terça-feira, 27 de junho de 2023

Motim na Rússia: a reação de mercenários do grupo Wagner a acordo com Putin



CRÉDITO,CONCORD PRESS SERVICE
Legenda da foto,

Yevgeny Prigozhin é o líder do grupo mercenário WagnerArticle informationAuthor,Grigor Atanesian e Maria Korenyuk
Role,BBC Global Disinformation Team
27 junho 2023, 05:49 -03

Yevgeny Prigozhin se gaba de ter a lealdade de todos os 25 mil membros de seu exército mercenário. Mas há sinais de que essa lealdade pode ter mudado tão subitamente quanto o breve motim do grupo Wagner.

Em mensagens na internet analisadas pela BBC, soldados do grupo Wagner se enfureceram contra a decisão de Prigozhin de interromper sua dramática marcha sobre Moscou e se retirar da cidade capturada de Rostov.

"O desperdício de espaço destruiu Wagner PMC (sigla em inglês para "empresa militar privada") com suas próprias mãos. E ferrou todos que pôde", escreveu um homem que afirma ser soldado do Wagner em um canal do Telegram com 200 mil seguidores.

"Foi outra revolta sem sentido", disse ele.

O Telegram é a plataforma de mídia social preferida dos soldados do Wagner e dos círculos pró-guerra na Rússia, permitindo a comunicação muitas vezes anônima com milhares de seguidores ao mesmo tempo. recomendadas







Mas agora a plataforma se tornou o lugar onde muitos se voltaram contra ele.

Mark Krutov, jornalista do Serviço Russo do jornal RFE/RL, tem acesso aos grupos de chat do Telegram usados por parentes dos soldados do Wagner. Ele compartilhou algumas das mensagens dos grupos com a BBC.

"Eles foram simplesmente traídos", escreveu uma mulher. "Eu confiei em Prigozhin, mas o que ele fez é desonroso."

"Ele não deveria ter feito isso. Isso é pura traição", concordou outro usuário.

Prigozhin foi por muito tempo apoiado por uma rede de influenciadores pró-Wagner. Durante meses, eles defenderam suas ações e atacaram seus oponentes no Ministério da Defesa — particularmente seu inimigo declarado, o ministro da Defesa da Rússia, Sergei Shoigu.

Mas quando o motim de Wagner estava se desenvolvendo, a reação dos influenciadores foi surpreendentemente silenciosa.

Dois dos maiores grupos, Gray Zone e Reverse Side of the Medal — com quase 900 mil seguidores entre eles — não endossaram as ações de Prigozhin. Em vez disso, os usuários no grupo buscaram um meio-termo razoavelmente neutro ao culpar o ministro da Defesa da Rússia e seus partidários pelo derramamento de sangue.

Combatentes do grupo Wagner do lado de fora do quartel-general do Distrito Militar do Sul, na cidade de Rostov-on-Don, Rússia

CRÉDITO,REUTERS

Outros defenderam teorias da conspiração.

O Wagner PMC Briefs é um canal que Prigozhin confirmou como sendo oficial do Wagner e é dirigido por seus soldados. Ele observou que quando o presidente russo, Vladimir Putin, denunciou o motim, ele não mencionou o nome de ninguém.

"[Putin] não deu nome aos 'amotinados e traidores'. Talvez tenha sido para deixar Prigozhin restaurar a justiça e punir os culpados de traição real que resultou no fracasso [da invasão da Ucrânia pela Rússia]?"

A teoria de que Putin e Prigozhin conspiraram para encenar uma tentativa de golpe a fim de "testar a lealdade das elites russas" rapidamente ganhou força nas redes sociais.

"Meninas, pensei que talvez isso tudo tivesse sido orquestrado para remover Shoigu, mas através de Prigozhin, para que Putin não precisasse ele mesmo fazer isso?", escreveu uma mulher no chat dos familiares de soldados do Wagner.

Volodymyr Fesenko, chefe do Centro Penta de Pesquisa Política Aplicada em Kiev, discorda.

