08/08/2014

Assassinato de 12 mulheres em Goiânia alimenta boato sobre serial killer e gera força-tarefa da polícia para investigar mortes


Após uma sequência de assassinatos de mulheres em Goiânia, a Polícia Civil de Goiás decidiu criar uma força-tarefa com mais de dez delegados para apurar os crimes. Desde maio, 12 jovens foram mortas na cidade de forma parecida.
De acordo com o jornal O Estado de S. Paulo, o delegado titular da Delegacia Estadual de Investigações de Homicídios, Murilo Polati, admitiu no último domingo (3) a possibilidade de os crimes terem sido cometidos pela mesma pessoa.
Até então, a ideia de um serial killer estava sendo tratada como boato pelas autoridades. A história começou no final de maio, com uma mensagem de voz no aplicativo WhatsApp.
O recado alertava que um "serial killer tem uma motocicleta preta e um capacete preto" e que ele teria matado mulheres nos setores jardim América, Sudoeste e Nova Suiça, segundo o site G1.
Junto com o áudio, circulou um suposto retrato falado do suspeito de matar a assessora parlamentar Ana Maria Victor Duarte, de 26 anos, na porta de uma lanchonete do Setor Bela Vista, no dia 14 de março.

Reprodução / Facebook
O homicídio mais recente foi o de Ana Lídia de Souza, 14 anos, morta em um ponto de ônibus no último sábado (2), com dois tiros no peito. Segundo o jornal Folha de S. Paulo, a menina estava sozinha por volta das 14h quando um homem em uma moto disparou contra ela.
Em todas as ocasiões, um homem usando capacete, em uma motocicleta, se aproxima das vítimas em locais públicos e depois atira. Na maioria dos casos, o criminoso não leva nenhum objeto.
Um dia após a morte da adolescente, o governador de Goiás, Marconi Perillo, usou seu perfil no Twitter para defender a atuação da polícia local, alvo de críticas da população.
Para tranquilizar a população, a polícia do estado pede para os goianos não acreditarem nos boatos do WhatsApp, que foram replicados no Facebook. O superintendente da Polícia Judiciária da Polícia Civil de Goiás, delegado Deusny Aparecido Filho, negou ao G1 que as informações divulgadas em redes sociais sobre um suposto serial killer sejam verdadeiras.
No final de semana, o delegado Murilo Polati afirmou que as investigações apontam que alguns crimes foram passionais e que em alguns casos houve envolvimento das vítimas com consumo ou tráfico de drogas. Ele também disse que criminosos podem estar se beneficiando da história para cometerem outros homicídios. “Nós não descartamos também que autores venham utilizando esse modo de agir inclusive para desviar a investigação", declarou, ainda segundo o G1.
A reportagem do Brasil Post entrou em contato com a Delegacia Estadual de Investigações de Homicídios e com a Polícia Judiciária da Polícia Civil, responsáveis pelas investigações, mas não teve a confirmação do número de suspeitos presos ou com mandados de prisão.
Mobilização
Parentes e amigos das vítimas se mobilizaram nas redes sociais em busca da resolução dos crimes. No Facebook, foi criada uma página em homenagem à Ana Maria Victor Duarte, morta em março. No dia 13 de abril, foi organizada uma manifestação em frente à superintendência da Polícia Federal em Goiânia.



No próximo sábado (9), haverá outra manifestação na cidade cobrando uma resposta das autoridades em relação à falta de segurança na capital. O evento conta com mais de 29 mil pessoas confirmadas e traz a suposta lista das vítimas.
by brasilpost

Obama autoriza bombardeios no Iraque para "impedir genocídio"

Do UOL, em São Paulo
Pete Souza/Casa Branca
  • O presidente se reuniu com assessores de segurança nacional na Casa Branca
    O presidente se reuniu com assessores de segurança nacional na Casa Branca
O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, autorizou nesta quinta-feira (7) bombardeios aéreos no Iraque em áreas tomadas pelo EI (Estado Islâmico) para "proteger norte-americanos" e impedir mortes de civis no país. A declaração foi dada nesta noite durante um pronunciamento na Casa Branca, em Washington (EUA).
"Já disse outras vezes que os Estados Unidos nem sempre devem agir [militarmente]. Mas, desta vez, é diferente. Podemos agir para impedir o genocídio de pessoas inocentes. Podemos proteger civis", justificou Obama.
Segundo o presidente, os Estados Unidos realizaram nesta quinta-feira (7) o fornecimento de ajuda humanitária por meio de kits com mantimentos e medicamentos, que são lançados de aviões. 
Obama frisou que uma operação por terra está descartada pelo momento, para evitar que "vidas de soldados sejam perdidas". Para o presidente dos EUA, a saída mais viável para a crise no Iraque é que as várias comunidades que vivem no país entrem em acordo, com a formação de um novo governo. Isso deve começar, segundo ele, com a escolha de um novo primeiro-ministro pelos iraquianos. Apenas ajuda militar, prosseguiu, não irá conter o avanço do EI.
"O mundo está enfrentando muitos desafios e nossa liderança é necessária para garantir a segurança do povo norte-americano. Por isso, apoiamos nossos aliados quando estão em risco", disse. "Não há decisão que eu tenha tomado com maior seriedade do que esta do uso de força militar", completou.

