domingo, 19 de fevereiro de 2017

Como headhunters podem estar perseguindo você no Facebook



Recrutamento onlineDireito de imagemGETTY IMAGES
Image captionCada vez mais empresas usam anúncios direcionados para encontrar profissionais

Há quatro meses, a neozelandesa Lisa Dorahy navegava pelo Facebook quando viu um anúncio de emprego surgir em seu feed de notícias.
Ela não estava à procura de um novo trabalho e aquela era uma das poucas vezes em que Dorahy, uma ocupada mãe de três crianças, teve tempo de dar uma passeada pelas redes sociais.
Mas o post que procurava por uma assistente em meio-período em uma empresa de recrutamento parecia perfeito para ela.
Ela clicou no link e se candidatou. Três dias depois, foi chamada para uma entrevista, e na semana seguinte já começava no novo emprego. Hoje, Dorahy entende que o anúncio tinha como alvo alguém exatamente com seu perfil.

Recrutamento seletivo


Image captionCertas redes sociais contam com um movimento diário de 1 bilhão de usuários, o que atrai os headhunters

Anúncios de emprego no Facebook não são um fenômeno recente - você certamente já viu algum em sua página. Mas é possível que você também tenha notado anúncios para funções ou setores normalmente fora da sua área de atuação.
Isso provavelmente resulta da busca de headhunters por pessoas com habilidades e experiência como as suas, com base em informações que o Facebook "aprendeu" sobre você a partir do seu comportamento no site.
À medida que mais headhunters começam a usar esse recurso, alguns especialistas também alertam sobre o outro lado da moeda: a possibilidade de que o Facebook também seja usado para que os headhunters obtenham informações que podem servir para discriminar e eliminar possíveis candidatos, como idade, etnia, religião e gênero.
Tudo funciona da seguinte maneira: o Facebook Ads é um serviço que permite que empresas paguem para postar anúncios no feed de notícias ou nas laterais do feed dos usuários da rede social. Quando publica um anúncio, a empresa pode escolher o tipo específico de pessoa que ela quer atingir, com base em dados como idade, gênero, interesses, etnia, religião e muito mais.
A BBC Capital entrou em contato com o Facebook, mas a empresa se recusou a comentar sobre a prática de recrutamento seletivo na plataforma.
Mas o Facebook não é a única rede social que permite publicidade direcionada. Qualquer plataforma que colete dados sobre seus usuários pode oferecer esse serviço. O Google+ ou o Instagram (que pertence ao Facebook) são dois exemplos, enquanto o LinkedIn permite a headhunters criar anúncios com base na idade e no sexo, mas não na etnia nem na orientação sexual do usuário.

Um bilhão de possibilidades


Image captionSegundo Jorgen Sundberg, especialista em marketing digital, 10% dos headhunters britânicos fazem anúncios direcionados

Jorgen Sundberg, fundados da agência de marketing digital Link Humans, em Londres, acredita que 10% das 20 mil empresas de recrutamento da Grã-Bretanha estejam usando os anúncios direcionados do Facebook para encontrar profissionais. "Dentre todas as empresas de tecnologia, o Facebook é, indiscutivelmente, o que possui mais informações sobre qualquer pessoa", explica Sundberg.
Um porta-voz do Facebook afirmou que a empresa não divulga dados sobre o número de headhunters que utilizam a ferramenta, e se recusou a comentar mais sobre o assunto.
"Com 1,13 bilhão de usuários ativos por dia, o Facebook é um lugar onde você pode encontrar candidatos para todo tipo de emprego", afirma Tony Restell, sócio da agência de mídias sociais Social-Hire, com sede na Grã-Bretanha. "Analistas do mercado financeiro têm as mesmas chances de querer se conectar com amigos do que motoristas de caminhão. Por isso, o Facebook tem uma penetração enorme em vários setores da economia."
Essa grande variedade de usuários faz com que os anunciantes sejam específicos e precisos ao buscar seus alvos. Quando não o fazem, acabamos recebendo aqueles anúncios que não fazem o menor sentido para nós.
Mas, segundo Restell, o Facebook não quer dar margens a erros. A empresa compensa os anunciantes oferecendo preços mais baixos se a audiência estiver interessada no post, enquanto cobra mais daqueles cujos anúncios não são populares.

