quarta-feira, 4 de junho de 2025

O caso Deise dos Anjos e a Justiça na contramão da verdade


      Espelho de um Estado negligente e uma sociedade que julgam 
     antes de esclarecer 


   
     by Deise Brandão

    Em dezembro de 2024, um caso trágico e de forte apelo emocional tomou conta do noticiário gaúcho e nacional. Três pessoas mortas e outras três internadas após consumirem um bolo supostamente envenenado com arsênio, servido durante um encontro familiar no litoral do Rio Grande do Sul. A tragédia gerou uma comoção instantânea. No centro da acusação, sem qualquer denúncia formal, foi colocada Deise Moura dos Anjos — a nora.



    A mídia não hesitou: estampou seu rosto, especulou suas motivações e a julgou como culpada antes que qualquer processo fosse instaurado. Em fevereiro de 2025, Deise foi encontrada morta na prisão. O Estado, sem autocrítica, fechou o caso com a mesma agilidade com que o abriu: sem ouvir outras versões, sem considerar hipóteses alternativas, sem responder pelas falhas de um sistema que age mais para confirmar certezas do que para buscar a verdade.

    Mas Deise não era ré. Não havia denúncia. Não houve defesa. Sua prisão foi preventiva, decretada com base em laudos e suposições — como as buscas em seu celular por “arsênio” e “cremação”. Ora, quem nunca pesquisou algo mórbido, um caso criminal famoso, ou uma teoria conspiratória? Em um Estado Democrático de Direito, ninguém pode ser considerado culpado por pesquisar.

    Mais grave ainda: há indícios fortes de que a sogra, sobrevivente de dois episódios de envenenamento, tenha sido quem preparou os alimentos, e ainda assim foi tratada apenas como vítima. Ela serviu o bolo; ela sobreviveu; ela se beneficiou patrimonialmente das mortes. Ainda assim, não foi investigada como autora potencial. Um erro? Um viés? Ou a simples conveniência de ter já uma “culpada ideal”?


    Este artigo busca resgatar não só os questionamentos ignorados pela investigação e pela imprensa, mas também lançar luz sobre as falhas jurídicas cometidas neste processo. Porque quando se prende sem denúncia, se investiga com foco único, e se fecha um caso com a morte da suspeita, não houve justiça. Houve silenciamento.

    Visa analisar, sob perspectiva jurídica crítica, os vícios processuais e constitucionais presentes na investigação que resultou na prisão e morte de Deise Moura dos Anjos, sem que houvesse qualquer acusação formal contra ela. A análise parte dos princípios constitucionais da presunção de inocência, devido processo legal, contraditório e ampla defesa.

    PONTOS CRÍTICOS E IRREGULARIDADES IDENTIFICADAS

- Deise morreu como suspeita, não ré
Não havia denúncia ou processo instaurado. A mídia e a polícia violaram o art. 5º, LVII da CF/88, que garante que ninguém será considerado culpado antes do trânsito em
julgado de sentença penal condenatória.

- Prisão preventiva desproporcional
A custódia foi decretada sem base concreta nos critérios do art. 312 do CPP. Não houve demonstração de risco real à ordem pública ou à instrução processual.

- Falecimento sob custódia do Estado
A morte de Deise impõe responsabilidade civil objetiva ao Estado, nos termos do art. 37, §6º da CF/88. Houve negligência evidente na preservação da integridade física e psíquica da custodiada.


- Investigação parcial
Houve negligência da polícia civil ao não aprofundar a possibilidade de que a sogra, Zeli dos Anjos — sobrevivente de dois episódios de envenenamento, beneficiária direta da
morte do marido e da nora, e responsável pela preparação dos alimentos — pudesse figurar como investigada.

- Tratamento condenatório da mídia
A exposição pública de Deise, com julgamento moral antes da formalização de qualquer processo, constitui violação ao direito à imagem e à presunção de inocência.

- Ausência de contraditório
A morte de Deise impediu qualquer resposta técnica por parte da defesa. A investigação foi unilateral, desprovida de contraditório e sem possibilidade de contraprova.

- Fragilidade pericial e ausência de cadeia de custódia clara
A associação entre o envenenamento e alimentos levados por Deise carece de robustez
técnica, sem a exclusão de outras ontes de contaminação.

Conclusão parcial da autoridade policial
O relatório final da polícia, divulgado amplamente após a morte de Deise, apresenta conclusões definitivas sem o devido processo legal. Isso caracteriza um abuso investigativo e viola os princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório. A custódia foi decretada sem base concreta nos critérios do art. 312 do CPP. Não houve demonstração de risco real à ordem pública ou à instrução processual.

