quinta-feira, 15 de maio de 2025

Polícia investiga suspeito de ter cometido crimes sexuais contra 180 vítimas; 'começou a ser fortemente chantageada', conta familiar de menina de 9 anos no RS

Ramiro Gonzaga Barros está preso desde janeiro deste ano. Perícia afirma que encontrou dentro do computador dele 750 pastas com mais de 9 mil imagens, entre fotos e vídeos, relacionadas a pornografia infantil. Entenda a investigação.

Responsáveis de possível vítima de crime sexual — Foto: Reprodução/ RBS TV

O que começou como uma troca de mensagens entre duas supostas crianças virou o fio que desatou um supostos crimes sexuais infantis. A Polícia Civil confirmou 180 possíveis vítimas identificadas e mais de nove mil imagens relacionadas a pornografia infantil, identificados pelo Instituto Geral de Perícias (IGP). O suspeito é Ramiro Gonzaga Barros, de 36 anos. Ele está preso desde janeiro deste ano.

A reportagem da RBS TV entrou em contato com a defesa, mas não obteve retorno até a publicação desta matéria.

O caso teria começado com uma menina de apenas nove anos que acreditava estar conversando com uma nova amiga virtual. De acordo com relato dos familiares, elas trocavam mensagens e fotos, até que as brincadeiras deram lugar a ameaças.

"A partir do momento que ela não quis mandar, começou a ser fortemente chantageada. Então, assim, uma pressão psicológica muito grande de que ia espalhar para os colegas do colégio, de que o pai e a mãe iam bater nela, que ela iria ficar de castigo", relata uma familiar.

Do outro lado da tela, a suspeita é de que havia um homem, segundo investigação da polícia.

O delegado Valeriano Garcia Neto explica que Barros teria seguido um padrão: criaria laços, ganharia confiança e, então, pediria fotos. Depois, com o material em mãos, aumentaria o grau de exigência. Em alguns casos, acompanharia as vítimas por anos — até que, ao atingirem 12 ou 13 anos, revelaria a identidade e exigiria encontros presenciais.

A perícia afirma que encontrou 6.827 fotos e 2.237 vídeos nos dispositivos do suspeito. Os conteúdos estariam em mais de 750 pastas com conteúdo pornográfico infantil, cada uma com nome, apelido e perfil de rede social das vítimas.

Ramiro Gonzaga Barros, de 36 anos, preso preventivamente em Taquara por possíveis crimes sexuais — Foto: Divulgação/ Polícia Civil

Descoberta dentro de casa

O que a família da menina não imaginava era que o agressor estava mais próximo do que pensavam. Barros seria o responsável pelo aquário da casa.

"É uma pessoa conhecida na cidade, que é uma cidade relativamente pequena, e ele se relacionava com os pais das vítimas. Então era uma pessoa próxima e com vínculo em relação a essas vítimas", comenta o delegado.

A Polícia Civil montou uma força-tarefa para identificar cada vítima. O trabalho exige cruzamento de dados e perícia técnica. Pela sensibilidade dos casos, os depoimentos são conduzidos por policiais mulheres.

"O (caso) mais difícil da minha carreira com certeza, em função dos traumas que as vítimas sofreram ao longo desses anos", diz escrivã Iane Marcela Scherer Colpo. "Após constatar o material no laudo pericial, a gente entra em contato com os familiares e aí acaba dando essa triste notícia", comenta.

Para a família, a possível vítima "é uma heroína".

"É uma coisa que a gente sempre fala, que os psicólogos falam, não tem que ter segredo entre pai e mãe com o filho", comenta o responsável.

Busca ativa do MP

No dia 5 de maio, o Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) anunciou a busca ativa para acolher e prestar apoio psicológico às vítimas .

As crianças e adolescentes, assim como seus responsáveis, serão procurados pelo projeto das Centrais de Atendimento às Vítimas e Familiares de Vítimas de Crimes e Atos Infracionais do Ministério Público gaúcho, que oferece espaços de acolhimento e apoio psicológico em Promotorias de Justiça de sete municípios. O atendimento vai acontecer à medida que os expedientes forem encaminhados ao MPRS.