"Se isso tudo foi encenado, foi para quê? Para que todos pudessem ver o quão fraco Putin é?", disse. "O que aconteceu foi uma humilhação pública de Putin. E Prigozhin? Ele perdeu parcialmente sua reputação: costumava demonstrar poder e simplesmente recuou."

Mas o último comentário público de Prigozhin no dia do motim, filmado depois que ele concordou em recuar, continua fomentando especulações online.

"Tivemos um bom resultado hoje", disse ele. "Deixou todo mundo animado."

Coronel que trocava mensagens com Mauro Cid diz que ataques em Brasília foram 'coincidência'



Questionado pela CPMI, o coronel do Exército Jean Lawand Junior negou que, ao pedir uma "ordem do presidente", estivesse articulando um golpe de estado com Mauro Cid, então ajudante-de-ordens de Jair Bolsonaro
Edilson Rodrigues/Agência Senado

O coronel do Exército Jean Lawand Junior classificou como "uma coincidência" o fato de manifestantes terem tentado invadir as sedes dos Poderes da República e armado uma bomba perto do aeroporto de Brasília após as mensagens trocadas entre ele e o ajudante-de-ordens do então presidente da República, Jair Bolsonaro, tenente-coronel Mauro Cid. Questionado pela relatora da CPMI do 8 de Janeiro, senadora Eliziane Gama (PSD-MA), o militar afirmou em depoimento nesta terça-feira (27) que "não tinha condições" para articular um golpe de Estado contra o presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva.

— Acho que foi coincidência. Eu não tinha como influenciar o povo. Eu não tinha motivação, capacidade ou força para fazer qualquer atentado ou motivar as pessoas a fazê-lo. Foi uma coincidência — afirmou.

A senadora Eliziane Gama reagiu. Para a relatora da CPMI, as respostas do coronel Jean Lawand Junior são uma tentativa de tratar como crianças os integrantes da comissão parlamentar mista de inquérito que investiga os ataques aos Poderes da República no dia 8 de Janeiro.

— As mensagens [trocadas com Mauro Cid] são do dia 1º de dezembro. Doze dias depois, tivermos uma manifestação destruidora. Carros foram queimados, destruídos. No dia 24, tivemos um ato de terrorismo: a tentativa clara de destruir um caminhão de combustíveis. No dia 8 de janeiro, a invasão às sedes dos Três Poderes. As colocações são totalmente incompatíveis com o conteúdo de mensagens que o senhor próprio escreveu — disse a relatora ao depoente.

Jean Lawand Junior prestou depoimento amparado por um habeas corpus da ministra Carmem Lucia, do Supremo Tribunal Federal (STF). Pela decisão, o militar poderia permanecer em silêncio. Apesar disso, a testemunha respondeu às indagações da senadora Eliziane Gama.
Exército

A relatora questionou o depoente sobre trechos específicos das conversas com Mauro Cid. Em um deles, Jean Lawand Junior afirma que o Exército Brasileiro cumpriria "prontamente" uma ordem de Jair Bolsonaro, mas não atuaria "de modo próprio" — o que poderia ser interpretado como um golpe. Para Eliziane Gama, os diálogos configuram uma tentativa de intervenção militar.

Jean Lawand Junior disse que não conhece os integrantes do Alto Comando do Exército e que, por isso, não teria como opinar sobrea posição do grupo formado pelo comandante da Força e pelos generais de Exército em serviço ativo. O coronel classificou a mensagem trocada com o ajudante-de-ordens de Jair Bolsonaro como “uma frase muito infeliz”.

— Essa frase foi muito infeliz minha. Quando eu disse que o Exército Brasileiro não faria, eu me equivoquei. Eu me redimo disso. Foi uma coisa que falei errado. Eu acredito que, se o presidente desse a ordem para apaziguar o país, o Exército e as forças de segurança atuariam. Mas fui muito infeliz nessa fala. Não tenho contato com ninguém do Alto Comando. Não posso, na minha condição de coronel, dizer o que pensa o Alto Comando — disse o militar.

