sexta-feira, 26 de setembro de 2025

Defesa de Cris Pereira escora-se em “contradições judiciais”, mas ignora o essencial: houve ou não estupro?

 



by Deise Brandão

O caso do humorista Cris Pereira, condenado pelo Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul a 18 anos de prisão por estupro de vulnerável, expõe uma ferida do sistema: quando o processo entra em segredo de justiça e a defesa aposta mais em formalismos do que em enfrentar a acusação de frente, quem perde é a sociedade.

Pereira foi absolvido em 1ª instância e, posteriormente, condenado em 2ª instância. A defesa martela que a decisão do TJRS teria “contrariado laudos oficiais” do Instituto Médico Legal (IML), sustentando que os exames não comprovaram o crime. Até aqui, a narrativa parece sólida: se há laudos técnicos que negam a violência, como condenar?

O problema é que a própria defesa não enfrenta a questão central: houve ou não estupro da criança de três anos?
O que se lê nos comunicados é um debate sobre “contrariedade” entre juízes, sobre a suposta “injustiça” de o tribunal ter reformado a absolvição, sobre “valoração da prova”. Tudo gira em torno da disputa entre o juiz de primeiro grau e os desembargadores.

Ora, em um crime desta gravidade — um homem de 45 anos acusado de estuprar a própria filha de 3 anos — não basta discutir divergências processuais. A sociedade espera clareza. Se o IML atestou categoricamente a inexistência de estupro, por que a defesa não exibe esse documento, com assinatura de peritos, deixando a opinião pública diante de uma prova objetiva?

Ao restringir-se a dizer que a condenação foi “contrária aos laudos”, mas sem expor o conteúdo técnico desses exames, a defesa abre espaço para dúvida. Parece mais preocupada em denunciar um suposto erro de interpretação judicial do que em afirmar, com todas as letras: meu cliente não estuprou.

Essa estratégia revela uma fragilidade. Em vez de enfrentar o mérito — inocência ou culpa —, a linha adotada desloca o foco para formalismos jurídicos. É como se a batalha fosse apenas sobre quem interpretou melhor as provas, e não sobre o que aconteceu com uma criança de três anos.

No fim, a pergunta que ecoa é direta:

  • Se os laudos de fato inocentam Pereira, por que a defesa não sustenta de maneira firme, inequívoca e pública que o estupro nunca ocorreu?

  • Por que a retórica se limita a reclamar da contradição entre juiz e desembargador?

  • Estaríamos diante de uma aposta calculada, onde o discurso jurídico serve apenas para ganhar tempo e empurrar a decisão para tribunais superiores?

Enquanto isso, a vítima — uma criança de três anos — segue no centro de uma disputa onde o essencial se perde: não são os egos dos magistrados ou as técnicas processuais que importam. O que importa é a verdade sobre um crime brutal. E é justamente isso que a defesa evita encarar de frente.

Professor da Escola do Ministério Público é preso suspeito de crimes sexuais no RS

         

by Deise Brandão

A prisão do advogado e professor de Direito Conrado Paulino da Rosa, ocorrida nesta sexta-feira (26), em Porto Alegre, expõe um dos casos mais chocantes envolvendo o meio acadêmico e jurídico do Rio Grande do Sul. Conhecido por sua atuação na área de Direito de Família e Sucessões, Conrado ocupava um posto de prestígio: foi professor e coordenador de cursos de pós-graduação na Fundação Escola Superior do Ministério Público (FMP), instituição que forma futuros promotores, procuradores e profissionais da área jurídica.

A ironia é dura: um docente responsável por ensinar sobre ética, família e direitos fundamentais é acusado de violar justamente os princípios que defendia em sala de aula. Pelo menos 13 mulheres já prestaram depoimento à Polícia Civil, relatando episódios de estupro, agressões físicas durante relações sexuais e violência psicológica.

A delegada Fernanda Campos Hablich, responsável pela investigação, destacou que há semelhança entre os relatos, o que reforça o padrão de conduta do suspeito. Os casos teriam ocorrido ao longo de mais de uma década, entre 2013 e 2025.

Queda de prestígio

Até recentemente, Conrado era visto como uma referência acadêmica: foi presidente do Instituto Brasileiro de Direito de Família no Rio Grande do Sul (IBDFAM-RS) e publicou 18 obras sobre Direito de Família. Lecionava para turmas de graduação e mestrado, e representava a FMP em congressos jurídicos.

Na última quinta-feira (18), a instituição anunciou sua demissão em caráter administrativo, após o início das investigações. Em nota, a FMP afirmou que o desligamento ocorreu “sem juízo antecipado sobre responsabilidades relacionadas a fatos externos à instituição”. Ainda assim, o fato de um professor da Escola do Ministério Público figurar no centro de acusações tão graves abala a credibilidade da comunidade acadêmica e gera repercussão entre estudantes e operadores do Direito.

Defesa e repercussão

Nas redes sociais, Conrado declarou que “repudia qualquer forma de violência contra a mulher” e que “a verdade dos fatos se sobressairá”. Seu advogado já anunciou que pedirá Habeas Corpus, considerando a prisão “desproporcional”.

Do outro lado, a advogada das vítimas, Gabriela Souza, ressaltou que a prisão representa um primeiro passo de alívio: “As vítimas, que tiveram coragem de se manifestar, agora podem perceber que sua voz foi ouvida e que os atos relatados não foram ignorados”.

O contraste que choca

O caso não se limita a um escândalo policial. Ele expõe a contradição de um educador do Ministério Público, instituição símbolo da defesa de direitos, estar agora no banco dos investigados por violar justamente esses direitos em sua vida privada.

terça-feira, 23 de setembro de 2025

Cientistas criam hidrogel que imita a pele humana e se autorrepara em 24 horas

 




by Deise Brandão

Um avanço promissor da ciência de materiais pode transformar áreas como medicina, robótica e biotecnologia. Pesquisadores da Universidade Aalto (Finlândia) e da Universidade de Bayreuth (Alemanha) desenvolveram um novo tipo de hidrogel capaz de reproduzir características semelhantes à pele humana — incluindo elasticidade, flexibilidade e, sobretudo, a capacidade de autorregeneração.

Nos testes de laboratório, o material impressionou: após sofrer cortes, conseguiu se recuperar entre 80% e 90% em apenas 4 horas, atingindo reparação completa em 24 horas.

Como funciona o material

O hidrogel é formado por uma rede de polímeros entrelaçados reforçados com nanosheets de argila ultrafinos. Cada amostra de 1 milímetro de espessura contém cerca de 10 mil camadas dessas nanosheets, o que confere ao material uma resistência comparável à da pele humana, mas sem perder a flexibilidade.

O processo de fabricação envolve a mistura de monômeros em água contendo os nanosheets e posterior cura com radiação UV.

Potenciais aplicações

Embora ainda em fase experimental, os cientistas destacam que o hidrogel pode ter múltiplas aplicações, como:

  • Curativos inteligentes para acelerar a cicatrização de feridas;
  • Pele artificial para uso médico ou em pesquisas;
  • Robótica suave (soft robotics), onde materiais flexíveis e autorreparáveis são essenciais;
  • Liberação controlada de medicamentos, aproveitando a estrutura do gel para armazenar e liberar substâncias de forma gradual.

Limites atuais

Por enquanto, os resultados foram observados apenas em condições de laboratório. Antes de chegar a hospitais ou aplicações práticas, será necessário realizar testes em humanos para avaliar a eficácia clínica, a segurança e a resposta do material em situações reais.

O estudo completo foi publicado na revista Nature Materials, com apoio da Aalto University e da University of Bayreuth.

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