Procura-se: homem, solteiro


Image captionA headhunter Emily Richards usa o Facebook para 30% das vagas que tem para preencher

A neozelandesa Emily Richards, chefe de Dorahy na firma de recrutamento Human Connections Group, usa o Facebook para preencher um terço das vagas disponíveis na empresa.
Por cerca de US$ 14 (ou R$ 46), um anúncio pode atingir até 10 mil pessoas, dependendo do perfil desejado - algo que, para Richards, é uma opção com uma ótima relação custo/benefício.
Mas a empresária também se diz "totalmente ciente" da capacidade das companhias de usar o direcionamento para acabar eliminando certos perfis "indesejados". "Se colocada nas mãos erradas, a ferramenta pode ser extremamente prejudicial para a igualdade de gêneros, a igualdade racial e tudo aquilo para o qual trabalhamos tanto para evitar."
Com o objetivo de testar a precisão de um anúncio direcionado, a BBC Capital fez uma simulação no Facebook. A primeira opção foi apenas por homens com idades entre 18 e 25 anos, morando em Nova York. Em seguida, excluímos todos os que têm filhos ou que são casados ou comprometidos. É possível até fazer escolhas por apenas algumas etnias. Excluímos ainda todos os vegetarianos, veganos e pessoas que "curtem" chocolate.
O anúncio final para uma "Superestrela das Redes Sociais" foi logo aprovado pelo Facebook e publicado para cerca de 430 mil homens jovens, solteiros, sem filhos e carnívoros.

O que diz a lei

Davida Perry, sócia do escritório de advocacia Schwartz & Perry, de Nova York, acredita que a prática de direcionar anúncios de emprego através do Facebook Ads pode levar à violação de várias leis.
Nos Estados Unidos, uma lei federal proíbe que o recrutamento seja feito de maneira a discriminar pessoas por sua idade, raça, religião, sexo, estado civil, saúde e orientação sexual.
Portanto, mesmo que os anúncios não sejam necessariamente discriminatórios, o processo de direcionamento - através de selecionar certos perfis e excluir outros - pode ser.
Mas para Perry, apesar de o processo usado para postar anúncios direcionados poder ser ilegal, é muito difícil provar que há discriminação.
A política de publicidade do Facebook diz que anunciantes "não devem usar as opções de direcionamento para discriminar, assediar, provocar ou denegrir usuários". Esses anunciantes também são obrigados a assegurar que sua propaganda está de acordo com a lei.
Apesar dos riscos, especialistas em recrutamento online pedem para que as pessoas não pensem no cenário mais negativo.
Sundberg faz uma analogia com "a Força" da saga Star Wars: os anúncios direcionados podem ser usados pelo lado negro, mas também pode servir para um bem maior.
"Há todo tipo de gente no mundo, mas de maneira geral, trata-se de uma forma legítima de se conseguir o que se quer", afirma.

A carta de uma psiquiatra sobre “Cinquenta Tons de Cinza” para os jovens

Imagem de divulgação do nome filme baseado no livro.


Não há nada de cinza sobre os 50 tons de cinza. É tudo preto.

Deixe-me explicar.

Eu ajudo pessoas que estão quebradas por dentro. Ao contrário dos médicos que utilizam raios X ou exames de sangue para determinar por que alguém está com dor, as feridas que me interessam estão ocultas. Faço perguntas e ouço atentamente as respostas. É assim que eu descubro por que a pessoa na minha frente está “sangrando”.