Eliziane Gama perguntou ainda sobre um trecho das conversas em que Jean Lawand Junior afirma que o presidente Jair Bolsonaro "tem que dar a ordem". Caso contrário, seria preso no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília. Para o coronel, a mensagem foi "um desabafo". Questionado, ele voltou a afirmar que jamais tentou articular um golpe.

— Isso foi um momento de desabafo. Não tenho conhecimento jurídico para dizer se ele seria preso. Meu medo era a coisa aumentar, haver uma convulsão social e aquilo também ser atribuído ao presidente da República. Foi uma mensagem de desabafo. Em nenhum momento eu falei 'golpe'. Eu falei 'ordem'. Em nenhum momento quis atentar contra a democracia — disse o militar, que passou a ser questionado pelos demais parlamentares.

Fonte: Agência Senado

sábado, 17 de junho de 2023

Diálogos foram encontrados no celular de Mauro Cid, ajudante de ordens do ex-presidente Jair Bolsonaro. Conversas estão em relatório da PF

“O presidente vai ser preso”: veja diálogos entre Mauro Cid e coronel

16/06/2023 14:01

Diálogos encontrados no celular do ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro, o tenente-coronel Mauro Cid, apontam para o detalhamento de planos golpistas. A análise foi feita pela Polícia Federal sobre aparelhos de pessoas ligadas diretamente ao ex-presidente e a militares do alto escalão.

Reportagem da Revista Veja revela um dos diálogos entre Cid e o então subchefe do Estado Maior do Exército, o coronel Jean Laward Junior. A conversa ocorreu dias antes do fim do mandato de Bolsonaro e mostra frases como: “O presidente vai ser preso”, “Ferrou, vai ter que ser no voto”, “Pelo amor de Deus, faz alguma coisa”, e “Convença o 01 a salvar esse país”.
Lawand e Mauro Cid mantiveram contato mesmo após a derrota de Bolsonaro nas urnas, no fim de 2022. Nas conversas que tiveram durante o período, o coronel cobrou, em diversos momentos, um plano para “salvar” o país, além de algo prático para contestar o resultado das eleições.

Procurado pela revista, o militar disse ter uma relação de amizade com Cid, com quem conversava sobre “amenidades”. Em nota, o Exército Brasileiro diz que “opiniões e comentários pessoais não representam o pensamento da cadeia de comando do Exército Brasileiro e tampouco o posicionamento oficial da Força”.

O ex-subchefe do Estado Maior do Exército, que foi destacado pelo governo Lula para assumir o cargo de representante militar nos EUA, afirmou não se lembrar de nenhum diálogo de teor golpista. O general Rosty também relatou que não se recordava de conversas do gênero.

Mauro Cid está preso desde o início de maio após uma operação da PF sobre fraudes em cartões de vacina, na qual seu telefone acabou apreendido.
Veja os diálogos

Diálogo entre o coronel Lawand Junior e Mauro Cid no dia 1º de dezembro:

– Cidão [Mauro Cid], pelo amor de Deus, cara. Ele dê a ordem, que o povo está com ele, cara. Se os caras não cumprirem, o problema é deles. Acaba o Exército Brasileiro se esses cara não cumprirem a ordem do… do comandante supremo. Como é que eu vou aceitar uma ordem de um general, que não recebeu, que não aceitou a ordem do comandante. Pelo amor de Deus, Cidão. Pelo amor de Deus, faz alguma coisa, cara. Convence ele a fazer. Ele não pode recuar agora. Ele não tem nada a perder. Ele vai ser preso. O Presidente vai ser preso. E pior, na Papuda, cara. Na Papuda, porque até isso aquele filho da puta quer tirar dos caras. O direito de ser preso é.. prisão especial com curso superior. Vai tirar, Cid. Temos que pensar, cara. Não podemos ser agora racional, não. E… emotivo. Tem que ser racional, cara, pelo amor de Deus – falou o subchefe do Estado Maior do Exército.

