terça-feira, 8 de julho de 2014

Corneteiro Digital: vaia recorde para derrota histórica

Redes Sociais


Ferramenta mede citações de jogadores e mostra o humor de torcedores

Rafael Sbarai

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Felipão e Bernard na partida contra a Alemanha, em Minas Gerais
Felipão e Bernard na partida contra a Alemanha, em Minas Gerais - David Gray/Reuters
goleada histórica da Alemanha sobre o Brasil, por 7 a 1, rendeu muitas manifestações negativas no Twitter. Durante a partida, realizada no Estádio Mineirão, em Belo Horizonte, quase todos os 23 jogadores da seleção foram criticados — a exceção foi o zagueiro David Luiz. O campeão de críticas foi o técnico Luiz Felipe Scolari. É o que revelam os dados doCorneteiro Digital, ferramenta do site de VEJA que exibe em tempo real o sentimento dos torcedores durante os jogos da competição.
Das mensagens publicadas entre 18h e 19h, período que cobre a realização do segundo tempo da partida, 79,6% dos tuítes em português relativos a Felipão eram desfavoráveis ao treinador — muitas críticas eram relacionadas ao fraco desempenho da equipe durante os primeiros 45 minutos. É o maior índice negativo da ferramenta desde o início da competição.
No caso de Bernard, substituto de Neymar na partida, a porcentagem de mensagens positivas chegou a 71%. No mesmo período, os aplausos na rede só foram distribuídos ao zagueiro David Luiz: 60,9% das mensagens eram favoráveis ao atleta.
Ausências no duelo desta tarte, Thiago Silva e Neymar também receberam “vaias digitais”. Enquanto a reprovação do zagueiro chegou a 62%, o meia-atacante recebeu 58,3% dos tuítes negativos. Neymar foi o campeão de mensagens em um curto espaço de tempo. Entre às 17h36 e 17h40, período que marcou o final do primeiro tempo, mais de 200.000 tuítes em português eram relacionados ao atleta.
O Corneteiro Digital — parceria entre VEJA.com, Twitter e a empresa argentina de desenvolvimento de software de mídia social Flowics — exibe números a partir da análise de todos os tuítes públicos dos usuários do microblog em língua portuguesa. Para chegar aos resultados, as mensagens foram analisadas por um programa "treinado" por jornalistas de VEJA.com.
Conheça os jogadores do Brasil e Argentina mais elogiados — e também os mais criticados: clique na imagem a seguir.


Infográfico - Corneteiro Digital

Sendo menos Neymar, e mais Brasil, com certeza, o resultado seria outro. by Deise

No maior pesadelo do futebol do Brasil, Alemanha faz 7 a 1

A segunda Copa do Mundo realizada no país ficará marcada pela pior derrota da história da seleção pentacampeã, massacrada de forma inapelável no Mineirão