Anos de escuta atenta me ensinaram muito. Uma coisa que eu aprendi é que os jovens são totalmente confusos sobre o amor – para achá-lo e mantê-lo. Eles fazem escolhas erradas e acabam sofrendo muito.
Eu não quero que você sofra como as pessoas que vejo em meu escritório, por isso estou avisando sobre um novo filme chamado Cinquenta Tons de Cinza. Mesmo se você não ver o filme, sua mensagem tóxica está se infiltrando na nossa cultura e poderia plantar ideias perigosas em sua cabeça.

Cinquenta Tons de Cinza está sendo lançado no Dia dos Namorados, então você vai pensar que é um romance, mas não caia nessa. O filme é realmente sobre uma relação doentia e perigosa, preenchido com abuso físico e emocional. Parece glamouroso, porque os atores são lindos, têm carros caros e aviões, e Beyonce está cantando. Você pode concluir que Christian e Ana são legais e que seu relacionamento é aceitável.
Não se permita ser manipulado! As pessoas por trás do filme só querem o seu dinheiro; eles não se preocupam nem um pouco com você ou seus sonhos.

Abuso não é glamouroso ou legal. Nunca é OK, sob quaisquer circunstâncias.

Isto é o que você precisa saber sobre Cinquenta Tons de Cinza: Christian Grey foi terrivelmente negligenciado quando era uma criança. Ele está confuso sobre o amor, porque ele nunca experimentou a coisa real. Em sua mente, o amor está emaranhado com sentimentos ruins como dor e o constrangimento. Christian gosta de machucar mulheres de formas bizarras. Anastasia é uma menina imatura que se apaixona pelos olhares e pela riqueza de Christian, e tolamente segue seus desejos.

No mundo real essa história iria acabar mal, com Christian na cadeia e Ana em um abrigo – ou morgue. Ou Christian continuaria batendo em Ana, e ela sofreria como nunca. De qualquer maneira, as suas vidas não seriam um conto de fadas. Confie em mim.
Como médica, estou lhe pedindo: não assista Cinquenta Tons de Cinza. Se informe, conheça os fatos e explique aos seus amigos por que eles não devem assitir também.

Aqui estão algumas das ideias perigosas promovidas em Cinquenta Tons de Cinza:



1. As meninas querem caras como Christian: Grosseiro e que mande nela.

Não! Uma mulher psicologicamente saudável evita dor. Ela quer se sentir segura, respeitada e cuidada por um homem que ela pode confiar. Ela sonha com vestidos de casamento, não algemas.

2. Homens querem uma garota como Anastasia: Calma e insegura.

Errado. Um homem psicologicamente saudável quer uma mulher que sabe se defender por si mesma. Ele quer uma mulher que o corrija quando ele sair da linha.

3. Anastasia exerce livre escolha quando ela consente em ser machucada, então ninguém pode julgar a sua decisão.

Lógica falha. Claro, Anastasia tinha livre escolha – e ela escolheu mal. A decisão auto-destrutiva é uma má decisão.

4. Anastasia faz escolhas sobre Christian de forma racional e distante.

Duvidoso. Christian constantemente serve Anastasia com álcool, prejudicando seu julgamento. Além disso, Anastasia se torna sexualmente ativa com Christian – sua primeira experiência – logo após conhecê-lo. O sexo é uma experiência poderosa – particularmente na primeira vez. Finalmente, Christian manipula Anastasia para assinar um acordo que a proíbe de falar a alguém que ele é um abusador. Álcool, sexo e manipulação – dificilmente seriam os ingredientes de uma decisão racional.

5. Os problemas emocionais de Christian são curados pelo amor de Anastasia.

Apenas em um filme. No mundo real, Christian não mudaria de forma significativa. Se Anastasia quisesse ajudar pessoas emocionalmente perturbadas, ela deveria ter se tornado uma psiquiatra ou uma psicóloga.

A principal questão: as idéias de Cinquenta Tons de Cinza são perigosas e podem levar à confusão e más decisões sobre o amor. Existem grandes diferenças entre os relacionamentos saudáveis e não-saudáveis, mas o filme borra essas diferenças, de modo que você começa a se perguntar: o que é saudável em um relacionamento? O que é doentio? Há tantos tons de cinza … Eu não tenho certeza.