– Mas o PR [Bolsonaro] não pode dar uma ordem se ele não confia no ACE”, disse o tenente-coronel Cid, se referindo ao Alto-Comando do Exército.

– Então, ferrou. Vai ter que ser pelo povo mesmo – rebateu Lawand.
Mensagem enviada por Lawand a Cid no dia 2 de dezembro:

– Meu amigo, na saída do QG encontrei com o Rosty. Foi uma conversa longa, mas para resumir, se o EB receber a ordem, cumpre prontamente. De modo próprio o EB nada vai fazer porque será visto como golpe. Então está nas mãos do PR – falou o coronel, se referindo ao Exército Brasileiro como EB e ao presidente por PR.

Troca de mensagens no dia 12 dezembro:

– Cid, pelo amor de Deus, o homem tem que dar a ordem. Se a cúpula do EB não está com ele, de divisão para baixo está. Assessore e dê-lhe coragem. Pelo amor de Deus”, escreveu o militar.

– Muita coisa acontecendo. Passo a passo – respondeu Mauro Cid, ao que Lawand respondeu: – Excelente!

Mensagens trocadas no dia 21 de dezembro:

– Soube agora que não vai sair nada. Decepção, irmão. Entregamos o país aos bandidos – fala o subchefe do Estado Maior do Exército.

O tenente-coronel Mauro Cid responde: – Infelizmente.

Outras mensagens trocadas entre eles:

– Convença o 01 a salvar esse país! – enviou Lawand.

Cid responde:

– Estamos na luta!

Nomeação em risco

O comandante do Exército, general Tomás Paiva, avalia anular a nomeação do coronel Jean Lawand Junior para a Representação Diplomática do Brasil nos Estados Unidos, em Washington.

A decisão seria uma reação após a Polícia Federal identificar uma série de mensagens nas quais o militar sugeria ao ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro (PL), Mauro Cid, que auxiliasse o então presidente a “dar uma ordem” para ação das Forças Armadas contra a eleição de Lula (PT).
Resposta do Exército

O Exército Brasileiro divulgou nota sobre a troca de mensagens entre Cid e o coronel. No documento, o órgão diz que “opiniões e comentários pessoais não representam o pensamento da cadeia de comando do Exército Brasileiro e tampouco o posicionamento oficial da Força”.

“Consciente de sua missão constitucional e do compromisso histórico com a sociedade brasileira, o Exército reafirma sua responsabilidade pela fiel observância dos preceitos legais e preservação dos princípios éticos e valores morais”, termina o comunicado.

Veja a nota completa:

“Atendendo à sua solicitação de informações sobre trocas de mensagens entre o Coronel Jean Lawand Junior e o ex-ajudante de ordens do presidente Jair Bolsonaro, Tenente-Coronel Mauro Cid, o Centro de Comunicação Social do Exército informa que:

Opiniões e comentários pessoais não representam o pensamento da cadeia de comando do Exército Brasileiro e tampouco o posicionamento oficial da Força. Como Instituição de Estado, apartidária, o Exército prima sempre pela legalidade e pelo respeito aos preceitos constitucionais. Os fatos recentes somente ratificam e comprovam a atitude legalista do Exército de Caxias.

Eventuais condutas individuais julgadas irregulares serão tratadas no âmbito judicial, observando o devido processo legal. Na esfera administrativa, as medidas cabíveis já estão sendo adotadas no âmbito da Força.

Em relação à função do Cel Lawand, citado na matéria da Revista Veja como Subchefe do Estado-Maior do Exército, este Centro esclarece que o referido militar serve no Escritório de Projetos Estratégicos do Estado-Maior do Exército.

Por fim, consciente de sua missão constitucional e do compromisso histórico com a sociedade brasileira, o Exército reafirma sua responsabilidade pela fiel observância dos preceitos legais e preservação dos princípios éticos e valores morais.”
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Docs abaixo, dosite da VEJA








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