"A busca ativa realizada pelo MPRS, através das Centrais de Atendimento às Vítimas espalhadas pelo Estado, busca garantir que cada uma das crianças e adolescentes, assim como suas famílias, receba o acolhimento necessário. Este trabalho é essencial porque ressignifica o papel das vítimas no processo penal, assegurando que seus direitos sejam plenamente respeitados e que elas possam participar ativamente na busca por justiça”, explica a coordenadora do Centro de Apoio Operacional Criminal e de Acolhimento às Vítimas, Alessandra Moura Bastian da Cunha.

Perfil do suspeito

Ramiro Gonzaga Barros é morador do município de Taquara. Morava sozinho em uma casa no mesmo terreno da família.

Conforme informações da Polícia Civil era praticante de muay thai e ministrava aulas gratuita de violão, ginástica, desenho e tecido de circo em projetos sociais em Taquara e cidades da região.

Ainda de acordo com a investigação, Ramiro também era dono de uma loja de animais exóticos, principalmente de peixes, no centro da cidade e recebia visitação das escolas.

"Seja nas aulas, no projeto ou na loja, as circunstâncias favoreciam muito o planejamento criminoso dele com as vítimas. Ele tomava conhecimento de detalhes da vida delas", ressalta o delegado.

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Padre Fábio de Melo relata confusão com preços em cafeteria de SC e funcionário é demitido

Nas redes sociais, ele disse que o gerente não teria aceitado passar a mercadoria pelo valor estabelecido na prateleira - mais barato que no caixa. Empresa de Joinville diz que apura a situação.

Padre Fábio de Melo usou redes sociais para relatar confusão com preços em cafeteria em Joinville (SC) — Foto: Redes sociais/ Reprodução

Um funcionário de uma cafeteria em Joinville, cidade mais populosa de Santa Catarina, foi demitido após o padre Fábio de Melo relatar, em uma rede social, uma situação que passou na loja. Ele disse que houve uma confusão com os preços de um produto, e que o gerente não teria aceitado passar a mercadoria pelo valor estabelecido na prateleira - mais barato que no caixa (assista acima).

"Peguei dois potes [de doce de leite], fui para o caixa pagar e vi que o valor que estava sendo cobrado era muito maior do que a soma de dois potes com o preço que estava na estante", relatou.

Ao g1, a advogada Roberta Von Jelita, especialista em Direito do Consumidor, esclareceu que, pela lei, nesses casos, o que vale é o menor preço.

"Normalmente, é o preço que está na prateleira e, ainda que tenham dois preços na prateleira para o mesmo produto, o que vale é o de menor valor".

Em nota, a Havanna, rede onde a situação ocorreu, informou que está "apurando os detalhes do ocorrido com responsabilidade e agilidade" e que o "colaborador envolvido no ocorrido já não faz mais parte do nosso quadro de funcionários" (veja íntegra abaixo).

Relato

O caso aconteceu no sábado (10), antes de um show que o padre teria em Joinville. Em vídeos divulgados em uma rede social, ele disse que a situação serviria de alerta "para que as pessoas que trabalham com comércio saibam que elas não estão acima do bem e do mal".

Nas imagens, ele relata que pegou dois potes de doce de leite da prateleira. Na hora de pagar, porém, viu que o valor era superior ao anunciado na etiqueta.

"Muito educadamente, eu disse à moça do caixa: 'Olha, a soma está errada, porque o doce de leite custa isso, e dois potes o valor seria este". Aí ela ficou 'assim', foi lá, viu. Ela falou: "não, lá está errado'. E, nisso, o gerente já se adiantou em ser extremamente deselegante, e disse: "O preço está errado e é isso. Se quiser levar, o preço certo é este".

"Sabe quando é muito desagradável para o consumidor? Quando parece que nós estamos errados. Não estamos errados, nós estamos comprando uma coisa que foi anunciada por aquele preço. E se você é gerente e está numa situação embaraçosa, há uma forma de dizer isso com elegância", completou.

Em entrevista ao Bom Dia Paraná, o professor de Direito do Consumidor Guilherme Correa reforçou que o consumidor tem o direito de adquirir o produto pelo menor preço indicado na prateleira, e orientou sobre o que fazer quando não há acordo com o estabelecimento.

➡️ Se o preço cobrado no caixa for diferente, por exemplo, o cliente pode exigir o preço correto e, se necessário, registrar reclamação junto aos órgãos de defesa do consumidor.

O padre não informou, no relato, se finalizou a compra.

O que diz a cafeteria

"A Havanna Joinville/SC, tem como missão proporcionar momentos acolhedores e especiais a cada pessoa que passa por nossa loja. Por isso, recebemos com muita atenção e preocupação o relato de um cliente que se sentiu mal atendido em nossa unidade.