Giancarlo Lepiani, de Belo Horizonte
Felipão e Bernard na partida contra a Alemanha, em Minas Gerais
Felipão e Bernard na partida contra a Alemanha, em Minas Gerais - David Gray/Reuters
A Alemanha, agora recordista em número de finais disputadas (oito, contra sete do Brasil), segue para o Rio de Janeiro, onde espera concluir sua passagem devastadora pelo Brasil conquistando o tetracampeonato mundial
A decisão da primeira Copa do Mundo realizada no Brasil, no dia 16 de julho de 1950, no Maracanã, deixou de ser o episódio mais desastroso da história centenária do futebol pentacampeão. Essa página foi escrita nesta terça-feira, 8 de julho de 2014, no Mineirão, com a mais trágica derrota já sofrida pela seleção. O segundo Mundial sediado no país terminará com a equipe da casa tentando reunir forças para disputar apenas uma medalha de bronze, um prêmio de consolação que ficará esquecido no extenso currículo de glórias da equipe. A finalíssima será disputada pela Alemanha, que goleou o Brasil de forma arrasadora e inquestionável, 7 a 1, numa tarde de pesadelo em Belo Horizonte. Depois de um bom início, em que a equipe do técnico Luiz Felipe Scolari procurou compensar a falta de Neymar com um jogo combativo e aguerrido, o Brasil desabou em questão de minutos. Para espanto dos torcedores – que, depois de brigar por um lugar no estádio na semifinal da Copa, acabaram amargando um longo sofrimento nas arquibancadas –, o Brasil foi superado de forma inapelável e traumática, na maior goleada já aplicada na equipe.
Se a seleção foi empurrada pela torcida mesmo nos momentos difíceis de sua campanha na Copa – como no empate sem gols com o México, a classificação nos pênaltis contra o Chile e a vitória apertada contra a Colômbia –, a fidelidade do público não resistiu ao massacre alemão. Os torcedores perderam a paciência, xingaram Fred, vaiaram os erros dos demais integrantes da equipe e assistiram em silêncio ao fim melancólico do jogo. Depois de quase quatro décadas sem perder uma partida oficial em casa (o último revés havia acontecido no mesmo Mineirão, pela Copa América, contra o Peru, em 1975), o Brasil fica pelo caminho, tendo mais um compromisso neste Mundial: uma viagem a Brasília, onde decide o terceiro lugar, no sábado, contra o perdedor da outra semifinal, entre Argentina e Holanda, na quarta, em São Paulo. A Alemanha, agora recordista em número de finais disputadas (oito, contra sete do Brasil), segue para o Rio de Janeiro, onde espera concluir sua passagem devastadora pelo Brasil conquistando o tetracampeonato mundial.
Blitzkrieg - Com a escalação de Bernard, nascido em Belo Horizonte e cria do Atlético-MG, a seleção de Felipão apostou na velocidade para tentar compensar a ausência de Neymar. Na execução do hino brasileiro, o capitão David Luiz, que assumiu a braçadeira de Thiago Silva, suspenso, segurou a camisa 10 do craque lesionado. O papel de Neymar, pela faixa central do campo, ficou com Oscar, com Hulk aberto pela esquerda e Bernard pela direita. A seleção de Felipão começou a partida sufocando os alemães, com uma marcação fortíssima e buscando acelerar o ritmo do jogo. O Brasil ganhava quase todas as bolas divididas, inflamando a torcida. O sistema defensivo alemão impedia que a pressão brasileira fosse transformada em chances de gol, mas o time da casa controlava as ações. O Brasil, porém, esfriou logo no primeiro lance de perigo dos alemães, convertido em gol com apenas 10 minutos de partida, depois de escanteio batido por Toni Kroos. Thomas Muller finalizou sozinho, de pé direito, com calma e categoria, abrindo o placar.
Inicialmente, o time da casa até mostrou um bom poder de reação: mesmo em desvantagem no placar, a Brasil não se abateu e seguiu buscando o jogo. Agora, porém, havia uma muralha alemã pela frente – os tricampeões mundiais, bem postados em campo, contavam com sua organização e disciplina tática para não só defender bem como também deixar a partida ao seu gosto. Aos 22, a missão dos brasileiros ficava ainda mais difícil: Klose dominou na entrada da área e bateu rasteiro; Júlio César defendeu, mas o próprio Klose aproveitou o rebote para fazer 2 a 0, quebrando o recorde histórico de Ronaldo. Agora, o veterano artilheiro somava dezesseis gols em Copas do Mundo – e a seleção pentacampeã começava a desabar. Aos 23, o massacre passava a se desenhar: Lahm avançou pela direita, cruzou rasteiro e viu Kroos finalizar de pé esquerdo, com muita tranquilidade, aumentando para 3 a 0. A máquina alemã precisou de mais apenas um minuto para marcar de novo, com Khedira servindo Kroos, de novo. Aos 28 foi a vez do próprio Khedira deixar sua marca, de pé direito, recebendo de Ozil.
Com menos de meia hora de jogo, o Brasil sofria sua maior goleada em Copas: 5 a 0 (na única outra ocasião em que sofreu tantos gols, na Copa de 1938, acabou vencendo por 6 a 5). E os alemães, impiedosos, queriam mais: agora o Brasil estava rendido, presa fácil para uma equipe que parecia funcionar com perfeição em todos os seus setores. Depois do choque, com um longo período de silêncio, a torcida voltava a gritar “Brasil”, mas de forma tímida. Em campo, os jogadores pareciam não ter mais forças para responder: perplexos, corriam desorientados, incapazes de segurar os oponentes. A blitzkrieg alemã no primeiro tempo terminava com um saldo brutal: mesmo com menos tempo de posse de bola, 47% contra 53%, dez finalizações e 210 passes trocados. Insatisfeita com o desfecho catastrófico do sonho do hexa, o público no Mineirão começava a xingar – não Felipão nem qualquer jogador, mas sim a presidente Dilma Rousseff, repetindo o coro ofensivo da partida de abertura, em São Paulo. Mas também sobrou para a equipe, claro: pela primeira vez na Copa do Mundo, a seleção brasileira saía de campo sob vaias.
Calvário - O Brasil voltou para o segundo tempo com duas alterações: Fernandinho deu lugar a Paulinho e Hulk foi substituído por Ramires. Na Alemanha, o recordista Klose deu lugar a Schürrle depois de poucos minutos de jogo. Os brasileiros começaram tentando dar uma satisfação ao torcedor, buscando o gol de honra. Com um futebol extremamente pobre, as chances brasileiras, porém, eram escassas, e o goleiro Neuer quase não trabalhou. Júlio César, por sua vez, continuava sendo submetido a um calvário. Muller, aos 15, bateu de esquerda e exigiu grande defesa do goleiro brasileiro. Aos 23, a Alemanha ampliou, desta vez com Schürrle, que recebeu assistência de Phillipp Lahm e bateu de pé direito, matando Júlio. Logo em seguida, Fred deu seu lugar a Willian – e continuou sendo vaiado, inclusive quando era mostrado no telão. O técnico Joachim Löw começava a poupar seus titulares para a decisão: faltando 15 minutos, Khedira foi substituído por Draxler. O ritmo alemão, no entanto, não diminuiu: Schürrle fez o sétimo aos 34, com uma finalização perfeita, no ângulo, levando parte da torcida a aplaudir os europeus. Nunca uma seleção havia marcado sete gols numa semifinal de Copa. A torcida mineira também gritou "olé" durante as trocas de passes entre os alemães, que saem do Mineirão como favoritos absolutos à conquista do título, seja contra os argentinos, seja contra os holandeses. Já nos acréscimos, Oscar recebeu lançamento longo, cortou seu marcador e bateu de pé direito, tirando o zero do placar, mas não a sensação de que a semifinal da Copa de 2014 foram os piores 90 minutos da história do futebol brasileiro.

