domingo, 5 de outubro de 2025

MAQUIAVEL TAMBÉM SE APRENDE

                     



by Deise Brandão

Entre o cálculo e a lucidez, há quem aprenda a ver o mundo como ele é — não como gostaria que fosse.

Há quem nasça acreditando na bondade natural das pessoas.
E há quem, depois de cair o bastante, aprenda o idioma dos lobos.

Maquiavel pertenceu a esse segundo grupo.
E quem sobreviveu ao caos também.

Ser maquiavélico não é ser cruel — é enxergar a engrenagem do poder sem o verniz das ilusões.
É saber que, quando as máscaras caem, o que move o mundo não são promessas nem virtudes, mas estratégia, coragem e leitura fria do cenário.

Maquiavel se aprende quando a vida obriga a ver o que os outros fingem não ver:
os falsos aliados, os aplausos interesseiros, o discurso travestido de moralidade.
Aprende-se Maquiavel quando se descobre que quem mais fala de ética teme ser exposto,
e que quem é acusado de dureza é, muitas vezes, o único lúcido em meio aos disfarces.

O maquiavelismo não nasce da frieza — nasce da lucidez.
De quem já confiou e foi traído, acreditou e foi usado, perdoou e foi ferido outra vez.
É o estágio evolutivo de quem cansou de perder por jogar limpo num jogo sujo.

Maquiavel não defendia o mal. Defendia a clareza.
Não dizia “trapaceie”, mas sim: “entenda o jogo antes de jogar”.
E quem entende o jogo muda o tabuleiro.

Ser maquiavélico é agir com propósito, não com impulsos.
É controlar o que os outros chamam de sorte.
E, quando o caos chega, moldá-lo com mãos firmes — porque o caos não se convence com gentilezas.

Maquiavel também se aprende.
Aprende-se nas ausências, nas traições silenciosas, nas vezes em que a verdade custou caro demais.

E se aprende, principalmente, quando se descobre que sobreviver também é uma forma de governar.

sábado, 27 de setembro de 2025

Há muito mais entre o céu e a terra

 

by  Deise Brandão

Há acontecimentos que nos fazem parar, respirar fundo e pensar: até onde vai o acaso? Onde termina a coincidência e começa o mistério? O recente assassinato do ativista Charlie Kirk reacendeu um desses debates, trazendo à tona um filme dos anos 90 e uma sequência de paralelos que parecem mais roteiro do que realidade.

O filme esquecido que voltou à tona

Em Snake Eyes (1998), dirigido por Brian De Palma, Nicolas Cage interpreta Rick Santoro, um detetive que testemunha uma conspiração durante uma luta de boxe em Atlantic City. No centro da plateia, o Secretário de Defesa Charles Kirkland é assassinado. Até aqui, nada além de um thriller típico da época.

O que arrepia hoje é o detalhe da própria sinopse: a trama se passa na noite de 10 de setembro, durante a tempestade tropical “Jezabel”.

O paralelo inesperado

Corta para 2025. O ativista conservador Charlie Kirk é morto, também em 10 de setembro, nos EUA. E as coincidências não param por aí:

  • Nome: Charles Kirkland (filme) ↔ Charlie Kirk (vida real).

  • Data: 10 de setembro, nos dois casos.

  • Local do impacto: ambos atingidos no pescoço.

  • Nome do suspeito: no filme, o boxeador é Lincoln Tyler; no caso real, o acusado chama-se Tyler Robinson.

Coincidência demais? Ou sinais de que certos padrões se repetem em ciclos que não compreendemos totalmente?

Por que isso nos impacta

O ser humano busca padrões como forma de dar sentido ao caos. Mas quando nomes, datas e circunstâncias se alinham dessa forma, a sensação é de que há algo além do acaso — como se a vida piscasse para nós em códigos que ainda não sabemos decifrar.