Êxodo em massa

Os jihadistas do Estado Islâmico (EI) invadiram nesta quinta-feira a maior cidade cristã do Iraque, Qaraqosh, o que provocou a fuga de milhares de pessoas. Enquanto isso, após reunião, o Conselho de Segurança da ONU pediu à comunidade internacional que apoie o governo iraquiano na luta contra os rebeldes.
De acordo com o patriarca caldeu Louis Sako, 100 mil cristãos foram obrigados a abandonar suas casas "com nada além de suas roupas", após a tomada de Qaraqosh e de outras cidades na região de Mossul (norte) pelos combatentes do EI.
Safin Hamed/AFP
Cristãos iraquianos, que fugiram da violência na aldeia de Qaraqosh, descansam após chegada na igreja Saint-Joseph, na cidade curda de Arbil, no Curdistão
Entre as localidades ocupadas estão Tal Kayf, Bartela e Karamlesh, que foram "esvaziadas de seus habitantes", denunciou o bispo Joseph Thomas, arcebispo caldeu de Kirkuk e de Sulaymaniyah.
"Esse é um desastre humanitário. As igrejas foram ocupadas, suas cruzes foram removidas", e mais de 1.500 manuscritos foram queimados, ressaltou Sako.

Sem água nem comida

Na quarta-feira, os combatentes curdos do Iraque, da Síria e da Turquia uniram suas forças em uma rara aliança para lutar contra os jihadistas no norte iraquiano e ajudar milhares de civis encurralados nas montanhas próximas. Os três grupos, cujas relações são geralmente tensas, colocaram suas diferenças temporariamente de lado em uma espécie de união sagrada.
Milhares de civis, boa parte da minoria yazidi, estão presos nas montanhas do norte do Iraque, após fugirem dos jihadistas, que em 48 horas tomaram várias cidades curdas da região de Mossul.

Rapper inova ao distribuir poesia em tubos de drogas: ‘vício em leitura’

07/08/2014

Ideia surgiu da expressão 'traficar informação', muito usada no rap.

Pinos serão distribuídos durante Festival Literário de Votuporanga nesta 5ª.

Natália ClementinDo G1 Rio Preto e Araçatuba

Cápsulas comumente usadas para embalar drogas são recheadas de poesia (Foto: Marcio Salata)

A ideia é polêmica, mas desperta curiosidade. Batizada de “pinos poéticos”, o rapper e professor de geografia Renan Inquérito distribui, em invóluclos farmacêuticos, poesia. O conceito “vício em leitura” será atração desta quinta-feira (7), no Festival Literário de Votuporanga (Fliv) que recebe a “Parada Poética”, projeto conduzido por ele com o intuito de explorar e disseminar a leitura.
Parada Poética é um sarau onde se pode declamar poesias (Foto: Marcio Salata)Parada Poética é um sarau onde se pode declamar
poesias (Foto: Marcio Salata)
A ideia de colocar poesia dentro de cápsulas comumente usadas na bioquímica e também por traficantes para embalar drogas como a cocaína, surgiu da expressão “traficar informação”, sempre muito usada no rap. “Eu sempre começo o sarau anunciando no megafone: Vendo pó, vendo pó…esia! Por isso, a relação com os pinos, que também são usados para vender cocaína, conhecida como “pó”, diz Inquérito.

A "associação" com drogas - usada metaforicamente – funciona inclusive com as crianças. “Muitas infelizmente já tiveram contato com drogas, mas passam a associar o objeto com algo positivo, com poesia dentro, e não necessariamente como invólucro para drogas. Não vejo problemas em dá-los às crianças, muitas vezes distribuímos para bem pequenas e elas não fazem conexão”, comenta o rapper.

Autor do livro de poesias concretas #PoucasPalavras, o uso da hashtag no título do livro e no projeto das cápsulas é também uma forma de aproximar os leitores mais jovens da própria arte.  As poesias dos invóculos são do livro, lançado por ele em 2011 de maneira independente e que já está na 5ª edição. “O conteúdo traz fragmentos das minhas composições, porém exploradas de forma diferente do CD. No papel pude abusar dos recursos visuais e do concretismo, fazendo link com a internet e com o twitter, por exemplo”, conta Renan.
Conceito 'vício em leitura' conquista adultos, jovens e crianças (Foto: Marcio Salata)Conceito 'vício em leitura'; conquista adultos,
jovens e crianças (Foto: Marcio Salata)
A Parada Poética é um sarau onde se pode declamar poesias e estreitar o relacionamento do público com a leitura. O objetivo é apresentar poesias e estimular a participação contribuição e construir coletivamente o espaço à leitura. “Me sinto honrado em poder disseminar a poesia em um país onde a maioria das pessoas infelizmente não tem o hábito da leitura, creio que o fato de ser cantor de rap ajudou bastante, sobretudo na aproximação do público mais jovem, que já conhecia minhas músicas”. A atividade acontecerá das 10h às 16h no Fliv.
O evento segue até dia 10, na Praça da Matriz. Mais de 100 mil pessoas são esperadas nos 10 dias de festival, que também tem shows na Concha Acústica “Professor Geraldo Alves Machado", que fica ao lado da Praça. A entrada de todas as atividades é gratuita. O evento é realizado em parceria com a TV TEM.
Poesias dos invóculos são de livro, lançado por Renan em 2011  (Foto: Marcio Salata)Poesias dos invóculos são de livro, lançado por Renan em 2011 (Foto: Marcio Salata)
Leia algumas das frases que fazem parte do conteúdo das cápsulas:
"Tempos Modernos: As pessoas só se falam por em@il, a convivência é um anexo que não veio".
"ForteMENTE: Uns usam Glock, outros usam Colt, outros Imbel. Eu? Calibre 0.7 Faber-Castell".
"A gente é que nem concreto sabia? Uns viram muro, outros viram ponte algum dia".
"Oferta e procura: Doença vende remédio, violência segurança, guerra vende arma, paz vende mais roupa branca".
"Videocassete: A vida passa como um filme que não tem pra alugar, só tua memória pode rebobinar".
"Saudade: palavra singular que dói no plural".

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