domingo, 20 de julho de 2014

Faxineira larga filhos para morar com ex-preso em ponto de ônibus no DF

19/07/2014 07h36 - Atualizado em 19/07/2014 12h26

Paraibano afirma que passou 26 anos na cadeia por ter matado 15 pessoas.

Assistentes sociais tentaram retirá-los do local, mas não obtiveram sucesso.

Raquel Morais
Do G1 DF
Ex-presidiário e faxineira se abraçam em ponto de ônibus da DF-140, que virou abrigo após união (Foto: Raquel Morais/G1)Ex-presidiário e faxineira se abraçam em ponto de ônibus da DF-140, que virou abrigo após união (Foto: Raquel Morais/G1)
Os mesmos versos que introduzem à história de amor de "Eduardo e Mônica", questionando haver razão "nas coisas feitas pelo coração", poderiam anunciar o entrelace improvável de um casal que atualmente mora em uma parada de ônibus na DF-140. Mas a reação inicial à união causa algum espanto: Maria [nome fictício], de 45 anos, largou os seis filhos para viver com o ex-presidiário João [também fictício], de 50, que diz ter passado 26 anos na cadeia por ter matado 15 pessoas.
Sempre me chamavam para resolver as coisas. Eu dizia que daríamos um jeito, que não podiam prejudicar pai de família. Apesar de o meu pai ser policial, eu não confiava nesse povo"
João, ex-presidiário
Os dois decidiram se mudar para o local, próximo ao Complexo Penitenciário da Papuda, há pouco mais de um mês. O homem foi posto em liberdade no final do ano passado e escolheu morar na rua para "não incomodar" familiares e amigos. Eles improvisaram uma barraca e sobrevivem com a ajuda de doações de quem passa pela região – inclusive de agentes da cadeia. A Secretaria de Segurança Pública informou ao G1 que João cumpriu pena por oito roubos qualificados.
Maria, que conheceu o companheiro há cinco anos, em uma confraternização ocorrida durante saidão, diz ter certeza da decisão tomada. Na época, a mulher já estava separada e trabalhava como faxineira em um bar. Os filhos, que hoje têm entre 16 e 22 anos, moravam com ela.
"Esse homem foi melhor do que ganhar na Mega Sena. Ele me dá tudo o que eu preciso, é só o ouro. Tem muita paixão, muito amor entre a gente. Eu o conheci e me apaixonei assim", disse. "Eu não gosto que critiquem minha decisão. Meus filhos já não eram mais pequenos e hoje moram com a irmã mais velha. É um problema só meu."
Natural de uma cidade do interior da Paraíba, João conta se dar bem com os enteados. Ele diz ser filho de um policial civil aposentado e afirma que praticou o primeiro crime quando ainda era menor de idade, depois de ouvir que a filha do vizinho havia sido estuprada. O ex-presidiário garante que matou 15 homens – e em todas as ocasiões usando um facão – com a intenção de fazer justiça e que nunca se aproveitou do crime para levar vantagem pessoal.
Entre as situações que o impulsionaram a isso estariam roubos a conhecidos e a morte do primogênito, entre 17 filhos, por engano. "Ele tinha 16 anos. Foi em 1989. Era a minha vida. Aquilo mexeu comigo", declarou. "Meus colegas sempre me chamavam para resolver as coisas. Eu dizia que daríamos um jeito, que não podiam prejudicar pai de família. Apesar de o meu pai ser policial, eu não confiava nesse povo."
João diz que aproveitou o tempo preso para terminar o ensino fundamental e participar de oficinas, como de pintura, serralheria, jardinagem e panificação. Além disso, adotou a religião evangélica e lembra que chegou a fazer pregações para os colegas de cela.
"Quando a pessoa não conhece as coisas de Deus, fica cega. Eu achava que estava fazendo justiça, mas estava fazendo mal a mim mesmo. Eu nunca usei drogas. Vez ou outra tomo cachaça, mas é só. Eu acho que as pessoas só não mudam quando não querem. Eu aprendi e quero recomeçar", afirma.
O ex-presidiário diz que levou currículo a empresas de ônibus e que tem feito bicos para se manter – catando material reciclado ou vendendo "besteiras" dentro do ônibus. Ele garante que aprendeu com tudo o que passou e que não pretende voltar à prisão.
Quando a pessoa não conhece as coisas de Deus, fica cega. Eu achava que estava fazendo justiça, mas estava fazendo mal a mim mesmo. Eu nunca usei drogas. Vez ou outra tomo cachaça, mas é só. Eu acho que as pessoas só não mudam quando não querem. Eu aprendi e quero recomeçar"
João, ex-presidiário
"Quero fazer o máximo para evitar cometer crime de novo, mas Deus o livre uma pessoa fizer mal a ela [Maria]. Não tenho mais intenção de matar, vou me controlar, é claro. Melhor é ficar solto, em liberdade. A cadeia é muito ruim. Você vê gente morrendo, comida péssima, é desrespeitado, te ignoram quando você está doente. Eu me sentia mal quando meus filhos iam me visitar. A pessoa esta lá para se recuperar, mas como fazer isso sendo maltratada? Você se revolta mais", declarou.
João conta que não aceitou a ajuda dos pais e dos familiares também como parte desta aprendizagem. Segundo o ex-detento, a família pensa que ele está viajando e nem imagina que ele dorme na rua. Até com os filhos o contato ficou restrito. "Se nada der certo, vou com minha mulher para a Paraíba, até a pé. Mas dos outros não dependo", concluiu.
Moradores de rua
Dados da Secretaria de Desenvolvimento Social e Transferência de Renda apontam que o DF tem mais de 2,5 mil moradores de rua. A pasta conta com 28 equipes que visitam essas pessoas e oferecem vagas em casas de abrigo. Segundo o governo, no entanto, nem todas aceitam.
João e Maria, por exemplo, receberam assistentes sociais em três ocasiões, mas não quiseram deixar a parada de ônibus da DF-140. Nos abrigos, eles teriam acesso a acompanhamento psicológico e social e poderiam retirar documentos pessoais de graça, além de ganhar orientações para voltar ao mercado de trabalho. O tempo de permanência nestas casas é de, no máximo, 90 dias.