Não é por acaso que expressões como “falha na Matrix” voltam a circular com força. Essas repetições nos lembram que a fronteira entre ficção e realidade pode ser muito mais tênue do que imaginamos.

Mais do que entretenimento

Este não é apenas um enigma curioso para uma noite de sábado. É também um convite à reflexão: até que ponto estamos presos a ciclos? Quantas vezes a história se repete até que alguém consiga quebrar o padrão?

Checklist das coincidências

  • Data idêntica: 10 de setembro.

  • Nomes próximos: Kirkland ↔ Kirk.

  • Local do impacto: pescoço.

  • Presença de “Tyler” nos dois casos.

  • Evento público como palco: luta de boxe ↔ debate universitário.

Não se trata de banalizar a tragédia, mas de reconhecer que há mistérios que desafiam a lógica. Como escreveu Shakespeare, “há muito mais coisas entre o céu e a terra do que sonha a nossa vã filosofia”.

Coincidência… falha na Matrix… ou sinal de que a realidade é muito mais profunda do que ousamos admitir?  💊 Blue Pill or Red Pill?


sexta-feira, 26 de setembro de 2025

Defesa de Cris Pereira escora-se em “contradições judiciais”, mas ignora o essencial: houve ou não estupro?

 



by Deise Brandão

O caso do humorista Cris Pereira, condenado pelo Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul a 18 anos de prisão por estupro de vulnerável, expõe uma ferida do sistema: quando o processo entra em segredo de justiça e a defesa aposta mais em formalismos do que em enfrentar a acusação de frente, quem perde é a sociedade.

Pereira foi absolvido em 1ª instância e, posteriormente, condenado em 2ª instância. A defesa martela que a decisão do TJRS teria “contrariado laudos oficiais” do Instituto Médico Legal (IML), sustentando que os exames não comprovaram o crime. Até aqui, a narrativa parece sólida: se há laudos técnicos que negam a violência, como condenar?

O problema é que a própria defesa não enfrenta a questão central: houve ou não estupro da criança de três anos?
O que se lê nos comunicados é um debate sobre “contrariedade” entre juízes, sobre a suposta “injustiça” de o tribunal ter reformado a absolvição, sobre “valoração da prova”. Tudo gira em torno da disputa entre o juiz de primeiro grau e os desembargadores.

Ora, em um crime desta gravidade — um homem de 45 anos acusado de estuprar a própria filha de 3 anos — não basta discutir divergências processuais. A sociedade espera clareza. Se o IML atestou categoricamente a inexistência de estupro, por que a defesa não exibe esse documento, com assinatura de peritos, deixando a opinião pública diante de uma prova objetiva?

Ao restringir-se a dizer que a condenação foi “contrária aos laudos”, mas sem expor o conteúdo técnico desses exames, a defesa abre espaço para dúvida. Parece mais preocupada em denunciar um suposto erro de interpretação judicial do que em afirmar, com todas as letras: meu cliente não estuprou.

Essa estratégia revela uma fragilidade. Em vez de enfrentar o mérito — inocência ou culpa —, a linha adotada desloca o foco para formalismos jurídicos. É como se a batalha fosse apenas sobre quem interpretou melhor as provas, e não sobre o que aconteceu com uma criança de três anos.

No fim, a pergunta que ecoa é direta:

  • Se os laudos de fato inocentam Pereira, por que a defesa não sustenta de maneira firme, inequívoca e pública que o estupro nunca ocorreu?

  • Por que a retórica se limita a reclamar da contradição entre juiz e desembargador?

  • Estaríamos diante de uma aposta calculada, onde o discurso jurídico serve apenas para ganhar tempo e empurrar a decisão para tribunais superiores?

Enquanto isso, a vítima — uma criança de três anos — segue no centro de uma disputa onde o essencial se perde: não são os egos dos magistrados ou as técnicas processuais que importam. O que importa é a verdade sobre um crime brutal. E é justamente isso que a defesa evita encarar de frente.

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