    CONCLUSÃO
    A tragédia que envolveu a família dos Anjos não deveria ter sido acompanhada de outra: a supressão do direito fundamental de defesa de Deise Moura dos Anjos. O Estado falhou em sua função essencial de investigar com isenção, e a Justiça não foi prestada. A morte da suspeita encerrou o caso formalmente, mas não apagou os vícios, nem redimiu o sistema que a abandonou.



    Fontes Consultadas 
    • CNN Brasil - https://www.cnnbrasil.com.br/nacional/sul/rs/
    • GZH - https://gauchazh.clicrbs.com.br/seguranca/
    •Wikipédia- https://pt.wikipedia.org/wiki/Envenenamento_da_fam%C3%A
    Dlia_dos_Anjos
    • CartaCapital - https://www.cartacapital.com.br/  
    • Correio do Povo -  https://www.correiodopovo.com.br/
   • STJ - http://www.stj.jus.br/
   • CNMP - https://www.cnmp.mp.br/
   • Constituição Federal - http://www.planalto.gov.br/
   • Código de Processo Penal - http://www.planalto.gov.br/

terça-feira, 3 de junho de 2025

RS - Polícia Federal deflagra operação contra lavagem de dinheiro

As empresas identificadas foram responsáveis por movimentações superiores a R$ 10 bilhões no período analisado



Porto Alegre/RS - A Polícia Federal deflagrou, nesta terça-feira (3/6), a Operação Countless, com o objetivo de combater a prática de lavagem de capitais adquiridos, principalmente, por meio de tráfico drogas.

Policiais federais cumprem 39 mandados de busca e apreensão, 7 mandados de prisão preventiva, além de ordens de indisponibilidade de bens e de valores que podem atingir R$ 82 milhões.

A ação, que conta com o apoio da Brigada Militar, ocorre em diversas cidades gaúchas e nos Estados de Santa Catarina, Paraná, São Paulo e Goiás.

A investigação tem como foco um mecanismo de lavagem de dinheiro utilizado por diversas organizações criminosas gaúchas, pautado no uso de operadores financeiros locais e de empresas de fachada. Pessoas vinculadas a membros de organizações criminosas são cooptadas para operar o recolhimento do dinheiro angariado por esses grupos, que advém, proeminentemente, do tráfico de drogas.

As medidas deflagradas na data de hoje têm como objetivo neutralizar o crescimento das atividades investigadas e viabilizar a identificação dos responsáveis pelas etapas posteriores da lavagem de dinheiro.

sábado, 31 de maio de 2025

Prefeito de Palmas é Alvo de Operação da PF por Suspeita de Vazamento e Venda de Sentenças

Eduardo Siqueira Campos, prefeito de Palmas (TO), eleito em 27 de outubro de 2024 com 53,03% dos votos válidos pelo partido Podemos, tornou-se alvo da 9ª fase da Operação Sisamnes, deflagrada pela Polícia Federal (PF) em 30 de maio de 2025. A operação investiga um suposto esquema de venda de sentenças judiciais e vazamento de informações sigilosas em tribunais estaduais e no Superior Tribunal de Justiça (STJ).

by Deise Brandão




Contexto da Investigação
A Operação Sisamnes teve início a partir da investigação do assassinato de um advogado no Mato Grosso, quando a PF encontrou, no celular da vítima, evidências de um esquema de comercialização de decisões judiciais. As apurações revelaram um grupo que, além de negociar sentenças, teria praticado vazamentos de informações sigilosas de operações policiais, comprometendo ações judiciais.
Na fase mais recente, a PF cumpriu três mandados de busca e apreensão em Palmas, incluindo a casa de Eduardo Siqueira Campos, a sede da prefeitura e o presídio onde está detido Thiago Barbosa de Carvalho, sobrinho do governador do Tocantins, Wanderlei Barbosa (Republicanos), que não é alvo da operação. Interceptações telefônicas indicam que Siqueira Campos teria alertado Thiago Barbosa sobre informações confidenciais do STJ, levantando suspeitas sobre sua atuação.

Ações Judiciais
A PF solicitou ao Supremo Tribunal Federal (STF) a prisão e o afastamento de Siqueira Campos do cargo, mas o ministro Cristiano Zanin, relator do inquérito, autorizou apenas as buscas e apreensões. A operação também apura a existência de um grupo chamado “Comando C4”, que teria uma tabela de preços para serviços como monitoramento e até intimidação de autoridades, com valores que variavam de R$ 50 mil a R$ 250 mil.
Histórico Político

Eduardo Siqueira Campos, de 65 anos, é uma figura conhecida na política tocantinense. Foi prefeito de Palmas até 1999, quando deixou o cargo para concorrer ao Senado, sem sucesso em 2006. Retornou à prefeitura em 2024, após vencer o segundo turno contra a deputada estadual Janad Valcari (PL), em uma eleição histórica com segundo turno inédito na capital. Após a posse em 1º de janeiro de 2025, Siqueira Campos anunciou prioridades como saúde e transporte coletivo, mas logo enfrentou desafios pessoais, como a internação de seu filho de 10 anos por miocardite viral, o que o levou a se afastar temporariamente do cargo.

