domingo, 19 de março de 2017

Maggi diz que PF deveria ter consultado governo sobre Carne Fraca

Segundo ministro da Agricultura, alguns fatos apontados como irregulares pela Operação Carne Fraca são, na verdade, práticas do setor



Ministro da Agricultura, Blairo Maggi (Moreira Mariz/Agência Senado)



Brasília – O ministro da Agricultura, Blairo Maggi, criticou neste domingo, 19, a “narrativa” da Operação Carne Fraca pela Polícia Federal. Maggi reclamou que o Ministério da Agricultura não foi consultado e disse que poderia ter esclarecido pontos que foram considerados irregulares pela PF, mas são práticas do setor. “Em função da narrativa é que se criou grande parte dos problemas que temos hoje”, afirmou. Após a entrevista, Maggi disse que não ficaria “batendo boca” com a PF via imprensa.
Ele citou um áudio sobre papelão e disse que ficou claro que se tratava de embalagem, e não que o material seria misturado à carne, como indicou a polícia. “É uma idiotice. As empresas gastaram milhões de dólares para conquistar mercados, e vão misturar papelão?”, questionou.
Maggi também citou outro áudio que mostra um dono de frigorífico adquirindo carne de cabeça de porco para usar em linguiça. “Carne de cabeça de porco pode ser utilizada em determinados porcentuais, em determinados produtos. Está no regulamento”, completou.
Maggi disse que o governo respeita as investigações, mas que questionou a PF porquê de o Ministério da Agricultura não estar presente nas investigações. “Por que não estávamos presentes para dizer que cabeça de porco pode ser utilizada ou que ácido ascórbico é vitamina C?”, afirmou. De acordo com o ministro, a PF explicou que a Agricultura era parte da investigação, por isso não foi consultada, mas que a investigação agora terá o apoio técnico da pasta.
Maggi disse estar preocupado com a repercussão da operação em relação aos mercados importadores. “Uma atuação forte de países impedindo o recebimento de mercadorias significaria crise muito grande, por isso nosso apelo a embaixadores e os esclarecimentos de que estamos trabalhando muito fortemente para resolver esses assuntos”, acrescentou.
De acordo com o ministro e representantes do Itamaraty, não houve suspensão de importação por nenhum país e não houve referência a isso na conversa com os embaixadores. O presidente Temer também não abordou a questão na conversa com o presidente dos EUA, Donald Trump, ontem por telefone.
O Ministério da Agricultura se comprometeu a informar os nomes de empresas investigadas que exportaram nos últimos meses, quais os produtos e por onde as mercadorias circularam. “Os levantamentos iniciais que nós temos é que pouquíssimas empresas tiveram movimentação nos últimos 60 dias”, completou.
Maggi disse ainda que serão verificados os motivos para trocas de fiscais em determinadas plantas, apontadas pela PF como indicativos de corrupção. Uma das acusações é que fiscais que começavam a “apertar” a fiscalização eram trocados de locais. De acordo com o ministro, há mais de um ano já não é possível trocar os fiscais sem cumprir uma série de regras.
Outro ponto que será verificado é saber se toda a cadeia ligada aos frigoríficos suspeitos está sendo alvo de fiscalização e se todos os procedimentos estão sendo cumpridos. “Poderíamos tomar medida mais drásticas de interditar todas as plantas, mas o efeito na cadeia seria muito grande”, afirmou.

Exame

quarta-feira, 8 de março de 2017

Qual é o jogo do PT?




POR LUIS FELIPE MIGUEL*

Não sou petista, nunca fui. Mas, como qualquer brasileiro de esquerda, olho com atenção o que acontece no PT, já que ele ainda é, apesar de todo o desgaste, a principal legenda do campo popular no país.

Com o PT no governo, criticava-se a política tímida, a acomodação à ordem, a baixa intensidade utópica, o enfrentamento insuficiente dos privilégios históricos. Seus defensores diziam que era o preço a pagar para conquistar avanços seguros – e não me encontro entre os que julgam que tal argumento não merece atenção. Mesmo assim, o governo caiu. Caiu apesar de tanta cautela ou por causa dela? Uma boa discussão, que ainda vai ser travada por muitos anos.

Mas, enquanto travamos essa discussão, há outro ponto que não pode ser descuidado, que é a resistência ao golpe. É aí que o PT, ou parte dele, está emitindo sinais estranhos. A infeliz entrevista de Humberto Costa foi só o mais gritante deles.

Não sei em nome de quem o senador falou. Acho improvável que um líder político, mesmo sendo o Humberto Costa, vá dar uma entrevista daquela sem medir as consequências e sem se sentir lastreado para tanto. Nem é o componente simbólico de ter falado à Veja ou o brado por autocrítica pela corrupção, que pode ser razoável em abstrato mas tem sentido claro no concreto. O ponto é a clara sinalização em favor da “responsabilidade”, da “união”. O que se lê na entrevista é: vamos superar as mágoas, vamos esquecer o golpe, vamos nos dar as mãos para “salvar o Brasil”. Um discurso que podia ser do Temer.