Ucrânia diz ter provas de participação russa no ataque ao voo MH17

Kiev

Segundo autoridades ucranianas, sistemas de mísseis foram transportados da Ucrânia para a Rússia horas após o abate da aeronave da Malaysia Airlines

Na imagem, forças do governo ucraniano manobram um lançador  de mísseis modelo SA-11, para a região noroeste de Slovyansk, leste do país
Na imagem, forças do governo ucraniano manobram um lançador  de mísseis modelo SA-11, para a região noroeste de Slovyansk, leste do país (Dmitry Lovetsky/AP)
A Ucrânia tem "provas irrefutáveis" de que a Rússia teve papel decisivo na derrubada do avião da Malásia, após o país ter fornecido um sistema de mísseis e equipe aos rebeldes. A informação foi divulgada pelo chefe dos serviços de contraespionagem da Ucrânia, Vitaly Naida. Kiev tem evidências de que três sistemas de mísseis guiados por radar BUK-1 ou SA-11 entraram na Ucrânia vindos da Rússia, junto com uma equipe de três homens. "Temos provas irrefutáveis de que esse ato terrorista foi cometido com a ajuda da Federação Russa. Sabemos claramente que a equipe desse sistema era composta por cidadãos russos", disse ele em entrevista a jornalistas.
Pedindo para que a Rússia forneça os nomes e sobrenomes dos integrantes da equipe para que Kiev possa interrogá-los, ele disse que os três sistemas já tinham sido recuados de volta para a Rússia, mostrando aos jornalistas fotos dos sistemas de mísseis em vários locais. "Temos informações sobre essas três pessoas que vieram junto com esses sistemas do território russo", disse.
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Um grupo de mineiros ucranianos ajuda equipes de resgate na busca dos corpos das vítimas em um campo de trigo no local da queda de um avião transportando 298 pessoas que seguia de Amsterdã para Kuala Lumpur, em Grabovka, na Ucrânia
Um grupo de mineiros ucranianos ajuda equipes de resgate na busca dos corpos das vítimas em um campo de trigo no local da queda de um avião transportando 298 pessoas que seguia de Amsterdã para Kuala Lumpur, em Grabovka, na Ucrânia - Dominique Faget/AFP
Segundo Naida, dois dos sistemas de mísseis cruzaram a fronteira da Ucrânia para a Rússia às 2 horas da manhã de sexta, menos de dez horas depois que voo MH17, da Malaysia Airlines, foi abatido na fronteira leste da Ucrânia. O terceiro sistema foi levado à Rússia às 4 da manhã.
As autoridades ucranianas afirmam que o míssil foi disparado da cidade de Snizhne, localizada na área controlada pelos rebeldes, ratificando o que já havia sido informado pela inteligência americana. Os dois países acreditam que os rebeldes separatistas precisariam de ajuda da Rússia para executar os disparos contra a aeronave.
O Kremlin continua negando ter participado do ataque que matou 298 pessoas, e afirma que as armas ucranianas podem ter sido responsáveis pela catástrofe. Já as autoridades ucranianas pedem uma investigação internacional para apurar a participação russa. 
Alexander Borodai, líder dos separatistas na cidade de Donetsk afirmou à CNN acreditar que a causa da queda do avião tenha sido um míssil. Porém, negou que as forças rebeldes disponham de aparado militar para atingir um avião tão alto. Borodai também negou que os milicianos estivessem removendo os corpos das vítimas ou cometendo saques. 