Torcedores usam máscara de Neymar no jogo entre Brasil e Alemanha no Mineirão, em Belo Horizonte
Torcedores usam máscara de Neymar no jogo entre Brasil e Alemanha no Mineirão, em Belo Horizonte - Ivan Pacheco/VEJA.com

"Escudo" de Marin, Felipão deve deixar o cargo


Os nomes mais cotados para substituí-lo são os de Tite, ex-técnico do Corinthians, e de Muricy Ramalho, treinador do São Paulo


LEOPOLDO MATEUS E ALBERTO BOMBIG, DE BELO HORIZONTE

Felipão durante o jogo do Brasil nesta terça-feira (8) (Foto: Laurence Griffiths/Getty Images)

A goleada da Alemanha sobre o Brasil por 7 a 1 (a maior derrota da história da Seleção Brasileira) deve determinar o fim da segunda Era Scolari na Seleção Brasileira. O técnico, que comandou a conquista do pentacampeonato em 2002, perdeu as condições de permanecer no cargo a partir de agora, segundo apurou ÉPOCA. Os nomes mais cotados para substituí-lo são os de Tite, ex-técnico do Corinthians, e de Muricy Ramalho, treinador do São Paulo. A decisão caberá a Marco Pólo Del Nero, o presidente eleito da CBF (Confederação Brasileira de Futebol), que assumirá o cargo ainda neste ano.