Esse é o jogo do PT? A entrevista foi um ponto fora da curva, ma non troppo. Em dezembro, quando se abriu a crise entre Senado e STF, o senador Jorge Viana deixou claro que não queria ocupar a presidência da casa, que não queria se colocar em posição de atrapalhar a tramitação da PEC que congelou o investimento social. Há menos de um mês, a escolha das mesas tanto da Câmara quanto do Senado expôs o fato de que, para boa parte das bancadas, a luta contra o golpe está longe de ser prioridade. A direção do PT tem vacilado, mas algumas vezes é empurrada pela militância e faz – suaves, é verdade – esforços para impedir que os parlamentares saiam demais da linha.

Tem oportunismo, tem covardia. Mas parece que parte do PT se converteu mesmo ao pensamento único. Acha mesmo que tem que cortar gasto social, cortar direitos, endurecer as regras da previdência. Quem sabe até privatizar a água, como mostrou hoje um dos quatro deputados estaduais petistas do Rio. É uma parte que parece estar vendo no PT pouco mais do que um rótulo de fantasia para a disputa política.

Lula também emite sinais ambíguos. É alvejado pelos golpistas dia sim, dia também, mas parece que aquele troço de “paz e amor” entranhou nele. Aqui, faz um discurso aguerrido contra o golpe; ali, solta seu beneplácito para negociações de bastidores com os apoiadores de Temer. É o candidato dos pesadelos da direita para 2018, mas até agora não sinalizou, nem uma única vez, que entendeu que, se voltar à presidência, não poderá repetir a política de apaziguamento que colocou em marcha nos seus dois mandatos.

O PT mudou muito ao longo da sua história. O PT que chegou ao poder já era muito diferente daquele que tinha sido fundado pouco mais de 20 anos antes. Mas parece que agora uma grande parte dele não consegue mais se transformar. O partido que pode somar para a resistência democrática certamente não é o mesmo que exerceu o poder. A parte do PT que não entende isso trabalha objetivamente contra, e não a favor do movimento popular.

Espero que a militância do PT, que está entendendo o sentido do golpe muito melhor do que muitos de sua liderança, predomine dentro do partido.