(Com Reuters)

Empresário Norberto Odebrecht morre aos 93 anos em Salvador


Da Redação

Norberto foi fundador da organização que levava o nome da família (Arquivo Pessoal)

O fundador da Organização Odebrecht, Norberto Odebrecht, morreu na noite deste sábado, 19, aos 93 anos, no Hospital Cárdio Pulmonar, em Salvador. O empresário tinha problemas cardíacos. O sepultamento será neste domingo, 20, às 11 horas, no Cemitério Campo Santo.

Dr. Norberto, como era conhecido, criou um dos maiores grupos empresariais do Brasil, com atuação global. A primeira empresa, fundada há 70 anos, foi a construtora que leva o seu nome.

A Odebrecht foi fundada em Salvador e está presente em 23 países, com negócios diversificados e estrutura descentralizada. Atua nos setores de engenharia e construção, indústria e no desenvolvimento e operação de projetos de infraestrutura e energia, criando soluções integradas.


Atua também nas áreas de defesa e tecnologia, indústria naval, agroindústria, realizações imobiliárias, corretagem de seguros, exportação, previdência privada e comercialização de energia. Administra também os fundos de investimento Africa Fund, Fundo Odebrecht Brasil e Latin Finance.



Arquivo PessoalFilho de Emílio Odebrecht, Norberto assumiu a empresa do pai quando ainda era estudante da Escola Politécnica da Bahia











A Odebrecht Infraestrutura foi a responsável pela construção da Arena Corinthians, estádio utilizado pela Fifa, na Copa do Mundo.

Em outubro de 2008, Norberto deu entrevista à Revista Muito, do Grupo A TARDE, e revelou que todas as decisões que tomou foram com base na intuição.

Origem

O DNA da Organização remonta ao ano de 1856, data da chegada de Emil Odebrecht ao Brasil. Seguindo o fluxo da imigração alemã no país, o engenheiro se fixou no Vale do Itajaí, em Santa Catarina.

Casado com Bertha Bichels, teve 15 filhos. Um de seus netos, Emílio Odebrecht - pai de Norberto - se enveredaria pelo setor de Construção Civil e comprovaria a veia empreendedora da família Odebrecht.

A construtora Isaac Gondim e Odebrecht Ltda. foi a primeira empresa de Emílio Odebrecht. Em 1923, ele criaria a Emílio Odebrecht & Cia., responsável por várias edificações no período entre guerras, no Nordeste brasileiro.

Com o início da 2ª Guerra Mundial, os materiais de construção vindos da Europa tornaram-se caros e escassos, deflagrando uma crise no setor. Emílio retirou-se dos negócios e coube a seu filho, Norberto, substituí-lo, em 1941.

Lamento

O candidato ao governo Paulo Souto lamentou o falecimento do Dr. Norberto. "O Brasil perde um dos seus mais capazes empresários. Pernambucano de nascimento, mas baiano de coração e por escolha, Norberto Odebrecht, escreveu seu nome na história empresarial brasileira. Ficam a saudade e meus sentimentos à família", disse.

Resumo cronológico da atuação do grupo


1944 - Em Salvador, é criada a empresa que dá origem à Organização Odebrecht
1945 - Entre os primeiros projetos, o Círculo Operário e o Estaleiro Fluvial da Ilha do Fogo
1953 - Primeira obra para a Petrobras: o oleoduto Catu-Candeias, na Bahia
1957 - Construção do Teatro Castro Alves, em Salvador. Após incêndio, TCA foi reinaugurado em 1967, também pela Odebrecht
1962 - Expansão no NE, com a abertura de filial em Recife
1965 - É criada a Fundação Odebrecht
1969 - Construção do edifício-sede da Petrobras (RJ), campus da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Aeroporto do Galeão e Usina Angra I
1979 - Primeiro investimento no setor petroquímico e assinados os primeiros contratos fora do país
1980 - Entrada no segmento de hidrelétricas e incremento da engenharia e e construção no Brasil
1984 - 1992 - Período em que iniciou atuação tambem em Angola, Argentina, Equador, Portugal, EUA, Colômbia, México e Venezuela
1995 - É criada a OPP Química
1996 - É formada a Trikem
1998 - Emílio Odebrecht assume a presidência do Conselho de Administração da Odebrecht S.A.
2002-2014 - Criadas a Braskem, Odebrecht Óleo e Gás, Odebrecht Agroindustrial, UEH, Odebrecht Ambiental, Odebrecht Transport, Odebrecht Defesa e Tecnologia, Odrebrecht Properties e ingresso em investimentos e concessões
2014 - A Organização Odebrecht faz 70 anosFonte: cronologia www.odebrecht.com

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