Com a ausência de Neymar na partida de hoje, Luiz Felipe Scolari tinha várias opções a sua frente para montar a equipe. Podia colocar Paulinho (que foi bem contra a Colômbia) e fechar o meio com Luiz Gustavo e Fernandinho. Podia também optar por Willian, adiantar Oscar e aproveitar o entrosamento da dupla do Chelsea. Mas decidiu colocar Bernard, que se mostrou perdido em campo, principalmente por causa da ligação direta entre defesa e ataque feita pela Seleção Brasileira no primeiro tempo. Com isso, o técnico não fechou o meio nem montou um time ofensivo. Em termos táticos, tomou um baile tático da Alemanha. Resultado prático: 5 a 0 no primeiro tempo. No segundo tempo, Felipão mudou o time e, enfim, colocou Paulinho e Willian. O time melhorou um pouco, mas, mesmo assim, ainda levou o sexto e o sétimo gols.

Vexame frustra "narrativa eleitoral" de Dilma

Ao longo do final de semana, Felipão tentou, novamente, fazer do amargo limão uma limonada. Sem poder contar com Neymar, o principal jogador da equipe, lesionado na medula no final do jogo contra a Colômbia, o treinador reuniu o grupo na Granja Comary e pediu garra a todos. Para ele, a lesão do craque poderia conferir aos jogadores o equilíbrio emocional que faltara durante jogos anteriores. O que se viu em campo, porém, foi um time atordoado após o primeiro gol da Alemanha. A equipe verde-amarela sofreu um verdadeiro apagão. Felipão, conhecido como rei dos mata-mata e um grande motivador, falhou na tentativa de usar a ausência do craque a seu favor.

 FOTOS: Lágrimas de uma Copa

Luiz Felipe Scolari retornou ao comando da seleção em novembro de 2012, após a queda de Ricardo Teixeira da presidência da CBF. O atual presidente da entidade, José Maria Marin, nunca foi um fã do trabalho de Mano Manezes, o técnico escolhido por Teixeira para comandar a Seleção na Copa de 2014. Marin, então, decidiu ouvir o clamor popular, até para se blindar das críticas em caso de derrota na Copa. Conforme as pesquisas de opinião, Felipão era, em 2012, o técnico preferido dos brasileiros – portanto o presidente da CBF fez a escolha óbvia, tirando de seus ombros a responsabilidade por manter Mano, comandante na derrota para o México na final da Olimpíada de Londres. Logo após Felipão ter assumido pela segunda vez, o Instituto Datafolha mostrou que 66% dos brasileiros apoiavam sua entrada no lugar de Mano Menezes.

Com carta branca de Marin, Felipão assumiu pela segunda vez o cargo de treinador com plenos poderes. Ao final do jogo desta terça-feira, Felipão chegou a fazer um gesto atribuindo para si a responsabilidade pela derrota. Ele também fez questão de entrar em campo e cumprimentar todos os jogadores, do Brasil e da Alemanha. “Fiz aquilo que eu achava que era o mais correto, o melhor”, afirmou em entrevista coletiva, após a goleada alemã. Questionado se estava deixando o comando da Seleção, o treinador afirmou: “Só lembrando que ainda tem jogo sábado”.

Até o Mundial, o técnico teve ampla liberdade para convocar quem quisesse e montar a preparação que queria para seleção. Nem sequer foi questionado pela CBF por ter deixado de fora jogadores mais experientes como Kaká, Ronaldinho Gaúcho e Robinho.

by Época

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