21/03/2020

Transmissão comunitária: como Brasil e mundo respondem ao coronavírus

Um retrato atualizado continuamente sobre como governos respondem

à pandemia que já deixa mais de 272.000 infectados

Desde que os primeiros casos começaram a ser reportados na China em dezembro, o coronavírus já infectou mais de 272.000 pessoas. Nas últimas três semanas, o número de novos casos fora do território chinês vêm aumentando mais do que os casos no país onde o vírus começou — na China, o pior já parece ter passado e o número de casos segue estabilizado em pouco mais de 81.000 pessoas. O número de mortes na Itália já ultrapassou o registrado no país que foi o epicentro do surto. Em 24 horas, o país registrou o número recorde de 793 mortes.
O espalhamento rápido do vírus fez a Organização Mundial de Saúde (OMS) classificá-lo como pandemia e levou a quedas de dois dígitos nas principais bolsas de valores — o índice brasileiro Ibovespa já caiu 40% desde o começo de 2020.
Em meio ao caos, governos começam a dar uma série de respostas para conter a crise. Para além de pacotes de estímulo econômico, como cortes de juros e planos de investimento e socorro a alguns setores afetados, uma série de países estabeleceu ordens para cancelamento de aglomerações, toque de recolher e fechamento ou maior controle de fronteiras.
Os cenários mais críticos estão na Itália e na Espanha, que já têm mais de 53.000 e 24.000 casos confirmados, respectivamente. O número de mortes no mundo passa de 12 mil pessoas, com idosos e pacientes com doenças crônicas mais sujeitos a ter complicações por causa do coronavírus.
No mapa abaixo, a EXAME compilou o número de casos e medidas de prevenção tomadas por alguns dos países mais afetados pelo novo coronavírus.

Coronavírus no Brasil

Até esta sábado (21), o Brasil tem 1.128 casos confirmados da covid-19 e 18 mortes, nove no estado de São Paulo e duas no Rio de Janeiro. Dos casos confirmados, a maioria está no estado de São Paulo. Quase todos os estados já registram infectados pela covid-19 e o Ministério da Saúde já afirmou que há a transmissão comunitária em todo o país.
Os números são parte da contagem oficial e podem ser inferiores à quantidade real de casos. Hospitais privados e de referência vêm reportando diariamente novos pacientes infectados, que demoram pelo menos um dia para serem completamente confirmados e integrarem a contagem geral do Ministério da Saúde.
Com o aumento dos casos em outros estados do país, alguns governadores e prefeitos também vêm instaurando medidas de contenção, como cancelamento de eventos públicos e paralisação de aulas nas escolas. Veja no mapa abaixo os casos por estado brasileiro, segundo a contagem do Ministério da Saúde, e medidas contra o coronavírus tomadas por algumas regiões.

As últimas notícias da pandemia do novo coronavírus:

20/03/2020

Mapa mundial e números de infectados,óbitos, recuperados e média de infectados por País.





BC projeta que contágio por corona no Brasil será mais grave que na China e Itália


"Na Itália era previsão de 60% de contágio e aqui, de 80%. Podemos atingir o pico em um mês. Mas tudo vai depender da prevenção", diz Guedes
Jornal GGN – A projeção da taxa de contágio por coronavírus no Brasil aponta para um quadro ainda mais grave do que a situação assistida na China e Itália, que são os dois países mais prejudicados pelo pico da doença até agora.
A projeção do que poderá ocorrer em solo nacional foi feita pelos técnicos do Banco Central, segundo revelou o ministro da Economia, Paulo Guedes, em entrevista à Folha desta segunda (16).
Guedes afirmou que teve acesso aos números após uma reunião no Congresso com o presidente do BC, Roberto Campos Neto, e outros ministros do governo Bolsonaro, incluindo o da Saúde, Luiz Mandetta.
Questionado, o economista não soube repassar os detalhes da projeção do BC à reportagem, mas fez uma comparação com a situação da Itália.
“Não me lembro exatamente [dos números do BC]. Mas era algo assim: na Itália era previsão de 60% de contágio e aqui, de 80%. Podemos atingir o pico em um mês. Mas tudo vai depender da prevenção.”
Guedes afirmou que “foi essa quantificação, feita pelo Banco Central, que me assustou.”
O BC, segundo explicou o ministro, “tem modelos estatísticos calculando a velocidade de contágio” humano. Embora o papel da instituição seja o de acompanhar dados relativos à economia, “assim que surgiu a preocupação com o coronavírus, o Mandetta pediu ajuda a quem pudesse dar.” E o BC “tem modelos estatísticos, altamente matemáticos, que permitem modelar qualquer coisa. Modelaram a velocidade de contágio.”
Ainda de acordo com Guedes, o governo “achava que a coisa ia bater aqui em maio, e não deveríamos ser tomados pela neurose antes da hora, para não parar a economia antes da hora.”
Na semana passada, porém, o presidente da Câmara Rodrigo Maia criticou e cobrou Guedes publicamente, pela falta de um plano de curto prazo para lidar com os impactos do coronavírus sobre a economia.
Guedes insistiu, na entrevista, que a melhor resposta a curto prazo seria aprovar medidas que estão paradas no Congresso, como a privatização da Eletrobras.
“O baque do coronavírus é temporário: o contágio sobe rapidamente, fica três meses e depois desaba. A China já está se recuperando. Eu preciso estar preocupado com o reforço das nossas defesas durante e depois da crise. Podemos transformar a crise em reformas. As reformas trarão as bases para gerar crescimento, emprego e renda após o surto, lá na frente”, disse.

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