segunda-feira, 21 de março de 2022

Gene Sharp. Morreu o homem que ensinou a derrubar ditaduras de forma pacífica

Gene Sharp morreu no domingo, mas a notícia só foi conhecida na terça-feira. Recordações da entrevista que o autor de “Da Ditadura à Democracia” me deu em 2015, a propósito da prisão de ativistas em Angola por lerem o seu livro


“O meu livro só é subversivo para as pessoas que defendem ditaduras”, dizia-me em 2015 Gene Sharp, por telefone, com uma voz frágil e meio sumida que dificultava a comunicação. O homem que dedicou a sua vida ao estudo das lutas não violentas para derrubar regimes opressivos continuava, no entanto ativo e interessado, trabalhando no seu gabinete na instituição que criou em 1983 a Albert Einstein Institution.

O quatro vezes nomeado para o Nobel da Paz, que no domingo morreu aos 90 anos na sua casa em Boston, nos Estados Unidos, mas cuja notícia da morte foi apenas divulgada na terça-feira, escreveu numerosos livros e ensaios, mas trouxe influência sobretudo pelo seu manual para fazer cair ditaduras pacificamente chamado “Da Ditadura à Democracia” – escrito em 1993, publicado em 1994 (editado em Portugal pela Tinta da China em 2015), influente nos movimentos que levaram à Primavera Árabe, base para a detenção dos 17 ativistas angolanos (o caso conhecido como dos 15+2) por tentativa de rebelião.

“O meu livro não tem mesmo nada a ver com golpes de Estado é uma obra sobre formas pacíficas de mudança”, dizia então na entrevista publicada no site Rede Angola. “A ideia de as pessoas pensarem por si próprias, decidirem em conformidade com o que pensam e expressar as suas opiniões através da ação. É isso que aterroriza os ditadores”, adiantava o antigo professor de Ciências Políticas da Universidade de Massachusetts em Dartmouth.

O maior teórico da luta não violenta desde Mahatma Gandhi, Sharp criou uma área de estudos académicos sobre a prática estratégica da ação não violenta e os seus livros e ensaios foram traduzidos em mais de 50 línguas. A base de todo o seu pensamento e reflexões está expressa no prefácio de “Da Ditadura à Democracia”: “Procurei refletir cuidadosamente sobre as maneiras mais eficazes de desintegrar ditaduras com o mínimo de custos em termos de sofrimento e perda de vidas humanas”. Na entrevista, além de sublinhar a sua oposição veemente ao uso da violência, explicava que “se não queremos uma rebelião, é preciso dar às pessoas formas pacíficas de expressar aquilo que querem”. Porque, sublinhava, “não se alcança a paz esmagando a dissidência”.

Para o velho professor, todo o seu pensamento se concentrava numa ideia, essa de que “as ditaduras têm medo dos meios pacíficos” e que um protesto que assuma essa componente pacifista deixa muito nervosos os governos mais opressivos. “Quando os ditadores mandam prender adolescentes mostram que estão nervosos, porque sabem, melhor que qualquer outra pessoa, quando os seus regimes estão enfraquecidos. Mandar prender um jovem de 19 anos é sinal de que o regime está muito fraco”, afirmava Sharp. E sendo certo que em Angola o regime não caiu, a maioria continua a pertencer ao mesmo partido (MPLA), não é menos real que o presidente José Eduardo dos Santos deixou o poder ao fim de 38 anos.

Honrado

Quando questionado sobre o facto de o colocarem como pensador ao nível de Gandhi e de Martin Luther King, dizia “tento sê-lo” e sobre o facto de “Da Ditadura à Democracia” ter tido tanta influência, mostrava-se “muito honrado por isso”.

“Eu escrevi este livro porque há pessoas que vivem sob opressão e que sofrem, são segregadas e agredidas e torturadas na prisão e precisam de ajuda para saber como agir para se conseguirem libertar. Não sou eu que consigo a liberdade, são as pessoas agredidas e torturadas ou presas que se libertam a si mesmas”, explicava.
Para Sharp, recorrer à violência para derrubar uma ditadura era apenas estúpido e contraproducente, “porque as ditaduras têm à sua disposição todos os meios para exercer a violência”, “todas as armas, todas as bombas, todos os meios de tortura, todas as prisões”. Daí que questionava: “Por que razão vamos escolher as armas do inimigo? Não faz qualquer sentido”.

by sol.sapo.pt

A 'mesada' de Lula para os filhos


Redação O Antagonista

21.03.16 

A Polícia Federal também encontrou no apartamento de Lula termos de doações de importantes quantias dele e de Marisa para os filhos Luís Cláudio e Marcos Cláudio, assim como para a nora Marlene de Araújo, casada com Sandro Luís.
As doações foram feitas em 2011, em valores individuais de R$ 200 mil.

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Veja quem são os próximos ministros do STF a se aposentar

Presidente Jair Bolsonaro poderá indicar segundo ministro da corte após saída de Marco Aurélio



A idade de 75 anos como limite para aposentadoria compulsória do serviço público está em vigor desde 2015, na época do governo Dilma Rousseff (PT). Naquela ocasião, com a base governista em avançado processo de esfacelamento, a Câmara dos Deputados, sob liderança do então presidente Eduardo Cunha, aprovou a ampliação de 70 para 75 anos a idade de aposentadoria compulsória.

Na prática, a proposta de Emenda à Constituição retirou de Dilma as chances de nomear mais quatro ministros que se aposentariam até 2018. Entretanto, o tema voltou ser discutido entre parlamentares da base de apoio a Bolsonaro. A deputada Bia Kicis (PSL-DF) apresentou uma nova PEC para revogar a regra em vigor e restabelecer a idade de 70 anos como limite, ampliando o número de indicações que poderiam ser feitas por Bolsonaro.

Há ainda propostas legislativas para alterar o processo de nomeação à principal corte do país, como a indicação a partir de uma lista tríplice ou a limitação do mandato dos ministros a dez anos.
Veja abaixo quando os atuais ministros devem se aposentar


– Ricardo Lewandowski: maio de 2023 (indicado por Lula em 2006)

– Rosa Weber: outubro de 2023 (indicada por Dilma em 2011)

– Luiz Fux: abril de 2028 (indicado por Dilma em 2011)

– Cármen Lúcia: abril de 2029 (indicada por Lula em 2006)

– Gilmar Mendes: dezembro de 2030 (indicado por FHC em 2002)

– Edson Fachin: fevereiro de 2033 (indicado por Dilma em 2015)

– Luís Roberto Barroso: março de 2033 (indicado por Dilma em 2013)

– Dias Toffoli: novembro de 2042 (indicado por Lula em 2009)

– Alexandre de Moraes: dezembro de 2043 (indicado por Temer em 2017)

– Nunes Marques: maio de 2047 (indicado por Bolsonaro em 2020)

- Mendonça (indicado por Bolsonaro em 2021)

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