Ouça, é da sua segurança e do seu futuro que estamos falando aqui. Não há margem para dúvidas: uma relação íntima que inclui violência, consensual ou não, é completamente inaceitável.
É preto e branco. Não existem tons de cinza aqui. Nem mesmo um.


Miriamgrossmanmd
Miriam Grossman, MD é médica com formação em pediatria e na especialidade de psiquiatria infantil, adolescente e adulta.
Ela também é a autora de "Unprotected" e "Você está ensinando o meu filho O QUE"?

EX-COMUNISTA, FREIRE DEU AULA DE COMO TRATAR HIPOCRISIA ESQUERDISTA


* Opinião. Eduardo Bisotto. Diretor do Sul Connection.




Tem repercutido nos últimos dias nas redes sociais a polêmica premiação do escritor Raduan Nassar no âmbito do Prêmio Camões, uma parceria dos governos do Brasil e Portugal para o incentivo da literatura. Dono de apenas três obras e aposentado há mais de 30 anos, Nassar é o retrato daquilo em que se transformou a cultura brasileira de um modo geral: uma patotinha ideológica esquerdista em que os amiguinhos se elogiam e distribuem prêmios entre si, ignorando qualquer critério técnico mais rigoroso.

Nassar, vale destacar, é amigo de Lula há décadas. E isso certamente ajuda a explicar sua atitude completamente sem noção durante a premiação: Raduan levou um discurso em que chamou o governo que lhe entregava o prêmio de golpista, atacava o impeachment e apontava como ilegítimos os atuais mandatários do país. Tudo isso diante do embaixador de Portugal, o outro país que lhe concedeu a premiação. Destaque-se: não era um prêmio simbólico. Estamos falando de 100 mil euros. Com a moeda cotada a pouco mais de R$ 3,29, é algo como R$ 329 mil. Hipócrita como todo esquerdista, Raduan Nassar apontou os tempos sombrios e o governo ilegítimo, mas não ficou com a menor vergonha de embolsar a grana.

Freire, fugindo do figurino de políticos bundões, que aceitam ser xingados, achincalhados e ver seus governos expostos sem dar um pio sequer quando se trata de vacas sagradas da esquerda, foi na jugular de Nassar. Em sua fala, Roberto Freire, último Secretário Geral do extinto Partido Comunista Brasileiro, apontou a hipocrisia de aceitar o prêmio de um governo golpista, deixou claro que vivemos uma democracia plena e que, de tão plena, permitiu a Nassar protagonizar seu papelão.

Desde então, a grande mídia esquerdista tem tentado inverter os papéis, transformando a Vaca Sagrada Nassar em uma pobre vítima da truculência de Freire. Para se chegar a esta conclusão risível, só mesmo invertendo a linha temporal. Nassar atacou. Freire apenas se defendeu e defendeu o governo do qual faz parte.

Além do desmascaramento da hipocrisia do homenageado, Freire deu outra grande lição: a coragem. A plateia ficou em peso ao lado de Nassar. Como dito no primeiro parágrafo desta análise, aquilo que se convenciou chamar de cenário cultural brasileiro não passa de uma panelinha ideológica esquerdista. Mas mesmo vaias, xingamentos e baixarias variadas da malta descontrolada conseguiram calar Freire. Ele foi até o fim, firme, consistente e desmontando a patacoada.

Que Freire aproveite a oportunidade e reforme radicalmente o prêmio, evitando que a patota continue se auto-congratulando apenas com base em critérios ideológicos. Certamente, fazendo isso, prestará mais um enorme serviço ao país.

Porque o primeiro grande serviço à Nação Freire já prestou: mostrou que esquerdistas, quando encarados sem medo, só conseguem se manter em pé na base da gritaria, da baixaria e do espírito corpo.

Roberto Freire merece os aplausos deste Sul Connection.

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