3,6 milhões de deslocados internos e 24 milhões de pessoas necessitando de suporte humanitário.

Edição: Vivian Virissimo

sábado, 26 de fevereiro de 2022

Swift, o sistema financeiro global do qual a Rússia pode ser excluída

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, pediu a exclusão da Rússia do sistema global de meios de pagamentos como parte das sanções comerciais após a invasão da Ucrânia
Por AFP
Publicado em 25/02/2022 


Uma exclusão do Swift, engrenagem discreta, mas importante, do mecanismo das finanças internacionais, é uma das sanções mais disruptivas que o Ocidente poderia aplicar contra a Rússia por seu ataque à Ucrânia.

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, pediu nesta quinta-feira por essa medida, enquanto as potências ocidentais consideram impor sanções adicionais a Moscou.

A Casa Branca se recusou nas últimas semanas a descartar a possibilidade de barrar a Rússia do sistema internacional que os bancos usam para transferir dinheiro, uma medida que prejudicaria a capacidade da Rússia de negociar com a maior parte do mundo.

Os líderes europeus devem discutir a medida em sua reunião de emergência desta quinta-feira. Um funcionário da União Europeia sugeriu que a medida deve ser reservada para uma futura rodada de sanções, caso a o bloco precise reforçar sua punição.

O que é o Swift?

Fundada em 1973, a Sociedade para Telecomunicações Financeiras Interbancárias (Swift) não lida com nenhuma transferência ou fundos, mas seu sistema de mensagens, desenvolvido na década de 1970 para substituir a dependência das máquinas de Telex, fornece aos bancos uma forma de comunicação rápida, segura e barata.

A empresa, com sede na Bélgica, é uma cooperativa de bancos e pretende permanecer neutra.
O que o Swift faz?

Os bancos utilizam o sistema Swift para enviar mensagens padronizadas sobre transferências de valores entre si, transferências de valores para clientes e ordens de compra e venda de ativos. Mais de 11.000 instituições financeiras, em mais de 200 países, usam o Swift, tornando o mecanismo a espinha dorsal do sistema internacional de transferências financeiras.

Seu papel preeminente nas finanças também significou que a empresa teve que cooperar com autoridades para evitar o financiamento do terrorismo.
Quem representa o Swift na Rússia?

De acordo com a associação nacional RosSwift, a Rússia é o segundo maior país, atrás dos Estados Unidos, em número de usuários, com cerca de 300 instituições financeiras pertencendo ao sistema. Mais da metade das instituições financeiras da Rússia são membros do Swift.

A Rússia conta com uma infraestrutura financeira doméstica, que inclui o sistema SPFS para transferências bancárias e o sistema Mir para pagamentos com cartão, semelhante aos sistemas Visa e Mastercard.
Existem precedentes de exclusão de países?

Em novembro de 2019, o Swift "suspendeu" o acesso de alguns bancos iranianos à sua rede. A medida se seguiu à imposição de sanções ao Irã pelos Estados Unidos e a ameaças feitas pelo então secretário do Tesouro americano, Steven Mnuchin, de que o Swift seria alvo de sanções dos EUA se não concordasse.

O Irã já havia sido desconectado da rede Swift, entre 2012 e 2016.
É uma ameaça real?

Taticamente, "as vantagens e desvantagens são discutíveis", disse à AFP Guntram Wolff, diretor do think tank Bruegel, com sede em Bruxelas. Em termos práticos, ser removido do Swift significa que os bancos russos não podem usá-lo para realizar ou receber pagamentos junto a instituições financeiras estrangeiras para transações comerciais.

"Operacionalmente, seria uma dor de cabeça", apontou Wolff, especialmente para países europeus que têm um comércio considerável com a Rússia, que é seu maior fornecedor de gás natural.

Nações ocidentais ameaçaram excluir a Rússia do Swift em 2014, após a anexação da Crimeia. Mas descartar um país tão importante - a Rússia também é um grande exportador de petróleo - poderia estimular Moscou a acelerar o desenvolvimento de um sistema de transferências alternativo, com a China, por exemplo.

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