Queremos expressar, em primeiro lugar, nosso pedido sincero de desculpas. Lamentamos profundamente que a experiência vivida tenha ficado aquém do que prezamos e buscamos diariamente. Sabemos o quanto cada cliente é importante e levamos muito a sério qualquer situação que afete a confiança que construímos com todos vocês.

Já estamos apurando os detalhes do ocorrido com responsabilidade e agilidade, informamos também que o colaborador envolvido no ocorrido já não faz mais parte do nosso quadro de funcionários. Mais do que esclarecer, nosso compromisso é agir para corrigir e garantir que esse tipo de situação não volte a acontecer. Estamos redobrando os cuidados com nosso atendimento e reforçando nossos valores junto à equipe.

Agradecemos por cada manifestação, seja de crítica ou apoio, pois são elas que nos impulsionam a crescer. Nossa loja está sempre de portas abertas para ouvir e melhorar.

Com respeito e gratidão,
Equipe Havanna Joinville/SC"

TBT 2013 - Cardeal que participou de eleição do Papa diz que pedofilia 'não é crime'

Para sul-africano, pedófilos 'são doentes' e não podem ser punidos.
Declarações causam indignação e revolta entre vítimas de abusos.

O arcebispo sul-africano Wilfrid Fox Napier, um dos 115 cardeais que participaram da eleição do novo papa, defendeu neste sábado (16) que a pedofilia seria uma "doença" psicológica, "não uma condição criminal", causando indignação entre especialistas e vítimas de abusos de sacerdotes da Igreja Católica.

Um dos 115 a participar do conclave que elegeu o Papa Francisco, o arcebisto sul-africano Wilfrid Fox Napier(Foto: Plinio Lepri / France Presse)

Em entrevista à Radio 5, da BBC, Napier disse que, no geral, pedófilos são pessoas que sofreram abusos quando eram crianças e por isso eles precisam ser examinados por médicos especializados.

"(A pedofilia) é uma condição psicológica, uma desordem", afirmou o arcebispo. "O que você faz com transtornos? Você tem que tentar consertá-los."

Napier disse que conhecia pelo menos dois sacerdotes pedófilos, que teriam sofrido abusos quando crianças.

"Se alguém 'normal' escolher quebrar a lei, sabendo que está quebrando a lei, então eu acho que precisa ser punido", disse.

"Agora não me diga que essas pessoas (pedófilos) são criminalmente responsáveis, como alguém que escolhe fazer algo assim. Eu não acho que você pode realmente tomar a posição de dizer que a pessoa mereça ser punida. Ele mesmo foi afetado (na infância)."

As declarações foram feitas em um momento em que a Igreja Católica está bastante abalada por causa dos escândalos de abusos sexuais cometidos por seus sacerdotes em diversos países.

Indignação
Os comentários de Napier foram amplamente criticados por especialistas, vítimas dos padres pedófilos e grupos de defesa dos direitos das crianças.

"Pode ser que (pedofilia) seja uma doença, mas também é um crime e os crimes são punidos. Os criminosos são responsabilizados pelo que fizeram e o que fazem", diz Barbara Dorries, que foi vítima de abusos por parte de um padre quando era criança e hoje trabalha para uma ONG com sede em Chicago que trata do tema.

"Os bispos e os cardeais contribuíram muito para que esses predadores seguissem em frente, sem serem presos, e também para manter esses segredos dentro da igreja."

Para Michael Walsh, que escreveu uma biografia do falecido papa João Paulo 2º, as declarações do cardeal Napier refletem uma posição que já foi comum na Igreja Católica no Reino Unido e nos Estados Unidos.

'Eles chegaram a acreditar que essa era uma condição que podia ser tratada. Muitos bispos simplesmente mudaram o lugar de atuação de seus sacerdotes e tentaram esconder o fato de que eles tinham cometido esses crimes', afirmou Walsh.

Marie Collins, outra vítima de abusos, acredita ser "terrível" o fato de um cardeal - integrante da alta hierarquia da Igreja - manifestar uma opinião desse tipo. "Ele ignora totalmente o lado da criança', diz.

Em Alta

Sincericídio de Luiz Inácio. Ou da cópia dele.

Sim, no dia 24 de março de 2026, durante a cerimônia de sanção do "PL Antifacção" (projeto de lei que endurece regras para facções...

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