Repercussão
O prefeito confirmou nas redes sociais que a PF esteve em sua residência, mas não se pronunciou detalhadamente sobre as acusações. A operação gerou grande repercussão, com veículos como Globo News, CNN Brasil e Folha de S.Paulo destacando a gravidade das suspeitas. A investigação continua, e novos desdobramentos podem surgir à medida que a PF analisa os materiais apreendidos.

Grupo de Extermínio “Comando C4” na Operação Sisamnes:
 O que se sabe
A Operação Sisamnes, conduzida pela Polícia Federal (PF), revelou a existência de um grupo de extermínio autodenominado “Comando C4” (Comando de Caça a Comunistas, Corruptos e Criminosos), investigado por práticas de espionagem, homicídios sob encomenda e ameaças a autoridades no Brasil. A seguir, um resumo sobre o grupo, com base nas informações disponíveis até 31 de maio de 2025:

Origem e Descoberta
O grupo foi identificado durante a 7ª fase da Operação Sisamnes, deflagrada em 28 de maio de 2025, que inicialmente apurava a venda de sentenças judiciais a partir do assassinato do advogado Roberto Zampieri, em dezembro de 2023, em Cuiabá (MT). Zampieri, conhecido como “lobista dos tribunais”, foi morto em uma disputa fundiária, e mensagens em seu celular revelaram negociações de decisões judiciais, levando a PF a descobrir o Comando C4.

Composição e Atuação

O Comando C4 é formado por militares da ativa e da reserva, além de civis, com alta capacidade operacional e treinamento especializado, o que aumenta sua periculosidade. O grupo operava com uma estrutura empresarial, coordenando ações em estados como Mato Grosso, São Paulo e Minas Gerais. Suas atividades incluíam: Espionagem: Monitoramento de autoridades, incluindo ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), como Alexandre de Moraes e Cristiano Zanin, e parlamentares, como o ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco (PSD-MG).

Homicídios sob encomenda: O assassinato de Zampieri, por exemplo, envolveu um pistoleiro contratado por R$ 40 mil, com um sinal de R$ 20 mil pago por um suposto mandante, o coronel reformado Etevaldo Caçadini de Vargas, que nega envolvimento.
Tabela de preços: O grupo cobrava valores específicos para monitoramento: R$ 50 mil para “figuras normais”, R$ 100 mil para deputados, R$ 150 mil para senadores e R$ 250 mil para ministros do STF.

Ações da PF

Na 7ª fase, a PF cumpriu cinco mandados de prisão preventiva, seis de busca e apreensão e quatro de monitoramento eletrônico, autorizados pelo ministro Cristiano Zanin. Foram apreendidos fuzis, pistolas com silenciador, munição, explosivos com detonação remota, carros e placas frias. Entre os presos estão: Etevaldo Caçadini de Vargas, coronel reformado do Exército, dono do canal “Frente Ampla Patriótica”, que defende ideias golpistas.
Gilberto Louzada da Silva, sargento reformado e instrutor de tiro.
Aníbal Manoel Laurindo, fazendeiro apontado como possível mandante do assassinato de Zampieri.Antônio Gomes da Silva, pedreiro que confessou o homicídio, usando disfarces como boina e bengala.

Conexão com o Caso de Palmas
Na 9ª fase da Operação Sisamnes (30 de maio de 2025), o prefeito de Palmas, Eduardo Siqueira Campos, foi alvo de buscas por suposto vazamento de informações sigilosas a Thiago Barbosa de Carvalho, preso e ligado ao esquema. Embora não haja menção direta de Siqueira Campos como integrante do C4, as investigações sugerem que o grupo se beneficiava de uma rede de contatos para acessar informações sigilosas, comprometendo operações policiais.

Impacto e Repercussão

O senador Rodrigo Pacheco classificou o caso como “estarrecedor”, destacando o risco à democracia. O ministro Luís Roberto Barroso, presidente do STF, afirmou que é cedo para conclusões, mas a gravidade do caso é evidente. A PF continua investigando para mapear a extensão da rede criminosa e suas conexões, que envolvem corrupção judicial, lavagem de dinheiro e até possíveis ramificações em outros crimes, como o uso de garotas de programa para chantagem, conforme sugerido em postagens no X.

Conclusão
O Comando C4 representa uma ameaça significativa devido à sua organização, armamento e alvos de alto perfil. A Operação Sisamnes, que começou com a investigação de corrupção judicial, revelou um esquema muito mais amplo e perigoso, com implicações para a segurança de autoridades e a integridade das instituições. As investigações seguem em andamento, e novos desdobramentos podem surgir.

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