* Luis Felipe Miguel é professor da UnB

sexta-feira, 3 de março de 2017

10 músicas dos Mamonas Assassinas que seriam censuradas nos tempos atuais


By Marcelo Faria -
Há 20 anos os integrantes de uma das bandas mais irreverentes, engraçadas e politicamente “incorretas” que já existiram no Brasil, os Mamonas Assassinas, sofriam um acidente fatal que entristeceu todo o país. Em uma época onde havia mais respeito pela liberdade de expressão e menos mimimi por qualquer coisa que fosse contra a lógica dos “justiceiros sociais” da esquerda, os Mamonas tocavam em todos os lugares: em televisões, rádios, festas de aniversário infantis, escolas e toda sorte de local se ouvia um “Sabão Crá Crá” ou um “mina, seus cabelo é da hora”.
A existência, hoje, de uma banda como os Mamonas Assassinas seria praticamente impossível. Os movimentos pseudo-sociais – uma minoria estridente financiada por partidos políticos irrelevantes que vivem às custas do dinheiro dos pagadores de impostos – formaram um punhado de chorões que reclamam (e são ouvidos pela grande mídia, tomada pelos mesmos partidários da esquerda) por absolutamente qualquer coisa que fuja do que desejam ou do que consideram ideal: de regras privadas (aceitas voluntariamente no momento da matrícula por pais e filhos) numa escola que impedem o uso de shortinhos até nomes de operações da Polícia Federal.
Pensando na diferença de liberdade de expressão daquela época (1995-1996) para hoje, fica claro que praticamente todas as músicas da banda seriam censuradas – muito provavelmente pela Justiça Brasileira, que entende o conceito de liberdade de expressão tão pouco quanto a esquerda mimimista. Dessa forma, reuni 10 músicas dos Mamonas Assassinas que seriam censuradas se a banda estivesse nos palcos hoje:
1406
“Preconceito com os pobres”, “incentivo à opressão capitalista”, “objetificação das mulheres” e “racismo” seriam apenas alguns dos argumentos que seriam usados para censurar esta música. Frases como “a pior de todas é a minha mulher, tudo o que ela olha a desgraçada quer” e “se der uma chuva de Xuxa, no meu colo cai Pelé” seriam estampadas na capa da Carta Capital para mostrar como a elite-branca coxinha-fascista pensa.
Vira-Vira
O movimento femimimista iria a loucura com a música, protestando com diversos textões no Facebook. Onde já se viu uma música “incentivar” as mulheres a irem para surubas, terem suas tetas arrancadas por negões e receberem mãos na bunda? O movimento negro também faria sua nota de repúdio informando que negões não arrancam tetas de mulheres.
Pelados em Santos
Um “homi” desejar que estivesse “pelados em Santos” e quer que as mulheres se casem, viajem para o Paraguai e compartilhem “feijão com jabá”? E ainda por cima falar para milhões de pessoas que a mulher te “deixa doidão”? Movimento “chega de fiu fiu” e processinho neles!
Chopis Centis
A xenofobia implícita da música com os nordestinos levaria a ações da OAB e discursos inflamados de políticos locais. Trechos como “eu prefiro aipim” e “a minha felicidade é um crediário das Casas Bahia” seriam temas de vídeos de Tico Santa Cruz e artigos de Gregório Duvivier sobre a opressão do povo do Sudeste por meio da música. Marxistas fariam longas teses que ninguém lê sobre a “fetichismo da mercadoria” implícito na música, o qual obriga os mais pobres a comprarem com crediário nas Casas Bahia.
Jumento Celestino
Aqui a xenofobia da “elite branca paulista” em relação aos nordestinos fica explícita. Leonardo Sakamoto faria longos textos sobre a escravidão do trabalho de boia fria e artistas que vivem às custas do dinheiro dos pagadores de impostos de todo o país, incluindo os nordestinos, fariam um abaixo assinado no Avaaz para que a música fosse censurada por discriminar os migrantes nordestinos.
Uma Arlinda Mulher
Com mais uma óbvia depreciação das mulheres, o movimento femimimista iria à loucura e lançaria o movimento “Vai ter mulher com cabelos no suvaco sim”, com Lola Aronovich encabeçando o movimento. O movimento negro entraria com uma ação na justiça requerendo a retirada do trecho “cabelo pixaim”. A Associação Internacional de Proteção às Borboletas do Afeganistão requereria os direitos autorais sobre a música por ter sido mencionada, enquanto 40 consumidores recorreriam ao Conar para retirar o “merchandising” da música.
Mundo Animal
Os defensores dos animais chamariam a Luísa Mel para fazer uma reportagem repudiando o incentivo à zoofilia no duplo sentido de “comer tatu é bom, que pena que dá dor nas costas”. O National Geographic faria um especial sobre o sexo dos elefantes enquanto o Greenpeace protestaria na porta de um show da banda contra a caça às baleias. O Conselho Tutelar tentaria impedir que a música fosse tocada para menores de 18 anos por conter a expressão “pinto dos elefantes”.
Robocop Gay
Associações de defesa dos LGBTs fariam amplas notas de repúdio sobre a música e beijaços nos shows da banda. Jean Wyllys ficaria um ano falando sobre preconceito contra os gays. O lançamento da música impulsionaria a aprovação do projeto que tornaria homofobia crime hediondo punível com pena de morte e toda a banda seria assassinada pelo próprio Jean Wyllys, vestido de Che Guevara.
Sábado de Sol
Os diretórios acadêmicos controlados pelo PSOL / PSTU / PT fariam maconhaços em diversas universidades, em um sábado de sol, para mostrar à população que os “maconheiros não querem comer feijão”.
Lá Vem o Alemão
O movimento femimimista explicaria como o Mamonas odeia as mulheres fazendo protestos com os seios de fora contra a objetificação das mulheres no trecho “só porque ele é lindo, loiro e forte, com dinheiro e um escort, como um Modess você me trocou”. Os defensores do direito dos animais retirariam suínos de fazendas privadas para mostrar como suínos devem ser tratados.
Brinde: a própria banda
O movimento negro invadiria salas de aula para dizer como o Mamonas Assassinas representava a elite branca que deve ser exterminada enquanto lutaria por cota para negros na banda. O Ministério Público entraria com uma ação na justiça para proibir crianças e adolescentes de entrarem nos shows dada a quantidade de palavrões e o fato de Dinho às vezes cantar de cueca. Luciana Genro falaria sobre como o grande capital financeiro de Guarulhos estaria atuando para acabar com o politicamente correto no país. E o Fantástico faria uma matéria de trinta minutos sobre a relação das músicas do Mamonas Assassinas com o aumento dos casos de xingamentos, bullying nas escolas, machismo, racismo e homofobia usando dados do IPEA.
Para concluir
Os liberais defendem a liberdade de expressão completa e irrestrita, até mesmo daquilo que discordamos. Os Mamonas Assassinas representavam um mar de liberdade de expressão politicamente “incorreta” que foi se perdendo ao longo dos anos no Brasil. Quanto mais restringimos a liberdade das pessoas falarem o que quiserem, mais restringimos a própria vida de milhões de pessoas às regras de um punhado de pessoas que acreditam que podem definir o que todas as outras podem ou não falar. Hoje pode ser censurado aquilo que você não gosta, mas e quando aquilo que você gosta – ou você mesmo – for censurado? Pense nisso.
Marcelo Faria
Presidente do ILISP e empreendedor.

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